Os bebés não comem só papas

Nos dias de hoje a correria é muita e a alimentação saudável e adequada dos nossos bebés nem sempre é facilitada. Aprender a mastigar bem os alimentos é crucial e só aprendemos com experiências e prática, mas já pensaram que é pela experiência que aprendemos?

Dentro da barriga da mãe

Vamos ao início de tudo quando os bebés ainda estão dentro da barriga da mãe. Aí experimentam diferentes estímulos, imprescindíveis para o seu desenvolvimento sensório-motor oral.  Por exemplo, sentem diferentes sabores e o cheiro de tudo o que a mãe come. A exposição a esses estímulos sensitivos e gustativos é fundamental para a programação sensório-motora envolvida nas funções orais, inicialmente na sucção, deglutição, respiração, mais tarde na mastigação e, por fim, na fala da criança.

Quando nasce

Durante o desenvolvimento intrauterino o reflexo natural para a sucção começa-se a desenvolver às 29 semanas e fica completamente maturado entre as 34 e 35 semanas. É o reflexo natural para a sucção que permite a sua primeira alimentação e é a sucção que estimula o crescimento adequado das estruturas oro-faciais (lábios, dentes, língua e músculos). Por vezes há bebés que apresentam alterações nas funções orais e necessitam de ajuda especializada. Por exemplo, de terapeuta da fala mesmo que ainda em internamento de neonatologia.

Só assim o bebé estará preparado para receber alimentos de novas texturas, período em que se inicia a fase da mastigação. Diversos estudos indicam que o bebé entre o 6º e o 12º mês apresenta movimentos rotatórios da mastigação, já sendo então capaz de comer a bolacha e o pão. Com os devidos estímulos, a mastigação é uma função aprendida e muito importante para o desenvolvimento facial da criança.

Afinal como podemos estimular a mastigação e promover uma boa diversificação alimentar?

E se dermos também fruta ou outros alimentos em tiras? Assim estarão a apresentar os alimentos em duas texturas distintas, contribuindo para uma maior aceitação dos mesmos, sendo que a aceitação é um fator indispensável para um bom desenvolvimento da ação mastigatória.

E se os incentivarmos a comer sozinhos, quer com a mão ou com a colher (sujar faz parte!). Estamos a proporcionar-lhe importantes experiências sensoriais que vão potenciar o seu desenvolvimento sensório-motor.

Importante saber que a partir de 1 ano de idade os bebés já são capazes de mastigar bem os alimentos de textura mole e que a partir dos 15 meses deverão aceitar já diferentes sabores, texturas e consistências. Continua a ser fundamental deixá-los tocar, brincar e explorar os alimentos antes de os levar à boca.  Aos 2 anos já conseguem aceitar duas texturas na boca, mastigar e beber autonomamente de forma adequada.

A reter

  • Fomentar o prazer em comer apresentando alimentos adequados nutricionalmente irá permitir uma dieta variada e equilibrada no futuro.
  • Oferecer às nossas crianças uma alimentação variada em sabor, textura, consistência, temperatura, aspeto visual e cheiro e permitir-lhes experiências sensoriais e orais diversificadas irá contribuir para um desenvolvimento adequado da musculatura oro-facial e dento-esquelética e prevenir assim futuras alterações nas funções da sucção, mastigação, deglutição e fala.

Por Terapeuta da Fala Joana Teodoro

Tirar a chupeta sem dramas, é possível?

A sucção é um reflexo oral inato e primordial que surge e se desenvolve ainda dentro da barriga da mãe.

Enquanto Terapeuta da Fala, nas consultas iniciais questiono necessariamente ‘’usa chupeta?’’, ‘’chucha no dedo?’’, ‘’bebe pelo biberão?’’. Na maioria das vezes a resposta a todas as questões é ‘’não, já deixou de usar há muito tempo’’. Quando o sentido da conversa muda e se questiona o reportório alimentar, pedindo que descrevam o que a criança come e bebe durante um dia, lá vem com alguma frequência o ‘’leitinho no biberão, na caminha de manhã’’. O cenário é semelhante quando se descreve a rotina do dia-a-dia ou a rotina do sono, quando chega a casa depois da escola lá vem o dito ‘’bocadinho com a chupeta’’ ou ‘’a chupeta só para se deixar dormir’’.

A realidade é que a maior parte dos encaminhamentos realizados para terapia da fala estão relacionados com alterações na articulação. Quando avaliamos, acabamos por verificar alterações estruturais, palato duro alto, alterações na oclusão como a mordida aberta, mastigação e deglutição adaptadas, respiração oral, assimetrias posturais e tudo isto muitas vezes decorrente do uso prolongado de chupeta, sucção digital e/ou biberão e que torna necessária uma intervenção multidisciplinar.

Começando pelo início… O que é a sucção e qual a sua importância?

A sucção é um reflexo oral inato e primordial que surge e se desenvolve ainda dentro da barriga da mãe. Nos prematuros, dependendo do tempo de gestação, a maturação deste reflexo é realizado fora da vida uterina. Nestes casos é pertinente a avaliação e intervenção do terapeuta da fala para a promoção da organização do padrão de sucção.

Quando pensamos em sucção, imediatamente vem a ideia de amamentação e alimentação do bebé. Para além da função nutritiva, o reflexo de sucção encaixa-se dentro das funções estomatognáticas, sendo um mecanismo neuromuscular complexo que contribui para o crescimento craniofacial e desenvolvimento neuromuscular das estruturas orofaciais utilizadas durante a mastigação, deglutição, respiração e fala.

É importante lembrar que os músculos e estruturas utilizadas quando a criança realiza sucção, são os mesmo que irá utilizar para falar, mastigar, deglutir e respirar.

Neste sentido, este reflexo prepara os músculos e estruturas da face – lábios, língua, bochechas, palato, mandíbula – para as etapas seguinte de diversificação e introdução alimentar, comer com a colher, beber pelo copo e falar.

Associado ao reflexo de sucção poder-se-á encontrar hábitos orais de sucção normais, como a amamentação e hábitos orais nocivos como sucção digital, chupeta, bruxismo (ranger os dentes), onicofagia (roer as unhas), mordida de objetos e padrão de respiração oral, por exemplo.

