{"id":10032,"date":"2015-05-29T10:12:03","date_gmt":"2015-05-29T09:12:03","guid":{"rendered":"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/?p=10032"},"modified":"2015-05-29T10:12:03","modified_gmt":"2015-05-29T09:12:03","slug":"avaliacoes-escolares","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/?p=10032","title":{"rendered":"Avalia\u00e7\u00f5es escolares ou Pedagogia Montessori"},"content":{"rendered":"<p>Quando comecei\u00a0a pensar em p\u00f4r o meu filho na escola lembro-me de, rapidamente, me ter deparado\u00a0com a quest\u00e3o do m\u00e9todo de ensino que iria optar para a sua educa\u00e7\u00e3o, pelo menos nos primeiros anos escolares.<\/p>\n<p>Sendo eu da \u00e1rea art\u00edstica, sempre achei que deveria encontrar um m\u00e9todo onde identificasse as ideologias em que acredito, para que os mi\u00fados cres\u00e7am a saber decidir por vontade pr\u00f3pria e ter liberdade para pensar fora da caixa. Tudo este pensamento parece muito simples e coerente&#8230; n\u00e3o fosse aquele pequeno pormenor de que estou, assim, a decidir o futuro dos meus filhos, e quando se trata de &#8220;filhos&#8221; eu, como todas as m\u00e3e, tendo a ficar estupidamente criteriosa nas minhas escolhas.<\/p>\n<p>Comecei por informar-me sobre metodologias alternativas, tais como, Waldorf, Montessori, Reggio Emilia, HighScope, Piaget e outros. J\u00e1 conhecia algumas, outras nem por isso. Depois de\u00a0pesquisar, de ler, de perguntar, comparar, e ponderar, com receio (para n\u00e3o dizer medo) de entregar a educa\u00e7\u00e3o dos meus filhos a um m\u00e9todo menos convencional, acabei por p\u00f4-los no ensino regular. Tal como eu andei. Achei que estava a tomar a decis\u00e3o certa (ou pelo menos segura) regendo-me pelo que eu vivi e pelo que eu conhe\u00e7o. \u00a0Obviamente que, o regime de ensino hoje em dia nada tem a ver com aquele que eu frequentei um dia. E, ainda por cima, <a title=\"Metas Curriculares do 1\u00ba Ciclo | Conte\u00fado program\u00e1tico excessivo\" href=\"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/educacao\/metas-curriculares-do-1o-ciclo-conteudo-programatico-excessivo\/\"><em>as metas curriculares<\/em>.<\/a><\/p>\n<p>As metas curriculares e as avalia\u00e7\u00f5es escolares foram as\u00a0minhas preocupa\u00e7\u00f5es\u00a0principais, pois achei que um dia quando sa\u00edssem do ensino regular tudo poderia tornar-se mais complicado. (Se calhar a complica\u00e7\u00e3o era\u00a0s\u00f3 na minha cabe\u00e7a&#8230;)<\/p>\n<p>Enquanto m\u00e3e e educadora, preocupa-me o facto de poder ter tomado uma op\u00e7\u00e3o pregui\u00e7osa, e estar assim a condicionar o desenvolvimento dos meus filhos. Por isso procuro descobrir e desenvolver diferentes formas de lhes dar acompanhamento em casa, naquelas \u00e1reas que,\u00a0acredito que sejam\u00a0menos desenvolvidas na escola. Atrav\u00e9s da realiza\u00e7\u00e3o de actividades l\u00fadicas e culturais, atrav\u00e9s da brincadeira, da liberdade, da explora\u00e7\u00e3o dos materiais, etc. \u00a0Deixando que desenvolvam as suas \u00e1reas preferenciais, que no fundo ser\u00e3o os seus talentos e compet\u00eancias inatas e ocultas.<\/p>\n<p>H\u00e1 dias nesta minha expedi\u00e7\u00e3o pelas metodologias alternativas descobri um texto que achei extremamente interessante. Foi escrito por uma aluna finalista\u00a0de Portland, Kate, que frequentou escolas Montessori, e que com este artigo ganhou o pr\u00e9mio Gold key.<\/p>\n<p>Conseguimos perceber o resultado de algo em que muitos educadores investem. Quanto a mim, vou continuar a desenvolver\u00a0estrat\u00e9gias que os ensine a aprender pelo prazer da aprendizagem.