{"id":14644,"date":"2016-06-06T21:00:54","date_gmt":"2016-06-06T20:00:54","guid":{"rendered":"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/?p=14644"},"modified":"2016-06-06T21:00:54","modified_gmt":"2016-06-06T20:00:54","slug":"perturbacao-do-regresso-como-se-embala-uma-familia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/?p=14644","title":{"rendered":"Perturba\u00e7\u00e3o do Regresso | Como se embala uma fam\u00edlia"},"content":{"rendered":"<h2>Perturba\u00e7\u00e3o do Regresso | Como se embala uma fam\u00edlia<\/h2>\n<p>\u201c<em>Eu n\u00e3o estou igual, n\u00e3o sou bem a mesma\u201d<\/em>. Quando digo isto, h\u00e1 quem me perceba de imediato&#8230;<\/p>\n<p>Em Portugal n\u00e3o \u00e9 um tema muito falado, mas no Brasil j\u00e1 \u00e9 assunto.<strong>\u00a0O nome pode variar desde perturba\u00e7\u00e3o do regresso, s\u00edndrome de retorno, jet lag emocional, stress de acultura\u00e7\u00e3o de retorno, e at\u00e9 ferida do retorno.<\/strong> \u00c9 um vazio inexplic\u00e1vel, sem causas aparentes, mas que afecta muitos imigrantes. E estranhamente n\u00f3s somos um Pa\u00eds de gente com alma lusa e os\u00a0dois\u00a0p\u00e9s no Mundo.<\/p>\n<p>Quando partimos, sabemos os cuidados que devemos ter.<\/p>\n<p>Estudamos o Pa\u00eds, as pessoas, fazemos perguntas, questionamos, investigamos. Inquieta-nos\u00a0o que nos espera e os cuidados que deveremos ter quando chegamos ao outro pa\u00eds.\u00a0Tentamos perceber a cultura. Nas primeiras semanas fazemos quest\u00e3o de sair de casa e conhecer a cidade, de nos sentirmos cidad\u00e3os da nova morada. Passamos a ouvir a m\u00fasica local e tentamos aprender os termos de rua para n\u00e3o nos sentirmos t\u00e3o deslocados. No dia da partida\u00a0\u00e9 um n\u00f3 gigantesco que fazemos com a nossa capa de super aventureiros e\u00a0despedimo-nos\u00a0capazes de tomar o mundo. Na mala vai sempre, seja a primeira, seja qualquer viagem, um pouco do nosso Pa\u00eds connosco.<\/p>\n<p><strong>Quando planeamos o regresso ao\u00a0nosso Pa\u00eds de origem\u00a0nem nos passa pela cabe\u00e7a fazer qualquer tipo de pesquisa. E a alegria e entusiamo do regresso estranhamente e rapidamente se transformam nuns fen\u00f3menos que podem levar desde \u00e0\u00a0sensa\u00e7\u00e3o de falta de identidade at\u00e9 depress\u00e3o<\/strong>. Somos invadidos\u00a0por sentimentos t\u00e3o d\u00edspares como a solid\u00e3o, o t\u00e9dio, o arrependimento, a dece\u00e7\u00e3o e a n\u00e3o perten\u00e7a. H\u00e1 quem fale num per\u00edodo de dois anos para que nos consigamos\u00a0readaptar.<\/p>\n<p>Os amigos come\u00e7am por reclamar da nossa constante insatisfa\u00e7\u00e3o ou do facto de falarmos tanto do Pa\u00eds onde estivemos. Mas muitas das vezes as pessoas esquecem-se que \u00e9 dif\u00edcil falarmos de n\u00f3s sem nos colocarmos num local, e a verdade \u00e9 que o local onde tudo nos aconteceu nos \u00faltimos anos era um pa\u00eds diferente, onde vivemos\u00a0felizes e criamos\u00a0ra\u00edzes.<\/p>\n<p>Com a dist\u00e2ncia, perdemos n\u00e3o s\u00f3 o p\u00e9 no solo do nosso pa\u00eds, mas tamb\u00e9m a cumplicidade e espontaneidade conquistada desde o dia que nascemos. <strong>E estranhamos\u2026 temos uma vontade inexplic\u00e1vel de fazer malas e ir \u00e0 nossa procura.<\/strong> Sentimo-nos perdidos. Pensamos que voltamos para um lugar que conhecemos desde sempre, familiar, o nosso ninho, mas no fim\u00a0conclu\u00edmos que afinal pertencemos ao Mundo e que este canto \u00e0 beira mar plantado \u00e9 demasiado pequeno\u2026<\/p>\n<p><strong>Quais as principais causas desta\u00a0dificuldade de readapta\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li><strong>Sensa\u00e7\u00e3o que se perdeu o barco<\/strong>: quando se volta, muita coisa aconteceu enquanto estivemos\u00a0fora. Perdemos as novidades, as pessoas foram vivendo, foram conhecendo outras pessoas. Sobreviveram sem a nossa presen\u00e7a, assim como n\u00f3s sobrevivemos sem a presen\u00e7a delas.