{"id":13941,"date":"2016-04-29T12:11:52","date_gmt":"2016-04-29T11:11:52","guid":{"rendered":"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/?p=13941"},"modified":"2016-04-29T12:11:52","modified_gmt":"2016-04-29T11:11:52","slug":"educacao-na-finlandia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/?p=13941","title":{"rendered":"8 coisas que aprendi com a educa\u00e7\u00e3o na Finl\u00e2ndia"},"content":{"rendered":"<p class=\"story-body__introduction\">A Finl\u00e2ndia, pa\u00eds conhecido por ter\u00a0um dos sistemas de ensino mais elogiados do mundo, est\u00e1 constantemente na vanguarda das metodologias\u00a0de ensino. Em 2015,\u00a0foram integrados 35 professores brasileiros em turmas\u00a0de ensino b\u00e1sico, profissional e superior, na \u00e1rea de ciencias e tecnologia.<\/p>\n<p>A <a href=\"http:\/\/www.bbc.com\">BBC Brasil<\/a> conversou com quatro desses professores, para\u00a0apurar de que forma poder\u00e3o aplicar\u00a0as ferramentas l\u00e1 desenvolvidas em contexto de sala de aula, de forma a melhorar o aprendizado\u00a0nas institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas de ensino onde atuam.<br \/>\nOs professores relatam que\u00a0podem agregar partes do ensino finland\u00eas \u00e0s\u00a0suas rotinas, criando pequenas revolu\u00e7\u00f5es na aprendizagem. Ficam os 8 t\u00f3picos, que estes professores mais valorizaram na educa\u00e7\u00e3o na Finl\u00e2ndia<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">1. Desenvolvimento\u00a0de\u00a0projetos em sala de aula<\/h2>\n<p>Os\u00a0projetos elaborados por alunos e a resolu\u00e7\u00e3o de problemas t\u00eam grande\u00a0protagonismo no ensino finland\u00eas, em detrimento das aulas tradicionais.<\/p>\n<p>S\u00e3o as metodologias chamadas de &#8220;problem-based learning&#8221; e &#8220;project-based learning&#8221; (ensino baseado em problemas ou projetos). Aqui, problemas \u2013 fict\u00edcios ou reais da comunidade \u2013 s\u00e3o o ponto de partida da aprendizagem. Os alunos aprendem pela experimenta\u00e7\u00e3o\u00a0e procuram\u00a0solu\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><em>&#8220;Os projetos s\u00e3o desenvolvidos sem o envolvimento t\u00e3o direto do professor, em que os alunos aprendem n\u00e3o s\u00f3 o conte\u00fado, mas a gerir um plano e lidar com erros&#8221; &#8211; <\/em>Bruno Garc\u00eas, professor de Qu\u00edmica do Instituto Federal do Mato Grosso<\/p>\n<p><em>&#8220;Um curso de Administra\u00e7\u00e3o tem disciplinas tradicionais no primeiro ano. Mas, nos dois anos e meio seguintes, os alunos deixam de ter professores, passam a ter tutores, formam empresas reais e aprendem enquanto desenvolvem o neg\u00f3cio&#8221;<\/em>, \u00a0Francisco Fechine, coordenador do Instituto Federal de Tecnologia da Para\u00edba.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 uma estrutura que sirva para qualquer tipo de curso, mas funciona nos voltados, por exemplo, a empreendedorismo:\u00a0&#8220;<em>Os alunos t\u00eam uma carga de leitura, para procurar\u00a0nos livros as ferramentas que precisam para resolver os problemas.<\/em>&#8221; Joelma Kremer, do Instituto Federal de Santa Catarina.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">2. Produ\u00e7\u00e3o de conte\u00fados<\/h2>\n<p>A resolu\u00e7\u00e3o de problemas e projetos \u00e9 parte dum ensino centrado na produ\u00e7\u00e3o pelo\u00a0pr\u00f3prio aluno. Ao professor cabe mediar a intera\u00e7\u00e3o em\u00a0sala de aula e saber quais metas que devem de ser alcan\u00e7adas em cada projeto.