{"id":13133,"date":"2016-02-14T20:51:11","date_gmt":"2016-02-14T20:51:11","guid":{"rendered":"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/?p=13133"},"modified":"2016-02-14T20:51:11","modified_gmt":"2016-02-14T20:51:11","slug":"perturbacao-de-hiperactividade-e-defice-de-atencao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/?p=13133","title":{"rendered":"Perturba\u00e7\u00e3o de Hiperactividade e D\u00e9fice de Aten\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<h2>Uma Abordagem Corporal<\/h2>\n<p>O que afecta a mente afecta o corpo e o que afecta o corpo afecta a mente. Esta \u00e9 actualmente uma verdade inquestion\u00e1vel que a psicossom\u00e1tica tem vindo cada vez mais confirmar. N\u00f3s somos e seremos sempre corpo, mente e esp\u00edrito e sendo o corpo a maior \u201csede do nosso inconsciente\u201d \u00e9 de grande valia no trabalho psicoterap\u00eautico.<\/p>\n<p>Quando olho para o corpo destas crian\u00e7as\/adolescentes diagnosticadas com Hiperactividade e D\u00e9fice de Aten\u00e7\u00e3o, paro sempre para me perguntar o que \u00e9 que \u00e9 que aquele corpo me revela. Sem ponderar sobre detalhes, deslocamentos ou assimetrias, simplesmente o que \u00e9 que aquele corpo me diz globalmente sobre aquela pessoa; A que figura, nome, palavra ou adjectivo associo aquela imagem e o que \u00e9 que me faz sentir. Esta observa\u00e7\u00e3o, posteriormente complementada com uma an\u00e1lise mais detalhada, tem sido muito importante no trabalho e investiga\u00e7\u00e3o que tenho desenvolvido relativamente a esta problem\u00e1tica. A leitura corporal tem sido uma ferramenta insubstitu\u00edvel na an\u00e1lise e compreens\u00e3o da hist\u00f3ria emocional, sentimentos profundos e inconscientes, car\u00e1cter e personalidade.<\/p>\n<p>Numa an\u00e1lise global, sinto sempre uma tend\u00eancia para a inac\u00e7\u00e3o, apatia, falta de vivacidade e brilho no olhar. Vejo um corpo exteriormente hipert\u00f3nico ou hipot\u00f3nico, mas interiormente colapsado, sem vontade e sem vitalidade saud\u00e1vel. Nos trabalhos corporais \u00e9 como se sentisse uma onda que puxa o corpo para a inactividade ou para a actividade desorganizada, que o torna pesado e incapaz de se mover com leveza. Os bra\u00e7os pendem ao longo do corpo, as pernas mobilizam-se com dificuldade e o contacto interno \u00e9 penoso. Fogem do contacto consigo pr\u00f3prios, com os seus sentimentos atrav\u00e9s da apatia, ou atrav\u00e9s do movimento exagerado e desconectado, como no caso de crian\u00e7as\/adolescentes do tipo hiperactivo e misto, nas quais o corpo enlouquece para permitir que a mente se mantenha s\u00e3. N\u00e3o parecem clinicamente deprimidas, mas sim privilegiam o nada fazer, sem energia, vitalidade e ac\u00e7\u00e3o ou simplesmente querem fazer tudo mas n\u00e3o fazem nada. O corpo evidencia um estado de \u201cdepress\u00e3o falhada\u201d em que \u201c H\u00e1 uma diminui\u00e7\u00e3o da reactividade dos sistemas biol\u00f3gicos de adapta\u00e7\u00e3o e um abatimento da auto-regula\u00e7\u00e3o homeost\u00e1tica, bem como da capacidade auto-reparadora do organismo\u201d MATOS, 2012.<\/p>\n<p>Este estado evidencia e potencia uma predomin\u00e2ncia das fun\u00e7\u00f5es do c\u00e9rebro inferior em detrimento das fun\u00e7\u00f5es do c\u00f3rtex cerebral, sede do \u201cdom\u00ednio de si\u201d. Se existe um predom\u00ednio do funcionamento autom\u00e1tico, julgo que por necessidade de se adaptarem e conviverem com determinados est\u00edmulos emocionais, as pessoas ficam num estado de alheamento, longe do aqui e do agora, sem capacidade de auto-regula\u00e7\u00e3o emocional, sem capacidade de serem \u201cdonas da sua vida\u201d e \u00e9 isso mesmo que o corpo revela.<\/p>\n<p>A verdade \u00e9 que a aten\u00e7\u00e3o tem a capacidade de regular a nossas emo\u00e7\u00f5es, controlando a agitada am\u00edgdala (regi\u00e3o do c\u00e9rebro que faz parte do sistema l\u00edmbico) que nos desvia do dom\u00ednio e da consci\u00eancia de n\u00f3s pr\u00f3prios. Se pensarmos numa crian\u00e7a pequena, a fazer uma birra e utilizarmos a t\u00e9cnica de redireccionar a sua aten\u00e7\u00e3o para qualquer coisa, verificamos que invariavelmente a birra acalma, porque a aten\u00e7\u00e3o selectiva da crian\u00e7a foi utilizada para sossegar a am\u00edgdala. Esta capacidade, que as crian\u00e7as come\u00e7am a desenvolver a partir dos 3 anos de idade, s\u00e3o compet\u00eancias de auto-regula\u00e7\u00e3o emocional. A pessoa consegue ter um dom\u00ednio de si, atrav\u00e9s do qual \u00e9 capaz de for\u00e7ar a sua vontade, ignorar as distrac\u00e7\u00f5es e inibir os impulsos; \u00c9 capaz de inibir o seu comportamento de acordo com o meio ambiente e assim n\u00e3o estar apenas suscept\u00edvel ao ambiente externo, \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o externa, ao planeamento externo\u2026 Mas sim, estar inteira e consciente de si pr\u00f3pria.