<\/li>\n<li><strong>Falta de novidade<\/strong>: Quando estamos fora tudo \u00e9 novidade, tudo \u00e9 novo, estamos constantemente a aprender e a colocarmo-nos \u00e0 prova. Aprendemos que somos \u00f3ptimos a desenrascarmo-nos, somos aventureiros e corajosos.<\/li>\n<li><strong>Amigos<\/strong>: A falta que as pessoas nos fazem. Quando se vive longe, como n\u00e3o h\u00e1 fam\u00edlia, passamos a contar mais uns com os outros e as rela\u00e7\u00f5es s\u00e3o realmente profundas. Rela\u00e7\u00f5es essas que\u00a0no Pa\u00eds de origem, muitas das vezes, nunca existiriam. S\u00e3o la\u00e7os de amizade muito fortes e a sensa\u00e7\u00e3o de que se pode nunca mais voltar a ver estas\u00a0pessoas, ou que possam ter um papel menos relevante na nossa vida, aumentam a sensa\u00e7\u00e3o de vazio do retorno, e consequentemente \u00e9 uma das causas da depress\u00e3o.<\/li>\n<li><strong>Saudades das viagens<\/strong>: Quando estamos longe, aproveitamos a desculpa de estar afastado para viajar. Conhecer o Pa\u00eds para onde nos mud\u00e1mos e os vizinhos. Juntando o \u00fatil ao agrad\u00e1vel. Quando voltamos a saudade das viagens e a vontade de conhecer o mundo s\u00f3 aumentam.<\/li>\n<li><strong>A sensa\u00e7\u00e3o de que \u201ceu mudei\u201d:<\/strong>\u00a0 este sentimento \u00e9 un\u00e2nime: todas as pessoas voltam diferentes. Adquire-se experi\u00eancias, independ\u00eancia, capacidade de desenrasque, viv\u00eancia num novo idioma, uma infinitude de ganhos. Enquanto a pessoa criou uma bagagem cultural diferente e colecionou experi\u00eancias, a sua fam\u00edlia e amigos, mesmo que muito felizes por si, continuaram na rotina de sempre.<\/li>\n<li><strong>\u201cVoltei a ser comum\u201d:<\/strong>\u00a0quando moramos fora somos novidade. As pessoas t\u00eam saudades nossas, querem ouvir as nossas hist\u00f3rias. Quando regressamos\u00a0de f\u00e9rias todos nos querem ver. Quando passamos a viver novamente no Pa\u00eds, vemos as pessoas com a mesma regularidade de quando est\u00e1vamos fora e n\u00e3o mais. E as nossas hist\u00f3rias deixam de ser novidade e passam a ser aborrecidas<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Como\u00a0ultrapassar e lidar com a Perturba\u00e7\u00e3o do Regresso:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>ver filmes ou ler livros, que o transporte para o local saudoso, para que possa recordar e matar saudades.<\/li>\n<li>partilhar as suas experi\u00eancias. Mas torne as suas lembran\u00e7as em algo positivo,\u00a0agrad\u00e1vel e nunca sofrido. Ningu\u00e9m tem pachorra para ouvi-lo a queixar-se constantemente (nem voc\u00ea mesmo.)<\/li>\n<li>tornar-se turista no seu Pa\u00eds. Parta \u00e0 descoberta da sua cidade, parta \u00e0 descoberta do seu Pa\u00eds. Encontre as in\u00fameras surpresas agrad\u00e1veis que este canto que est\u00e1 na moda tem para lhe contar.<\/li>\n<li>n\u00e3o perder o contacto com as amizades feitas al\u00e9m fronteiras. N\u00e3o deixe os la\u00e7os de amizade esmorecerem por falta de conv\u00edvio. S\u00f3 estas pessoas viveram o mesmo que voc\u00ea. S\u00f3 estas pessoas ser\u00e3o capazes de perceber alguns dos seus sentimentos.<\/li>\n<li>dar tempo ao tempo. Pode demorar, mas todos acabamos por nos readaptar e por nos voltarmos a sentir em casa.<\/li>\n<li>continuar a viajar. Uma das melhores receitas \u00e9 viajar. Procure investir o seu tempo e dinheiro na procura de destinos para viajar. Nunca deixe de viajar, de crescer, de aprender, de se transformar.<\/li>\n<\/ul>\n<p>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Perturba\u00e7\u00e3o do Regresso | Como se embala uma fam\u00edlia \u201cEu n\u00e3o estou igual, n\u00e3o sou bem a mesma\u201d. 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