O nascimento do 1º filho traduz o início de uma nova fase, por um lado, medos e inseguranças, por outro, o florescer de um novo e desmedido amor, por um ser tão pequeno, tão frágil, tão dependente.

O corpo modificou-se ao longo da gravidez, os dias que antecedem o parto parecem nunca mais terminar, todo o corpo se molda e adapta para comportar o peso e o volume do bebé, além de se preparar para o parto.

O exercício durante a gravidez permite que toda esta fase seja mais confortável e permita tolerar pequenos esforços, como caminhar ou subir escadas, afinal carrega-se mais 10 a 15 kg e todas as estruturas articulares estão mais fragilizadas e os músculos mais distendidos.

A maioria das mulheres grávidas, preocupa-se muito com o parto, e na maior parte das vezes descura tudo o que vai acontecer a seguir ao parto!

A fase imediata ao parto, especialmente a 1ª semana, é de extrema relevância e quanto mais informadas estiverem mais facilmente poderão tolerar esta fase sem grandes preocupações!

A questão coloca-se, o bebé nasceu, lindo e saudável, e agora?

Há várias circunstâncias a ter em conta, nomeadamente:

  • A recuperação física e psicológica da mãe
  • A adaptação do bebé ao novo meio, à amamentação, aos sonos, à temperatura, à mãe e ao pai!
  • A relação a 2 e a 3
  • As interações familiares que se alteram

O conjunto destes fatores todos é crucial à felicidade do trio pai, mãe e bebé, e também de outros irmãos caso existam.

Assim, a outrora grávida, assume o papel de mãe e, de repente, vê-se repleta de uma imensa responsabilidade de cuidar do seu bebé e todo o tipo de preocupações a invadem;

  • Será que está a mamar bem?
  • Será que respira quando eu durmo?
  • Será que o bebé está bem?
  • Entre muitas outras questões…

Ao mesmo tempo o seu corpo inicia uma longa recuperação, tanto a nível físico como emocional.

Ao nível físico, o útero inicia a sua regressão contraindo-se em função da amamentação. Espera-se que ao final de um a dois meses volte para a posição pélvica, no entanto, só por volta dos 6 meses após o parto é que retoma o seu tamanho inicial antes de engravidar. Esta recuperação é demorada e nos casos em que a amamentação seja interrompida precocemente, deixa este processo ainda mais demorado.

A barriga que ainda permanece, assusta, e a mãe começa a achar que nunca mais vai voltar a ter o seu abdominal definido.
Este facto exige um extremo cuidado, uma vez que a musculatura envolvida na definição abdominal, é constituída por 4 fortes paredes abdominais, de dentro para fora respectivamente:

  • Transverso do abdómen
  • Pequeno oblíquo
  • Grande oblíquo
  • Recto abdominal

Aquele que se encontra mais relacionado com os padrões estéticos, é o mais externo, no entanto, aquele que vai dar todo o suporte e sustentação é o mais interno, em conjunto com a ‘unidade interna’ que é constituída por músculos posteriores e da coluna vertebral, um grande músculo superior conhecido por diafragma, e duas cintas inferiores conhecidas por pavimento pélvico.

Se a barriga foi grande proporcionalmente às dimensões da mãe, o abdominal cede, abrindo um buraco vertical, que é normal surgir durante o 3º trimestre de gravidez e durante o trabalho de parto a que se denomina de diástase abdominal.

diástase
Diástase abdominal | “Cerca de 30% das mulheres desenvolem diástase abdominal após a gravidez” 

Numa fase imediata ao parto, toda esta musculatura se encontra debilitada, mas em função da regressão do útero, toda esta região deve ser reativada num processo que pode ser mais ou menos lento, e que está facilitado em quem praticou exercício ao longo da gravidez.

A ativação da ‘unidade interna’ deverá ser feita de forma lenta e progressiva, com trabalho de consciência corporal e por um profissional de exercício qualificado em pós-parto, para que a ‘cinta’ interna se torne progressivamente coesa e forte de forma a poder retomar rotinas de exercício mais diversificadas e saudáveis à mãe.

Em breve irá voltar a sentir-se no seu corpo anterior à gravidez, e mesmo quando o trabalho é feito de forma correta e entusiástica, poderá ficar ainda mais tonificada e definida.

Por Cristina jorge, Healthy Mommy,
para Up To  Kids®

Todos os direitos reservados

É sempre uma fase de grandes dúvidas e de muitas incertezas em relação à alimentação que as mães devem ter para nada faltar ao seu filho.

O que é natural. Afinal que mãe é que não quer gerar um filho saudável?

