{"id":11794,"date":"2015-10-29T20:00:14","date_gmt":"2015-10-29T20:00:14","guid":{"rendered":"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/?p=11794"},"modified":"2015-10-29T20:00:14","modified_gmt":"2015-10-29T20:00:14","slug":"birras-com-gritos-muito-intensos-como-lidar-com-isso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/?p=11794","title":{"rendered":"Birras com Gritos Muito Intensos &#8211; como lidar com isso"},"content":{"rendered":"<p>Antes de mais, \u00e9 importante dizer que os gritos s\u00e3o uma manifesta\u00e7\u00e3o frequente das birras. O grito, \u00e9 na realidade uma manifesta\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria vida em si, de for\u00e7a, de intensidade, vitalidade e desejo de viver e ser livre. A verdade \u00e9 que \u00e9 para n\u00f3s adultos, j\u00e1 &#8220;socializados&#8221; e obrigados desde cedo a controlar os nossos impulsos e manifesta\u00e7\u00e3o emocionais, muito dif\u00edcil gerir e acolher os gritos dos nossos filhos. Olhamos para os gritos como algo que incomoda, que perturba os outros e a n\u00f3s mesmos. Algo intenso, que deve ser controlado desde logo. Na verdade, \u00e9 uma quest\u00e3o cultural tamb\u00e9m. Noutros contextos culturais, os gritos fazem parte de rituais e festas. E, enquanto que por c\u00e1 choramos baixinho, noutros pa\u00edses, um funeral sem gritos de dor bem aud\u00edveis, n\u00e3o \u00e9 um funeral digno.<\/p>\n<p>Ainda assim, n\u00e3o quer dizer que n\u00e3o possamos debru\u00e7ar-nos sobre o assunto e tentar perceber se, efectivamente, \u00e9 poss\u00edvel ou desej\u00e1vel fazer alguma coisa. Antes de mais, \u00e9 importante come\u00e7ar pela preven\u00e7\u00e3o (ler algumas estrat\u00e9gias <a href=\"http:\/\/anaguilhas.blogspot.pt\/2015\/01\/afinal-o-que-sao-os-terrible-twos.html\">aqui<\/a>). Isso vai permitir diminuir a frequ\u00eancia das birras e, eventualmente, \u00a0reduzir a sua intensidade (esta \u00faltima n\u00e3o \u00e9 garantida). Em segundo lugar, \u00e9 preciso entender a raz\u00e3o pela qual o seu filho escolhe especificamente os gritos intensos como &#8220;ponto forte&#8221; das suas birras. Podemos p\u00f4r algumas hip\u00f3teses:<\/p>\n<p>&#8211;\u00a0<strong>\u00c9 uma quest\u00e3o de\u00a0temperamento da pr\u00f3pria crian\u00e7a<\/strong>\u00a0e est\u00e1 enquadrado nesta etapa das birras de forma natural.<\/p>\n<p>&#8211;\u00a0<strong>\u00c9 resultado da\u00a0forma de comunica\u00e7\u00e3o que tem em casa.<\/strong>\u00a0Se estiver rodeado de uma comunica\u00e7\u00e3o muito agressiva e com muitos gritos, a crian\u00e7a exterioriza depois toda essa tens\u00e3o gritando ela tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>&#8211; \u00c9 resultado da\u00a0<strong>viv\u00eancia das emo\u00e7\u00f5es na estrutura familiar.<\/strong>\u00a0Por exemplo, pais que carregam emo\u00e7\u00f5es negativas e que as retraem no seu dia-a-dia, podem ver a crian\u00e7a manifest\u00e1-las no seu lugar (de forma mais descontrolada porque s\u00e3o demasiado pesadas para ela). Raiva, frustra\u00e7\u00e3o e\/ou depress\u00f5es latentes nos pais, podem ser alguns exemplos.<\/p>\n<p>&#8211; A crian\u00e7a grita p<strong>orque resulta<\/strong>. Isto quer dizer que os pais, de alguma forma ou cedem ao pedido (mesmo que seja muito raramente) ou ficam focados na crian\u00e7a (o que \u00e9 um ganho secund\u00e1rio da birra). Sendo assim, mesmo que o processo ocorra de forma inconsciente na crian\u00e7a, ela tende a usar as estrat\u00e9gias que s\u00e3o, ainda que sem querer, refor\u00e7adas pelos pais.<\/p>\n<p>&#8211; Os gritos\u00a0<strong>tocam numa sensibilidade natural dos pais.<\/strong>\u00a0Estes, reagem intensa e emocionalmente, fixando, ainda que sem querer, a crian\u00e7a naquele comportamento.<strong>\u00a0<\/strong>Neste caso, quer dizer que a crian\u00e7a encontrou algo a que os pais ou um dos pais \u00e9 particularmente sens\u00edvel. Este processo \u00e9 inconsciente para ambos. Por um lado, a crian\u00e7a sente que a m\u00e3e\/pai reagem de forma diferente quando surgem os gritos. E da parte dos pais, a reac\u00e7\u00e3o \u00e9 mais intensa precisamente por ter essa sensibilidade. A causa dessa sensibilidade normalmente pertence ao passado dos pais. O segredo est\u00e1 em perceber porque \u00e9 que \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil para os pais ouvir os gritos do seu filho. O que \u00e9 que isso lhes recorda? Em qu\u00ea que isso mexe com os adultos? Quando eram pequenos gritavam? Como reagiriam os seus pr\u00f3prios pais se gritasse daquela maneira? Tinham liberdade para expressar livre e intensamente a zanga e a frustra\u00e7\u00e3o? Estes impulsos eram imediatamente reprimidos?