{"id":13139,"date":"2016-02-15T14:05:51","date_gmt":"2016-02-15T14:05:51","guid":{"rendered":"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/?p=13139"},"modified":"2016-02-15T14:05:51","modified_gmt":"2016-02-15T14:05:51","slug":"porta-te-bem-portaste-te-bem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/?p=13139","title":{"rendered":"Porta-te bem! \/ Portaste-te bem?"},"content":{"rendered":"<p>Queridos pais:<\/p>\n<p>Despedes-te sempre de mim com \u201c\u00a0<em>Porta-te bem\u00a0!\u00a0<\/em>\u201d Do outro lado da moeda, vem o cumprimento, \u00e0 chegada: \u201c<em>Portaste-te bem<\/em>?\u201d<\/p>\n<p>M\u00e3e\/pai muda o discurso\u2026 j\u00e1 viste a ambiguidade que esse encerra? H\u00e1 muitas coisas dif\u00edceis de perceber e eu acabo por n\u00e3o saber bem o que esperas de mim, com essa frase.<\/p>\n<p>Olha, quando n\u00f3s \u2013 os filhos \u2013 somos calados e participamos pouco nas atividades da\u00a0escola, chamas-me \u00e0 aten\u00e7\u00e3o porque n\u00e3o falo e devia participar mais. \u201c<em>Tens vergonha, querido? N\u00e3o tenhas!\u201d<\/em>. Se falo com os amigos, desancas-me porque n\u00e3o devo falar\u2026<\/p>\n<p>Ter imagina\u00e7\u00e3o \u00e9 bom; saber criar, sejam brincadeiras, desenhos ou jogos. Dizem os especialistas que \u00e9 sinal de intelig\u00eancia! Mas s\u00f3 me deixas pintar nas folhas, fazer letras nos trabalhos\u2026 e at\u00e9 te zangas com os desenhos no sof\u00e1 e as letras nas paredes\u2026<\/p>\n<p>J\u00e1 viste a quantidade de vezes que te zangas comigo? E se for eu a zangar-me com os amigos? L\u00e1 vem o discurso, de novo, sobre a import\u00e2ncia da amizade\u2026 como se uma zanga abalasse tudo!<\/p>\n<p>H\u00e1 muitas vezes que eu tamb\u00e9m me zango contigo. De forma atabalhoada, eu sei\u2026 mas \u00e9 assim que me sai: gritos, esperneios e a contrariedade \u00e0 tua ordem. Sabes que me falta ainda a capacidade de argumentos de peso que tu tens, n\u00e3o sabes?<\/p>\n<p>E aquela velha m\u00e1xima de cumprimentar toda a gente de cabe\u00e7a erguida e sorriso rasgado que tanto falas? Estou em esfor\u00e7o\u2026 cont\u00ednuo, acredita! Mas sabes que j\u00e1 te vi, uma vez ou outra, a evitar aquela vizinha que n\u00e3o gostas assim tanto?\u2026<\/p>\n<p>Enfim, h\u00e1 coisas que podias mudar para\u00a0me facilitares a compreens\u00e3o do que esperas de mim e para ver se nos encontramos algures pelo caminho do entendimento:<\/p>\n<ol>\n<li><strong>Quando eu n\u00e3o fizer alguma coisa bem, fala-me sobre isso, em concreto.<br \/>\n<\/strong>Evita os discursos longos! Na verdade, desses, s\u00f3 ou\u00e7o metade; se for em gritos, talvez reste um ter\u00e7o que eu interiorize. Todo o resto do tempo, a mensagem que passa \u00e9 \u201cfalhei e n\u00e3o posso; desiludi; qual ser\u00e1 a consequ\u00eancia; at\u00e9 quando vai durar; em que p\u00e9 estar\u00e1 a nossa rela\u00e7\u00e3o depois deste cataclismo?\u201d<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"2\">\n<li><strong>Fala claramente sobre o que esperas de mim, numa determinada circunst\u00e2ncia, para eu poder perceber-te melhor e procurar um sentido, dentro de mim, naquilo que me dizes.<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"3\">\n<li><strong>Contextualiza as circunst\u00e2ncias, mesmo que te pare\u00e7a \u00f3bvio<\/strong>. Para n\u00f3s nunca \u00e9 t\u00e3o \u00f3bvio como para os adultos. Exemplo \u00f3bvio: \u201c<em>falar \u00e9 a melhor forma de comunicarmos com os outros, mas no decorrer de uma aula, n\u00e3o se fala com o colega do lado, a n\u00e3o ser que estejam a fazer um trabalho conjunto<\/em>\u201d<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"4\">\n<li><strong>N\u00e3o te preocupes tanto com as zangas que se desenvolvem entre amigos<\/strong>. Talvez queiras ensinar-me a import\u00e2ncia de considerar o ponto de vista dos outros, mas n\u00e3o te esque\u00e7as que as zangas fazem (dizem os especialistas que at\u00e9 DEVEM fazer) parte das rela\u00e7\u00f5es. Enquanto nos zangamos e resolvemos a zanga, tamb\u00e9m crescemos, sabes?<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"5\">\n<li><strong>Mostra-me que confias em mim, sem estares sempre a antecipar como devo agir, fazer ou dizer.<\/strong> Assim, vou sentir a serenidade das tuas expectativas e devolvo-te na mesma moeda.<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"6\">\n<li><strong>Por \u00faltimo, mostra-me as tuas falhas.<\/strong> Conta-me algumas que fazes agora ou que fazias quando tinhas a minha idade. Quando eu sentir que n\u00e3o \u00e9s um adulto perfeito, vou ficar mais tranquilo. Com isso, perceberei que posso errar e emendar, sem culpas. E, dessa forma, cres\u00e7o com o conforto de sentir que tenho um modelo a seguir (TU), que n\u00e3o espera aquilo que eu n\u00e3o posso ser: PERFEITO!<\/li>\n<\/ol>\n<p>Com isto termino mas, j\u00e1 agora,\u2026<\/p>\n<p>Pai \/ M\u00e3e!<\/p>\n<p><strong>ACEITA-ME BEM! ACEITASTE-ME BEM?\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">imagem@pmap.co<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Queridos pais: Despedes-te sempre de mim com \u201c\u00a0Porta-te bem\u00a0!\u00a0\u201d Do outro lado da moeda, vem o cumprimento, \u00e0 chegada: \u201cPortaste-te bem?\u201d M\u00e3e\/pai muda o discurso\u2026 j\u00e1 viste a ambiguidade que esse encerra? H\u00e1 muitas coisas dif\u00edceis de perceber e eu acabo por n\u00e3o saber bem o que esperas de mim, com essa frase. 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