{"id":15050,"date":"2016-08-19T21:00:35","date_gmt":"2016-08-19T20:00:35","guid":{"rendered":"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/?p=15050"},"modified":"2016-08-19T21:00:35","modified_gmt":"2016-08-19T20:00:35","slug":"aprender-a-amar-quebrando-o-ciclo-do-nao-afeto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/?p=15050","title":{"rendered":"Aprender a amar: quebrando o ciclo do (n\u00e3o) afeto"},"content":{"rendered":"<p>Quando se fala em maternidade grande parte das mulheres associa essa experi\u00eancia a algo maravilhoso, polvilhado de amor e ternura. Ser m\u00e3e \u00e9 descrito, no geral, como uma experi\u00eancia gratificante e bastante positiva.<\/p>\n<p>Mas a maternidade implica uma mudan\u00e7a interna e identit\u00e1ria: de mulher e filha a mulher e m\u00e3e, com novos pap\u00e9is, novas expectativas, numa reestrutura\u00e7\u00e3o progressiva e cont\u00ednua de ser e de estar. Sendo um processo relativamente tranquilo, mesmo em situa\u00e7\u00f5es de gravidez n\u00e3o desejada, em fun\u00e7\u00e3o do contexto, das viv\u00eancias e da estrutura da personalidade, nem sempre \u00e9 assim.<\/p>\n<p>A par da observa\u00e7\u00e3o cl\u00ednica, v\u00e1rios estudos v\u00eam suportar a ideia de que uma gravidez indesejada (n\u00e3o quer dizer, necessariamente, n\u00e3o planeada), influencia o v\u00ednculo m\u00e3e-filho. Se a afetividade \u00e9 um constructo complexo, nestes casos o afeto vai emergindo da ambival\u00eancia entre o sentimento de culpa pela rejei\u00e7\u00e3o e a tentativa de compreens\u00e3o e aceita\u00e7\u00e3o. Em casos patol\u00f3gicos, a liga\u00e7\u00e3o m\u00e3e-beb\u00e9 tem uma constru\u00e7\u00e3o deficit\u00e1ria, levando \u00e0 continuidade da rejei\u00e7\u00e3o, de forma mais ou menos evidente, ap\u00f3s o nascimento.<\/p>\n<p>Quando em contexto interventivo ouvimos express\u00f5es como: \u201c<em>tirem isto de dentro de mim<\/em>\u201d ou \u201c<em>devia ter ido parar \u00e0 sanita como foram os outros<\/em>\u201d, \u00e9 a evid\u00eancia clara de que o papel de m\u00e3e n\u00e3o foi interiorizado. \u00c9 a express\u00e3o crua do mal-estar da m\u00e3e e da sua incapacidade em lidar com a maternidade e com a nova identidade que lhe est\u00e1 associada.<\/p>\n<p>Pare para pensar, antes de fazer qualquer ju\u00edzo de valor. Conhece a hist\u00f3ria de vida daquelas mulheres? Como foi a constru\u00e7\u00e3o dos seus pr\u00f3prios afetos? Alguma vez ter\u00e1 sido amada? Que contornos e que significado tem aquela gravidez?<\/p>\n<p><strong>A experi\u00eancia cl\u00ednica diz-nos que estas mulheres t\u00eam uma rela\u00e7\u00e3o patol\u00f3gica com a afetividade e, na maioria dos casos, n\u00e3o conseguem \u201csentir\u201d de outra forma. Muitas tiveram, tamb\u00e9m, uma inf\u00e2ncia complicada, outras sentiram que n\u00e3o eram amadas, ou que nunca foram verdadeiramente aceites. Por norma, s\u00e3o pessoas que n\u00e3o aprenderam a amar de forma positiva.<\/strong><\/p>\n<p>Chegam-nos ao consult\u00f3rio crian\u00e7as para acompanhamento psicol\u00f3gico em que a abordagem necess\u00e1ria seria a familiar ou sist\u00e9mica mas, na maior parte dos casos, \u00e9 a crian\u00e7a que continua a ser \u201crejeitada\u201d, continua a ser \u201caquela\u201d que tem problemas identificados. Muitas das vezes n\u00e3o \u00e9 a crian\u00e7a que precisa de ter acompanhamento psicol\u00f3gico e sim a m\u00e3e.<\/p>\n<p>Noutros casos a m\u00e3e entra numa espiral comportamental (inconsciente) para al\u00edvio culpa, que se manifesta em atitudes de compensa\u00e7\u00e3o: permissividade, excesso de toler\u00e2ncia ou falta de limites, compensa\u00e7\u00f5es materiais, entre outras. No fundo sente arrependimento pelos seus pensamentos ou atitudes e teme, tamb\u00e9m, ser rejeitada pelo filho\/a.<\/p>\n<p>Claro que nos passa pela cabe\u00e7a muitas quest\u00f5es: como ser\u00e1 a vida desta crian\u00e7a? Ser\u00e1 algum dia verdadeiramente aceite e amada de forma saud\u00e1vel? Nestes casos e na impossibilidade de haver um acompanhamento familiar, resta-nos ajudar a crian\u00e7a. Como? Atrav\u00e9s do restabelecimento de rela\u00e7\u00f5es afetivas e v\u00ednculos afetivos saud\u00e1veis, quebrando o ciclo transgeracional de rejei\u00e7\u00e3o e de inseguran\u00e7a.<\/p>\n<p>Fica a sugest\u00e3o de ver (ou rever) o filme <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=VWfGFhSS51o\">\u201c\u00c1lbum de fam\u00edlia\u201d<\/a> onde o tema da transgeracional est\u00e1 bem presente na hist\u00f3ria de 3 mulheres (irm\u00e3s), todas elas com as suas pr\u00f3prias \u201cferidas narc\u00edsicas\u201d, em que a imagem de uma m\u00e3e contentora n\u00e3o foi constru\u00edda e interiorizada, condicionando um desenvolvimento pleno e saud\u00e1vel a cada uma delas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando se fala em maternidade grande parte das mulheres associa essa experi\u00eancia a algo maravilhoso, polvilhado de amor e ternura. Ser m\u00e3e \u00e9 descrito, no geral, como uma experi\u00eancia gratificante e bastante positiva. 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