{"id":10065,"date":"2015-05-13T21:04:00","date_gmt":"2015-05-13T21:04:00","guid":{"rendered":"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/?p=10065"},"modified":"2015-05-13T21:04:00","modified_gmt":"2015-05-13T21:04:00","slug":"para-educar-uma-crianca-e-preciso-toda-uma-aldeia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/?p=10065","title":{"rendered":"Para educar uma crian\u00e7a \u00e9 preciso toda uma aldeia"},"content":{"rendered":"<p>Anda a circular um v\u00eddeo que nos d\u00f3i na alma. Vemos jovens que podiam ser os nossos\u00a0sobrinhos ou filhos, os filhos dos nossos vizinhos ou os colegas dos nossos filhos, a levarem a\u00a0cabo um conjunto de atividades violentas. Vemos uma v\u00edtima (ou ser\u00e3o todos v\u00edtima?) a ser\u00a0esbofeteada e esmurrada v\u00e1rias vezes. A sua passividade tamb\u00e9m nos inquieta. Tudo \u00e9\u00a0perturbador naqueles minutos. O v\u00eddeo deixa-nos tristes, com medo, deixa-nos impotentes e\u00a0revoltados. No rosto do jovem agredido ficar\u00e3o marcas. Ficar\u00e3o marcas tamb\u00e9m na sociedade?<\/p>\n<p>Ser\u00e3o essas marcas capazes de nos impelir a mudar alguma coisa?<\/p>\n<p>Proponho algumas notas e reflex\u00f5es para nos ajudar a lidar com a situa\u00e7\u00e3o, com o choque,\u00a0com este verdadeiro \u201cmurro no est\u00f4mago\u201d:<\/p>\n<p>NOTA 1 \u2013 Nas Escolas o n\u00famero de Assistentes Operacionais est\u00e1 a diminuir. Os Professores\u00a0t\u00eam cada vez mais trabalho burocr\u00e1tico, os Psic\u00f3logos nas Escolas s\u00e3o uma miragem e outros\u00a0est\u00e3o mal preparados. Como se fosse pouco, as exig\u00eancias s\u00e3o cada vez maiores e h\u00e1 a\u00a0contamina\u00e7\u00e3o natural das convuls\u00f5es sociais t\u00edpicas da crise e das crises que vivemos.<\/p>\n<p>REFLEX\u00c3O \u2013 O que podemos fazer para for\u00e7ar o poder a dar mais condi\u00e7\u00f5es \u00e0s Escolas? As\u00a0Escolas precisam de mais Assistentes Operacionais, mais Forma\u00e7\u00e3o (de qualidade, claro!) para\u00a0os Professores, de mais espa\u00e7o para se trabalharem as compet\u00eancias sociais, as emo\u00e7\u00f5es. E\u00a0como sociedade civil, o que podemos fazer para ajudar as Escolas? Quais as salas que podemos\u00a0ajudar a pintar, quais as sess\u00f5es de sensibiliza\u00e7\u00e3o que podemos dinamizar, quais as\u00a0associa\u00e7\u00f5es que podemos criar?<\/p>\n<p>NOTA 2 &#8211; Este tipo de acontecimento surge com alguma frequ\u00eancia. S\u00f3 que a m\u00e1xima \u201clonge\u00a0da vista, longe do cora\u00e7\u00e3o\u201d aplica-se de forma perversa. Como foi filmado e reproduzido nas\u00a0redes sociais, torna-se mais evidente. Mais real. Mas n\u00e3o podemos esquecer que j\u00e1 aconteceu\u00a0outras vezes e ningu\u00e9m gravou. H\u00e1 n\u00fameros que indicam mais de mil agress\u00f5es por ano a\u00a0Professores, Alunos e Funcion\u00e1rios. Os n\u00fameros s\u00e3o assustadores, mas importa refor\u00e7ar que,\u00a0no geral, as Escolas conseguem proporcionar ambientes positivos.<\/p>\n<p>REFLEX\u00c3O &#8211; Este tipo de acontecimento surge independentemente do n\u00edvel social ou do tipo\u00a0de Escola. Devemos estar atentos aos sinais. Porque temos a ideia de que \u201ca mim \u00e9 que n\u00e3o\u201d?<\/p>\n<p>N\u00e3o precisamos de Pais ansiosos. N\u00e3o \u00e9 positivo demasiada preocupa\u00e7\u00e3o. Mas ocupemo-nos\u00a0das quest\u00f5es. Na alegoria da caverna a realidade s\u00e3o as sombras. Era a vis\u00e3o da realidade para\u00a0os prisioneiros. Libertarmo-nos da escurid\u00e3o necessita de esfor\u00e7o, de mudan\u00e7a de paradigmas.