{"id":11071,"date":"2015-09-13T10:11:26","date_gmt":"2015-09-13T09:11:26","guid":{"rendered":"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/?p=11071"},"modified":"2015-09-13T10:11:26","modified_gmt":"2015-09-13T09:11:26","slug":"o-seu-filho-tem-uma-cardiopatia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/?p=11071","title":{"rendered":"O seu filho tem uma cardiopatia?"},"content":{"rendered":"<p>As cardiopatias cong\u00e9nitas s\u00e3o as malforma\u00e7\u00f5es mais frequentes no rec\u00e9m-nascido.<\/p>\n<p>Cada vez mais cedo s\u00e3o dadas aos Pais informa\u00e7\u00f5es seguras sobre o decorrer da vida do seu beb\u00e9, se est\u00e1 tudo bem, se existem ou n\u00e3o preocupa\u00e7\u00f5es. Provavelmente as altera\u00e7\u00f5es card\u00edacas e as cerebrais s\u00e3o as que mais assustam os Pais. E hoje em dia, numa gravidez vigiada e com os avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos, \u00e9 muito raro um beb\u00e9 com um problema card\u00edaco importante ter alta da maternidade sem que isso seja descoberto, exceptuando as situa\u00e7\u00f5es que se manifestam s\u00f3 pelo fim da primeira semana, mas, em geral, estas s\u00e3o de f\u00e1cil resolu\u00e7\u00e3o. Quer seja durante a gravidez, quer seja ainda na maternidade, os problemas card\u00edacos importantes costumam ser diagnosticados.<\/p>\n<p>Quando os Pais recebem esta tr\u00e1gica not\u00edcia, \u00e9 como se desmoronasse toda a estrutura que sonharam \u00e0 volta do seu beb\u00e9, que queriam ver saud\u00e1vel e feliz. \u00c9 como se um tuf\u00e3o passasse por aquela sala, naquele momento. Sentem-se completamente indefesos, assustados, desorientados.<\/p>\n<p>Durante a gravidez, esta not\u00edcia assume aspetos ainda mais tr\u00e1gicos, num clima do desconhecido, da incerteza, do que se n\u00e3o v\u00ea, do que n\u00e3o se sabe se causa sofrimento ao beb\u00e9 ou n\u00e3o. Cabe ao m\u00e9dico estar muito seguro e calmo, fornecer toda informa\u00e7\u00e3o de que disp\u00f5e, sabendo de antem\u00e3o que os Pais n\u00e3o v\u00e3o compreender grandes e longas explica\u00e7\u00f5es naquele momento. Uma futura avalia\u00e7\u00e3o a curto prazo, de prefer\u00eancia com um especialista na \u00e1rea, ser\u00e1 mais esclarecedora.<\/p>\n<p>Nesse momento surgem as habituais perguntas, sobre a gravidade da doen\u00e7a, sobre as consequ\u00eancias, sobre a qualidade de vida do beb\u00e9, se vai precisar de ser operado ou n\u00e3o, se vai ser uma crian\u00e7a normal ou n\u00e3o, se pode praticar desporto como os outros. E os Pais t\u00eam que assumir uma decis\u00e3o muito dif\u00edcil por vezes, que \u00e9, se embarcam ou n\u00e3o no desafio de ter e criar um filho com uma doen\u00e7a importante, ou se desistem e interrompem a gravidez. Esta decis\u00e3o tem que ser tomada pelo casal, numa vontade m\u00fatua, firme e esclarecida, porque o desafio de cuidar de um filho com uma doen\u00e7a importante pode unir mais ou ent\u00e3o separar o casal. Por vezes o casal desiste deste desafio, e optam pela interrup\u00e7\u00e3o da gravidez, justificando que n\u00e3o querem ter um filho para que este venha a sofrer. Mas isto n\u00e3o \u00e9 bem verdade, porque todos os que cuidam destas crian\u00e7as sabem, com o sucesso dos tratamentos, como elas se tornam crian\u00e7as felizes e activas.<\/p>\n<p>O tratamento das cardiopatias cong\u00e9nitas evoluiu muito nos \u00faltimos anos. Situa\u00e7\u00f5es aparentemente complicadas, s\u00e3o quase sempre resolvidas pela cirurgia de modo a oferecer \u00e0 crian\u00e7a uma actividade motora e mental normal.