{"id":15035,"date":"2016-08-13T09:00:06","date_gmt":"2016-08-13T08:00:06","guid":{"rendered":"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/?p=15035"},"modified":"2016-08-13T09:00:06","modified_gmt":"2016-08-13T08:00:06","slug":"a-depressao-pos-parto-nao-e-banal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/?p=15035","title":{"rendered":"A depress\u00e3o p\u00f3s-parto n\u00e3o \u00e9 banal"},"content":{"rendered":"<h2>A depress\u00e3o p\u00f3s-parto n\u00e3o \u00e9 banal<\/h2>\n<p>Muitas vezes vemos posts, cartoons, textos e desabafos acerca de uma m\u00e3e <a href=\"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/opiniao\/pura-e-simplesmente-mae-mae-cansada\/\">extremamente cansada e esgotada<\/a>, quando percorremos as redes sociais.<\/p>\n<p>Efetivamente, a maternidade exige uma <a href=\"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/opiniao\/antes-de-ser-mae-nao-imaginava\/\">grande mudan\u00e7a<\/a>, implicando uma altera\u00e7\u00e3o ao estilo de vida, diminuindo a disponibilidade para outras tarefas e mudando a identidade da mulher. No entanto, n\u00e3o podemos confundir estas altera\u00e7\u00f5es normais e saud\u00e1veis com uma depress\u00e3o p\u00f3s-parto. <strong>\u00c9 negligente desvalorizar sentimentos t\u00e3o fortes e intensos que constituem uma patologia bem descrita e conhecida.<\/strong><\/p>\n<p>Banalizar o sofrimento n\u00e3o acaba com ele e pode levar a que uma mulher deprimida n\u00e3o pe\u00e7a ajuda, podendo pensar que \u00e9 normal que se sinta assim t\u00e3o em baixo. Na realidade, n\u00e3o \u00e9 normal estar deprimido em nenhuma fase da vida, incluindo no puerp\u00e9rio e, mais \u00e0 frente, no decorrer da inf\u00e2ncia da crian\u00e7a.<\/p>\n<p><strong><a href=\"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/saude-e-bem-estar\/depressao-na-adolescencia\/\">A depress\u00e3o<\/a> \u00e9 uma doen\u00e7a e pode ser tratada com a ajuda certa.<\/strong> A psicoterapia torna-se uma ferramenta fundamental para ultrapassar esta patologia e para evitar futuras reca\u00eddas, a par com a avalia\u00e7\u00e3o do m\u00e9dico para eventual interven\u00e7\u00e3o psicofarmacol\u00f3gica. Uma depress\u00e3o p\u00f3s-parto que n\u00e3o \u00e9 tratada, pode perdurar anos e n\u00e3o \u00e9 raro receber pacientes em consulta com queixas depressivas que, ao procurarmos o in\u00edcio dos sintomas, vamos encontrar o nascimento de um filho que pode at\u00e9 j\u00e1 ser adolescente.<\/p>\n<p>Diferente do <em>blues <\/em>p\u00f3s-parto, <strong>em que existe uma perturba\u00e7\u00e3o breve e moderada do humor,<\/strong> num n\u00famero muito elevado de mulheres, e tamb\u00e9m diferente da psicose puerperal, que atinge um n\u00famero reduzido de mulheres e que se trata de uma perturba\u00e7\u00e3o psicopatol\u00f3gica grave, a depress\u00e3o p\u00f3s-parto surge por volta do 2.\u00ba ou 3.\u00ba m\u00eas ap\u00f3s o nascimento do beb\u00e9. Os sintomas podem ser menosprezados porque est\u00e3o<strong> associados ao cansa\u00e7o e ao desgaste provocados pela acumula\u00e7\u00e3o dos cuidados a prestar ao beb\u00e9<\/strong>. No entanto, importa perceber se estes sintomas s\u00e3o intensos e permanecem no tempo: <strong>tristeza, perda de interesse, altera\u00e7\u00f5es no apetite, perturba\u00e7\u00f5es do sono, perda de energia, pessimismo ou culpabilidade, idea\u00e7\u00e3o suicida.