{"id":12319,"date":"2015-12-05T13:27:35","date_gmt":"2015-12-05T13:27:35","guid":{"rendered":"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/?p=12319"},"modified":"2015-12-05T13:27:35","modified_gmt":"2015-12-05T13:27:35","slug":"tudo-ou-quase-tudo-que-as-maes-de-gemeos-acabam-por-aprender","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/?p=12319","title":{"rendered":"Tudo (ou quase tudo) que as m\u00e3es  de g\u00e9meos acabam por aprender"},"content":{"rendered":"<p>Primeiro o choque, a estupefa\u00e7\u00e3o. Dois? N\u00e3o pode ser. H\u00e1 um engano de certeza! \u00a0A seguir\u2026 \u00e9 uma sensa\u00e7\u00e3o de felicidade que nos invade.<\/p>\n<p>Estar gr\u00e1vida de g\u00e9meos \u00e9 uma experi\u00eancia \u00fanica, um privil\u00e9gio que apenas algumas mulheres podem ter. \u201cMilagre da natureza\u201d para alguns, \u201cb\u00ean\u00e7\u00e3o de Deus\u201d para outros, o que \u00e9 certo que se a chegada de um filho \u00e0 fam\u00edlia \u00e9 um desafio de propor\u00e7\u00f5es monumentais, o nascimento de dois filhos ao mesmo tempo compara-se a uma verdadeira competi\u00e7\u00e3o e requer um treino t\u00e3o intenso como aquele que necessitamos se nos inscrevermos numa maratona ou numa escalada.<\/p>\n<p>Eventualmente acabaremos especialistas em embalar dois beb\u00e9s, um no mars\u00fapio e outro na espregui\u00e7adeira, enquanto passamos a ferro, mexemos a sopa na panela e marcamos por telefone as pr\u00f3ximas consultas no m\u00e9dico\u2026 E se porventura houver mais filhos, como h\u00e1 no meu caso, podemos acrescentar a esta cena mais uma crian\u00e7a ali por perto com quem vamos conversando para saber como foi o dia no infant\u00e1rio, enquanto a ajudamos a abrir o pacote das bolachas e o iogurte.<\/p>\n<p>As m\u00e3es de um \u00fanico filho olham para n\u00f3s e arrepiam-se s\u00f3 de imaginar. \u201cSe s\u00f3 o meu filho j\u00e1 d\u00e1 este trabalho&#8221;\u2026 E h\u00e1 pessoas que nos estranham como se fossemos extraterrestres e dir\u00e3o que ter g\u00e9meos \u00e9 muito bonito\u2026 mas \u00e9 nos outros! Pessoalmente, continuo a achar que \u00e9 bonito na minha fam\u00edlia. Apesar do caos. Mas toda a m\u00e3e de g\u00e9meos, num abrir e fechar de olhos ver\u00e1 que, com mais ou menos apoio, dar\u00e1 conta do recado e poderemos v\u00ea-la por a\u00ed\u2026 esgotada mas feliz!<\/p>\n<p>Quando finalmente nos adaptamos ao ritmo e a rotina se instala, as m\u00e3es de g\u00e9meos acabam por aprender que:<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o \u00e9 grave que das vezes que entrarmos em piloto autom\u00e1tico, tipo zombies pela casa, n\u00e3o saibamos afirmar com certeza qual dos g\u00e9meos j\u00e1 bebeu o leite ou comeu a papinha\u2026 Vai acontecer mais vezes do que as que desejar\u00edamos. A solu\u00e7\u00e3o passa por preparar um biber\u00e3o ou uma papa extra e tentar que algum dos dois lhe pegue. Mais problem\u00e1tico \u00e9 trocar-lhes os nomes e aquela a quem demos o nome de Beatriz passar a chamar-se Carolina e a Carolina passar a chamar-se Beatriz, mas isso, a n\u00f3s, nunca nos aconteceu\u2026 Esperem, pensando bem\u2026 N\u00e3o, nunca aconteceu.<\/p>\n<p>&#8211; Ouviremos muitas vezes a pergunta se s\u00e3o \u201cverdadeiros\u201d ou se s\u00e3o \u201cfalsos\u201d. Independentemente do caso dos nossos filhos g\u00e9meos, conv\u00e9m substituirmos estas express\u00f5es por \u201cid\u00eanticos\u201d e \u201cfraternos\u201d e sabermos explicar \u00e0s crian\u00e7as, \u00e0 medida que elas v\u00e3o crescendo, que os chamados \u201cfalsos\u201d tamb\u00e9m s\u00e3o de confian\u00e7a e que se trata apenas de uma express\u00e3o para distinguir os g\u00e9meos que n\u00e3o s\u00e3o assim t\u00e3o parecidos um com o outro\u2026 No meu caso, quando respondo a algu\u00e9m que as minhas filhas g\u00e9meas s\u00e3o verdadeiras, noto nas duas um certo ar de superioridade como quem pergunta: \u201cEnt\u00e3o? N\u00e3o estavam \u00e0 espera que fossemos falsas, pois n\u00e3o?!