<\/p>\n<p>Os Pais devem-se sentir muito bem informados e esclarecidos das d\u00favidas que t\u00eam, e antes de tomarem qualquer resolu\u00e7\u00e3o, devem tamb\u00e9m discutir com o cirurgi\u00e3o, que os informar\u00e1 da sua experi\u00eancia e dos seus resultados no tratamento da doen\u00e7a do seu filho.<\/p>\n<p>Em geral as crian\u00e7as com cardiopatia t\u00eam uma intelig\u00eancia normal, e n\u00e3o t\u00eam mais nenhuma doen\u00e7a a n\u00e3o ser no cora\u00e7\u00e3o, a n\u00e3o ser que tenham, por exemplo, altera\u00e7\u00f5es cromoss\u00f3micas que implicam atraso mental. Mas isso n\u00e3o \u00e9 o mais frequente, e a an\u00e1lise dos cromossomas \u00e9 ent\u00e3o recomendada.<\/p>\n<p>Nas cardiopatias muito graves corre-se o risco, ainda que pequeno, de o tratamento poder interferir na actividade mental da crian\u00e7a. A troca de experi\u00eancias entre Pais que passaram por situa\u00e7\u00f5es semelhantes, parece-nos muito importante.<\/p>\n<p>Os Pais que fizeram a op\u00e7\u00e3o positiva para o beb\u00e9, s\u00e3o pessoas de luta e esperan\u00e7a, e a transmiss\u00e3o desses sentimentos pode ser encorajadora.<\/p>\n<p>Concluindo A not\u00edcia de que o beb\u00e9 tem uma cardiopatia \u00e9 demolidora psicologicamente. Exige um esfor\u00e7o pessoal, do casal e do m\u00e9dico para ser bem compreendida e aceite. As cardiopatias, em termos grosseiros, podem ser simples, graves, moderadamente graves e muito graves. As simples n\u00e3o precisam de tratamento, ou ent\u00e3o tratamento sem cirurgia (cateterismo). As graves e moderadamente graves, t\u00eam hoje em dia possibilidades de excelentes resultados com a cirurgia. As crian\u00e7as ultrapassam estes desafios com uma boa-disposi\u00e7\u00e3o e energia espantosas. As cardiopatias muito graves, t\u00eam solu\u00e7\u00e3o cir\u00fargica, algumas em diferentes etapas. Algumas acabam em transplante card\u00edaco, e os resultados s\u00e3o mais preocupantes.<\/p>\n<p>O casal deve esclarecer-se, procurar apoios e manter di\u00e1logo, um com o outro, com a fam\u00edlia e amigos, com outros Pais que passaram pelo mesmo, com o m\u00e9dico, eventualmente com o psic\u00f3logo. Esta \u00e9 uma experi\u00eancia dif\u00edcil, mas n\u00e3o desesperante, que chegada ao fim resulta quase sempre numa crian\u00e7a feliz, que, se n\u00e3o for super-protegida, anda e cresce descontraid\u00edssimo.<\/p>\n<p>Estes s\u00e3o Pais que, com as suas d\u00favidas e ang\u00fastias, cresceram mais como pessoas e casal, e formaram uma fam\u00edlia mais unida, mais preparada para testemunhar, junto dos mais jovens, como enfrentar certas dificuldades&#8230;<\/p>\n<p><em>Por Ant\u00f3nio J. Macedo,\u00a0M\u00e9dico Cardiologista Pedi\u00e1trico,\u00a0publicado originalmente no<a href=\"http:\/\/meupequeninocoracao.blogspot.pt\/2013\/11\/o-seu-filho-tem-uma-cardiopatia.html\"> Blog Meu pequenino Cora\u00e7\u00e3o<\/a>,<br \/>\nAutorizado para \u00a0Up To Kids\u00ae<\/em><\/p>\n<p>Todos os direitos reservados.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"color: #808080;\">imagem@conteudo.info.ufrn<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As cardiopatias cong\u00e9nitas s\u00e3o as malforma\u00e7\u00f5es mais frequentes no rec\u00e9m-nascido. Cada vez mais cedo s\u00e3o dadas aos Pais informa\u00e7\u00f5es seguras sobre o decorrer da vida do seu beb\u00e9, se est\u00e1 tudo bem, se existem ou n\u00e3o preocupa\u00e7\u00f5es. Provavelmente as altera\u00e7\u00f5es card\u00edacas e as cerebrais s\u00e3o as que mais assustam os Pais. 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