{"id":13554,"date":"2016-03-24T00:15:08","date_gmt":"2016-03-24T00:15:08","guid":{"rendered":"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/?p=13554"},"modified":"2016-03-24T00:15:08","modified_gmt":"2016-03-24T00:15:08","slug":"eu-tornei-me-na-mae-que-gritava","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/?p=13554","title":{"rendered":"Eu tornei-me na M\u00e3e que gritava"},"content":{"rendered":"<p style=\"display: inline !important;\">Eu adoro os bilhetes que recebo dos meus filhos &#8211; quer sejam rabiscados\u00a0num post it ou escritos com uma\u00a0caligrafia perfeita e papel de carta. Mas o poema que recebi no Dia da M\u00e3e, recentemente, da minha filha de 9 anos teve um significado especial. Na verdade, na primeira linha do poema j\u00e1 prendi a respira\u00e7\u00e3o enquanto as l\u00e1grimas me desciam pela cara.<\/p>\n<p><em>&#8220;A coisa mais importante que eu posso dizer sobre a minha m\u00e3e \u00e9&#8230; que ela est\u00e1 sempre pronta para\u00a0me apoiar, mesmo quando eu estou em apuros.&#8221;<\/em><\/p>\n<p>Mas nem sempre foi assim.<\/p>\n<p><strong>Um dia apercebi-me que a minha forma de tratar os meus filhos tinha mudado, e que agora agia de uma forma como nunca tinha acontecido.\u00a0Tinha-me tornado\u00a0numa m\u00e3e que gritava. N\u00e3o era sempre, mas era intenso &#8211; como um bal\u00e3o extremamente cheio que pode rebentar a qualquer momento.<\/strong><\/p>\n<p>O que \u00e9 que as minhas filhas de 3 e 6 anos faziam de t\u00e3o diab\u00f3lico, que fizeram com que eu me passasse de vez?\u00a0\u00a0Foi o facto de\u00a0insistirem em ir\u00a0buscar mais tr\u00eas colares de contas e os uns\u00a0\u00f3culos de sol rosa, quando j\u00e1 est\u00e1vamos atrasados? Foi a forma como tentavam servir-se sozinhas\u00a0de cereais\u00a0e entornavam\u00a0a caixa inteira no balc\u00e3o da cozinha? Foi quando uma delas caiu e partiu\u00a0o meu anjo de vidro especial no ch\u00e3o,\u00a0depois de ter sido avisada para n\u00e3o lhe tocar? Foi por lutarem contra o sono quando eu precisava de um pouco mais de paz e sossego? Ou foi quando discutiam\u00a0por coisas rid\u00edculas como quem seria o primeiro a sair do carro ou quem tem o maior sorvete?<\/p>\n<p>Sim, eram esses percal\u00e7os normais, quest\u00f5es e atitudes t\u00edpicas de crian\u00e7as que me irritavam ao ponto de perder o controle.<\/p>\n<p>Isto n\u00e3o \u00e9 algo f\u00e1cil de escrever. E tamb\u00e9m n\u00e3o foi um momento f\u00e1cil na minha vida, porque verdade seja dita, eu odiava-me nesses momentos. O que\u00a0\u00e9 que me acontecia, que me fazia\u00a0gritar \u00e0 maluca com as duas pessoas que eu amo mais do que a vida?<\/p>\n<h2 style=\"display: inline !important;\">Distra\u00e7\u00f5es<\/h2>\n<p>O uso excessivo do telefone, a sobrecarga de compromissos, listas de tarefas intermin\u00e1veis, e a procura da\u00a0perfei\u00e7\u00e3o,\u00a0estavam a\u00a0consumir-me. \u00a0Gritar com as pessoas que eu mais amo, foi o\u00a0resultado direto da perda de controle que estava a atravessar\u00a0na minha vida.