<br \/>\nQuais s\u00e3o as suas verdades sombra? Porque n\u00e3o p\u00f5e em causa as suas certezas? O seu filho\u00a0nunca vai ser v\u00edtima? Nunca vai ser agressor? Refletir com conta peso e medida sobre estas\u00a0quest\u00f5es vai faze-lo estar mais atento. Mais presente. Vai faze-lo ir mais vezes ao quarto dele\u00a0quando ele estiver entretido com as coisas da Escola. Vai ajud\u00e1-lo a quebrar mais vezes o\u00a0sil\u00eancio. Vai dar-lhe mais motiva\u00e7\u00e3o para o ajudar nas \u00e1reas que por vezes n\u00e3o se aprendem na\u00a0Escola, como a \u00e1rea das emo\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>NOTA 3 \u2013 A frase \u201cpara educar uma crian\u00e7a \u00e9 preciso toda uma aldeia\u201d faz todo o sentido.<\/p>\n<p>REFLEX\u00c3O &#8211; Mas quantas vezes nos fechamos nos nossos apartamentos, quantas vezes\u00a0nos limitamos ao nosso mundinho? Quantos de n\u00f3s viram a cara, se por ventura\u00a0assistem a um ato desprez\u00edvel perpetrado por um jovem? E quantos de n\u00f3s ficamos\u00a0demasiado ofendidos, quando um estranho, num local p\u00fablico repreende a nossa crian\u00e7a por\u00a0estar a fazer o que, supostamente, n\u00e3o devia?<\/p>\n<p>A agressividade nasce com o ser humano. \u00c9 a Educa\u00e7\u00e3o, o contato com a fam\u00edlia, com os pares,\u00a0\u00e9 a socializa\u00e7\u00e3o que vai dando capacidade ao jovem de escolher comportamentos n\u00e3o\u00a0agressivos.<\/p>\n<p>Onde est\u00e3o aqueles pais a falhar? Ainda tive receio de usar a palavra falhar, a\u00a0situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 ainda \u201ca quente\u201d, irmos demasiado \u00e0 pressa arranjar culpados, pode ser\u00a0contraproducente. No entanto, ter\u00e1 que se fazer, mais tarde ou mais cedo, esta reflex\u00e3o.<\/p>\n<p>As marcas da viol\u00eancia est\u00e3o na cara daquele jovem. Ficar\u00e3o tamb\u00e9m na sua alma? Ficar\u00e3o na\u00a0minha? Ou amanh\u00e3 j\u00e1 me esqueci? Farei alguma coisa de diferente?<\/p>\n<p>Um dos meus grandes desafios como Psic\u00f3logo, \u00e9 dar ferramentas para ajudar os Pais ou\u00a0Professores a passar \u00e0 a\u00e7\u00e3o. Para dar um exemplo, at\u00e9 porque o ver\u00e3o est\u00e1 a chegar, usaremos\u00a0a quest\u00e3o das dietas. N\u00e3o basta ler o livro das dietas, \u00e9 preciso come\u00e7ar a comer melhor. N\u00e3o\u00a0basta querer comer melhor, deve come\u00e7ar-se pela qualidade da lista de compras. Com as\u00a0compet\u00eancias sociais \u00e9 semelhante, n\u00e3o basta ler, h\u00e1-que praticar. H\u00e1, no entanto, uma boa\u00a0not\u00edcia. Se lermos bastante, se lermos com aten\u00e7\u00e3o, se pensarmos sobre o assunto,\u00a0come\u00e7amos a abrir portas \u00e0 mudan\u00e7a. J\u00e1 aconteceu comigo come\u00e7ar a comer legumes\u00a0salteados, sem entender bem de onde tinha vindo a ideia. Passados uns dias, descobri um livro\u00a0onde estava essa sugest\u00e3o e uma receita de legumes salteados. Eu j\u00e1 tinha lido e relido.\u00a0Demorou um pouco at\u00e9 colocar em pr\u00e1tica, mas aconteceu.<\/p>\n<p>Ajude o seu filho a compreender melhor este mundo das compet\u00eancias sociais, das emo\u00e7\u00f5es,\u00a0para n\u00e3o ser v\u00edtima nem agressor. Impelindo-o a passar a a\u00e7\u00e3o, d\u00e1 uma \u201caula pr\u00e1tica\u201d e\u00a0desenvolve nele algumas compet\u00eancias. H\u00e1 quatro componentes fundamentais neste mundo\u00a0de emo\u00e7\u00f5es. Conhec\u00ea-las ajuda a prevenir a viol\u00eancia. Pratica-las ajuda ainda mais. Tenha\u00a0aten\u00e7\u00e3o a elas e veja ideias de atividades para ajudar os seus filhos a praticar.<\/p>\n<p>1) A emo\u00e7\u00e3o d\u00e1 sinais. Podemos sentir o cora\u00e7\u00e3o a bater ou o aumento da transpira\u00e7\u00e3o.