{"id":10074,"date":"2015-07-10T09:55:54","date_gmt":"2015-07-10T08:55:54","guid":{"rendered":"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/?p=10074"},"modified":"2015-07-10T09:55:54","modified_gmt":"2015-07-10T08:55:54","slug":"divertida-mente-explicando-as-emocoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/?p=10074","title":{"rendered":"DIVERTIDA\u2013MENTE explicando as emo\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p>O nosso sistema l\u00edmbico, ou seja, o \u201ccentro das emo\u00e7\u00f5es\u201d \u2013 t\u00e3o bem ilustrado no filme DIVERTIDA\u2013MENTE, permite-nos fazer a distin\u00e7\u00e3o entre o que \u00e9 agrad\u00e1vel ou nos causa desprazer e desenvolver a\u00e7\u00f5es em conformidade como que sentimos. \u00c9 a zona do nosso c\u00e9rebro que comanda muitos dos comportamentos necess\u00e1rios \u00e0 nossa sobreviv\u00eancia.<br \/>\nO modo como reagimos \u00e9 alavancado por emo\u00e7\u00f5es, como medo, \u00f3dio, alegria, tristeza (entre tantas outras). S\u00e3o processos intraps\u00edquicos, que se expressam pelo sentir, pela linguagem verbal e corporal e est\u00e3o estreitamente relacionados com as fun\u00e7\u00f5es cognitivas (mem\u00f3ria, aten\u00e7\u00e3o, pensamento e linguagem). O \u201ccentro das emo\u00e7\u00f5es\u201d vai influenciar a maneira de ser e a capacidade de raciocinar, ou seja, tem impacto em alguns aspetos da identidade e da personalidade de cada pessoa.<\/p>\n<p>Apesar de parecer paradoxal, algumas emo\u00e7\u00f5es tidas como negativas podem ser positivas. E aqui identifica-se um importante \u201cmediador\u201d \u2013 o c\u00f3rtex pr\u00e9-frontal. Esta zona do c\u00e9rebro processa v\u00e1rias fun\u00e7\u00f5es, incluindo o controlo funcional das emo\u00e7\u00f5es. Dito de outra forma, \u00e9 respons\u00e1vel pelo desenvolvimento do ju\u00edzo cr\u00edtico e do autocontrolo. N\u00e3o tem a ver com o saber se \u00e9 o correto (a crian\u00e7a at\u00e9 pode saber que n\u00e3o \u00e9 a melhor atitude), mas com a capacidade de fazer o correto. O c\u00f3rtex pr\u00e9-frontal permanece em desenvolvimento por mais de 20 anos e muitos adultos n\u00e3o chegam a conseguir uma maturidade saud\u00e1vel. Estando em desenvolvimento a regula\u00e7\u00e3o do pr\u00e9-frontal, outras zonas, entre elas a am\u00edgdala cerebral (muito associada a situa\u00e7\u00f5es de <a href=\"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/opiniao\/carta-aos-pais-sobre-a-raiva-dos-filhos\/\">explos\u00e3o de raiva<\/a>), tornam-se dominantes o que, dentro de certos par\u00e2metros, \u00e9 perfeitamente normal e esper\u00e1vel em crian\u00e7as e adolescentes.<\/p>\n<p>Mas a raiva tem o seu lado positivo. Funcionando como ant\u00eddoto do medo, permite avaliar as situa\u00e7\u00f5es, distinguindo o que \u00e9 ben\u00e9fico do que \u00e9 prejudicial para n\u00f3s ou para os outros. A t\u00edtulo de exemplo, imagine que vai de viagem e o seu carro e n\u00e3o tem indicador de fim de gasolina. A qualquer momento pode ficar sem combust\u00edvel e sem poder continuar a viagem. A raiva funciona, de certo modo, como esse indicador da reserva. Sinaliza que alguma coisa n\u00e3o est\u00e1 a correr bem e que algo necessita de ser feito. Regra geral, crian\u00e7as que t\u00eam crises frequentes de raiva s\u00e3o crian\u00e7as em que a ang\u00fastia e a tristeza predominam e pode significar um pedido, latente, de ajuda.<\/p>\n<p>Tristeza e alegria andam lado a lado e uma n\u00e3o existe sem outra. Por estranho que possa parecer, muitos momentos bons, em que a crian\u00e7a se sente amada, acarinhada e suportada, ficam \u201cgravados na mem\u00f3ria\u201d como resultado de alguma situa\u00e7\u00e3o menos positiva (uma queda, por exemplo). No entanto, sociedade atual est\u00e1 cada vez mais orientada para o prazer e para a recompensa imediata. Somos diariamente bombardeados com a necessidade de ser, permanentemente, felizes, a qualquer custo e em qualquer circunst\u00e2ncia. As crian\u00e7as est\u00e3o a crescer num contexto em que apenas a alegria importa e n\u00e3o aprendem a sentir a perda e a frustra\u00e7\u00e3o. Os pais compram um jogo e ap\u00f3s algumas jogadas o filho perde o interesse, ao que os pais compram um jogo novo para refor\u00e7ar e dar continuidade ao prazer da crian\u00e7a. A crian\u00e7a faz birra ou fica irada porque quer um gelado, apesar de saber que a regra \u00e9 comer gelados apenas ao fim de semana. Os pais, tamb\u00e9m eles orientados para a ideia de que sentir alegria \u00e9 o que mais importa e n\u00e3o estando preparados para lidar com a raiva dos filhos, n\u00e3o s\u00e3o capazes de os frustrar, mantendo o que est\u00e1 acordado.<\/p>\n<p>Mas \u00e9, precisamente, o afeto balizado pelas regras, o facilitador, \u201ca ponte\u201d nas liga\u00e7\u00f5es entre o c\u00f3rtex pr\u00e9-frontal e am\u00edgdala cerebral. No fundo, \u00e9 o amor e o desejo manifesto dos pais pelos seus filhos, associado aos limites que consideram ser os adequados, que permitem o estabelecimento das liga\u00e7\u00f5es neurais que promovem o tal ju\u00edzo de valor e o autocontrolo emocional.<br \/>\nEste afeto balanceado, a que podemos chamar de cuidado, \u00e9 o \u201calimento\u201d do nosso sistema l\u00edmbico e leva \u00e0 concretiza\u00e7\u00e3o ou \u00e0 inibi\u00e7\u00e3o de condutas adequadas e ao desenvolvimento de comportamentos, mais ou menos, saud\u00e1veis.<\/p>\n<p>Se puder, n\u00e3o deixe de ver o filme e aproveite para discuti-lo com o seu filho, explorando as v\u00e1rias componentes: a afetiva (o que foi sentido), a express\u00e3o verbal e facial dos v\u00e1rios estados emocionais e as respostas ou comportamentos que se verificaram.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"color: #808080;\">imagem@saudeinfantil<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O nosso sistema l\u00edmbico, ou seja, o \u201ccentro das emo\u00e7\u00f5es\u201d \u2013 t\u00e3o bem ilustrado no filme DIVERTIDA\u2013MENTE, permite-nos fazer a distin\u00e7\u00e3o entre o que \u00e9 agrad\u00e1vel ou nos causa desprazer e desenvolver a\u00e7\u00f5es em conformidade como que sentimos. \u00c9 a zona do nosso c\u00e9rebro que comanda muitos dos comportamentos necess\u00e1rios \u00e0 nossa sobreviv\u00eancia. 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