<\/p>\n<p><strong>Inevitavelmente, acabaria por explodir\u00a0em qualquer\u00a0lugar. E claro, explodi\u00a0a portas fechadas, exatamente na companhia das pessoas que s\u00e3o o meu mundo&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>At\u00e9 que, um dia fat\u00eddico, a\u00a0minha filha mais velha subiu ao\u00a0banco para tirar qualquer coisa da dispensa\u00a0e acidentalmente entornou um saco inteiro de arroz no ch\u00e3o. Com um milh\u00e3o de min\u00fasculos gr\u00e3os espalhados por todo o lado, os olhos de minha filha encheram-se de l\u00e1grimas. Foi\u00a0nesse momento que eu percebi\u00a0&#8211;\u00a0a minha filha estava com medo de mim!<\/p>\n<p>Esta foi, sem d\u00favida, a consciencializa\u00e7\u00e3o mais dolorosa da minha vida. A minha\u00a0filha de seis anos est\u00e1 com medo da minha rea\u00e7\u00e3o ao acidente.<\/p>\n<p>Com uma profunda tristeza, percebi que eu n\u00e3o era o tipo de m\u00e3e que eu queria para meus filhos conviverem e nem era assim que eu queria viver o resto da minha vida.<!--more--><\/p>\n<p><span style=\"color: #000080;\"><strong>RELACIONADOS&#8230;<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000080;\"><a style=\"color: #000080;\" href=\"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/opiniao\/querida-mae-da-crianca-aos-gritos-no-super-mercado\/\">Querida m\u00e3e da crian\u00e7a aos gritos no super-mercado<\/a><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000080;\"><a style=\"color: #000080;\" href=\"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/educacao\/o-lado-bom-dos-gritos\/\">O lado bom dos gritos!<\/a><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000080;\"><a style=\"color: #000080;\" href=\"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/educacao\/4-atitudes-que-enfraquecem-o-vinculo-emocional-com-os-filhos\/\">4 atitudes que enfraquecem o v\u00ednculo emocional com os filhos<\/a><\/span><br \/>\n<strong>Umas semanas depois deste epis\u00f3dio, tive meu esgotamento-nervoso\/epifania\u00a0&#8211; Tinha de largar, urgentemente, as distra\u00e7\u00f5es e dar aten\u00e7\u00e3o ao que realmente interessa. Ser a m\u00e3e que as minhas filhas merecem.<\/strong><\/p>\n<p style=\"display: inline !important;\">Isto foi h\u00e1 dois anos e meio atr\u00e1s &#8211; dois anos e meio de detox de distra\u00e7\u00f5es e excesso de gadgets na minha vida&#8230; Dois anos e meio para me livrar do padr\u00e3o inating\u00edvel de perfei\u00e7\u00e3o e da press\u00e3o da sociedade para &#8220;fazer tudo&#8221;. Ao deixar de lado estas\u00a0distra\u00e7\u00f5es, a raiva e o stress que estava a reprimir, come\u00e7aram a dissipar-se com o tempo.<\/p>\n<p style=\"display: inline !important;\">Com uma nova clareza de racioc\u00ednio, comecei a reagir aos disparates e acidentes\u00a0das\u00a0minhas filhas de uma forma mais calma, mais compassiva e razo\u00e1vel.<\/p>\n<p><strong>Comecei a dizer coisas como: &#8220;<em>\u00c9 s\u00f3 molho de\u00a0chocolate. Limpa-se\u00a0e a bancada vai ficar como nova.<\/em>&#8221;\u00a0\u00a0&#8211; Mudei do suspiro exasperado e do revirar olhos para uma boa atitude. Uma atitude positiva.<\/strong><\/p>\n<p>Fui buscar, calmamente,\u00a0a vassoura enquanto elas disfar\u00e7avam\u00a0um mar de flocos de cereais que cobriam o ch\u00e3o\u00a0&#8211;\u00a0Em vez de saltar\u00a0para cima\u00a0delas com um olhar de desaprova\u00e7\u00e3o e aborrecimento total).<\/p>\n<p>Andamos juntas \u00e0 procura dos \u00f3culos da mais velha.\u00a0Em vez de envergonh\u00e1-la por ser t\u00e3o irrespons\u00e1vel.<\/p>\n<p>E naqueles\u00a0momentos em que o cansa\u00e7o\u00a0incessante estava prestes a derrubar-me, ia tomar um banho!