{"id":14160,"date":"2016-05-11T21:00:00","date_gmt":"2016-05-11T20:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/?p=14160"},"modified":"2016-05-11T21:00:00","modified_gmt":"2016-05-11T20:00:00","slug":"educamos-em-piloto-automatico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/?p=14160","title":{"rendered":"Educamos em piloto autom\u00e1tico"},"content":{"rendered":"<p>A nossa forma de educar os nossos filhos tem muito a ver com o ambiente em que vivemos durante o nosso crescimento. Externo, mas mais ainda, o nosso ambiente interno.<\/p>\n<p>\u00c9 importante \u2013 mesmo que n\u00e3o nos seja muito conveniente &#8211; n\u00e3o vivermos fechados no nosso pr\u00f3prio mundo, porque os nossos filhos n\u00e3o vivem. Nem queremos que vivam.<\/p>\n<p>Numa cultura a \u00faltima coisa que muda \u00e9 a mentalidade. A mentalidade assenta em paradigmas poderos\u00edssimos que v\u00e3o sendo transmitidos gera\u00e7\u00e3o ap\u00f3s gera\u00e7\u00e3o, levando-nos a agir numa esp\u00e9cie de piloto autom\u00e1tico.<\/p>\n<p>Um paradigma \u00e9 uma esp\u00e9cie de programa mental herdado &#8211; conjunto de conceitos, padr\u00f5es e modelos de pensamento &#8211; que tem controlo sobre o nosso comportamento habitual.<\/p>\n<p>Sabe quando se pergunta a si pr\u00f3prio \u201c<em>porque \u00e9 que eu fiz isto?\u201d \u201cporque \u00e9 que agi assim?\u201d ou \u201ccomo \u00e9 que eu cheguei a este ponto?<\/em>\u201d Estas frases s\u00e3o-lhe familiares? Vivemos a grande maioria das nossas vidas em piloto autom\u00e1tico. E educamos os nossos filhos em piloto autom\u00e1tico tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>\u00c9 f\u00e1cil, neste momento, que estamos parados a ler, lembrarmo-nos de in\u00fameras situa\u00e7\u00f5es em que o fazemos, n\u00e3o \u00e9 verdade?<\/p>\n<p>Uma das raz\u00f5es pelas quais as pessoas que viajam parecem ter uma mente muito mais aberta do que aqueles que n\u00e3o o fazem \u00e9 exactamente porque contactam com outras culturas, com outras civiliza\u00e7\u00f5es de h\u00e1bitos diferentes, recebendo diferentes perspectivas do que realmente \u00e9 relevante. Recebendo a forma como outras culturas fazem as coisas. Como comem, como agem. Como agem e interagem com a suas crian\u00e7as. Como as tratam.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o precisamos de viajar para fora para ter essa no\u00e7\u00e3o. Na era em que vivemos, temos a facilidade de investigar formas diferentes de educar. E \u00e9 importante evoluir. Mas podemos fazer essa viagem dentro de n\u00f3s e procurar alternativas para educar de forma diferente.<\/p>\n<p>Volte \u00e0quelas frases que lhe s\u00e3o muito familiares e que tanto se questiona. Se se questiona \u00e9 porque h\u00e1 qualquer coisa dentro de si que n\u00e3o est\u00e1 a fazer sentido. Verdade?<\/p>\n<p>N\u00e3o devemos ficar fechados no nosso mundo em piloto autom\u00e1tico. Nem devemos educar os nossos filhos em piloto autom\u00e1tico. Sermos pais \u00e9 sabermos preparar-nos. Se existe teste ou exame para o qual \u00e9 preciso estudar \u00e9 este. Esque\u00e7a todos os outros. Este \u00e9 o mais importante.\u00a0 Por vezes parece um teste n\u00e3o \u00e9? Ou v\u00e1rios, at\u00e9, ao mesmo tempo.<\/p>\n<p>Mas na verdade n\u00e3o \u00e9. Sermos pais \u00e9 uma jornada. Uma caminhada. Uma viagem. Uma viagem onde conhecemos novos seres e a escolha \u00e9 nossa se acolhemos a sua cultura, se respeitamos a sua forma de estar, se bebemos do seu conhecimento, elevando estes seres \u2013 os nossos filhos &#8211; ao melhor de si que podem ser \u2013 dando n\u00f3s pr\u00f3prios o melhor de n\u00f3s. A escolha \u00e9 nossa. E \u00e9 uma escolha di\u00e1ria.