{"id":15144,"date":"2016-09-06T14:01:21","date_gmt":"2016-09-06T13:01:21","guid":{"rendered":"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/?p=15144"},"modified":"2016-09-06T14:01:21","modified_gmt":"2016-09-06T13:01:21","slug":"da-separacao-a-alienacao-parental","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/?p=15144","title":{"rendered":"Da separa\u00e7\u00e3o \u00e0 aliena\u00e7\u00e3o parental!"},"content":{"rendered":"<h2>Da separa\u00e7\u00e3o \u00e0 aliena\u00e7\u00e3o parental!<\/h2>\n<p>Numa tarde de domingo, tinha eu dez anos, quando a minha m\u00e3e se sentou ao meu lado no sof\u00e1 da sala e come\u00e7ou a chorar, para me tentar contar que o meu pai ia sair de casa e eles se iam separar. Perante aquela informa\u00e7\u00e3o, passaram-me muitas perguntas pela cabe\u00e7a, mas fiquei calado pois a minha m\u00e3e n\u00e3o parava de chorar e senti-me na obriga\u00e7\u00e3o de tomar conta dela, abra\u00e7\u00e1-la e dizer que ia ficar tudo bem. Mas n\u00e3o ia\u2026! Que eles se <a href=\"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/opiniao\/com-filhos-antes-um-bom-divorcio-do-que-uma-grande-separacao\/\">iam separar<\/a> n\u00e3o era novidade para mim, eu ouvia-os a discutir no quarto h\u00e1 meses e meses, com insultos e amea\u00e7as de separa\u00e7\u00e3o. Depois de processar a informa\u00e7\u00e3o que a minha m\u00e3e me tinha acabado de dar, primeiro, fiquei chateado pelo facto do meu pai n\u00e3o estar presente e n\u00e3o ter tido coragem para falar comigo sobre isso. Segundo, o que realmente eu queria saber e ouvir era: \u201cse fui eu o culpado? \u201d; \u201co pai deixou de gostar de n\u00f3s?\u201d; \u201ccomo iria ser a minha vida da\u00ed em diante ?\u201d. As respostas a todas estas perguntas apareceram, gradualmente, muito mais tarde e n\u00e3o da melhor forma poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Aquilo que pensava ser um tormento de discuss\u00f5es que naquele dia teria terminado, era apenas uma ilus\u00e3o porque a partir da\u00ed foi muito pior!<strong> No in\u00edcio, pequenas atitudes inconscientes, da parte da minha m\u00e3e, denunciavam o decorrer deste filme de terror. Atitudes como: no momento de ir para casa do meu pai, a minha m\u00e3e ficava agarrada a mim durante imenso tempo e dizia que se eu quisesse, ela ia buscar-me a casa do pai. Sem ser propositado, era como se a minha m\u00e3e estivesse a dizer que o meu pai n\u00e3o conseguia tomar conta de mim e que eu n\u00e3o ia gostar de estar com ele.<\/strong> Quando eu voltava da casa do meu pai, a minha m\u00e3e fazia-me muitas perguntas e todas as respostas que eu dava, ela contra-argumentava:\u00a0<em>\u201cj\u00e1 vi que gostas mais de estar com o teu pai\u201d<\/em>. Estas pequenas atitudes, muitas vezes, inconscientes por parte da minha m\u00e3e, foram tomando propor\u00e7\u00f5es desmedidas.\u00a0 As discuss\u00f5es pelo telefone aumentaram de tom, os insultos eram cada vez piores e agora j\u00e1 era sobre mim, tudo na minha vida servia de desculpa para eles discutirem, ainda mais do que antes da separa\u00e7\u00e3o. Durante cerca de um ano, ouvia a minha m\u00e3e chorar, ouvia a minha m\u00e3e pronunciar frases do g\u00e9nero: \u201c<em>o teu pai n\u00e3o quer saber de n\u00f3s\u201d; \u201co teu pai n\u00e3o paga nada, sou eu que pago tudo!\u201d; \u201cele n\u00e3o quer saber de ti, s\u00f3 da namorada nova\u201d; \u201co teu pai n\u00e3o gosta de ti e por isso destruiu a nossa fam\u00edlia\u201d<\/em>. Frases como estas e outras bem piores repetiam-se vezes sem conta na minha cabe\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>\u00c0 medida que o tempo foi passando fui construindo uma ideia totalmente errada e deturpada do meu pai. N\u00e3o queria estar com o meu pai com medo de trair a minha m\u00e3e. Eu estava muito triste e confuso porque toda aquela informa\u00e7\u00e3o negativa sobre o meu pai n\u00e3o correspondia \u00e0 minha realidade.<\/strong> Nos primeiros tempos que estive sozinho com o meu pai aos fins-de-semana, eu adorei: passe\u00e1mos muito, ele fazia-me rir e estava sempre bem disposto. Era uma sensa\u00e7\u00e3o t\u00e3o boa, que \u00e0s vezes n\u00e3o queria voltar para casa, desejava ficar mais tempo com o meu pai. Este sentimento contrastava com toda a informa\u00e7\u00e3o negativa da minha m\u00e3e. Eu simplesmente era crian\u00e7a e n\u00e3o percebia o que a minha m\u00e3e, por vezes tamb\u00e9m inconscientemente, me estava a fazer, a mim e a ela pr\u00f3pria. Eu vivi aquela tristeza com a minha m\u00e3e, como se o meu pai se tivesse separado de mim tamb\u00e9m, como se o meu pai me tivesse trocado. Chorei com a minha m\u00e3e, dormi com a minha m\u00e3e muitas noites para a acalmar, por fim assumi o papel de pai e tomei conta dela.