<\/p>\n<p>&#8220;<em>O mais comum \u00e9 o\u00a0professor preparar a aula, dar e corrigir exerc\u00edcios. O aluno faz pouco. Podemos dar mais espa\u00e7o para o aluno avaliar o que vai desenvolvendo<\/em>&#8220;, Giani Barwald Bohm, do Instituto Federal Sul-rio-grandense.<\/p>\n<p>&#8220;<em>No modelo tradicional de ensino, o professor \u00e9 o que aprende mais. Na Finl\u00e2ndia, o foco \u00e9 o aluno. O aluno \u00e9 que pesquisa os \u00a0conte\u00fados, e o professor tem de\u00a0saber qual o objetivo da aula. Para isso n\u00e3o \u00e9\u00a0precisa muita prepara\u00e7\u00e3o, mas sim de conhecimento qualificado\u00a0(dos docentes)<\/em>&#8220;, Joelma Kremer.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">3. Repensar a\u00a0avalia\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>Neste contexto, a avalia\u00e7\u00e3o \u00e9\u00a0diferente, diz Kremer: &#8220;<em>A avalia\u00e7\u00e3o est\u00e1 presente, mas os alunos autoavaliam-se, avaliam-se uns aos outros, e o professor avalia os resultados dos projetos<\/em>&#8220;.<\/p>\n<p>&#8220;<em>Ao reduzir o n\u00famero de testes (formais) e avaliar mais os trabalhosde grupo e atividades realizadas, os professores t\u00eam um &#8220;filme&#8221; do desempenho do aluno, e n\u00e3o apenas uma\u00a0foto (do momento da teste)&#8221;<\/em>, diz Fechine.<\/p>\n<p>&#8220;Conhecemos um professor de f\u00edsica finland\u00eas que avaliava seus alunos pelos v\u00eddeos que eles gravavam dos experimentos feitos em casa e mandavam por e-mail ou Dropbox.&#8221;<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">4. Tecnologia\u00a0como meio<\/h2>\n<p>A tecnologia n\u00e3o \u00e9 o foco deste\u00a0processo, mas complementa\u00a0o trabalho do professor como ferramenta de trabalho.<\/p>\n<p><em>&#8220;Em vez de proibir o uso dos telem\u00f3veis, os professores aproveitam-nos\u00a0para estimular a participa\u00e7\u00e3o dos alunos \u2013 por exemplo, utilizando aplica\u00e7\u00f5es espec\u00edficas para dar resposta a\u00a0trabalhos\u00a0espec\u00edficos.&#8221;<\/em>, conta Kremer.<\/p>\n<p>&#8220;<em>A aula torna-se mais interessante para os alunos. E evita que o\u00a0professor esteja constantemente a criar inimizades por retirar ou mandar desligar os telem\u00f3veis diversas vezes\u00a0vezes por aula<\/em>.&#8221;<\/p>\n<p>Existem tamb\u00e9m salas de aula com mobili\u00e1rio espec\u00edfico, projetado especialmente para ir ao encontro das necessidades de aprendizagem dos alunos e dos m\u00e9todos aplicados.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-13942\" src=\"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/salas.jpg\" alt=\"Salas de aula\" width=\"375\" height=\"246\" \/><\/p>\n<p>&#8220;Muitas salas t\u00eam sof\u00e1s, poltronas, mesas ajust\u00e1veis para trabalhos individuais ou em grupo e v\u00e1rios projetores. \u00c9 um mobili\u00e1rio pensado para essa metodologia diferente de ensino.&#8221;, diz\u00a0Kremer. &#8221;<\/p>\n<p>Ler tamb\u00e9m a <a href=\"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/educacao\/a-arquitetura-escolar-e-os-modelos-pedagogicas-alternativos\/\">Arquitetura escolar e os modelos pedag\u00f3gicos alternativos<\/a><\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">5. Desenvolver\u00a0 compet\u00eancias\u00a0adaptadas ao\u00a0s\u00e9culo\u00a0XXI<\/h2>\n<p>O\u00a0ensino fundamental finland\u00eas continua dividido em disciplinas tradicionais, mas cada vez mais centrado no desenvolvimento das\u00a0compet\u00eancias dos alunos, e n\u00e3o apenas na assimila\u00e7\u00e3o de conte\u00fado tradicional.