É importante referir que não existe uma formula mágica de “alimentação para grávidas”.Cada mãe é diferente e tem necessidades diferentes, daí a importância de ser acompanhada por um profissional de Nutrição que a irá orientar desde a concepção até ao pós-parto, para que nada lhe escape e nenhuma insegurança apareça.

As Vitaminas que não podem faltar na concepção e gravidez são:

  1. Vitaminas Lipossoluveís
  •  Vitamina A: Ajuda no desenvolvimento da visão, melhora o sistema imunológico, expressão genética e na integridade da pele e das mucosas. está presente em alimentos de origem animal, principalmente em fígado, gema de ovo, lacticínios. Também é encontrada nos vegetais de folhas escuras e nas frutas e hortaliças alaranjadas (como cenoura, abóbora, manga, mamão, entre outras), por serem ricas em betacaroteno, que é percurso da Vitamina A
  • Vitamina D: Na mãe pode prevenir a pré-eclampsia. No bebé melhora a saúde óssea, imunológica e neurológica. Encontra-se na exposição do corpo ao sol, Peixes gordos e Ovos, ou suplementação, fazendo previamente o exame à 25-Hidroxivitamina D.
  • Vitamina E: É um antioxidante. A deficiência pode causar anemia hemolítica em prematuros e anormalidades neuro-musculares. Alguns estudos sugerem sua ação na prevenção do aborto. Encontra-se no abacate, salmão e oleaginosas.
  • Vitamina K2: É necessária para a coagulação sanguínea. A especificidade da vitamina K, durante a gestação, é indeterminada, contudo, por vários fatores de imaturidade do recém-nascido, este pode desenvolver a “doença hemorrágica do recém-nascido”. As fontes são: agrião, espinafre, alface, ervilhas, brócolos, fígado de bovino, couve, repolho.

2. Vitaminas Solúveis

  •  Vitamina B9 (Ácido Fólico): Formação do Sistema nervoso do feto. Está presente nos legumes de folha verde escura, leguminosas e gema do ovo
  • Vitamina B8 (Colina): Papel igual ao Ácido fólico e cada vez mais estudado neste sentido, da importância na concepção e gestação. A principal fonte é a gema do ovo.
  • Vitamina B12: Funcionamento das células, particularmente da medula óssea, trato intestinal e sistema nervoso. As principais manifestações de carência desta vitamina são: anemia megaloblástica e distúrbios neurológicos. Presente em fontes de origem animal
  • Vitamina C: Produção de colagénio; Importante na cicatrização e reações alérgicas; Melhora a absorção de ferro, logo juntar ao consumo de alimentos ricos em ferro uma fonte de Vitamina C deve ser tido em conta (ex: bife de peru com rodelas de laranja). Obtém-se a partir do Kiwi, Laranja, Papaia, Abacate, Legumes de folha verde escura

Uma alimentação variada e colorida é a principal forma da mãe conseguir todos os aportes, não necessita de comer por dois, não é a quantidade mas sim a qualidade que é importante.

 

Prefira produtos de origem biológica e consuma em casa, assim garante a higiene dos mesmo. Quanto aos ovos consuma sim, mas faça sempre o teste do ovo (ver imagem) para saber se está em condições para consumo, não custa nada e salvaguarda-a de um problema sério.

olhomaiorqueabarriga42

imagem@bebédicas

 

Por Dr.ª Neide Rangel, Nutricionista
para Up To  Kids®

Após o momento do parto poderá sentir um alívio e felicidade imenso, sendo também este um período de intensas alterações, nomeadamente a nível da sua rotina diária, onde apareceu mais uma pequena pessoa com quem partilhar o seu espaço e o do seu companheiro. É normal que se sinta ansiosa, insegura e com alterações repentinas de humor e disposição durante as primeiras semanas após o parto. Assim, para que estas mudanças sejam realizadas da forma mais harmoniosa é importante que tenha em atenção alguns aspectos.

Trabalho – Poderá realizar trabalhos ligeiros uma semana após o parto. Deverá evitar trabalhos pesados, nomeadamente levantamento de pesos, pelo menos durante as primeiras três semanas após o parto. É aconselhável que não volte ao emprego pelo menos durante as três primeiras semanas, sendo melhor para a sua saúde e podendo aproveitar os primeiros dias do seu bebé.

Descanso – Deverá planear pelo menos um período de descanso por dia e tentar uma boa noite de sono. Poderá descansar durante o dia enquanto o seu bebé está a dormir.

Cuidados com Episiotomia –  Uma episiotomia é uma incisão no períneo, área entre o ânus e a vagina, para alargar o espaço de saída para o bebé, quando aconselhável, para evitar que a sua pele rasgue durante o nascimento. Os médicos realizam este procedimento porque é mais doloroso a pele rasgar e a cicatrização é mais lenta do que um corte cirúrgico que depois é suturado. Na maioria das mulheres, a cicatrização processa-se sem complicações, pudendo levar várias semanas. Os pontos da sutura não necessitam de ser estraídos porque o seu corpo os absorverá.