<\/strong> Paralelamente, na depress\u00e3o p\u00f3s-parto os sintomas f\u00edsicos costumam estar mais exacerbados: <strong>cefaleias, cansa\u00e7o extremo, choro f\u00e1cil, etc..<\/strong> De acordo com a literatura, existem poucas evid\u00eancias de que a depress\u00e3o p\u00f3s-parto esteja associada apenas a mecanismos biol\u00f3gicos (altera\u00e7\u00f5es hormonais e metab\u00f3licas). Neste sentido, muitos autores t\u00eam evidenciado a import\u00e2ncia dos fatores biol\u00f3gicos, obst\u00e9tricos, sociais e psicol\u00f3gicos como causas conjuntas para a depress\u00e3o p\u00f3s-parto.<\/p>\n<p><strong>O suporte social \u00e9 fundamental na preven\u00e7\u00e3o da depress\u00e3o p\u00f3s-parto, com o c\u00f4njuge e a fam\u00edlia como prestadores principais da mulher.<\/strong><\/p>\n<p>Uma gravidez n\u00e3o desejada, as dificuldades na amamenta\u00e7\u00e3o ou um parto dif\u00edcil, podem ser o rastilho para o decl\u00ednio do bem estar psicol\u00f3gico da m\u00e3e.<\/p>\n<p><strong>Importa aqui salientar que uma m\u00e3e deprimida est\u00e1 em sofrimento e precisa de ajuda<\/strong>. A culpabilidade caracter\u00edstica da doen\u00e7a, juntamente com a coniv\u00eancia do exterior, pode levar esta m\u00e3e a n\u00e3o pedir ajuda, afetando a evolu\u00e7\u00e3o dos sintomas, a rela\u00e7\u00e3o conjugal e a rela\u00e7\u00e3o m\u00e3e-beb\u00e9. A m\u00e3e deprimida pode sentir-se<strong> menos competente, menos ligada emocionalmente ao beb\u00e9, mais dependente de terceiros e mais isolada socialmente.<\/strong> E assim chegamos de um extremo a outro: num lado temos a <a href=\"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/opiniao\/os-super-poderes-de-uma-mae\/\">\u201csuper-m\u00e3e\u201d<\/a>, fiel aos seus instintos, capaz de tudo, cuidadora incans\u00e1vel e ultra-resistente \u00e0 frustra\u00e7\u00e3o; do outro lado temos uma m\u00e3e que luta contra todas as dificuldades, internas, f\u00edsicas e do exterior e que acaba o dia desesperada, mas que recebe uma certa confirma\u00e7\u00e3o do senso comum de que \u00e9 normal sentir-se assim.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/opiniao\/carta-as-maes-mais-que-perfeitas\/\">Nenhuma m\u00e3e \u00e9 perfeita, <\/a>mas \u00e9 suposto que possa viver a maternidade de uma forma positiva e satisfat\u00f3ria.<\/p>\n<p>N\u00e3o isenta de frustra\u00e7\u00f5es, a maternidade d\u00e1 \u00e0 mulher uma resposta emocional sobre <a href=\"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/opiniao\/ser-filha-ser-mae\/\">que filha fomos e que m\u00e3e<\/a> somos agora&#8230; em que mulher nos torn\u00e1mos. E \u00e9 suposto que sejamos capazes de usufruir do lado positivo da maternidade, sem lentes depressivas que ofusquem essa maravilhosa experi\u00eancia.<\/p>\n<p>A depress\u00e3o p\u00f3s-parto n\u00e3o \u00e9 banal e deve ser tratada.<\/p>\n<p>Por\u00a0Marta Russo,\u00a0Psic\u00f3loga Cl\u00ednica \/Psicoterapeuta, Healthy Mommy<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">imagem@taratur<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A depress\u00e3o p\u00f3s-parto n\u00e3o \u00e9 banal Muitas vezes vemos posts, cartoons, textos e desabafos acerca de uma m\u00e3e extremamente cansada e esgotada, quando percorremos as redes sociais. Efetivamente, a maternidade exige uma grande mudan\u00e7a, implicando uma altera\u00e7\u00e3o ao estilo de vida, diminuindo a disponibilidade para outras tarefas e mudando a identidade da mulher. 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