\u00a0Fechava a porta, e dava-me um momento para arrefecer as ideias para me\u00a0lembrar que elas s\u00e3o crian\u00e7as e as crian\u00e7as cometem erros. Tal\u00a0como eu.<\/p>\n<p>Ao\u00a0longo do tempo, o medo que uma vez vi estampado nas caras das minhas filhas quando estavam com problemas desapareceu. E gra\u00e7as a Deus, eu \u00a0tornei-me um ref\u00fagio nos\u00a0momentos de dificuldade, em vez de ser um\u00a0inimigo que tinham de enfrentar..<\/p>\n<p><strong>N\u00e3o sei se algum dia me lembraria de escrever\u00a0sobre esta profunda transforma\u00e7\u00e3o, se n\u00e3o fosse o\u00a0incidente da\u00a0segunda-feira passada.<\/strong><\/p>\n<p>Eu estava a concluir os\u00a0cap\u00edtulos finais do livro que estou a escrever\u00a0e meu computador bloqueou. De repente, as edi\u00e7\u00f5es de tr\u00eas cap\u00edtulos inteiros desapareceram \u00e0\u00a0frente dos meus olhos. Passei v\u00e1rios minutos freneticamente a tentar recuperar\u00a0a vers\u00e3o mais recente do ficheiro. Quando n\u00e3o funcionou, consultei o backup da m\u00e1quina, apenas para descobrir que ele, tamb\u00e9m, estava corrompido. Quando percebi que nunca ia recuperar o trabalho que fiz nesses tr\u00eas cap\u00edtulos, s\u00f3 me apetecia\u00a0chorar, mas mais ainda, queria sentir e extravasar a raiva.<\/p>\n<p>Mas j\u00e1 era hora de ir buscar as mi\u00fadas \u00e0\u00a0escola e lev\u00e1-las para a\u00a0nata\u00e7\u00e3o. Com grande conten\u00e7\u00e3o, calmamente fechei meu laptop e lembrei-me que h\u00e1\u00a0problemas muito piores do que reescrever esses cap\u00edtulos.\u00a0E percebi que, naquele momento, n\u00e3o havia nada que pudesse fazer para recuperar o meu trabalho perdido.<\/p>\n<p>Quando as mi\u00fadas entraram no carro, imediatamente perguntaram em un\u00edssono. &#8220;O que \u00e9 que se passa, m\u00e3e?&#8221;.<\/p>\n<p>S\u00f3 me apeteceu gritar:\u00a0&#8220;<em>Eu perdi tr\u00eas valiosos dias de trabalho no meu livro!&#8221;<\/em><\/p>\n<p><strong>Tive\u00a0vontade de bater no volante com os punhos, porque a \u00faltima coisa que queria fazer era estar sentada no carro a caminho da nata\u00e7\u00e3o. Queria ir para casa e tentar resolver o problema\u00a0&#8211; e n\u00e3o transportar crian\u00e7as para a nata\u00e7\u00e3o, torcer roupas de banho molhadas, pentear cabelos emaranhados, fazer o jantar, lavar a lou\u00e7a e p\u00f4r crian\u00e7as na cama!<\/strong><\/p>\n<p>Mas em vez\u00a0disso, eu calmamente disse: &#8220;<em>N\u00e3o me apetece falar disso agora, mas\u00a0perdi parte do meu livro.&#8221;<\/em><\/p>\n<p><em>&#8220;Oh m\u00e3e, que chatice&#8221;<\/em>, disse a mais velha pelas duas. E como se soubessem que eu precisava de espa\u00e7o \u00a0ficaram quietas e caladas o caminho todo at\u00e9 a piscina. N\u00f3s cumprimos o nosso dia e embora eu estivesse mais calma do que o habitual, n\u00e3o gritei\u00a0e dei\u00a0o meu melhor para abster-me de pensar sobre o assunto do livro.<\/p>\n<p>Finalmente, o dia estava quase no fim. A minha filha mais nova j\u00e1 estava na cama e eu deitei-me\u00a0ao lado da mais velha para nosso momento noturno de conversetas.<\/p>\n<p><em>&#8220;Achas que vais recuperar os cap\u00edtulos?&#8221;<\/em>\u00a0&#8211;\u00a0perguntou-me em voz baixa.