\u00a0Podemos sentir \u201cborboletas\u201d na barriga. Ajude o seu filho a fazer uma lista destes \u201csinais\u201d.\u00a0Pensem em conjunto sobre alguma situa\u00e7\u00e3o recente em que tenham sentido essas mudan\u00e7as\u00a0fisiol\u00f3gicas. Treine-o a ouvir o corpo. Melhor, treine-o a escutar o corpo. Converse com ele\u00a0sobre a diferen\u00e7a entre escutar e ouvir. Reflita sobre a acelera\u00e7\u00e3o do dia-a-dia e da forma\u00a0como este ritmo pode impedir que sejamos capazes de sentir estes sinais, de ter no\u00e7\u00e3o destes\u00a0sinais. Tentem identificar outras express\u00f5es como \u201cborboletas\u201d na barriga para poderem\u00a0conversar sobre os significados.<\/p>\n<p>2) As emo\u00e7\u00f5es s\u00e3o boas ou m\u00e1s. Agrad\u00e1veis ou desagrad\u00e1veis. N\u00e3o quer dizer que sejam\u00a0simples. Geralmente, o leque de emo\u00e7\u00f5es conhecido pelas pessoas, \u00e9 reduzido. \u00c9 importante\u00a0aumentarmos esse leque. Assim, n\u00e3o ficaremos pelo \u201cestou bem\u201d e pelo \u201cestou mal\u201d. Vamos\u00a0abrir o leque. O espelho da alma (ou dos centros de prazer e desprazer do\u00a0c\u00e9rebro) \u00e9 a face.<\/p>\n<p>3) As express\u00f5es faciais s\u00e3o capazes de denunciar as seis emo\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas e universais. J\u00e1\u00a0agora, sabe quais s\u00e3o as seis? Pesquise com o seu filho em sites de refer\u00eancia ou em livros\u00a0quais s\u00e3o essas seis emo\u00e7\u00f5es. Fale-lhe da import\u00e2ncia de estarmos atentos \u00e0s express\u00f5es\u00a0faciais das outras pessoas. Conte-lhes est\u00f3rias de detetives e de espi\u00f5es. Debata com ele a\u00a0import\u00e2ncia de sabermos a cada momento se a nossa express\u00e3o est\u00e1 a dizer o que estamos a\u00a0sentir.<\/p>\n<p>4) As emo\u00e7\u00f5es costumam desencadear comportamentos. Geralmente comportamentos de\u00a0fuga ou aproxima\u00e7\u00e3o. De luta ou de combate. De ternura ou agress\u00e3o. As emo\u00e7\u00f5es est\u00e3o\u00a0ligadas a comportamentos. Conversem sobre os poss\u00edveis comportamentos que podem advir\u00a0das diferentes emo\u00e7\u00f5es. Conversem sobre as formas de controlar esses comportamentos.\u00a0Conversem sobre os momentos em que devemos controlar esses comportamentos e os\u00a0momentos em que nos podemos deixar ir.<\/p>\n<p><em>Por Alfredo Leite, Mundo Brilhante,\u00a0<\/em><br \/>\n<em>para Up To Lisbon Kids\u00ae<\/em><\/p>\n<p><em>Todos os direitos reservados<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Anda a circular um v\u00eddeo que nos d\u00f3i na alma. Vemos jovens que podiam ser os nossos\u00a0sobrinhos ou filhos, os filhos dos nossos vizinhos ou os colegas dos nossos filhos, a levarem a\u00a0cabo um conjunto de atividades violentas. Vemos uma v\u00edtima (ou ser\u00e3o todos v\u00edtima?) a ser\u00a0esbofeteada e esmurrada v\u00e1rias vezes. A sua passividade tamb\u00e9m [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":28,"featured_media":10066,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[34,17],"tags":[42,234,2],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10065"}],"collection":[{"href":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/28"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=10065"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10065\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/index.php?rest_route=\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=10065"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=10065"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=10065"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}