{"id":14009,"date":"2016-05-09T21:00:41","date_gmt":"2016-05-09T20:00:41","guid":{"rendered":"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/?p=14009"},"modified":"2016-05-09T21:00:41","modified_gmt":"2016-05-09T20:00:41","slug":"e-viveram-felizes-para-sempre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/?p=14009","title":{"rendered":"E Viveram felizes para sempre\u2026"},"content":{"rendered":"<p>Era uma vez uma Eva!<\/p>\n<p>E isso, \u201cser digno de ser amado\u201d, foi algo que Eva guardou dentro de si, cuidando e alimentando \u00e0 medida que ia crescendo, no compasso de vida entre perdas e ganhos que a permitiram, com seguran\u00e7a, chegar \u00e0 idade adulta!<\/p>\n<p>At\u00e9 que um dia conheceu um Ad\u00e3o!<\/p>\n<p>J\u00e1 tinha conhecido outros; uns amou, outros desamou mas, foi aprendendo nestes amores e desamores, o ritmo adequado na dan\u00e7a dos afectos e a batida certa no compasso das rela\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Mas este era, claramente, diferente! N\u00e3o que ela precisasse de algu\u00e9m que lhe mostrasse o quanto era especial nem de um olhar que refletisse a pessoa linda que ela era; vivendo sempre num registo de dentro para fora e nunca de fora para dentro, a descoberta de si pr\u00f3pria ao longo do seu crescer, permitiu-lhe sempre nunca necessitar do outro para se preencher ou, ocupar um vazio, um vazio daqueles que muitas vezes destr\u00f3i e corr\u00f3i a alma de quem o sente e n\u00e3o permite, a quem o vive, amar-se em pleno.<\/p>\n<p>Este Ad\u00e3o, encantava-a! Perdida nos seus pensamentos, divagando com o cora\u00e7\u00e3o, ela olhava para ele e sentia-o seu! N\u00e3o o via como o Pr\u00edncipe que todas as mulheres sonham, tal conto infantil, via-o, como reza a B\u00edblia, como algu\u00e9m de onde poderia ter sido retirada enquanto metade da sua costela!<\/p>\n<p>E amou-o. Muito!<\/p>\n<p>Quando lhe trazia flores; quando lhe cantava ao ouvido (era assim que ela ouvia) palavras comuns mas que soavam a especiais; quando conversavam os dois sobre tudo e sobre nada; quando se olhavam de manh\u00e3 ao acordar; quando discutiam sobre coisas s\u00e9rias e banais; quando se calavam e preenchiam os sil\u00eancios s\u00f3 com o olhar; quando se ralhavam e amavam com a intensidade permitida e sentida por ambos; quando se complementavam nas decis\u00f5es que tinham que tomar ao longo do tempo que durou a rela\u00e7\u00e3o; quando se perdoavam por momentos dif\u00edceis de suportar e quando se perdoavam, mais uma vez, pelo afastamento sentido e calado por ambos.<br \/>\nE mesmo quando se reencontraram na rela\u00e7\u00e3o ap\u00f3s anos de dispers\u00e3o, de sentires e afazeres supostos a quem tem filhos e os ajuda a crescer, quando se olharam e comentaram um com o outro o quanto estavam ambos t\u00e3o parecidos com os pais e quando deram as m\u00e3os enrugadas e perceberam que o percurso agora, era mesmo s\u00f3 a dois, amou-o ainda mais!<\/p>\n<p>At\u00e9 que um dia, o Ad\u00e3o saiu da sua vida e n\u00e3o voltou mais!<\/p>\n<p>Eva, como sempre acontecera nesta rela\u00e7\u00e3o t\u00e3o sua e dele, sabia exatamente o que tinha acontecido! Porque o par que compunham na dan\u00e7a da vida, entrava sempre no ritmo e compasso certo mesmo que trope\u00e7assem, n\u00e3o precisava de muitas explica\u00e7\u00f5es para entender o que sucedera.<\/p>\n<p>Agora, neste percurso solit\u00e1rio perfeitamente justific\u00e1vel, com menos uma costela suportada por um corpo fr\u00e1gil, na insuportabilidade suposta, pela aus\u00eancia, Eva, vivia uma saudade saud\u00e1vel, nas mem\u00f3rias constru\u00eddas a dois e agora pensadas s\u00f3 por um, nas palavras ditas e nas que ficaram por dizer, nos relatos enfatizados pelo seu pr\u00f3prio reviver sem necessidade de p\u00fablico mas que passavam sobretudo pelo seu relembrar; Eva, vivendo de dentro para fora, nunca precisou do seu Ad\u00e3o para se sentir viva! Eva, viveu o seu Ad\u00e3o enquanto a metade que a complementava e n\u00e3o a que a completava; perante a sua aus\u00eancia, ela n\u00e3o se sentia incompleta, nem s\u00f3! Sentia-se viva pelo legado que ele lhe deixara, triste pela sua partida mas nunca, isso nunca, com a sensa\u00e7\u00e3o de ter sido mal amada! E isso, era o suficiente para a manter viva! At\u00e9 um dia\u2026<\/p>\n<p>Afinal, at\u00e9 h\u00e1 finais felizes!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-14012\" src=\"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/eva.jpg\" alt=\"eva\" width=\"375\" height=\"632\" \/><\/p>\n<p>Ana de Ornelas<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Era uma vez uma Eva! E isso, \u201cser digno de ser amado\u201d, foi algo que Eva guardou dentro de si, cuidando e alimentando \u00e0 medida que ia crescendo, no compasso de vida entre perdas e ganhos que a permitiram, com seguran\u00e7a, chegar \u00e0 idade adulta! At\u00e9 que um dia conheceu um Ad\u00e3o! 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