<\/p>\n<p>Ao final de um ano, a ang\u00fastia apoderou-se de mim. Com esta ambival\u00eancia de pensamentos e sentimentos comecei a baixar as notas. <a href=\"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/opiniao\/cronicas\/filhos-unicos-a-queda-de-um-mito\/\">N\u00e3o tinha irm\u00e3os <\/a>com quem compartilhar a minha dor, tinha medo de c\u00e3es por isso n\u00e3o havia companhia animal e tinha acabado de mudar para uma escola nova onde ainda n\u00e3o tinha amigos porque passava os intervalos sozinho a pensar em in\u00fameras coisas horr\u00edveis sobre mim e sobre a vida. Por fim, chegou o dia em que a minha m\u00e3e me levou a uma Psic\u00f3loga, que depois de avaliar o meu estado emocional resultante, segundo ela, de uma poss\u00edvel aliena\u00e7\u00e3o parental, falou com a minha m\u00e3e.\u00a0 A minha Psic\u00f3loga deu uma oportunidade \u00e0 minha m\u00e3e para mudar a sua atitude e me colocar de novo em contacto com o meu pai. Foi um percurso longo, at\u00e9 tudo voltar a acalmar. Hoje tenho 18 anos e deixo v\u00e1rios conselhos a todos os pais que se estejam a pensar separar:<\/p>\n<p><strong><u>No momento de separa\u00e7\u00e3o:<\/u><\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>\u00c9 importante que sejam os dois a falar;<\/li>\n<li>N\u00f3s n\u00e3o queremos saber com pormenor o motivo da separa\u00e7\u00e3o. Precisamos, isso sim, de informa\u00e7\u00e3o reduzida e simplificada;<\/li>\n<li>Queremos saber se fomos ou n\u00e3o os culpados;<\/li>\n<li>Precisamos de ouvir que a separa\u00e7\u00e3o \u00e9 definitiva e voc\u00eas j\u00e1 n\u00e3o v\u00e3o voltar mais a estar juntos;<\/li>\n<li>Queremos ouvir que apesar de voc\u00eas se irem separar um do outro, n\u00e3o se v\u00e3o separar de n\u00f3s e v\u00e3o continuar a gostar de n\u00f3s;<\/li>\n<li>Precisamos muito de saber como vai ser a nossa vida da\u00ed para frente: o que vai mudar?; quanto tempo vou passar com o pai?; como v\u00e3o ser as f\u00e9rias e os anivers\u00e1rios?;<\/li>\n<li>Por \u00faltimo: queremos que estejam dispon\u00edveis para esclarecer qualquer d\u00favida que ainda possamos ter.<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong><u>Ap\u00f3s a separa\u00e7\u00e3o:<\/u><\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Guardem para voc\u00eas todas as coisas m\u00e1s que pensam um sobre o outro. Para sermos felizes precisamos de construir uma imagem positiva dos dois;<\/li>\n<li>Quando falarem mal um do outro, com algu\u00e9m ou ao telefone, tentem garantir que n\u00f3s realmente n\u00e3o estamos ou n\u00e3o conseguimos ouvir;<\/li>\n<li>N\u00e3o queremos servir de \u201cespi\u00f5es\u201d da vida de cada um de voc\u00eas e por isso dispensamos perguntas detalhadas sobre o que fizemos em casa de cada um;<\/li>\n<li>Tudo o que est\u00e1 relacionado com o dinheiro, entendam-se! Quando somos pequenos, n\u00f3s n\u00e3o precisamos saber se o pai ou m\u00e3e n\u00e3o pagam o que devem;<\/li>\n<li>N\u00f3s compreendemos a vossa dor e at\u00e9 vos podemos ajudar nas tarefas de casa, mas voc\u00eas j\u00e1 s\u00e3o grandes para tomarem conta de voc\u00eas pr\u00f3prios emocionalmente, n\u00e3o precisamos de viver a vossa tristeza. Temos o direito de viver a nossa pr\u00f3pria tristeza e tamb\u00e9m, precisamos de tempo para nos adaptarmos a esta nova situa\u00e7\u00e3o;<\/li>\n<li>Por fim, quando tiverem outra pessoa na vossa vida \u2013 namorada(o), antes de nos apresentarem, tenham a certeza de que h\u00e1 uma forte possibilidade de dar certo. N\u00e3o precisamos de conhecer todos os vossos namorados(as) porque: n\u00e3o vamos querer dar confian\u00e7a a uma pessoa que n\u00e3o sabemos se vai ou n\u00e3o desaparecer da nossa vida; deixamos de confiar em voc\u00eas; e sobretudo, porque deixamos de acreditar no amor!<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Da separa\u00e7\u00e3o \u00e0 aliena\u00e7\u00e3o parental! Numa tarde de domingo, tinha eu dez anos, quando a minha m\u00e3e se sentou ao meu lado no sof\u00e1 da sala e come\u00e7ou a chorar, para me tentar contar que o meu pai ia sair de casa e eles se iam separar. 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