<\/p>\n<p>Deixo-vos para refletir.<\/p>\n<p><em>&#8220;Lembro-me da primeira vez que ouvi aquela pergunta. O ano letivo tinha come\u00e7ado h\u00e1 duas ou tr\u00eas semanas, eu estava no secund\u00e1rio numa aula de ci\u00eancias e algu\u00e9m perguntou: \u201cIsto vai sair no teste?\u201d O meu primeiro pensamento foi: \u201cO que \u00e9 que isso interessa?\u201d<\/em> <em>At\u00e9 ao 2\u00baCiclo\u00a0andei numa escola que seguia o m\u00e9todo Montessori, onde os meus dias eram um mix de li\u00e7\u00f5es dadas pelo professor, e o trabalho que eu queria desenvolver. N\u00e3o havia testes ou sequer notas. Ao inv\u00e9s de aprendermos conte\u00fados curriculares, ou de sermos preparados para alcan\u00e7ar determinadas metas, eu aprendi sobre temas que me interessavam. Eu estava ansiosa para chegar \u00e0 secund\u00e1ria. Estava desejosa por ter trabalhos de casa, e acima de tudo de ter notas! Nessa altura pensar nisso era como um romance. Mas rapidamente o entusiasmo desapareceu: as notas n\u00e3o eram divertidas, mas sim preocupantes.<\/em> <em>Quando iniciei o secund\u00e1rio decidi que n\u00e3o ia tornar-me obcecada por notas. Sabia que eram importantes para entrar na faculdade, mas achei que se desse o meu melhor, e continuasse a aprender pelo aprender em si, que tudo correria bem. Isso resultou apenas no meu primeiro ano de caloiro. As aulas eram b\u00e1sicas e muitas vezes extremamente chatas e aborrecidas. Um dia de aulas n\u00e3o era nada cansativo, e o stress nesse meu primeiro ano foi causado por ter atividades extra curriculares a mais.<\/em> <em>A minha escola \u00e9 extremamente competitiva, e tem uma reputa\u00e7\u00e3o grande a n\u00edvel de exigencia e rigor acad\u00e9mico. Isso tem as suas vantagens. Ningu\u00e9m sofre bullying por ser inteligente ou nerd. Mas tamb\u00e9m cria uma cultura de superioridade nos alunos. Eu ou\u00e7o conversas dos meus colegas que passam noites em claro para terem melhores notas. Talentos, como artes ou desporto est\u00e3o subvalorizados.<\/em> <em>A preocupa\u00e7\u00e3o da maior parte dos estudantes do secund\u00e1rio, \u00e9 a entrada para a faculdade. Lentamente eu senti-me a ser absorvida por este vortex de classifica\u00e7\u00f5es, notas e candidaturas \u00e0 universidade. Tenho uma amiga que, sempre que resolve fazer qualquer coisa de diferente pensa duas vezes se isso ser\u00e1 ben\u00e9fico para a sua candidatura.<\/em> <em>Quando os professores come\u00e7am a ensinar para os testes e os alunos come\u00e7am a aprender para os testes, e aqui, perde-se uma parte fundamental do processo. Um dos maiores elogios que recebi nos \u00faltimos dois anos foi relativamente \u00e0 minha capacidade de resolver problemas, por procurar solu\u00e7\u00f5es atrav\u00e9s de diferentes \u00e2ngulos. Quando os professores nos ensinam para nos para um teste, perdemos a oportunidade de explorar por n\u00f3s mesmos. N\u00f3s ensinamos-lhes que h\u00e1 uma \u00fanica resposta correta e que n\u00e3o h\u00e1 apenas uma maneira de chegar a uma solu\u00e7\u00e3o. N\u00f3s desativamos a mente dos professores, pelo menos a parte que interroga e questiona. Eu preciso de saber como as coisas funcionam. Eu n\u00e3o fico contente quando me dizem apenas como tenho de fazer ou responder.