<\/p>\n<p>E foi ent\u00e3o\u00a0que \u00a0comecei a chorar &#8211; n\u00e3o tanto pelos tr\u00eas cap\u00edtulos, eu sabia que eles poderiam ser reescritos &#8211; o meu choro era mais um extravasamento, devido ao cansa\u00e7o e frustra\u00e7\u00e3o envolvidos em escrever e editar um livro. Eu estava t\u00e3o perto do fim. E de repente perder todo o\u00a0trabalho, foi extremamente decepcionante.<\/p>\n<p><strong>Para minha surpresa, a minha filha estendeu-me a m\u00e3e e disse\u00a0coisas como: <em>&#8220;Os computadores podem ser muito frustrantes&#8221;<\/em>, &#8220;<em>M\u00e3e, podes refazer o que perdeste. \u00c9s\u00a0a melhor escritora que conhe\u00e7o&#8221;, <\/em>e<em> &#8220;Eu vou ajudar no que puder.&#8221;<\/em><\/strong><\/p>\n<p>No meu momento dif\u00edcil, problem\u00e1tico, l\u00e1 estava ela, uma paciente e compassiva incentivadora que n\u00e3o\u00a0me ia dar um chuto quando eu j\u00e1 estava em baixo.<\/p>\n<p><strong>A minha\u00a0filha n\u00e3o teria aprendido essa resposta emp\u00e1tica se eu tivesse continuado a\u00a0gritar. Porque quando se grita, desliga-se o canal de comunica\u00e7\u00e3o, que por sua vez rompe o v\u00ednculo e afasta as pessoas &#8211; em vez de aproximar.<\/strong><\/p>\n<p><em>&#8220;A coisa mais importante&#8230; \u00c9 que a minha m\u00e3e est\u00e1 sempre pronta a me apoiar, mesmo quando eu estou em apuros<\/em>&#8220;.<\/p>\n<p>Minha filha escreveu isso sobre mim, a mulher que passou por um per\u00edodo dif\u00edcil, do qual n\u00e3o se orgulha, mas que a ajudou a aprender. E nas palavras da minha filha, eu vejo esperan\u00e7a para os outros.<\/p>\n<p>O\u00a0importante&#8230; \u00c9 que n\u00e3o \u00e9 tarde demais para parar de gritar.<\/p>\n<p>O importante&#8230; \u00c9 o perd\u00e3o das crian\u00e7as, especialmente se elas veem que a pessoa que amam tenta\u00a0mudar.<\/p>\n<p>O importante&#8230; \u00c9 que a vida \u00e9 muito curta para se chatear com cereais\u00a0entornados e sapatos fora do lugar.<\/p>\n<p>O importante&#8230; \u00c9 que n\u00e3o importa o que aconteceu ontem, porque hoje \u00e9 um novo dia.<\/p>\n<p><strong>Hoje podemos escolher uma resposta pac\u00edfica.<\/strong><\/p>\n<p>E ao faz\u00ea-lo, podemos ensinar aos nossos filhos que a paz constr\u00f3i pontes &#8211; pontes pelas quais podemos atravessar com seguran\u00e7a por sobre tempos dif\u00edceis.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Publicado em\u00a0handsfreemama, traduzido e adaptado por Up To Kids\u00ae<\/em><br \/>\n<em>Todos os direitos reservados<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"color: #000080;\"><strong>LER TAMB\u00c9M&#8230;<\/strong><\/span><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/educacao\/5-passos-para-a-parentalidade-positiva\/\">5 passos para a parentalidade positiva<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/educacao\/habitos-dos-pais-positivos\/\">H\u00e1bitos dos pais positivos<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/educacao\/gritar-nao-e-uma-forma-de-educar\/\">Gritar n\u00e3o \u00e9 uma forma de educar<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>imagem@xfree.hu<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eu adoro os bilhetes que recebo dos meus filhos &#8211; quer sejam rabiscados\u00a0num post it ou escritos com uma\u00a0caligrafia perfeita e papel de carta. 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