Quando o período de retirada de um hábito oral é tardio não acompanhando o desenvolvimento global da criança pode ser classificado como compulsivo.

Existirá alguma relação entre a amamentação, tetinas e chupeta?

É hoje geralmente defendido que a chupeta poderá interferir com a amamentação. A amamentação promove a respiração nasal, a oclusão normal e o crescimento facial.

Ainda que existam inúmeras tetinas que se assemelhem o peito da mãe, mamar no peito da mãe é muito exigente. O bebé tende a realizar mais forço e a dispensa de energia é maior comparativamente à amamentação com o biberão.  Caso o bebé ainda se esteja a adaptar à sucção no peito da mãe, se for introduzida chupeta ou biberão, poderá surgir a confusão de bicos. Torna-se comum que  quando colocado à mama o bebé se mostre irritado, chorando e recusando morder o bico. Isto acontece pela maior dificuldade em mamar comparativamente à sução da chupeta ou biberão.

Como nos primeiros dias, os pais ainda se estão a adaptar às novas rotinas, o stress, a ansiedade, a privação de sono, a subida de leite e mamilos gretados poderão fazer com que desistam da amamentação, por pensarem, por exemplo, que o leite não é suficiente. É importante que saibam que existem diversos profissionais devidamente formados em aconselhamento em aleitamento materno a que podem recorrer nesta situação, a amamentação não tem que ser um processo doloroso, por vezes pequenos ajustes são suficientes para ultrapassar algumas dificuldades.

Mas afinal, devem ou não as crianças utilizar chupeta? Chupeta sim ou não?

O uso de chupeta assim como a idade a partir da qual deve ser retirada continua a ser um tema controverso.

Os hábitos de sucção não nutritiva, chupeta e sucção digital, estão interligados com a satisfação afetiva, conforto e segurança da criança.

O uso de chupetas/ sucção digital, biberão de forma prolongada poderão ser considerados nocivos. Poderão comprometer crescimento craniofacial em termos ósseos e musculares, alterar a forma das arcadas dentárias, o posicionamento da língua, o contacto labial e, consequentemente, prejudicar as funções de fala, mastigação, deglutição e respiração. O grau de alterações funcionais provocadas pelos hábitos orais está diretamente relacionada com a intensidade, frequência e duração da sua utilização.

O uso de chupetas/ sucção digital, biberão de forma prolongada poderão ser considerados nocivos e comprometer crescimento craniofacial em termos ósseos e musculares

Apesar de se falar na maioria das vezes apenas nos malefícios da chupeta, esta também tem um papel regulador. Este poderá ser importante para o desenvolvimento da criança, na medida em que poderá contribuir para a estabilidade emocional, estimular a sucção e facilitar a digestão, mais significativo ainda se se tratar de uma criança prematura.

Atualmente, devido à inúmera quantidade e variedade de chupetas que existem no mercado, a escolha nem sempre é fácil. Na hora da escolha é importante optar por uma chupeta/ tetina com bico ortodôntico e com tamanho ajustado à boca do bebé. O tamanho do bico deve acompanhar o crescimento e desenvolvimento maxilofacial do bebé, de modo a evitar alterações. O material da tetina poderá ser látex ou silicone, sendo que o último exige uma força de sucção maior. O tipo de material vai depender da maturação e organização do padrão de sucção do bebé.

A utilização da chupeta, como quase tudo, deve ser com ‘’conta, peso e medida’’. Para além disso, é fundamental estar informado sobre as consequências que o uso prolongado destes hábitos poderão trazer para o desenvolvimento da criança.

Então, ‘’Quando e como tirar a chupeta / biberão?’’

Convencer uma criança a tirar a chupeta ou biberão ou chuchar no dedo nem sempre é fácil e pode tornar-se uma verdadeira batalha. De facto, estamos a querer acabar com um/a amigo/a, algo que a criança gosta e a acalma.

A idade da retirada destes hábitos é um assunto controverso, sendo geralmente referidos os 2/3 anos. Efetivamente, quanto mais cedo ocorrer a eliminação deste tipo de hábitos maior a probabilidade de corrigir ou atenuar as alterações. Principalmente se ocorrer ainda durante a fase de dentição decídua. No entanto é preciso não esquecer de olhar para a criança como um todo. Tendo em conta que estamos a querer acabar com algo que gosta e acalma. Estamos a querer tirar a chupeta. Por exemplo se tentarmos fazê-lo em simultâneo com o desfralde ou até na altura em que tem um irmão/ã poderá não ser o momento oportuno.

Estratégias para abandonar o uso de chupeta/ biberão:

Analise bem a altura em que vai iniciar a retirada. Evite retirar quando estão a acontecer outras mudanças (ex.: desfralde, mudança de rotinas, mudar de quarto, cirurgias, entre outros). Aproveite oportunidades em que note alguma redução/desinteresse pontual pela chupeta/biberão.

Converse com a criança e inclua-a no processo!

Explique que já está a ficar crescida e que a chupeta/biberão vão fazer mal aos seus dentinhos. Pode mesmo mostrar fotos de alterações dentárias causadas pelo uso prolongado.

Ideias e dicas para tirar a chupeta :

  • combinem que vão deixar a chupeta na árvore das chupetas (existe uma na Quinta Pedagógica dos Olivais);
  • oferecer a chupeta/ biberão ao pai natal, coelho da páscoa, à fada das chupetas, etc. Ou até uma personagem que a criança goste para dar a outro menino ou bebé que precisa. Como agradecimento a personagem pode deixar uma surpresa. Crie uma história criativa à volta desse acontecimento. “A fada das chupetas levou a tua durante a noite para dar a outro bebe porque tu já estás crescido/a”.
  • Preparar leite e bolachas para o pai natal e deixar a chupeta/ biberão para ele levar a outro bebe;
  • Pode substituir a chupeta por um objeto de conforto na hora que mais precise.
  • Diminua os períodos de utilização de forma gradual (ex.: só utiliza para dormir);
  • Dê reforço positivo quando a criança não utilizar a chupeta ou beber pelo copo (caso a retirada seja do biberão);
  • Tente que seja a própria criança a deixar a chupeta/biberão. Pode fazer, um pequeno corte ou furos na chupeta/tetina, para que perceba que a sua configuração está alterada, já não dá para chuchar e que está estragada;
  • Se a criança tiver alguns momentos de reação negativa, tente acalmá-la, abrace-a e transmita-lhe conforto. A chupeta não substitui o carinho dos cuidadores;
  • não usar o termo “vamos tirar a chupeta”

O hábito de sucção digital pode ser mais difícil de eliminar.  Não conseguimos fazer com que o dedo desapareça…. O primeiro passo será sempre conversar com a criança.

