{"id":10053,"date":"2015-06-09T00:12:36","date_gmt":"2015-06-09T00:12:36","guid":{"rendered":"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/?p=10053"},"modified":"2015-06-09T00:12:36","modified_gmt":"2015-06-09T00:12:36","slug":"o-lado-bom-dos-gritos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/?p=10053","title":{"rendered":"O lado bom dos gritos!"},"content":{"rendered":"<p>Gritos fortes \u00e0 nascen\u00e7a s\u00e3o uma boa forma de garantir nota alta na primeira avalia\u00e7\u00e3o formal da vida, o \u00edndice de Apgar. Nos primeiros dias ainda achamos que os gritos s\u00e3o \u00f3ptimos indicadores de vitalidade e personalidade no beb\u00e9. Gradualmente, v\u00e3o nos parecendo, cada vez mais, um problema. Se estamos na rua, num restaurante, numa loja ou em casa com uma valente dor de cabe\u00e7a, os gritos j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o bem-vindos, e j\u00e1 n\u00e3o arrancam propriamente um sorriso do rosto dos pais. De repente, gritar n\u00e3o \u00e9 assim t\u00e3o bom e a situa\u00e7\u00e3o tem que ser &#8220;controlada&#8221;. Come\u00e7am ent\u00e3o a accionar-se \u00a0os mecanismos necess\u00e1rios para ensinar a &#8220;arte&#8221; da conten\u00e7\u00e3o. Algo que muitos adultos conhecem de bem perto.<\/p>\n<p>E \u00e9 mesmo dos adultos que eu quero falar&#8230; Actualmente, os pais vivem muito pressionados pelo politicamente correcto. N\u00e3o se grita, n\u00e3o se bate, n\u00e3o se castiga, n\u00e3o se \u2026 No entanto, vivem tamb\u00e9m &#8220;atropelados&#8221; por uma vida centrada em trabalho, filhos e nas dificuldades do dia-a-dia. O espa\u00e7o para se viverem a si mesmos \u00e9 reduzido ou inexistente e isso, tem consequ\u00eancias. Cansa\u00e7o e frustra\u00e7\u00e3o acumulados, interferem com a paci\u00eancia e a disponibilidade mental. De repente, \u00e0s vezes quase sem darem por isso, est\u00e3o a gritar (seja sozinhos, com a &#8220;cara metade&#8221; ou com os filhos). Depois, aparecem o desconforto e a culpa de terem gritado, de terem perdido o controle, de n\u00e3o terem contido a sua zanga.<\/p>\n<p><strong>Primeiro, \u00e9 preciso perceber porque \u00e9 que gritamos.<\/strong><\/p>\n<p>Gritar \u00e9 querer viver! Tal como o fazemos \u00e0 nascen\u00e7a anunciando que cheg\u00e1mos para ficar, e que trazemos connosco for\u00e7a e desejo de existir e de conquistarmos o nosso espa\u00e7o. \u00c9 isso que as crian\u00e7as fazem sempre que gritam, mostram-nos que est\u00e3o ali, dispostas a lutar pela sua exist\u00eancia, pelas suas necessidades. \u00c9 isso que n\u00f3s fazemos. Gritamos quando sentimos que n\u00e3o temos espa\u00e7o, que n\u00e3o estamos seguros, que n\u00e3o estamos a viver de forma equilibrada e plena. Gritamos para nos fazermos ouvir, para nos ouvirmos a n\u00f3s mesmos. Serve, acima de tudo, como um alerta do g\u00e9nero, <em>&#8220;eu n\u00e3o estou bem, ok?&#8221;<\/em>. A verdade \u00e9 que gostamos de acreditar que gritamos porque nos ajuda a descarregar, mas se assim fosse, depois de o fazermos, sentir-nos-iamos melhor. O que n\u00e3o acontece&#8230;<\/p>\n<p><strong>Afinal, porque \u00e9 que \u00e9 bom gritar?