<\/p>\n<p>Todos aprendemos melhor quando aprendemos de forma positiva. O c\u00e9rebro funciona e responde de forma diferente quando estimulado de forma positiva. Basta lembrarmo-nos de quem foram as pessoas que mais nos inspiraram. Que mais nos respeitaram. Que mais nos amaram. O que \u00e9 que bebemos delas? O que mais nos ensinaram na sua forma de agir connosco?<\/p>\n<p>Escolhemos um dia ser mos pais e m\u00e3es. Escolhemos acolher outro ser humano na nossa vida. Para viver na nossa casa. Para partilharmos a nossa vida. E isso \u00e9 um compromisso de amor. De amor maior.<\/p>\n<p>De uma responsabilidade colossal. Mas uma responsabilidade nada complexa. De uma responsabilidade simples. Pura.<\/p>\n<p>A nossa responsabilidade como pais \u00e9 de deixar um legado de amor. Um legado de generosidade. Um legado de paz interior aos nossos filhos. Independentemente da nossa hist\u00f3ria, Independentemente do nosso passado. Ou do nosso presente. N\u00e3o podemos educar os nossos filhos em piloto autom\u00e1tico.<\/p>\n<p>N\u00e3o nos tornemos livros de regras, cabe\u00e7as fechadas ou carrascos executores. Se o nosso filho perdeu o segundo casaco em menos de um m\u00eas, ele n\u00e3o precisa que o nosso piloto autom\u00e1tico nos permita enfurecer e faz\u00ea-lo sentir-se pior do que ele j\u00e1 se sente. Zangarmo-nos, aumenta a luta da crian\u00e7a consigo mesma. N\u00e3o lhe ensina nenhuma li\u00e7\u00e3o v\u00e1lida. Ensina-lhe a ficar zangado consigo mesmo. Apenas ensina que o casaco \u00e9 mais importante para n\u00f3s do que o nosso filho. E isso nunca \u00e9 bom.<\/p>\n<p>Sejamos terra f\u00e9rtil de harmonia se a queremos colher. Sejamos a personifica\u00e7\u00e3o da bondade, se a queremos receber em troca. Se queremos que os nossos filhos sejam bondosos.<\/p>\n<p>Sejamos inspiradores, ouvintes, curiosos acerca dos seus interesses. Daquilo que os move. Dos seus sonhos. Da sua natureza, se queremos que os nossos filhos sejam felizes.<\/p>\n<p>Porque se forem felizes, ser\u00e3o tamb\u00e9m bem sucedidos.<\/p>\n<p>A nossa hist\u00f3ria somos n\u00f3s que a constru\u00edmos.<\/p>\n<p>A forma como tratamos os nossos filhos\u00a0 &#8211; e como vemos as crian\u00e7as em geral &#8211; faz parte da nossa heran\u00e7a cultural. E isso nem sempre \u00e9 bom. Fazemos coisas com as quais nem sequer concordamos s\u00f3 porque algu\u00e9m nos disse que era assim, ou porque \u201cespecialistas afirmam\u201d. Infelizmente em vez de ajudar, muita da informa\u00e7\u00e3o que recebemos prejudica a rela\u00e7\u00e3o de amor entre pais e filhos.<\/p>\n<p>E dentro do nosso cora\u00e7\u00e3o, como \u00e9 que sentimos que dev\u00edamos fazer, quando h\u00e1 tanta coisa que para n\u00f3s n\u00e3o faz sentido?<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos educar crian\u00e7as em piloto autom\u00e1tico.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos. S\u00e3o pessoas que est\u00e3o ali. N\u00e3o s\u00e3o aut\u00f3matos nem robots. S\u00e3o pessoas. N\u00e3o s\u00e3o nossos s\u00fabditos ou subordinados. S\u00e3o pessoas que nos pedem constantemente carinho, apoio e suporte. Mesmo quando n\u00e3o falam. Mesmo quando nos ferem, nos atingem ou desiludem. Especialmente nesses momentos.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos educar em piloto autom\u00e1tico. Precisamos de parar para pensar na nossa jornada. Deitar fora o que n\u00e3o serve. Ancorar o que queremos daqui para diante. O segredo est\u00e1 em escutar o cora\u00e7\u00e3o, sentir e agir sempre com amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>imagem@shutterstock<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A nossa forma de educar os nossos filhos tem muito a ver com o ambiente em que vivemos durante o nosso crescimento. Externo, mas mais ainda, o nosso ambiente interno. \u00c9 importante \u2013 mesmo que n\u00e3o nos seja muito conveniente &#8211; n\u00e3o vivermos fechados no nosso pr\u00f3prio mundo, porque os nossos filhos n\u00e3o vivem. 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