É, também, importante valorizar os períodos em que não está com o dedo na boca. Caso aconteça em meninas, uma ida à manicure pode ser motivadora. Nestes casos pode ser necessária a colocação por médico dentista de aparelho que impeça o hábito.

Lembre-se que o abandono da chupeta é mais uma conquista desenvolvimental e não tem que ser “dramático”. Tirar a chupeta não tem de ser um drama. É perfeitamente possível promovê-lo de forma pacífica!

 

Por Marta Marreiros, Terapeuta da fala

 

É frequente o surgimento de dúvidas acerca do bilinguismo: ajudará ao desenvolvimento da criança ou, pelo contrário, dificultará a correta aquisição linguística? A crença generalizada nalguns mitos chega a influenciar o modo como as pessoas interagem com as crianças expostas a mais que uma língua, quer sejam os próprios pais e família quer sejam os seus educadores/professores, médicos…

O bilinguismo é definido como a capacidade de uma pessoa ter um controle nativo de duas línguas tendo, por isso, competências comunicativas idênticas, quer ativas (falar e escrever) quer passivas (ouvir e ler) em ambas as línguas.

No desenvolvimento linguístico das crianças importa distinguir aquelas que são verdadeiramente bilingues, das crianças que fazem a aprendizagem de uma segunda língua. No caso das crianças bilingues, estas aprendem as duas línguas durante os primeiros anos de aquisição da linguagem (entre os 1 a 5 anos de idade) e essa aquisição dá-se em contexto informal, sem recurso a um professor. As crianças que aprendem uma segunda língua normalmente fazem essa aprendizagem após a aquisição da língua materna (depois dos 5 anos de idade) e é realizada num contexto mais formal, exigindo em princípio um esforço escolar acrescido.
A predisposição das crianças para a aprendizagem linguística não ocorre per se. As experiências comunicativas a que a criança é exposta influenciam diretamente o desenvolvimento da linguagem. É possível constatar que a qualidade e quantidade das interações comunicativas se reflete em diversos domínios linguísticos, nomeadamente no nível de vocabulário, no domínio das regras específicas de uso da língua, assim como na maior ou menor utilização de estruturas complexas.

Para que uma criança aprenda uma língua basta que a mesma esteja exposta a ela, isto é, que ouça as outras pessoas a falar e que estas falem com ela. Se uma criança está exposta a mais que uma língua no seu dia-a-dia será natural que aprenda a compreender e a se expressar em ambas.

Estão generalizados alguns mitos relacionados com o bilinguismo e, por vezes, surgem dúvidas se o mesmo ajuda a crianca a desenvolver ou se, pelo contrário, dificulta a correta aquisição linguística. Estes mitos chegam a influenciar o modo como as pessoas interagem com as crianças expostas a mais que uma língua, quer sejam os próprios pais e família quer sejam os seus educadores/professores, médicos…

Dado que a globalização mundial torna o acesso às várias línguas mais facilitado, em parte devido à circulação de pessoas pela migração, surge a necessidade de desvendar dois desses mitos que assumem um papel influente na escolha ou rejeição do bilinguismo.

Estar exposto a duas ou mais línguas em idades precoces predispõem a criança a ter um atraso da linguagem.

Em todo o mundo ocidental ainda existem terapeutas e médicos que aconselham os pais de crianças que estão expostas a mais que uma língua a eliminar uma delas. Nestas situações os pais acabam por optar por deixar de expor a criança à lingua minoritária pois crêem que o domínio da língua que é utilizada no ambiente global lhes trará mais oportunidades. Esta ideia é facilmente aceite por se pensar ainda que o facto de a criança ouvir mais que uma língua levará a que a mesma fique confusa e que por isso desenvolva atrasos linguísticos.
No entanto não existem evidências científicas de que o bilinguismo está associado a atrasos ou perturbações da linguagem, ou que o facto de se eliminar uma das línguas trará automaticamente benefícios na outra. Por outro lado, o término da exposição repentino de uma língua poderá trazer problemas emocionais e psicológicos pois sabe-se que a língua está ligada à emoção, ao afeto e à identidade.
Estudos recentes comprovam que o uso de mais que uma língua no dia a dia das crianças tem uma influência positiva no desenvolvimento de alguns processos cognitivos como a atenção seletiva e o controlo inibitório (capacidade para evitar elementos distratores), quando comparadas com crianças monolingues da mesma idade. Estas e outras funções executivas estão relacionadas com o planeamento de ações e a tomada de decisões mas, acima de tudo, com o convívio em sociedade.
O bilinguismo infantil não traz benefícios apenas para o desenvolvimento linguístico das crianças. Outros estudos evidenciam também resultados bastante positivos em tarefas não linguísticas relacionadas com o controlo para inibir informações distratoras, o que traz benefícios claros para a atenção seletiva e sustentada necessária para o desenvolvimento cognitivo e escolar das crianças.

O uso das duas línguas na mesma frase indica que a criança não consegue distinguir as várias línguas.

Sabe-se que quando uma criança está a aprender duas línguas, estas passam por uma etapa de mistura entre as duas. Há quem diga que o facto de uma criança produzir palavras de ambas as línguas numa mesma frase revela a sua confusão linguística que se reflete na incapacidade de a criança distinguir as línguas entre si. Está provado, no entanto, que a utilização de duas línguas numa mesma frase por bilingues adultos espelha uma excelente competência linguística. Também se pode verificar que as crianças que usam palavras das duas línguas numa mesma frase acabam por produzir mais frases numa só língua o que demonstra claramente que são capazes de separar ambas as línguas.

