{"id":14378,"date":"2016-05-19T20:35:28","date_gmt":"2016-05-19T19:35:28","guid":{"rendered":"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/?p=14378"},"modified":"2016-05-19T20:35:28","modified_gmt":"2016-05-19T19:35:28","slug":"hiperatividade-diagnostico-ou-sintoma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/?p=14378","title":{"rendered":"HIPERATIVIDADE: Diagn\u00f3stico ou Sintoma?"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>\u201cReceio que n\u00e3o haja crian\u00e7as hiperativas mas adultos com d\u00e9fices de aten\u00e7\u00e3o.\u201d <\/em><\/strong>Eduardo S\u00e1, Revista Pais &amp; Filhos<strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p>As opini\u00f5es dividem-se! Enquanto uns fazem uma abordagem puramente biol\u00f3gica \u2013 como \u00e9 o caso dos Estados Unidos, onde a taxa de incid\u00eancia de TDAH (Transtorno do D\u00e9fice de Aten\u00e7\u00e3o com Hiperatividade), ronda os 9% da popula\u00e7\u00e3o infantil em idade escolar -, outros adotam uma perspetiva psico-social, compreendendo a quest\u00e3o \u00e0 luz de problem\u00e1ticas situacionais \u2013 sendo exemplo disso a Fran\u00e7a, em que os diagn\u00f3sticos s\u00e3o inferiores a 0,5%.<\/p>\n<p>A hiperatividade por si s\u00f3 n\u00e3o encerra um diagn\u00f3stico, mas \u00e9 antes um sintoma. E pode ser um sintoma de variad\u00edssimas quest\u00f5es:<\/p>\n<ol>\n<li>Simplesmente ser crian\u00e7a: as crian\u00e7as mexem, pulam, gritam, brincam, correm, cansam quem observa de tanta atividade, mas n\u00e3o se cansam. N\u00e3o s\u00e3o adultos, s\u00e3o mesmo assim: CRIAN\u00c7AS! Saudavelmente, crian\u00e7as!<\/li>\n<\/ol>\n<p>Quando, ainda assim, parece ser uma agita\u00e7\u00e3o excessiva, a lista pode continuar:<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li>Excesso de atividades: Pode acontecer que a agenda semanal da crian\u00e7a est\u00e1 t\u00e3o sobrecarregada de atividades, que a pr\u00f3pria crian\u00e7a entra num ritmo de agita\u00e7\u00e3o provocado por n\u00e3o ter mais momentos de puro lazer e descontra\u00e7\u00e3o. Por muito atrativas e apreciadas que as atividades sejam, \u00e9 importante priorizar algumas para que a semana n\u00e3o seja vivida num corrupio de horas de entrada e sa\u00edda do que quer que seja.<\/li>\n<li>A hiperatividade tamb\u00e9m surge no registo do chamado \u201cfuga para a frente\u201d, isto \u00e9, a crian\u00e7a que n\u00e3o est\u00e1 bem por alguma raz\u00e3o e age muito para n\u00e3o pensar. \u00c9 o sentir que \u201cn\u00e3o posso parar\u201d. \u00c0s vezes at\u00e9 chegam a conseguir relatar que n\u00e3o conseguem parar (o que tamb\u00e9m d\u00e1 ind\u00edcios sobre o mal estar).<\/li>\n<\/ol>\n<p>Naturalmente que uma crian\u00e7a mais \u201cagida\u201d, ter\u00e1 mais dificuldade em concentrar-se. Especialmente se a agita\u00e7\u00e3o estiver relacionada com algum desconforto. Nesse caso ter\u00e1 outros ind\u00edcios, como n\u00e3o conseguir ver um filme completo (quando pela idade isso \u00e9 j\u00e1 esperado); mudam rapidamente de brincadeira e de brinquedo, como se se cansassem facilmente do que t\u00eam; dormem pouco; parecem compreender as regras, mas habitualmente n\u00e3o as cumprem, etc.<\/p>\n<p>Ponderando o cen\u00e1rio acima descrito, e percebendo que a hiperatividade por ser significado de um mal-estar associado, como ser\u00e1 poss\u00edvel a concentra\u00e7\u00e3o? Utilizando uma express\u00e3o popular, se a crian\u00e7a \u201c est\u00e1 t\u00e3o preocupada com os seus bot\u00f5es\u201d, e canalizando a sua energia para a a\u00e7\u00e3o, como sobrar\u00e1 para estar atenta? Percebe-se, assim, a habitual rela\u00e7\u00e3o feita entre os dois sintomas: Hiperatividade e D\u00e9fice de Aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Todos n\u00f3s sabemos que, ao tomar um analg\u00e9sico, a raz\u00e3o da dor n\u00e3o desaparece. O que \u00e9 eliminado \u00e9 simplesmente o sintoma. Acontece, ent\u00e3o, que o problema subsiste, s\u00f3 anulamos o sintoma que d\u00e1 express\u00e3o a esse problema. Exemplo: um analg\u00e9sico elimina uma dor de cabe\u00e7a, mas (imaginando que essa \u00e9 uma dor provocada por falta de vis\u00e3o) n\u00e3o corrige a quest\u00e3o oft\u00e1lmica \u2013 atua somente no sintoma, n\u00e3o na raiz do problema. Precisamente o que se passa com a medica\u00e7\u00e3o aplicada \u00e0 Hiperativade e\/ou ao D\u00e9fice de Aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Atualmente, os diagn\u00f3sticos de TDAH somam-se e multiplicam-se a uma velocidade preocupante e as crian\u00e7as, adicionalmente ao r\u00f3tulo, recebem medica\u00e7\u00e3o para anular a agita\u00e7\u00e3o e garantir a concentra\u00e7\u00e3o. Resolve o problema? N\u00e3o! Quando param a medica\u00e7\u00e3o, mant\u00eam o mesmo padr\u00e3o de comportamento \u2013 a medica\u00e7\u00e3o age exclusivamente sobre o momento da toma e sobre o comportamento (sintoma). N\u00e3o age no que origina o comportamento hiperativo e a dificuldade de concentra\u00e7\u00e3o. Conseguem melhores resultados escolares? Sim! Enquanto tomam o medicamento, os n\u00edveis de aten\u00e7\u00e3o s\u00e3o aumentados, o que garante maior seguran\u00e7a no sucesso escolar. Isso justifica que se medique sem compreender o que est\u00e1 na base do desenvolvimento de um comportamento menos adequado? Discordo, em absoluto!<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">imagem@pathfinder<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cReceio que n\u00e3o haja crian\u00e7as hiperativas mas adultos com d\u00e9fices de aten\u00e7\u00e3o.\u201d Eduardo S\u00e1, Revista Pais &amp; Filhos\u00a0 As opini\u00f5es dividem-se! 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