<\/p>\n<p>Todo este funcionamento reflecte e \u00e9 reflexo de um padr\u00e3o interno de colapso, que independentemente da sua estrutura externa (hipert\u00f3nica ou hipot\u00f3nica) e forma de express\u00e3o (movimento de hiperactividade ou de hipoactividade) denota sempre esta incapacidade de auto-regula\u00e7\u00e3o interna, auto-regula\u00e7\u00e3o emocional e inibi\u00e7\u00e3o comportamental. Est\u00e3o colapsados no dom\u00ednio e consci\u00eancia de si pr\u00f3prios, sujeitos \u00e0 ac\u00e7\u00e3o involunt\u00e1ria, autom\u00e1tica, intuitiva e impulsiva e o corpo espelha essa derrocada interna.<\/p>\n<p>Da minha experi\u00eancia, julgo que as pessoas do tipo hiperactivo\/impulsivo ou misto correspondem a um padr\u00e3o de hipertonia exterior com maior predom\u00ednio do sistema simp\u00e1tico numa situa\u00e7\u00e3o de \u201cover-charge\u201d, que as conduz a comportamentos explosivos, impulsivos e hiperactivos. S\u00e3o corpos sobrecarregados com ac\u00e7\u00e3o desorganizada e descontextualizada. J\u00e1 as pessoas com d\u00e9fice de aten\u00e7\u00e3o (sem sintomas de hiperactividade) apresentam o padr\u00e3o posto, s\u00e3o muscularmente mais hipot\u00f3nicas, com falta de carga e predom\u00ednio do sistema parassimp\u00e1tico. Privilegiam o pensamento em detrimento da ac\u00e7\u00e3o e s\u00e3o aquelas pessoas que pensam muito mas n\u00e3o fazem nada. Em qualquer uma das situa\u00e7\u00f5es, verifica-se uma inefici\u00eancia na auto-regula\u00e7\u00e3o interna. N\u00e3o se verifica equil\u00edbrio entre o pensar e o agir, nem capacidade de gerir a vida emocional sem perder o foco. N\u00e3o desenvolvem um Self aut\u00f3nomo e n\u00e3o t\u00eam dom\u00ednio de si pr\u00f3prios.<\/p>\n<p>\u00c9 uma viv\u00eancia pr\u00e9-consciente, que ficou registada no tronco cerebral que n\u00e3o est\u00e1 ligada \u00e0 consci\u00eancia, mas que contribuiu para o desenvolvimento deste n\u00facleo \u201cdepressivo\u201d da personalidade. Viver alienado e desorganizado \u00e9 uma excelente forma de evitar o contacto interno e como tal a dor. Infelizmente fugir da dor \u00e9 tamb\u00e9m fugir do prazer e da vida, na qual s\u00e3o apenas figurantes e n\u00e3o assumem o seu papel de personagem principal. O termo figurante e personagem principal foram-me mencionados por um paciente de 13 anos, que um dia me disse que para ele \u201ca vida era como um filme, no qual ele era personagem principal ao n\u00edvel das ideias, mas n\u00e3o conseguia materializar, pelo que, em tudo o resto era figurante\u201d. Achei brilhante esta forma de explicar o modo como vivem desenraizados e a dificuldade de concretiza\u00e7\u00e3o que os caracteriza. Vivem no \u201cplaneta X\u201d e precisam deste alheamento como fonte indispens\u00e1vel para a sua sa\u00fade emocional. Alimentam-se da fantasia e n\u00e3o da ac\u00e7\u00e3o e da rela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na minha opini\u00e3o, a PHDA n\u00e3o \u00e9 mais do que um mecanismo de defesa contra o medo que em primeiro lugar comprometeu o direito de ser e existir e depois o sentimento de estar seguro e ser amado para poder ir em direc\u00e7\u00e3o \u00e0 auto-realiza\u00e7\u00e3o. T\u00eam uma identidade pouco constru\u00edda, num estado em que \u201ca pele pouco limita o nada de fora e o quase nada de dentro\u201d Hegenberg, 2013.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso ensinar a SER, \u00e9 preciso confirmar a sua exist\u00eancia, \u00e9 preciso enraizar, \u00e9 preciso ensinar a sentir, para que com tempo possam ficar mais inteiros e conscientes de si pr\u00f3prios e se inverta esse mecanismo neurofisiol\u00f3gico que \u00e9 simultaneamente causa e consequ\u00eancia desses sintomas de hiperactividade e d\u00e9fice de aten\u00e7\u00e3o\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" style=\"border: none; overflow: hidden;\" src=\"https:\/\/www.facebook.com\/plugins\/video.php?href=https%3A%2F%2Fwww.facebook.com%2Fuptolisbonkids%2Fvideos%2F1105694256153124%2F&amp;show_text=0&amp;width=560\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" scrolling=\"no\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma Abordagem Corporal O que afecta a mente afecta o corpo e o que afecta o corpo afecta a mente. 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