<\/p>\n<p><em>&#8220;S\u00e3o desenvolvidas compet\u00eancias como comunica\u00e7\u00e3o, pensamento cr\u00edtico e empreendedorismo&#8221;<\/em>, Giani Barwald Bohm<br \/>\nEstimular a autonomia\u00a0do aluno\u00a0\u00e9 uma forma de interromper o ciclo &#8220;<em>alunos passivos, que s\u00f3 fazem a tarefa se o professor obrigar, e que interagem muito pouco<\/em>&#8220;.<!--more--><\/p>\n<p class=\"story-body__crosshead\">Ler tamb\u00e9m <a href=\"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/educacao\/a-arquitetura-escolar-e-os-modelos-pedagogicas-alternativos\/\">A arquitetura escolar e os modelos pedag\u00f3gios alternativos<\/a><\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">6.\u00a0Aulas mais curtas com intervalos frequentes<\/h2>\n<p>No ensino b\u00e1sico, as\u00a0aulas t\u00eam a dura\u00e7\u00e3o de 45min\u00a0com interrup\u00e7\u00e3o de\u00a015min\u00a0para\u00a0intervalo \u2013 Esta pr\u00e1tica, embora j\u00e1 seja utilizada em algum cursos de ensino profissional pois &#8220;Alivia<em>\u00a0a tens\u00e3o de ficar tantas horas sentado<\/em>&#8220;,\u00a0poderia ser aplicada em v\u00e1rios outros pa\u00edses.<\/p>\n<p>A\u00a0ideia \u00e9, teoricamente, interessante, mas aponta para uma carga hor\u00e1ria menos exigente. E n\u00e3o esquecendo que na Finl\u00e2ndia\u00a0existe uma forte\u00a0cultura de pontualidade. &#8220;<em>As aulas come\u00e7am \u00e0\u00a0hora exata e aluno rapidamente entra na (rotina de) resolu\u00e7\u00e3o de problemas<\/em>.&#8221;<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">7. Criar liga\u00e7\u00f5es com\u00a0empresas<\/h2>\n<p>Parte\u00a0dos projetos dos estudantes finlandeses s\u00e3o elaborados\u00a0em parceria com empresas, de forma a\u00a0desenvolverem uma\u00a0consci\u00eancia\u00a0real\u00a0do mercado de trabalho.<\/p>\n<p>&#8220;<em>o aluno desenvolve algo diretamente para o mercado de trabalho, que vai ter relev\u00e2ncia para o pr\u00f3prio estudante e \u00e9 contextualizado com as empresas locais.&#8221;<\/em><\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">8. Forma\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica e valoriza\u00e7\u00e3o do professor<\/h2>\n<p>A forma\u00e7\u00e3o dos professores \u00e9 apontada como a principal chave do sucesso do ensino finland\u00eas. Existe uma maior interac\u00e7\u00e3o entre o professor e os alunos, tal como uma rela\u00e7\u00e3o mais direta entre os professores, os diretores pedag\u00f3gicos e os diretores escolares.<\/p>\n<p>&#8220;<em>Al\u00e9m disso, h\u00e1 uma valoriza\u00e7\u00e3o cultural do professor,\u00a0que \u00e9 tem melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho, mais tempo, e \u00e9 melhor remunerado<\/em>&#8221;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/0__9s3A2pcA\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Por\u00a0Paula Adamo Idoeta, para <a href=\"http:\/\/www.bbc.com\/\">BBC Brasil,<\/a> S\u00e3o Paulo<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Finl\u00e2ndia, pa\u00eds conhecido por ter\u00a0um dos sistemas de ensino mais elogiados do mundo, est\u00e1 constantemente na vanguarda das metodologias\u00a0de ensino. 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