<\/strong><\/p>\n<p>Porque ali, naquele momento, surge a oportunidade de olharmos para n\u00f3s mesmos. Temos a oportunidade de perceber que algo est\u00e1 a retirar espa\u00e7o em n\u00f3s. E com isso, passamos a ter a possibilidade de transformar a situa\u00e7\u00e3o. \u00c9 preciso saber que o desej\u00e1vel n\u00e3o \u00e9 termos pais que se conseguem conter no seu desconforto (at\u00e9 um dia&#8230;). O que se pretende, \u00e9 que os pais n\u00e3o gritem porque est\u00e3o suficientemente bem para n\u00e3o precisarem de o fazer (pelo menos n\u00e3o de forma sistem\u00e1tica). Na realidade, eu diria at\u00e9 que s\u00e3o muitos os pais que est\u00e3o a precisar de um bom grito de vida e de liberta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por outro lado, os gritos s\u00e3o bons na medida em que s\u00e3o verdadeiros. P\u00f5em \u00e0 vista algo que \u00e9 real e existe em n\u00f3s, pais. E tamb\u00e9m n\u00e3o deixa de ser importante para os nossos filhos, conhecerem este nosso lado. Saberem que os pais tamb\u00e9m t\u00eam os seus limites. No meu entender, a luta que actualmente \u00e9 travada contra os gritos, deve sim, ser redireccionada para os motivos que levam os pais a gritar.<\/p>\n<p>E as raz\u00f5es podem ser muitas:<\/p>\n<p>&#8211; Necessidade de mudar uma din\u00e2mica familiar, em que as rela\u00e7\u00f5es e os papeis se atropelam mais do que se entre-ajudam;<\/p>\n<p>&#8211; Necessidade de mudar as pr\u00e1ticas educativas, por n\u00e3o estarem a resultar positivamente para todos os elementos da fam\u00edlia.<\/p>\n<p>&#8211; Pode querer dizer que existe algo na nossa vida que devemos mudar, ou aprender a aceitar.<\/p>\n<p>&#8211; Necessidade de auto-conhecimento ou de transformar algo em n\u00f3s e na forma como nos vivemos a n\u00f3s mesmos e \u00e0s nossas emo\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8211; Necessidade de ganhar novos recursos de comunica\u00e7\u00e3o e\/ou gest\u00e3o da zanga e da frustra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8211; Necessidade de nos sentirmos mais felizes.<\/p>\n<p><strong>Ent\u00e3o&#8230; se andamos a gritar muito, o que devemos fazer?<\/strong><\/p>\n<p>Quando nos apercebemos que andamos a gritar muito, normalmente o que fazemos \u00e9 tentar perceber o que \u00e9 que se passa de errado com as pessoas \u00e0 nossa volta, nomeadamente os filhos. At\u00e9 porque \u00e9 t\u00e3o mais f\u00e1cil dizer que os nossos filhos nos d\u00e3o &#8220;conta do ju\u00edzo&#8221;.\u00a0Mas, na verdade, a solu\u00e7\u00e3o est\u00e1 na maior parte das vezes em n\u00f3s.<\/p>\n<p><strong>Mas n\u00e3o basta fazermos um esfor\u00e7o para parar de gritar com os nossos filhos. \u00c9 preciso, sim, olhar para as causas e intervir no que for necess\u00e1rio. At\u00e9 porque muitos pais que \u201cprendem\u201d os gritos dentro de si, v\u00eaem depois os seus filhos gritar &#8220;desesperadamente&#8221; no seu lugar.