{"id":10108,"date":"2015-06-18T09:47:36","date_gmt":"2015-06-18T09:47:36","guid":{"rendered":"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/?p=10108"},"modified":"2015-06-18T09:47:36","modified_gmt":"2015-06-18T09:47:36","slug":"quanto-pode-amar-uma-mae","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/?p=10108","title":{"rendered":"Quanto pode amar uma m\u00e3e?"},"content":{"rendered":"<p>Meu amor,<\/p>\n<p>Quando a tia nasceu eu tinha Treze\u00a0anos. Amei-a como se fosse minha filha, apesar\u00a0de ser minha irm\u00e3. Mesmo com aquela idade, mesmo sem o verbalizar ou saber ao\u00a0certo o que estava a sentir, achei que n\u00e3o ia voltar a amar ningu\u00e9m daquela forma. E\u00a0n\u00e3o voltei. Passava os fins-de-semana em casa do av\u00f4 e era t\u00e3o bom poder cuidar\u00a0dela, estar ali de volta daquele beb\u00e9 que olhava para mim com olhos grandes e um\u00a0sorriso doce. Mas que tamb\u00e9m ficava impaciente, pedia muita aten\u00e7\u00e3o e queria brincar\u00a0com coisas que n\u00e3o podia. Ao domingo \u00e0 noite despedia-se sempre de mim a chorar,\u00a0a pedir para eu n\u00e3o me ir embora, mas eu tinha de ir. E sentia, do alto dos meus\u00a0quinze anos, que ter um filho devia ser uma responsabilidade brutal, porque uma\u00a0crian\u00e7a precisa de disponibilidade, de ser cuidada vinte e quatro sobre vinte e quatro\u00a0horas.<\/p>\n<p>Tantos anos mais tarde nasceu a prima e mais uma vez uma onda de amor. Mais uma\u00a0vez um amor diferente. Mais conhecimentos e alguma sabedoria, a mesma vontade de\u00a0n\u00e3o perder pitada daquele beb\u00e9 calminho mas o mais esperto que alguma vez\u00a0conheci. Curiosa e carinhosa, como \u00e9 ainda hoje com quase tr\u00eas anos.<\/p>\n<p>Fui colecionando grandes amores at\u00e9 te amar a ti.<\/p>\n<p>E percebo as pessoas que t\u00eam medo de ter um segundo filho por recearem n\u00e3o o\u00a0amar como amam o primeiro. Porque \u00e9 um amor avassalador, algo com que n\u00e3o\u00a0vivemos durante d\u00e9cadas e que, de repente, d\u00e1 um sentido verdadeiro \u00e0 nossa vida.<\/p>\n<p>Percebo-as mas sei, c\u00e1 dentro, que nenhum destes amores se repete. Que todos t\u00eam\u00a0o seu lugar, que o cora\u00e7\u00e3o \u00e9 um \u00f3rg\u00e3o el\u00e1stico que vai esticando mais um bocadinho\u00a0sempre que nos predispomos a abri-lo.<\/p>\n<p>H\u00e1 poucas verdades absolutas, mas estas s\u00e3o as minhas. De mim, para ti.<\/p>\n<p>O amor que sinto por ti \u00e9 irrepet\u00edvel.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 nada que o possa diminuir. Nem mesmo se \u00e0s vezes me desiludires e fizeres\u00a0menos por ti do que eu gostaria.<\/p>\n<p>Mesmo que n\u00e3o houvesse luz nenhuma no mundo, conseguiria chegar at\u00e9 ti, s\u00f3 pelo\u00a0teu cheirinho.<\/p>\n<p>\u00c0s vezes, quando estou cansada, basta-me o teu sorriso para ter novamente energia.<\/p>\n<p>Falo muito contigo (e \u00e0s vezes receio que a tua primeira frase completa seja \u201c<em>cala-te\u00a0s\u00f3 um bocadinho, m\u00e3e, pode ser?\u201d<\/em>. Mas sei que \u00e9s demasiado doce para sequer o\u00a0pensares&#8230;).<\/p>\n<p>Quando regrides em qualquer coisa (adormecias sempre t\u00e3o bem, agora tem custado\u00a0mais), penso sempre em que \u00e9 que estou a falhar e tento lembrar-me sempre que o\u00a0mais importante \u00e9 respeitar o teu ritmo, o teu crescimento \u2013 porque te est\u00e1s a\u00a0aperceber de um mundo cada vez maior \u00e0 tua volta e tens o direito de mudar, de te\u00a0adaptar \u00e0 tua maneira, no teu tempo.<\/p>\n<p>Muitas vezes, de manh\u00e3, deixo-te demorar mais tempo a fazer as coisas porque sei\u00a0que te (nos) esperam manh\u00e3s com muito stress l\u00e1 mais para a frente. \u00c9s um beb\u00e9\u00a0agora e n\u00e3o vais poder brincar com calma, gatinhar atr\u00e1s de mim com a l\u00edngua de fora,\u00a0morder o teu elefante por muito mais tempo.<\/p>\n<p>Tudo o que fa\u00e7o por ti vem c\u00e1 de dentro, daquele cantinho do meu cora\u00e7\u00e3o que\u00a0conquistaste e que ser\u00e1 teu at\u00e9 eu deixar de andar por c\u00e1.<\/p>\n<p>Espero que um dia sintas este amor t\u00e3o grande, t\u00e3o puro. E que gostes de mim, desta\u00a0mi\u00fada que ainda se est\u00e1 a habituar ao t\u00edtulo de \u201cm\u00e3e\u201d e que tem um orgulho t\u00e3o\u00a0grande de ser a tua.<\/p>\n<p>J\u00e1 reparaste como falo tanto e tantas vezes de amor?<br \/>\n\u00c9 para que saibas a que ninho\u00a0pertences, minha querida.<\/p>\n<p>Por Marta Coelho,<br \/>\npara Up To Lisbon Kids\u00ae<\/p>\n<p>Todos os direitos reservados<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Meu amor, Quando a tia nasceu eu tinha Treze\u00a0anos. Amei-a como se fosse minha filha, apesar\u00a0de ser minha irm\u00e3. Mesmo com aquela idade, mesmo sem o verbalizar ou saber ao\u00a0certo o que estava a sentir, achei que n\u00e3o ia voltar a amar ningu\u00e9m daquela forma. E\u00a0n\u00e3o voltei. 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