Recomendações aos pais

Embora seja difícil citar todos os aspetos aos quais os pais devem ter em conta quando a sua criança está numa situação de aprendizagem linguística bilingue, apresentam-se algumas sugestões que certamente os ajudarão neste processo.

  • Interaja naturalmente com o seu filho sem a necessidade de escolher uma ou outra língua. Certifique-se apenas de que o seu filho ouça ambas as línguas de forma frequente e em circunstâncias diferentes. Tente que essa exposição seja consistente;
  • Crie oportunidades para que o seu filho utilize as várias línguas às quais está exposto;
  • Leia livros com o seu filho em cada uma das línguas que ele está a aprender;
  • Se tem mais que um filho, converse com ambos na mesma língua e não use uma para cada filho. Como já foi dito, a língua está fortemente ligada às emoções e o facto de utilizar línguas diferentes para com os seus filhos poderá criar sentimentos de exclusão e levantar questões emocionais, afetando assim, o seu comportamento.
  • Evite mudar radicalmente a língua com que fala com o seu filho, principalmente quando tem menos de seis anos. Por exemplo, não comece a falar em Inglês com o seu filho se sempre falou em Português.
  • Se quer que o seu filho utilize uma determinada língua consigo encoraje-o a usá-la sempre que ele se dirija a si. Peça para ele repetir o que disse na língua preferida e ajude-o na escolha das palavras apropriadas para o que quer transmitir.
  • Não faça da aquisição bilingue uma questão central na vida dos seus filhos e não os repreenda ou castigue por usarem ou não usarem uma língua em particular. Siga a sua intuição e se sentir que o seu filho não está a falar como deveria durante os anos pré-escolares peça ao seu médico para prescrever um exame auditivo e uma avaliação de terapia da fala mesmo que lhe digam que o atraso pode ter como origem o bilinguismo.

O bilinguismo não tem que ser uma barreira à aquisição linguística por parte das crianças e pode até ser um impulsionador, trazendo mais oportunidades no decorrer da vida da criança.

Bibliografia:
SIM-SIM, Inês. Desenvolvimento da Linguagem. Lisboa: Universidade Aberta, 1998
DE HOUWER, Annick. Two or More Languages in Early Childhood Some General Points and Practical Recommendations. ERIC Digest,1999
BRENTANO, Luciana. Fontes, Ana Beatriz. Bilinguismo escolar ou familiar?. Organon, Porto Alegre, nº 51, julho-dezembro, 2011, p. 19-38

Por Terapeuta da Fala Andreia Batista

O Bullying é uma forma de agressão que se caracteriza pela existência dum padrão de ações violentas frequentes dum agressor sobre uma vítima (Besag, 1989; Olweus, 1991). Nesta relação, o agressor faz uso do seu poder de modo a intimidar a vítima (Smith & Sharp, 1994).

Tipos de Agressão

Que comportamentos caracterizam o Bullying?

Existem diferentes formas de se exercer o bullying:

– Agressão física (por ex.: empurrar, bater, destruir bens da vítima, assaltar, etc.)
– Agressão verbal (por ex.: gozar, chamar nomes, espalhar rumores injuriando a vítima, etc.)
– Exclusão social (por ex.: impedir a participação da vítima em atividades de grupo, ignorá-la, etc.)
– Intimidação emocional (por ex.: fazer ameaças à vítima, que comprometem o seu bem – estar e/ou o da sua família, etc.)

O Agressor: Quem é?

– Os agressores são maioritariamente rapazes, podendo atuar sozinhos ou em grupo.
– Normalmente, partilham a mesma faixa etária da vítima, embora possam ser mais velhos.
– Verifica-se que os agressores são muitas vezes da mesma turma que a vítima, e conhecem-na bem.
– As agressões ocorrem maioritariamente no interior da escola (com maior frequência no recreio, seguindo-se os corredores, salas de aula, refeitório e casas de banho), ou no caminho para a escola.

O Perfil do Agressor

  1. O Agressor não valoriza os sentimentos dos outros.
  2. Maltrata as vítimas, retirando daí um grande prazer.
  3. É egoísta.
  4. Tem frequentemente poucos amigos.
  5. Não respeita a autoridade.
  6. Quer deter sempre o controlo de todas as situações.
  7. Goza e humilha os outros, incluindo crianças mais pequenas.
  8. Envolve-se em conflitos.
  9. São muitas vezes crianças que provêm de famílias problemáticas, onde recebem pouco carinho e atenção.

(Smith & Hoover, 1999)

Porquê o meu filho?

– Qualquer criança pode ser uma vítima.

– Têm sido identificadas várias motivações dos agressores na escolha das suas vítimas:

  • Aparência física frágil
  • Temperamento tímido ou introvertido, que não oferece resistência às agressões
  • Sensibilidade
  • Roupa
  • Excesso de peso
  • Bom desempenho académico
  • Grupo de amigos
  • Religião
  • Ser portador de deficiência física ou psicológica, ou doença crónica

Details

A evolução da linguagem dos 2 aos 6 anos

Enquanto pais queremos perceber se o nosso filho se encontra dentro do que é expectável na sua faixa etária e como podemos estimulá-lo. São frequentes preocupações como o meu filho troca muitas sílabas/sons nas palavras, as outras pessoas não o conseguem perceber… Pois bem, é certo que cada criança tem o seu ritmo de desenvolvimento que deve ser respeitado, no entanto podemos e devemos estar atentos, conhecer mais sobre o percurso normal de desenvolvimento e saber como estimular da melhor forma em cada etapa.
Se houver dúvidas, fale com o seu médico de família, com o seu pediatra e não deixe de consultar um terapeuta da fala, estes são os profissionais a quem deve recorrer para que sejam efetuados os despistes necessários e para que, em caso de necessidade, a intervenção seja o mais precoce possível.

2 – 3 anos

Características
• Brinca ao faz de conta, por exemplo dar de comer a um boneco.
• “Idade dos porquês”.
• Diz o nome e a idade.
• Canta músicas simples e faz os gestos.
• Grande expansão de vocabulário.
• Nomeia e diz para que servem objetos comuns.
• Identifica imagens de ações.
• Responde a perguntas simples Quem? Onde? O quê?
• Identifica grande, pequeno e muito.
• Produz frases com 4 palavras (ex.: Eu quero um gato!; Hoje vou à escola!; Eu gosto de gelado!) e já começa a produzir frases coordenadas (ex.: “Eu quero um gato e um cão.”).
• Utiliza predominantemente substantivos mas também já utiliza verbos, adjetivos, determinantes, pronomes pessoais, alguns advérbios e preposições.
• Já começa a fazer a variação em género e número.

