{"id":13045,"date":"2016-02-04T13:57:16","date_gmt":"2016-02-04T13:57:16","guid":{"rendered":"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/?p=13045"},"modified":"2016-02-04T13:57:16","modified_gmt":"2016-02-04T13:57:16","slug":"o-tempo-voa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/?p=13045","title":{"rendered":"O tempo voa"},"content":{"rendered":"<p>Lembro-me como se tivesse sido, efectivamente, ontem os primeiros passos da minha irm\u00e3. Deu-os comigo, numas f\u00e9rias de Ver\u00e3o passadas em Espanha. Recordo com a mesma intensidade as tardes passadas a brincar no quarto, a dan\u00e7ar em cima da cama, a apanhar ondas na praia, o choro dela quando no final do fim-de-semana me ia embora. Temos treze anos de diferen\u00e7a e j\u00e1 se passaram mais que esses anos desde que ela nasceu.<\/p>\n<p>No outro dia ela deitou a cabe\u00e7a no meu colo, no mesmo colo onde cabia inteira e agora j\u00e1 n\u00e3o consigo receb\u00ea-la. E conclu\u00ed: o tempo voa. Somos hoje duas mulheres, mais maduras e com mais certezas, certamente com mais d\u00favidas. Somos hoje mais do que \u00e9ramos h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada. Porque o tempo voa mas aprendemos a voar com ele.<\/p>\n<p>De nada adianta ficar a olhar para tr\u00e1s e a pensar como ele passou, correndo o risco de ganhar um torcicolo e deixar passar o que est\u00e1 a acontecer agora. Do mesmo modo, ficar em afli\u00e7\u00e3o porque o tempo corre em inversa propor\u00e7\u00e3o ao que necessit\u00e1vamos, nada nos traz. Minto, pode trazer-nos, mais do que essa afli\u00e7\u00e3o, um n\u00edvel de stress desnecess\u00e1rio, porque acelerar o nosso ritmo para n\u00e3o perder pitada, para tentarmos ultrapassar um tempo que n\u00e3o p\u00e1ra para o recebermos de frente faz-nos viver no futuro. E o presente est\u00e1 mesmo aqui. A pedir para ser vivido.<\/p>\n<p>O tempo pode voar, mas n\u00f3s voamos com ele. J\u00e1 o disse? Reitero, porque n\u00e3o somos o que \u00e9ramos ontem e ainda estamos longe de atingirmos o que seremos amanh\u00e3.<\/p>\n<p>Os nossos filhos saboreiam o tempo de uma maneira muito menos racional e muito mais real. N\u00e3o se preocupam com o facto de ele estar a escapar-se por entre os dedos, aproveitam-no. Sabem que algures no dia lhes v\u00e3o dizer para lavar as m\u00e3os, tomar banho, vestir o pijama, ver os trabalhos de casa, jantar, lavar os dentes. Mas o que os separa do momento em que est\u00e3o do que vai acontecer \u00e9 o agora. E eles sabem viv\u00ea-lo.<\/p>\n<p>Deixar de estar constantemente a espreitar os emails, a consultar o rel\u00f3gio no pulso, em suma \u201cdesligar\u201d, \u00e9 essencial.<\/p>\n<p>Todos os dias aprendemos com os nossos filhos.<\/p>\n<p>Antes que chegue o dia em que eles pr\u00f3prios sintam que t\u00eam de se tornar escravos do tempo porque \u00e9 isso que v\u00eaem nos adultos, cabe-nos a n\u00f3s viver como eles.<\/p>\n<p>Viver com eles este tempo precioso que \u00e9 o agora.<\/p>\n<p>Porque ele n\u00e3o volta.<\/p>\n<p>E \u00e9 responsabilidade nossa sentir que todos os \u201cagoras\u201d que constituem a nossa vida foram bem vividos.<\/p>\n<p>Por um futuro melhor.<\/p>\n<p>imagem@flickr<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lembro-me como se tivesse sido, efectivamente, ontem os primeiros passos da minha irm\u00e3. Deu-os comigo, numas f\u00e9rias de Ver\u00e3o passadas em Espanha. 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