<\/p>\n<p>H\u00e1 que referir que estas s\u00e3o algumas hip\u00f3teses, existem outras e servem apenas para que os pais possam acima de tudo perceber o que \u00e9 que est\u00e1 em jogo naqueles momentos. Quando as causas s\u00e3o externas, ent\u00e3o devem ser trabalhadas e mudadas de forma a libertar a crian\u00e7a de algo que n\u00e3o \u00e9 dela. <strong>A\u00ed passar\u00e1 a viver as birras de forma mais livre e dentro daquilo que lhe \u00e9 natural (sim&#8230; as birras n\u00e3o desaparecem magicamente).<\/strong> Se a raz\u00e3o por detr\u00e1s dos gritos for o temperamento da crian\u00e7a, e a forma como esta exterioriza a frustra\u00e7\u00e3o, a zanga e\/ou tristeza, ent\u00e3o a\u00ed, a sugest\u00e3o ser\u00e1 ajud\u00e1-la a transformar essa forma de reagir, noutra mais &#8220;evolu\u00edda&#8221; e que a fam\u00edlia possa aceitar melhor.<\/p>\n<p>As estrat\u00e9gias:<\/p>\n<ol>\n<li><strong>Aceitar a crian\u00e7a\u00a0<\/strong>tal como ela \u00e9 e entender que naquele momento, est\u00e1 a lidar com emo\u00e7\u00f5es que ainda n\u00e3o consegue gerir e que a deixam desestabilizada e\/ou at\u00e9 descontrolada. Ou seja, evite gritar, insultar, amea\u00e7ar, castigar.<\/li>\n<li><strong>Acolher\u00a0<\/strong>a energia que ela est\u00e1 a libertar atrav\u00e9s dos gritos, choro, etc. Para isso \u00e9 importante perceber o que \u00e9 que aquele momento representa para n\u00f3s tamb\u00e9m.<\/li>\n<li>Seja o que for que tenha decidido, proibido, negado \u00e0 crian\u00e7a e que tenha desencadeado a situa\u00e7\u00e3o,\u00a0<strong>mantenha-se firme\u00a0<\/strong>e n\u00e3o ceda. N\u00e3o \u00e9 isso que a crian\u00e7a precisa de si. Precisa sim de perceber que os pais podem ser firmes mas sem ficarem eles mesmos desestabilizados e agressivos.<\/li>\n<li>Diga-lhe que com gritos e choro n\u00e3o consegue entender o que ela est\u00e1 a dizer e que, por isso, vai <strong>esperar que ela se acalme<\/strong> para poderem conversar. Diga isto de forma firme mas calma e depois evite continuar a falar (isso alimenta a continuidade e intensidade do momento).<\/li>\n<li><strong>Fique por perto<\/strong>, mesmo que decida lev\u00e1-lo para o quarto por exemplo, fique com ele. Mas n\u00e3o interaja com a crian\u00e7a at\u00e9 que esteja mais calma.<\/li>\n<li>Depois da crian\u00e7a estar calma, a\u00ed sim poder\u00e1 <strong>conversar<\/strong>. Diga-lhe o que sentiu, e d\u00ea-lhe espa\u00e7o para fazer o mesmo. Explique que quando est\u00e1 no momento da &#8220;birra&#8221; n\u00e3o consegue ajud\u00e1-lo e s\u00f3 pode esperar que se acalme. Que a birra n\u00e3o serve para que mude de ideias, mas que entende que seja a forma que tem de mostrar que est\u00e1 zangado. Diga-lhe que no entanto, existem outras maneiras de mostrar que se est\u00e1 zangado que podem ser melhores para todos.<\/li>\n<li>No momento em que j\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel conversar com a crian\u00e7a, pode ser necess\u00e1rio dizer-lhe que a birra vai ter <strong>consequ\u00eancias<\/strong>. Estas devem ser l\u00f3gicas e associadas ao acontecimento. Por exemplo, se a birra acontece de manh\u00e3 porque a crian\u00e7a n\u00e3o quer desligar a televis\u00e3o para ir para a escola, ent\u00e3o pode fazer sentido que na manh\u00e3 seguinte n\u00e3o haja televis\u00e3o. Para que continue a haver, \u00e9 importante que a crian\u00e7a fa\u00e7a a sua parte de a desligar na hora combinada.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Desta forma, os pais v\u00e3o ajudar a que a crian\u00e7a, gradualmente, encontre outras formas de se manifestar. Ao mesmo tempo, \u00e9 importante entender que naquele momento ela ainda tem muita dificuldade em lidar com determinadas emo\u00e7\u00f5es e principalmente com a frustra\u00e7\u00e3o. Mas se os pais n\u00e3o cederem, vai aprender que as consegue gerir cada vez melhor. Para isso, \u00e9 tamb\u00e9m importante que os pais valorizarem os momentos em que os filhos conseguem acalmar-se e\/ou sempre que estes usarem outras formas de agir.<\/p>\n<p>Publicado originalmente no <a href=\"http:\/\/anaguilhas.blogspot.pt\/search?updated-max=2015-05-25T11:21:00%2B01:00&amp;max-results=7&amp;start=7&amp;by-date=false\">Blog Ana Guilhas Psic\u00f3loga<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Antes de mais, \u00e9 importante dizer que os gritos s\u00e3o uma manifesta\u00e7\u00e3o frequente das birras. O grito, \u00e9 na realidade uma manifesta\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria vida em si, de for\u00e7a, de intensidade, vitalidade e desejo de viver e ser livre. 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