<\/em> <em>Em vez de se concentrar num objetivo final, como um teste ou uma meta, o m\u00e9todo Montessori baseia-se no trabalho realizado para alcan\u00e7ar determinado resultado. Eu sou capaz de resolver problemas de diferentes maneiras porque Montessori ensinou-me a pensar fora da caixa, e a fazer sempre o melhor que posso. Nunca foi importante o que tinha feito, desde que eu e os meus professores soub\u00e9ssemos que estava a fazer o meu melhor, tendo consci\u00eancia de que o melhor varia de pessoa para pessoa. Eu acredito que as crian\u00e7as querem aprender, e que se lhes dermos as ferramentas certas, ir\u00e3o exceder todas as expectativas.<\/em> <em>Em vez de criar marcadores para todos os alunos e implementar testes padronizados que n\u00e3o medem a resolu\u00e7\u00e3o de problemas, precisamos incutir uma cultura onde os desafios s\u00e3o valorizados.<\/em> <em>Recentemente ouvi um estudo onde colocaram crian\u00e7as da China e crian\u00e7as dos EUA a resolver um problema de matem\u00e1tica. O que os mi\u00fados n\u00e3o sabiam, \u00e9 que o problema n\u00e3o tinha resolu\u00e7\u00e3o. A maioria dos alunos americanos parou de tentar resolver o exerc\u00edcio ao fim de um minuto. Os alunos chineses foram interrompidos ao fim de 1 hora, porque era a dura\u00e7\u00e3o m\u00e1xima deste estudo. Nos EUA o esfor\u00e7o n\u00e3o \u00e9 grandemente valorizado. N\u00f3s valorizamos a intelig\u00eancia, e vemos o esfor\u00e7o com um indicador de que um indiv\u00edduo \u00e9 lento, porque a escola n\u00e3o \u00e9 suposto ser dif\u00edcil para uma pessoa capaz. Houve uma altura que eu tinha medo de ler em voz alta porque achava que se iam rir de mim cada vez que pronunciasse mal uma palavra.<\/em> <em>Este ano, tive uma disciplina extremamente desafiante para mim. O professor \u00e9 conhecido por estragar as m\u00e9dias brilhantes dos alunos. Mas o paradoxo \u00e9 que ele costuma dizer que as notas n\u00e3o interessam, e que adorava n\u00e3o ter de fazer avalia\u00e7\u00f5es.<\/em> <em>Agora, voltando \u00e0 quest\u00e3o: \u201cIsto vai sair no teste?\u201d Quando os educadores nos ensinam que os resultados s\u00e3o o produto mais importante de uma experi\u00eancia, n\u00e3o est\u00e3o a ajudar-nos.<\/em> <em>Conforme crescemos, n\u00e3o teremos sempre algu\u00e9m a dizer-nos quais as metas a atingir para sermos bem sucedidos. O aprender n\u00e3o para quando conclu\u00edmos os estudos. E ainda bem porque aquilo que aprendemos at\u00e9 ent\u00e3o \u00e9 uma \u00ednfima parte daquilo que temos capacidade de aprender. Ensinar para os testes d\u00e1 aos alunos ferramentas para serem bem sucedidos nesse teste. Mas ensinar o prazer de aprender d\u00e1 aos alunos ferramentas para quererem continuar a aprender at\u00e9 ao resto das suas vidas.<\/em> <em>Muitos pais com crian\u00e7as em escolas Montessori, receiam que os seus filhos percam qualquer coisa pelo simples facto de n\u00e3o fazerem testes, e n\u00e3o serem avaliados. Acontece que a verdade \u00e9 exatamente o oposto. Por n\u00e3o serem pressionados com testes e notas, estas crian\u00e7as aprendem o prazer de aprender, algo que ficar\u00e1 com eles mesmo depois de esquecerem formulas matem\u00e1ticas e das diferentes partes que comp\u00f5em uma c\u00e9lula humana.&#8221;<\/em><\/p>\n<p><em>Kate \u00e9 uma \u00a0<a href=\"http:\/\/mariamontessori.com\/mm\/www.childpeace.org\">Childpeace Montessori<\/a>\u00a0e Metro Montessori Middle School Alumni<\/em><\/p>\n<p><em> Redigido por Up To Lisbon Kids\u00ae <\/em><\/p>\n<p>Todos os direitos reservados<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando comecei\u00a0a pensar em p\u00f4r o meu filho na escola lembro-me de, rapidamente, me ter deparado\u00a0com a quest\u00e3o do m\u00e9todo de ensino que iria optar para a sua educa\u00e7\u00e3o, pelo menos nos primeiros anos escolares. 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