<\/strong><\/p>\n<p>Ficam aqui algumas dicas:<\/p>\n<p>&#8211;\u00a0<strong>Conversar com os filhos sobre a situa\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0vai ajudar a que todos voltem a estar em sintonia e a saber o que \u00e9 que est\u00e3o a sentir. Neste momento, ser\u00e1 saud\u00e1vel um pedido de desculpas, que pode fazer sentido que venha de um ou dos dois lados &#8211; <em>&#8220;Quero pedir-vos desculpas. Eu sei que a minha reac\u00e7\u00e3o foi muito exagerada. Gritei muito e disse-vos coisas de que me arrependo. Tive um dia mau. Voc\u00eas n\u00e3o paravam de discutir uns com os outros e eu, naquele momento, s\u00f3 consegui reagir daquela maneira. Agora estou mais calma e podemos falar&#8230;&#8221;<\/em>.<\/p>\n<p>&#8211;\u00a0<strong>Tentar perceber a verdadeira raz\u00e3o\u00a0<\/strong>\u00a0que est\u00e1 por detr\u00e1s da situa\u00e7\u00e3o (o estado emocional e a sua causa). Fa\u00e7a uma revis\u00e3o ao seu dia e tente perceber o que h\u00e1 de comum aos momentos em que &#8220;perdeu a cabe\u00e7a&#8221;.<\/p>\n<p>&#8211;\u00a0<strong>Trabalhar os seus n\u00edveis de assertividade<\/strong>\u00a0vai\u00a0ajudar a que haja mais clareza na comunica\u00e7\u00e3o familiar, e a exprimir melhor o que sente, assim como as suas necessidades. Em simult\u00e2neo estar\u00e1 a dar espa\u00e7o para que os seus filhos aprendam a fazer o mesmo.<\/p>\n<p>&#8211;\u00a0<strong>Iniciar os procedimentos para a mudan\u00e7a<\/strong>. Considerando que os gritos n\u00e3o trazem benef\u00edcios nem para si nem para a rela\u00e7\u00e3o, antes pelo contr\u00e1rio, prejudicam, dever\u00e1 come\u00e7ar por procurar uma forma diferente de exteriorizar o que est\u00e1 a sentir. Muitas vezes passa por, em vez de come\u00e7ar a gritar, exprimir em voz alta o que est\u00e1 a acontecer consigo. Dar voz ao que o seu corpo est\u00e1 a sentir. <em>&#8220;Hoje tive um dia mau, estou com dor de cabe\u00e7a, e est\u00e1 a ser cada vez mais dif\u00edcil para mim lidar com o barulho que est\u00e3o a fazer&#8221;<\/em>, por exemplo. Por um lado, estar\u00e1 a dar uma oportunidade aos seus filhos de perceber melhor a situa\u00e7\u00e3o e de agir em conformidade, por outro, ser\u00e1 mais f\u00e1cil para eles lidar com uma explos\u00e3o caso ela venha a acontecer e, finalmente, a exterioriza\u00e7\u00e3o dos seus sentimentos ajuda a reduzir a tens\u00e3o que estes lhe est\u00e3o a provocar.<\/p>\n<p><strong>Quando menos esperava desatou a gritar desalmadamente com o seu filho?<br \/>\n<\/strong>Saiba que, desde que n\u00e3o permita que isso se transforme na sua forma de se comunicar e de se relacionar com os seus filhos, os &#8220;danos&#8221; n\u00e3o s\u00e3o irrevers\u00edveis. Pare, pense, sinta e aja. N\u00e3o permita que os seus gritos sejam apenas ru\u00eddo. Fa\u00e7a deles uma alavanca para a mudan\u00e7a!<br \/>\nPor Ana Guilhas,\u00a0para Up To \u00a0Kids\u00ae<\/p>\n<p>Todos os direitos reservados<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Gritos fortes \u00e0 nascen\u00e7a s\u00e3o uma boa forma de garantir nota alta na primeira avalia\u00e7\u00e3o formal da vida, o \u00edndice de Apgar. Nos primeiros dias ainda achamos que os gritos s\u00e3o \u00f3ptimos indicadores de vitalidade e personalidade no beb\u00e9. Gradualmente, v\u00e3o nos parecendo, cada vez mais, um problema. 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