Por Carla Félix, para Up To Kids®
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Como?
Artigo da leitora Carla Félix
imagem@benetton
O Avô não volta
O ciclo da vida determina que um dia tudo acabará. Morrer deveria ser tão natural como nascer. No entanto, não é.
Para nós adultos, falar de morte é algo difícil. Não sabemos como abordar o tema e muitas das vezes mudamos de assunto para evitar explicações mais demoradas. É como falar de sexualidade,… ou talvez não! Este já não é um assunto tabu.
Na semana passada partiu o avô paterno dos meus filhos e pela primeira vez em muitos anos tive de enfrentar o medo. Talvez eu sentisse mais medo que eles… Os mais velhos já antecipavam o que estava para acontecer e embora a experiência de vida os tenha poupado destes momentos, já possuem bagagem para enfrentar a situação. O mesmo não acontece com a mais nova. A doença do avô era algo curável aos seus olhos e a morte não era algo viável no seu pensamento. Estava tão longe.
Durante algumas horas pensei em varias formas de lhe contar, de abordar o assunto, sabia que a notícia não seria de fácil gestão.
Não havia volta a dar. Por mais horas que demorasse a dizer, teria de fazê-lo… A voz tremeu e o som saiu… A primeira reação foi a negação e em tom de riso afirmou que eu estaria a brincar. O silêncio reinou e por momentos a brincadeira parecia negar os acontecimentos…
À noite tudo parou e ai surgiram as dúvidas… Não volto a ver o Avô? Não posso falar com ele e abraçá-lo? Ele já não sente e já não ouve? Tantas perguntas surgiram e eu não estava preparada para responder… Sabia que a frieza das minhas respostas não correspondia ao que ela queria ouvir… Teria de fazê-la sofrer… A única solução era minimizar o seu sentir com a ilusão da estrela brilhante no céu. Da alma que parte e que apenas deixa guardado na terra um corpo imóvel. Por entre soluços adormeceu e passados alguns dias diz que ainda está triste e que a dor não passa… Como mãe tive lhe de dizer que demora uns dias a sentir-se melhor, às vezes mais… Que as memorias perduram no tempo…
Como criança que sonha ela incorporou a missão de diminuir a dor da perda dos que ama e a experiência fez-la crescer. E nós adultos, temos muito a aprender, todos os dias, com as crianças. Pois o impossível para elas, é apenas uma questão de minutos…
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Abril é o mês que debruçamos a atenção sobre a prevenção dos Maus Tratos sobre as crianças e jovens.
No país decorrem inúmeras atividades para sensibilizar a sociedade à necessidade de um olhar atento sobre o bem estar das crianças/jovens.
Pergunto-me se saberemos, realmente, o que são Maus Tratos?
Os Maus tratos vêm conotados de violência física sobre a criança e jovem, deixando camuflado uma série de outras atitudes que os adultos exercem, muitas vezes, sobre os seus próprios filhos.
Quando negamos o colo à criança, quando a proteção em excesso priva o seu desenvolvimento equilibrado, quando sujeitamos a criança a situações de violência doméstica, quando a criança é alvo da batalha entre pais, quando não festejamos o seu aniversário, quando não lhe damos os parabéns pelas pequenas vitórias, quando as humilhamos em público e privado, quando não damos liberdade aos jovens para fazerem as suas escolhas, quando negamos os ouvidos aos nossos filhos e filhas, quando colocamos os nossos interesses pessoais sobre as suas perspectivas de evolução e criação, quando e quando… estamos perante situações de negligência que afetam psicologicamente a evolução das crianças e consequentemente a sociedade.
Muitas crianças e jovens vivem hoje na pobreza, sofrendo as consequências da fome oculta. São inúmeras as que não tomem o pequeno almoço em casa num clima de conforto. As famílias tem dificuldades em assegurar a alimentação e o acompanhamento mínimo necessário.
Por vezes, as estruturas familiares tem alicerces débeis levando a falhas graves no acompanhamento dos mais novos.
Espera-se que a prevenção dos maus tratos aposte, também, no apoio às famílias para que se valorize a infância enquanto base da sociedade.
O ciclo dos maus tratos precisa de ser quebrado através da adoção de medidas eficazes e da desconstrução de mentalidades.
O Laço Azul poderia ser uma onda de maresia sobre o universo infantil trazendo sempre o colo, a disponibilidade e um par de braços abertos.
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No decorrer dos anos tem-se vindo a reconhecer vários tipos de estruturas familiares.
As famílias, de facto, não são todas iguais e todos nós sabemos porquê! No entanto, a forma como as observamos depende da nossa visão e análise sobre a Sociedade. E aqui, entramos num paradigma: Saberemos realmente porquê? Conseguimos identificar aquilo que as distingue, para além do preconceito?
Aceitamos a concepção de família: como constituída pelo pai, mãe filhos. Acreditamos num tipo de relacionamento que sustenta esta união familiar. Dizemos que existem outros modelos e que são aos olhos da sociedade aceites.
Contudo, a nossa sociedade ainda não está preparada para mudanças! Quando as estruturas familiares se alteram, os estereótipos sociais são quebrados e aqui, tudo entra em choque, tudo é questionado.
Facto: As famílias são diferentes e as suas perspectivas de vida são variadas. Mas todas elas visam o bem estar dos seus elementos.
Quando vivenciamos a experiência de mudança, a nossa imagem colorida de Sociedade altera-se!
Há que continuar a formar Cidadãos em Ponto Pequeno, aptos para aceitar essas mudanças e aqui entra o trabalho excepcional de técnicos que têm uma visão alargada, apta para alargar horizontes!

Não poderia deixar de partilhar, a minha visão.
A evolução da nossa sociedade é urgente, em prol de um desenvolvimento equilibrado das nossas crianças.
Aos meus filhos, deixo a palavra de que são uns Heróis e de facto somos diferentes, mas somos uma FAMÍLIA!
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