{"id":12164,"date":"2015-11-22T12:00:32","date_gmt":"2015-11-22T12:00:32","guid":{"rendered":"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/?p=12164"},"modified":"2015-11-22T12:00:32","modified_gmt":"2015-11-22T12:00:32","slug":"nao-podias-ter-dito-logo-joana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/?p=12164","title":{"rendered":"N\u00e3o podias ter dito logo, Joana?"},"content":{"rendered":"<p><em>\u201cEnt\u00e3o, mas demor\u00e1mos estas aulas todas para chegar a esta conclus\u00e3o? N\u00e3o podias ter dito logo, Joana?<\/em>\u201d, disse-me o Leandro, no final da terceira aula sobre a investiga\u00e7\u00e3o \u201co que \u00e9 uma pergunta?\u201d. Sim, tr\u00eas aulas, isto \u00e9, tr\u00eas semanas \u00e0s voltas com aquilo que faz com que uma frase seja uma pergunta. Parece um trabalho in\u00fatil, no sentido de salientar o \u00f3bvio \u2013 afinal, todos n\u00f3s sabemos o que \u00e9 uma pergunta, certo? Basta ter um ponto de interroga\u00e7\u00e3o? Ou h\u00e1 outros crit\u00e9rios que fazem parte da pergunta e que, por serem \u00f3bvios, nem sempre atendemos?<\/p>\n<p>Estas s\u00e3o as quest\u00f5es que motivam o meu trabalho, a minha prepara\u00e7\u00e3o para aulas ou oficinas como esta. \u00c9 importante alinhavar o tipo de interroga\u00e7\u00f5es e caminhos que se podem tra\u00e7ar em aula, a partir do jogo, livro ou outro est\u00edmulo que seja o motivo do di\u00e1logo. Todavia, o grupo \u00e9 quem mais ordena e navegamos pelo mar que for escolhido pelos meninos, como aquele que lhes parece mais curioso ou mais importante, num dado momento.<\/p>\n<p>Assim sendo, \u00e9 muito natural que aconte\u00e7am caminhos diferentes, nos diferentes grupos, a partir de um mesmo est\u00edmulo. E isso \u00e9 muito rico, pois faz-me descobrir coisas que n\u00e3o tinha (pre)visto quando desenhei o meu plano de trabalho e enriquece as aulas uns dos outros. Posso, em \u00faltima inst\u00e2ncia, levar as ideias de um grupo para enriquecer o trabalho do outro.<\/p>\n<p>O trabalho do pensar, do investigar exige tempo e dedica\u00e7\u00e3o. Temos que lhes manter sempre o foco e a concentra\u00e7\u00e3o em alerta, atrav\u00e9s de coisas que lhes sejam familiares \u2013 esse \u00e9 o trabalho do facilitador, que orienta as aulas ou as oficinas. E h\u00e1 meninos que t\u00eam pressa em saber \u2013 n\u00e3o pelo facto de terem j\u00e1 a resposta \u201cna ponta da l\u00edngua\u201d, mas por que t\u00eam pressa. N\u00e3o t\u00eam paci\u00eancia para caminhar lado a lado com outros amigos que precisam de mais tempo para saborear a investiga\u00e7\u00e3o.\u00a0\u00c9 o caso do Leandro, que gostou muito de chegar a uma conclus\u00e3o, mas que estranhou o facto de eu, a \u201cprofessora\u201d, n\u00e3o lhes ter oferecido, logo, uma conclus\u00e3o poss\u00edvel. Sim \u2013 poss\u00edvel &#8211; pois isto de ter UMA resposta certa e definitiva n\u00e3o tem que acontecer na filosofia \u2013 para crian\u00e7as e jovens.<\/p>\n<p>Como escrevia um amigo e companheiro destas lides: \u201cas estrelas s\u00e3o eles, e n\u00e3o n\u00f3s\u201d. E h\u00e1 estrelas mais apressadas do que outras; tamb\u00e9m h\u00e1 as que dormem e as que precisam de acelerar. Afinal, somos todos diferentes. A vantagem de trabalhar em grupo \u00e9 que podemos encontrar o equil\u00edbrio dos tempos de cada um, em comunidade. Pensar em conjunto torna-nos muito mais ricos.<\/p>\n<p>Concordam?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cEnt\u00e3o, mas demor\u00e1mos estas aulas todas para chegar a esta conclus\u00e3o? N\u00e3o podias ter dito logo, Joana?\u201d, disse-me o Leandro, no final da terceira aula sobre a investiga\u00e7\u00e3o \u201co que \u00e9 uma pergunta?\u201d. 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