\u201d<\/p>\n<p>&#8211; Quando os g\u00e9meos est\u00e3o na mesma sala na creche, sobretudo se forem t\u00e3o id\u00eanticos que ningu\u00e9m os distingue um do outro, acontecer\u00e1 com frequ\u00eancia dizerem-nos ao final do dia, quando os formos buscar:\u00a0\u201cEsteve tudo bem com os g\u00e9meos. Houve um que se queixou da barriga (ou dos dentes, ou da cabe\u00e7a, ou que n\u00e3o quis comer)\u2026 que foi o\u2026o\u2026 o\u2026 [enquanto aponta, indecisa, com o dedo para um e depois para outro] Agora n\u00e3o sei. Mas est\u00e1 tudo bem\u201d, enquanto nos despeja \u201co pacote\u201d de g\u00e9meos no colo. Pois a verdade \u00e9 que as m\u00e3es de g\u00e9meos s\u00f3 podem preocupar-se quando n\u00e3o h\u00e1 mesmo outra alternativa. Tudo o que \u00e9 digno de nota acaba por ficar registado nos boletins de sa\u00fade (que conv\u00e9m n\u00e3o perder porque de vez em quando havemos de ficar na d\u00favida em rela\u00e7\u00e3o a qual dos dois \u00e9 que sofria de otites quando era beb\u00e9 ou qual dos dois teve varicela!).<\/p>\n<p>&#8211; Tamb\u00e9m acontece algumas prendinhas do dia do pai ou da m\u00e3e serem uma esp\u00e9cie de dois em um: uma caixinha que \u00e9 oferta dos g\u00e9meos, porque para que quereria l\u00e1 a m\u00e3e l\u00e1 ter duas caixas que n\u00e3o servem para nada praticamente iguais? Tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 grave: marca-se uma reuni\u00e3o com o\/a educador\/a para falarmos de cada filho ou ent\u00e3o opta-se por p\u00f4r cada um na sua sala, para que seja efetivamente tratado como a crian\u00e7a \u00fanica e especial que \u00e9.<\/p>\n<p>&#8211; Outro aspeto muito importante, mas que normalmente quando aprendemos \u201cj\u00e1 vai tarde\u201d: toda a m\u00e3e acaba por aprender que devia ter escrito o nome dos filhos nas fotografias, sobretudo quando s\u00e3o g\u00e9meos id\u00eanticos. C\u00e1 em casa acontece com alguma frequ\u00eancia situa\u00e7\u00f5es deste g\u00e9nero: -\u201cVejam esta fotografia da Beatriz quando era beb\u00e9. T\u00e3o querida a brincar na areia!\u201d -\u201cSim, mas n\u00e3o \u00e9 a Beatriz, \u00e9 a Carolina.\u201d -\u201cN\u00e3o \u00e9 nada\u2026 N\u00e3o v\u00eas a Carolina l\u00e1 atr\u00e1s \u00e0 beirinha da \u00e1gua?!\u201d -\u201cL\u00e1 atr\u00e1s \u00e9 que \u00e9 a Beatriz\u201d\u2026 \u00c9 que os anos passam, as fei\u00e7\u00f5es das crian\u00e7as mudam e a informa\u00e7\u00e3o que julg\u00e1mos imposs\u00edvel vir um dia a baralhar, baralha-se mesmo!<\/p>\n<p>&#8211; Para terminar, quando um diz \u201cmata\u201d, o outro diz \u201cesfola\u201d! Essa dupla que os irm\u00e3os g\u00e9meos formam desde que se conhecem dentro da barriga da m\u00e3e, veio para durar. Para o bem e para o mal. Por isso, dois g\u00e9meos juntos s\u00e3o como uma equipa de guionistas a escrever a melhor hist\u00f3ria de inf\u00e2ncia de sempre. E a melhor hist\u00f3ria tem de ter mil e uma aventuras que t\u00eam o poder de p\u00f4r o cabelo de qualquer m\u00e3e em p\u00e9!<\/p>\n<p>Mas todas as m\u00e3es de g\u00e9meos acabam por aprender que o melhor a fazer nessas alturas \u00e9 respirar fundo\u2026 contar at\u00e9 tr\u00eas\u2026 e relaxar\u2026<\/p>\n<p>A inf\u00e2ncia s\u00f3 se vive uma vez, mesmo que seja a dobrar!<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">imagem@huffpost<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Primeiro o choque, a estupefa\u00e7\u00e3o. Dois? N\u00e3o pode ser. H\u00e1 um engano de certeza! \u00a0A seguir\u2026 \u00e9 uma sensa\u00e7\u00e3o de felicidade que nos invade. Estar gr\u00e1vida de g\u00e9meos \u00e9 uma experi\u00eancia \u00fanica, um privil\u00e9gio que apenas algumas mulheres podem ter. \u201cMilagre da natureza\u201d para alguns, \u201cb\u00ean\u00e7\u00e3o de Deus\u201d para outros, o que \u00e9 certo que [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":30,"featured_media":12320,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[62,9],"tags":[343,84],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/12319"}],"collection":[{"href":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/30"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=12319"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/12319\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/index.php?rest_route=\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=12319"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=12319"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=12319"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}