Normalmente a dor da episiotomia melhora diariamente. Assim, imediatamente após o parto existe um edema, sendo recomendado o uso de gelo para que exista uma diminuição do mesmo. Deverá colocar gelo durante 10 a 15 minutos de 4 em 4 horas. Deverá também lavara os seus genitais várias vezes ao dia, trocar as toalhas sanitárias com frequência e manter a área em redor das suturas limpa e seca, o que inclui usar roupa interior de algodão  Muitas mulheres referem que se sentem mais confortáveis se apertarem os glúteos, aguentando a contracção quando se sentam. É importante manter o períneo seco. Os exercícios de Kegel deverão ser iniciados os mais rapidamente possível.

Para aliviar a dor e o incomodo poderá tomar um banho quente (mas nunca antes de 24 horas após o parto) e usar cremes ou sprays analgésicos. O uso de tampões, as relações sexuais, ou qualquer outro tipo de actividade que posso romper as suturas só deverão ser retomadas aproximadamente depois de um mês.

Cesariana – Se realizou uma cesariana tem de ter em atenção outros aspectos. Assim o nível de actividade deverá ser mantido baixo até o profissional de saúde responsável indicar o contrário. Isto inclui não levantar nada mais pesado do que o seu bebé e manter o tempo fora da cama no mínimo. O seu corrimento vaginal irá sofrer alterções sucessivas durante o tempo e poderá aumentar com a actividade e mudanças de posição. A sua cor passará com o tempo para um vermelho escuro ou rosada e posteriormente para uma cor amarelada ou clara. Verifique a sua cicatriz periodicamente e contacte um profissional de saúde se houver alterações estranhas.

Higiene – Os cuidados de higiene pós-parto são importantes para o seu bem-estar e para acelerar a cicatrização do períneo . Deverá continuar a aplicar qualquer creme que tenha sido receitado para a área perineal. É importante tomar banho diário, manter limpa a zona genital limpar o períneo da frente para trás e mudar com muita frequência (de quatro em quatro horas) os pensos higiénicos. Os pontos perineais deverão ser absorvidos dentro de dez dias.

Relações Sexuais –  o coito é seguro assim que a cicatriz da episiotomia estiver sarada (normalmente na primeira semana após o nascimento). As células vaginais poderão estar ainda frágeis devido aos desequilíbrios hormonais que ocorreram durante a gravidez, podendo não ter voltado completamente ao normal. A utilização de uma espuma contraceptiva ou um gel lubrificante aumentará o conforto.

Tracto urinário – Após o parto pode sentir alguma dificuldade em esvaziar a bexiga e sentir ardor quando urina. Esta sensação de ardor é devida à sensibilidade da vagina e será passageira. Algumas mulheres podem ter dificuldade em sentir quando têm necessidade de urinar, porque a bexiga está dormente devido ao parto. Felizmente a sensação normal volta rapidamente. Dar à luz afecta toda a área que rodeia o útero. Quer tenha tido um parto vaginal ou não, o seu tracto urinário foi apertado pelo seu bebé durante os últimos meses de gravidez. Se teve um parto vaginal, o colo do útero dilatou-se por completo. Isto torna-a mais vulnerável a infecções.

Quando uma mulher engravida, a sua identidade muda. Deixou de ser a Ana, a Maria, a Madalena, passa a ser a grávida. Futuramente, será a Mãe. Isto implica uma integração de algo novo na identidade da mulher. Este processo pode ser mais ou menos tranquilo,independentemente de a gravidez ter sido desejada e/ou planeada.

A gravidez é um estado que prepara e precede uma modificação contínua e permanente: a maternidade.

O desejo de uma gravidez pode não coincidir com o desejo da parentalidade e será esta uma das tarefas da grávida: preparar-se para uma modificação na sua identidade. Ensaiar cognitivamente papéis e tarefas de parentalidade, iniciar o processo de reestruturação para incluir o novo elemento, incorporar a existência do filho na sua identidade, aprender a aceitá-lo como pessoa única, com vida própria, são tarefas psicológicas da gravidez.

Estar grávida também signfica testar a funcionalidade do corpo. Especialmente em situações de prévia infertilidade ou em casos de fantasias relacionadas com este tema, o engravidar significa que se “é capaz” em termos físicos e fisiológicos. Em situações em que a gravidez está associada a dificuldades na imagem corporal, a mulher pode sentir que deixa de ter controlo sobre o próprio corpo, surgindo questões relacionadas com o aumento de peso, a produção de leite ou questões como: “voltarei a ter o mesmo corpo?”.