Atividades

• Reserve tempo para ouvir a criança e responder-lhe.
• Expanda os seus enunciados, por exemplo se a criança disser “comer”, diga “Vamos comer a sopa”.
• Envolva a criança nas atividades do dia-a-dia.
• Explore os brinquedos e os objetos do dia-a-dia com a criança: nome, características, para que servem.
• Explore livros.
• Façam jogos em que cada um joga na sua vez (lotos de imagens, de identificação de sons, de associação de pares, cores…)
• Se a criança ainda usa o biberão e/ou a chupeta, encoraje-a a deixar de usar!

Sinais de Alerta

• Só produz palavras simples.
• Não junta 2 palavras em frases simples (ex.: “dá pão”).
• Não responde a perguntas fechadas sim/não.
• Não aponta para partes do corpo a pedido.
• Não executa uma ordem simples.

3 – 4 Anos

Características

• Utiliza habitualmente uma linguagem compreensível para desconhecidos.
• Diz “eu” quando se refere a si.
• Compreende perguntas com os pronomes Porquê? Quanto? Como?
• Compreende os locativos: à frente, atrás, dentro, fora.
• Descreve acontecimentos do dia-a-dia.
• Conta pequenas histórias com apoio de imagens.

Atividades

• Converse diariamente com a criança.
• Deixe-a realizar atividades adequadas à sua idade e que desenvolvam a sua independência.
• Leia histórias em conjunto, deixe-a ajudar a contar a história e peça no final que conte a história para si.
Sinais de Alerta
• Utiliza um discurso ininteligível para estranhos.
• Utiliza mais os gestos que as palavras.
• Não executa ordens de duas ideias.
• Não responde a perguntas: O que é? Onde?
• Não faz trocas de turnos num diálogo.
• Fala só sobre um tópico específico.

4 – 5 Anos

Características

• Exprime-se de forma fluente.
• Pergunta o significado das palavras.
• Cumprimenta e pede desculpa.
• Fala sobre os seus sentimentos.
• Compreende ordens complexas.
• Usa frases completas.
• Começa a produzir frases subordinadas.
• Fala do passado e do futuro.
• Articula corretamente quase todos os sons.
• Identifica sílabas de palavras di e trissilábicas.
• Faz rimas.

Atividades

• Estimule a imaginação (ex.: teatro de fantoches).
• Cante canções.
• Brinque com a divisão silábica (ex.: dividir as palavras em bocadinhos – sílabas com recurso a palmas).

Sinais de Alerta

• Não comunica com estranhos.
• Não faz diálogos.
• Não descreve acontecimentos do dia-a-dia.
• Não responde a perguntas: O que é? Porquê? Como?
• Omite consoantes finais.
• Troca o /g/ por /d / (ex.: “dato” em vez de “gato”) ou o /k/ por /t/ (ex.: “tão” em vez de “cão”).

5 – 6 Anos

Características

• Participa em discussões de grupo e espera a sua vez para falar.
• Percebe críticas e comentários sobre si.
• Conta histórias complexas.
• Compreende perguntas complexas.
• Compreende os opostos.
• Articula de forma correta praticamente todos os sons da sua língua, pode ter dificuldade em articular palavras com grupos consonânticos.

Atividades

• Explore rimas, lengalengas, trava-línguas em canções e livros.
• Pergunte as sílabas inicias das palavras que aparecem durante um jogo.

Sinais de Alerta

• Não conta histórias nem descreve o seu dia.
• Utiliza frases mal estruturadas.
• Exprime-se de forma pouco fluente.
• Pronuncia mal as palavras.

Não se esqueça que a criança precisa de crescer e aprender e os adultos são o modelo, só através deles aprenderá a usar a linguagem adequadamente.

Por Terapeuta da Fala Rita Costa

São inúmeros os mitos existentes acerca do acompanhamento psicológico com crianças e jovens, especialmente nas faixas etárias mais tenras. Os pais, preocupados com o bem-estar e ajustamento psicossocial dos seus filhos, temem frequentemente solicitar o apoio dum profissional da área da Psicologia.

Reconhecer que se precisa de ajuda significa que os pais não são competentes no papel e função que assumiram? Trata-se de substituir estes agentes educativos? É dar demasiada importância a preocupações que podem assumir um carácter temporário? Claro que não!

Reconhecer a difícil missão de ser pai e enfrentar este desafio recorrendo ao apoio dum psicólogo é um ato que manifesta um profundo sentido de responsabilidade face ao bem-estar das crianças e jovens. Tal decisão não revela incapacidade ou fraqueza dos pais, mas antes um forte sentido de pertença e entrega pelos seus filhos, devendo por isso ser aplaudida. De seguida damos resposta a algumas questões que nos surgem com mais frequência: quando recorrer e porque motivos, em que consiste e como é realizado o acompanhamento de Psicologia Infantil.

Quando devo recorrer ao Psicólogo Infantil?

O psicólogo infantil é um profissional especializado é que podem ser um importante aliado na promoção do desenvolvimento harmonioso das crianças. A criança evidencia algum comportamento que seja prejudicial à sua qualidade de vida? Interfere de forma significativa no seu quotidiano? O seu comportamento prejudica o seu relacionamento em casa, com os amigos, interfere no seu desempenho escolar? Se responder positivamente a estas questões, convido-o a pensar nas demais:

• Há quanto tempo persiste o comportamento?

• Que tentativas foram feitas para superar esta situação?

• A criança respondeu favoravelmente? O comportamento voltou? Em que circunstâncias?

• Estou a conseguir lidar com esta situação neste momento?

Se o comportamento for persistente, se as tentativas para superar a situação não surtiram efeito ou já não estão a surtir e sobretudo se já não consegue lidar com esta situação, pondere a consulta com um profissional especializado.

Quais os principais motivos que levam à procura de acompanhamento de Psicologia Infantil?