Muitas vezes estas situações estão relacionadas com preocupações prévias à gravidez, relativamente à imagem corporal.

Durante toda a gravidez e, depois, no puerpério, a mulher terá tarefas de desnvolvimento que se relacionam com este importante passo no ciclo de vida. Em primeiro lugar tem que existir espaço para aceitar a gravidez, o que costuma desenvolver-se no primeiro trimestre.

Independentemente do planeamento ou desejo desta gravidez, é natural que surjam ambivalências: “será que vai correr bem?”, “vou ter apoio?”, “vou-me adaptar a este estado?”.

Por volta do segundo trimestre, a mulher terá que aceitar a realidade do feto. A mãe concebe o bebé como parte de si e a sua atenção centra-se nas transformações corporais. Com os movimentos fetais e ecografias, a representação do bebé vai-se tornando mais autónoma e começa a aceitação da diferenciação mãe-feto, que é fundamental para a ligação emocional. Surgem fantasias acerca dos cuidados maternos, imagem física do bebé, temperamento e nome. A grávida acaricia a barriga, fala-lhe e canta-lhe. Esta comunicação verbal e tátil é o indicador externo dos processos intrapsíquicos desta etapa.

A grávida também terá que reavaliar a relação com os seus próprios pais. Os momentos mais gratificantes e também os mais dolorosos são revividos e podem conduzir a um maior contacto e proximidade com a figura materna (a futura avó materna).

A relação com o parceiro também será restruturada: ao papel de companheiro romântico soma-se o papel de pai do bebé. As rotinas, o relacionamento afetivo e sexual serão restruturados e a relação prévia do casal é determinante em termos do nível de conflito que possa surgir durante a gravidez e no puerpério.

No terceiro trimestre e no puerpério vive-se a separação física do bebé, e este terá que ser encarado como indivíduo separado. Aí, a mulher confronta o bebé real com o bebé fantasiado e o grande desafio da parentalidade começa, sendo a grande exigência a de saber interpretar e responder adequadamente ao comportamento do bebé.

Dra. Marta Russo, Psicóloga Clínica/Psicoterapeuta, Healthy Mommy,
para Up To  Kids®

Lene Haakstad, professora adjunta do departamento de Medicina no Desporto da Escola Norueguesa de Ciências do Desporto, e a sua equipa, realizaram e publicaram um estudo sobre a relação entre o exercício físico na grávida e as alterações de peso do seu bebé no nascimento.

«O peso do bebé ao nascer tem um impacto muito significativo na mortalidade e morbilidade infantil, no desenvolvimento da criança e na saúde em adulto. Até à data tem havido dados contraditórios sobre o impacto da actividade física da grávida no peso do bebé ao nascer. Questiona-se se o exercício durante o segundo e terceiro trimestres da gravidez pode ou não aumentar o risco de parto pretermo. O objectivo deste estudo foi examinar o efeito de um programa de exercício controlado no peso do bebé ao nascer, idade gestacional aquando do parto e índice de Apgar.

Foram incluídas no estudo 105 grávidas nulíparas sedentárias com uma idade média de 30,7 anos e tempo médio de gestação de 23,8 semanas.
Dividiram estas mulheres aleatoriamente em dois grupos:

A. GRUPO DE ESTUDO: 52 Mulheres
B. GRUPO DE CONTROLO : 53 Mulheres

As mulheres do Grupo A, Grupo de Estudo realizaram um programa de exercício ao longo de no mínimo 12 semanas, duas vezes por semana 60 minutos de dança aeróbica e treino de força, acrescido de 30 minutos diários de exercício em casa.

As mulheres do Grupo B, Grupo de Controlo não realizaram programa de exercício físico, tendo feito o seu dia-a-dia normalmente.

Após o nascimento dos 105 nados, concluiu-se que:

  • Não houve diferença com significado estatístico entre os dois grupos no peso médio ao nascer, no número de bebés com baixo peso (inferior a 2500g) ou macrosómicos (acima de 4000g).

 

  • O índice de Apgar ao primeiro minuto foi superior no Grupo de Estudo e não houve diferenças nos tempos de gestação.

 

  • O estudo concluiu que o exercício, neste caso a dança aeróbica, não se associou à redução de peso do bebé ao nascer, a partos prétermo ou a alterações no bem-estar do recém nascido

 

Haakstad and all: Exercício na grávida e peso ao nascer: um estudo controlado randomizado. BMC Pregnancy and Childbirth, 2011

Artigo traduzido e adaptado por Sofia Homem,
para Up To Lisbon Kids

imagem @webrun