• Dificuldades:
– comportamentais;
– emocionais tais como ansiedade, isolamento social e depressão;
– relacionais com pais, professores, colegas, ou outros;
– atenção e concentração;
– aprendizagem.
• Perturbações:
– de eliminação: enurese (dificuldade de controlo da urina, sobretudo durante o sono) e ecoprese (dificuldades de controlo das fezes);
sono.
• Situações familiares impactantes como adoção, divórcio, maus-tratos.
• Processo de luto.
• Alterações ou distúrbios alimentares tais como recusa alimentar, anorexia e bulimia

Em que consiste o acompanhamento de Psicologia Infantil?

O apoio psicológico é feito numa perspectiva de intervenção breve e com fases distintas. O psicólogo infantil tem uma formação que lhe permite estabelecer com a criança uma relação que lhe forneça segurança para encarar o espaço proporcionado enquanto momento de partilha e validação emocional. A forma de falar, o tom, a postura que usa criam um ambiente de acolhimento e confiança. Antes do início da psicoterapia, o psicólogo realiza entrevistas iniciais com os pais para reunir informações sobre a história da criança e da família. Só após esse contacto inicial, é que o psicólogo tem condições para avaliar o número de sessões que necessitará, assim como a periodicidade das mesmas. Habitualmente as sessões têm um carácter semanal numa fase inicial, passando depois para quinzenais até a fase do follow up (por ex: monitorização de 6 em 6 meses que pode ser realizada presencialmente ou pelo telefone). A duração média das sessões é de 50 minutos.

Como é realizado o acompanhamento de Psicologia Infantil?

Durante a psicoterapia, o psicólogo utiliza essencialmente recursos lúdicos para compreender os sentimentos, pensamentos e angústias das crianças através das brincadeiras.

Por sentir-se aceite e compreendida no contexto que lhe é proporcionado, a par das estratégias utilizadas por estes profissionais, verificam-se melhorias significativas no comportamento das crianças em casa e na escola.

Por Sandra Alves. Psicóloga

Setembro é o mês em que se inicia um novo ano letivo e com ele voltam a azáfama, as correrias, as responsabilidades…preparar os materiais, organizar o dia, estudar. Não é fácil, nem para os filhos, nem para os pais…

Por isso este ano trazemos algumas dicas para ajudar a pais e filhos a entrar com o “pé direito” neste ano letivo que agora se inicia.

  1. Escolha a mochila e materiais adequados

    A escolha da mochila e os materiais deve ser feita de forma ponderada.

    a) Mochila

    Uma mochila desadequada ou muito pesada pode causar sérios problemas. É importante que a mochila tenha as seguintes características:
    • Deve ter o tamanho das costas da criança
    • As alças devem ser largas, em formato “S” e ajustáveis
    • Forro assente às costas acolchoado
    • Deve ter cintos à altura do peito e da cintura

    A mochila deverá estar sempre ajustada para que fique junto às costas e distribuindo o peso por ambos os ombros. Para isso, é essencial que sejam utilizados os cintos de apoio e que as ambas as alças estejam postas. Quanto ao peso da mochila, este não deve ultrapassar os 10% do peso corporal da criança. Sabemos que as crianças precisam de muitos livros e que estes são pesados mas se queremos salvaguardar as nossas crianças precisamos de arranjar soluções para que não transporte peso em excesso diariamente.

    b) Materiais

    Escolha lápis que possuam formato triangular e canetas que possuem borracha na zona da pega de forma a facilitar a preensão e controlo do lápis. Já a tesoura escolhida deve ser adaptada ao tamanho da mão da criança, com um design que permita que os dedos assentem confortavelmente na tesoura e não deverá ter ponta. É importante que as crianças que utilizam a mão esquerda tenham acessos a tesouras específicas para esquerdinos.

  2. Estabeleça rotinas estáveis

    As rotinas são importantes tanto para pais como para filhos. As rotinas têm um papel organizador nas crianças e são imprescindíveis para o seu desenvolvimento.

  3. Defina tarefas de forma interativa: Quadro de tarefas

    Definir tarefas e responsabilizar os seus filhos a colaborar em casa e em fazer as suas tarefas escolares pode ser feito de forma interativa através, por exemplo, de um quadro de tarefas. Apesar de existirem já alguns quadros para venda, poderão fazer o vosso próprio quadro de tarefas (com ímanes, escrito, etc.)

  4. Crie um espaço de estudo funcional

    As características do local onde o seu filho estuda podem contribuir, de forma positiva ou negativa, para a qualidade do estudo:
    • O local de estudo deve ter boa iluminação e ter uma temperatura agradável para permitir uma melhor concentração
    • Deixe todos os materiais organizados de forma a que a criança tenha acesso aos mesmos facilmente
    • Use uma cadeira e mesa adequados ao tamanho da criança, permitindo:
    a) apoio dos pés no chão;
    b) cotovelos apoiados sobre a mesa;
    c) pernas a 90º ;
    • Incentive a manutenção da folha sempre na linha média com ligeira inclinação (para a esquerda caso a criança seja destra, para a direita caso a criança seja esquerdina).

  5. Promova pausas nos períodos de estudo

    É aconselhável que durante o período de estudo o seu filho faça pequenas pausas. Se o período de estudo for demasiado longo é provável que o rendimento diminua, sendo por isso aconselhável uma pausa ao completar sensivelmente 60 minutos de estudo. É de referir que este tempo é apenas um indicador, já que a capacidade de concentração de cada criança é variável. Os períodos de pausa devem ser curtos (cerca de 10/15 minutos) e não devem ser utilizados para fazer atividades que o seu filho goste muito, pois isso poderá fazer diminuir a sua motivação para regressar ao estudo. Estas pausas podem ser aproveitadas para fazer um bom lanche.

  6. Fomente hábitos de estudo

    As crianças devem interiorizar desde cedo que possuem controlo sobre as suas aprendizagens e que o seu sucesso escolar depende em grande parte do seu esforço. Os pais não devem “estudar” pelos filhos mas sim orientá-los no seu estudo, ajudando-os a descobrir as estratégias mais eficazes. Tirar apontamentos, sublinhar, fazer resumos e esquemas são apenas algumas das estratégias que o seu filho poderá utilizar ao estudar. Ajude também o seu filho a estabelecer um horário de estudo. Esta estratégia promove a realização de um estudo mais frequente e produtivo, distribuindo o seu tempo de forma equilibrada pelas diferentes disciplinas. (para saber mais, leia o artigo estratégias para ajudar o seu filho a estudar)

  7.  Dê tempo para o seu filho brincar

    As crianças passam muito tempo na escola, a carga horária é exigente. É imprescindível que todos os dias o seu filho usufrua de momentos em que possa (livremente) brincar. A brincar o seu filho aprende e cresce! (para saber mais, leia o artigo Crescer a Brincar)

  8. Tenha tempo de qualidade

    A maioria dos pais vive de forma intensa, e até com alguma ansiedade, o sucesso escolar dos filhos. É natural que se preocupe com o processo de aprendizagem do seu filho, contudo, faça um esforço para que as vossas interações não girem apenas em torno da Escola. Privilegie o tempo em família realizando atividades de lazer que fortaleçam a vossa relação e que lhe permitam conhecer melhor o seu filho e os seus interesses. Dê importância a outras áreas da vida do seu filho, para além da Escola. Valorize atividades extracurriculares que sejam do seu interesse, como por exemplo atividades artísticas ou desportivas.

  9. Tire tempo para si

    Ser mãe e pai não é fácil! O sucesso escolar do seu filho e a sua integração escolar é certamente algo que lhe causa muito interesse e preocupação. É natural que queira ajudar o seu filho na organização das tarefas escolares e até na planificação do seu tempo de estudo. Contudo, não deixe que a sua vida se centre demasiado nestes aspetos. Tire algum tempo para si, para fazer atividades que lhe dê prazer e que o/a façam ser bem. Só cuidando de si e sentindo-se bem consigo mesmo/a, poderá ajudar o seu filho da melhor maneira.

  10. Elogie o seu filho

    A aprendizagem escolar é um aspeto importante na vida das crianças. Como alguns pais afirmam, a Escola é o seu “trabalho”, sendo por isso natural que exijam dos filhos empenho, responsabilidade e bons resultados escolares. Tenha algum cuidado para não revelar uma exigência excessiva, estando atento às dificuldades que o seu filho possa apresentar e aos motivos que possam estar na origem do insucesso. Não aponte apenas o que vê de negativo no seu comportamento enquanto aluno e valorize o seu esforço mesmo que os resultados não sejam os desejados. Promova a sua motivação elogiando os seus progressos, ainda que pequenos, e os bons resultados obtidos pelo seu filho! Afinal de contas…quem não gosta de ser elogiado pelo seu trabalho?

imagem@MySweetWorld

Por Psicóloga Carla Pereira e Terapeuta Ocupacional Margarida Sabino

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Como as crianças vêem a escola;

 

Dormir é uma necessidade primária, inerente a todo o ser humano.

A privação de sono reflete-se geralmente no nosso estado de humor, níveis de atenção e rendimento no trabalho. No caso das crianças o sono é também fundamental para o seu desenvolvimento, pois é durante o sono que são produzidas maiores quantidades de hormona do crescimento. Para além da quantidade de horas de sono, que vai diminuindo até à adolescência, é importante que a criança tenha um ambiente adequado e que sejam implementadas algumas rotinas no que respeita ao sono. Aqui ficam algumas dicas para melhorar o sono das crianças e, consequentemente, dos pais que há muito anseiam por uma noite de sono tranquila.

  1. Certifique-se que o seu(sua) filho(a) tem as horas de sono diárias necessárias, de acordo com a sua idade
Primeiro mês 19 horas 24 meses 13 horas
Até aos 3 meses 18 horas Dos 3 aos 7 anos Entre 10 a 11 horas
Até aos 6 meses 16 horas Dos 7 aos 12 anos Entre 9 a 10 horas
Até aos 12 meses 15 horas Adolescentes Entre 8 a 9 horas

 

  1. Permita que a criança brinque e gaste energias antes do deitar

Poderá inclusivamente fazer deste momento antes de deitar, um momento de brincadeira entre pais e filho(a), aproveitando assim para estimular o seu desenvolvimento e fortalecer também a relação e o vinculo emocional existente entre ambos.

  1. Tenha cuidado com a alimentação

Tenha algum cuidado na escolha dos alimentos que dará ao seu filho(a), sobretudo na refeição do jantar. Alguns alimentos são estimulantes e outros não são adequados por provocar uma digestão mais lenta, o que não irá favorecer o período de sono.

  1. Antes de deitar a criança, poderá dar-lhe um banho ou aplicar-lhe um creme realizando uma massagem localizada

Este ritual, para além de ajudar a criança a sentir-se mais relaxada, irá promover também os laços entre pais e filho, através do toque e dos cuidados prestados pelas figuras cuidadoras.

  1. Defina um ritual à hora de deitar

Ao deitar poderá definir um ritual de embalar, cantar, ler uma história, ou dar-lhe um objeto de conforto. Quando despertar, ajude a criança a encontrar o seu objeto de conforto, faça-lhe umas caricias e embale-a, o importante é que de forma progressiva, esta se consiga autorregular sozinha.

  1. Não substitua um mau hábito por outro

Não promova um mau hábito ao deitar, como por exemplo, dar-lhe um biberão para adormecer. Se uma criança adormece tendo como última recordação beber leite pelo biberão, ficará condicionada a depender de um biberão para voltar a adormecer quando acorda a meio da noite.

  1. Evite colocar a criança a dormir na cama dos pais

A partir dos 3 ou 4 meses é apropriado tirar a criança do quarto dos pais e passá-la para o seu. Ainda assim, vai muito a tempo de o fazer, se optar pelos 6 meses de idade. Evite sempre que a criança durma na cama dos pais, pois para além da interferência na rotina do casal, tal inviabiliza a independência da criança. É preferível que os pais fiquem junto da criança até esta adormecer, regressando posteriormente ao seu quarto.

  1. E se a criança chorar a meio da noite?

É importante que a criança aprenda que é hora de dormir, e que deve fazê-lo sozinha. Quando a criança chorar, os pais devem dirigir-se ao seu quarto para a acalmar. No entanto, não se apresse a socorrer a criança de cada vez que ela chorar. Em vez disso, aumente progressivamente os intervalos de tempo em que se dirige ao quarto do seu filho. Se a criança se levanta e vai para a cama dos pais, deve ser levada de volta para o seu quarto e estar com ela o tempo suficiente para lhe explicar que tem de dormir na sua cama.

  1. Esteja atento(a) a alterações nas rotinas de sono do seu(sua) filho(a) e eventuais perturbações do sono que possam surgir

Até aos 5 anos de idade é esperado que as crianças desenvolvam rotinas elaboradas para adiar o sono, são mais suscetíveis de querer uma luz acesa e de dormir com  o brinquedo ou o cobertor preferido. Estes objetos, designados por objetos transicionais em Psicologia, ajudam a criança a passar da dependência que caracteriza a criança para a independência que caracteriza a criança mais velha. Caso a criança apresente outros comportamentos menos normativos, tais como, oposição ao deitar, fobia ao deitar, insónias ou terrores noturnos, estes poderão ser sinais de que algo não está bem.

  1. Procure ajuda profissional

Se o seu(sua) filho(a) apresenta dificuldades ou perturbações ao nível do sono que estão a interferir significativamente no seu bem estar físico e emocional, se já tentou alterar rotinas e implementar estratégias diferentes e, ainda assim, o seu sono não melhorou, o mais indicado será procurar a ajuda de profissionais como o pediatra ou o psicólogo infantil, que o(a) ajudarão a perceber o que se passa e como melhorar o sono do(a) seu(sua) filho(a)…e dos pais.

Por Carla Pereira e Sandra Alves, psicólogas

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A minha é letra é feia …

Letras tremidas…

Mal desenhadas…

De tamanhos diferentes…

Com dimensões gigantes ou minúsculas (ou ambas)…

Letras que voam ou que se enterram nas linhas base…

Uma escrita manual que ninguém consegue perceber…

“A letra feia” aparece e mantém-se…

Essa letra que todos caraterizam como feia (e na maior parte das vezes também a própria criança) começa a tornar-se um motivo de preocupação para pais e professores.

Será preguiça? Será pouco esforço? Ele (ela) nunca gostou de desenhar nem escrever.

A verdade é que ter a letra feia nem sempre é sinónimo de desleixo, pode ser uma dificuldade bem real e que deve ser analisada. Escrever manualmente é uma atividade complexa e depende intimamente do desenvolvimento e maturação de competências base, tais como:

  • Motricidade fina (precisão manual, destreza, competências manipulativas)
  • Perceção visual (figura fundo, relações espaciais, posição no espaço,..)
  • Motricidade global (postura, coordenação olho-mão, cruzamento da linha média, lateralidade…)

Estimular o desenvolvimento destas competências é importante para que a criança tenha bases suficientes para uma escrita eficaz. Atividades tais como o desenho, colagens, recortes, grafismos, gincanas, encestar, … fazem parte do processo de desenvolvimento e preparam a criança para a fase seguinte…a escrita.

Como perceber se existem dificuldades na escrita manual?

Sinais de Alerta

  • O seu filho apresenta uma escrita ilegível?
  • Mostra lentidão na execução das tarefas de escrita?
  • Sente-se muito cansado quando escreve? Sente dor (ex. nos dedos)?
  • Coloca pouco ou demasiado espaçamento entre as letras e palavras?
  • A escrita é feita de forma irregular?
  • As letras são mal formadas ou incorretas?
  • Faz pressão inadequada ou inconsistente (marcas muito claras/escuras/variáveis)?
  • Apresenta linhas com pouca precisão (tremidas)?
  • Demonstra pobre orientação em relação à linha de base?
  • Não respeita as margens?
  • Apresenta uma grande desorganização na página?

Se respondeu sim a qualquer das questões anteriores podemos estar perante uma situação de dificuldade na escrita manual e é importante que recorra a ajuda profissional.

Trabalhar a dificuldades na escrita manual de forma eficaz é trabalhar tudo o que causa essa dificuldade. Insistir em determinadas tarefas (ex. treinar o desenho de letra) sem desenvolver as competências base acaba por ser infrutífero podendo mesmo causar uma grande frustração na criança que por muito que se esforce não consegue corresponder às expetativas colocadas pelos pais e professores.

Analisar todas as áreas envolvidas na atividade bem como o desempenho na escrita manual é a forma de avaliação do terapeuta ocupacional que de acordo com uma avaliação global poderá aconselhar melhor tipo de apoio e estratégias que facilitem o desempenho do seu filho.

Se tiver alguma questão relacionada com esta temática poderá preencher o formulário de esclarecimento dúvidas.

Terei todo o gosto em poder ajudar!

 

Por Terapeuta Ocupacional Margarida Sabino

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O meu filho recusa-se a comer

São muitos os pais que se deparam com situações problemáticas na alimentação… quando os seus filhos não querem comer ou deixam de comer determinados alimentos… A recusa continua, a situação agrava-se e a determinada altura parece não haver solução. Em muitas ocasiões pode mesmo levar ao isolamento, ao evitar de situações sociais como um jantar com família ou amigos…

Na verdade, são muitos os motivos que podem despoletar um evitamento ou recusa alimentar e por isso, esta não é uma situação em que as estratégias sejam “chapa 5” e funcionem com todas as crianças.

Primeiramente é preciso perceber o porquê (e o mais precocemente possível)! Qual a razão desta recusa alimentar?

As situações de recusa alimentar podem ter diversas origens, entre elas…

  • Situações traumáticas (ex. situações de engasgamento);
  • Alterações de processamento sensorial (ex. defensividade oral);
  • Alterações na motricidade orofacial (que podem, por exemplo, ser a causa de uma mastigação ineficaz);
  • Relações pais e filhos …

Só analisando a resposta ao “Porquê?” poderemos perceber quem serão os profissionais que o poderão ajudar e de que forma, delineando então estratégias eficazes e duradouras.

Caso se encontre numa situação em que o seu filho evita ou recusa alimentos, preencha o questionário que aqui disponibilizamos para que o possamos aconselhar da melhor forma.

 

imagemcapa@sol.no

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