O Dia do Pai é um ritual anual nas creches e jardins de infância.
Preparam-se prendas para entregar aos pais dos meninos e meninas com muitas horas de dedicação e com carinho. Algumas delas ao fim de uns minutos vão parar ao lixo e são destruídas pelas próprias crianças. Preserve este presente como uma dádiva preciosa. Existem comportamentos que ficam registados no subconsciente da criança.
Receber um trabalho elaborado por uma criança é valorizar o seu processo de desenvolvimento e reconhecer o trabalho de quem diariamente trabalha em prol do seu/ sua educando/a.
O Dia do Pai, ultrapassa um simples presente.
É o mote para conversar sobre a figura paternal: Quem é o pai? O que gostas de fazer com o pai? O que gostarias de fazer com o pai mais vezes? O que o pai faz contigo em casa? Explorando as respostas apercebemos-nos que o pai já não é na maioria das vezes a figura que entrega à mãe o dever de educar a criança.
Os pais de hoje estão mais atentos à educação da criança e partilham tarefas com as mães. O pai dá-me de comer, dá-me banho, leva-me a escola, vamos ao parque, jogamos a bola, brincamos, ele é um Super Pai.
Futuramente, os pais das crianças com os modelos de partilha educativa em casa serão pais presentes o que contribuirá para uma sociedade igualitária, onde o respeito pelo outro vencerá e os valores de violência doméstica decrescerão.
No dia 19 de Março quando receber o seu presente, diga Obrigada com um Sorriso!
As memórias são internas e ficam gravadas na infância em todo o percurso de vida.
Ao abrir da porta correm ao ouvir o Bom Dia e dizem: “Olá, Carla!”
“-Estão bons ? Dormiram bem ?” – pergunto eu , ao que me respondem sempre : “Sim !!!!!!!!!!” Deduzo que sim pela alegria comunicada pela entoação do sim.
Sou Educadora de Infância por opção e vocação. Tenho nas mãos a responsabilidade de promover o desenvolvimento de crianças e zelar pela sua segurança como quem cuida de uma pedra preciosa .
Entre os 4 meses e os 2/3 anos de idade, há uma imensidão de habilidades para aprender e a estimulação é a base para alcançar o progresso do desenvolvimento. Criar um clima de afectividade com o grupo permite criar alicerces na relação que permitirão à criança sentir se segura e com vontade de aprender de forma lúdica.
O nosso dia a dia numa Creche/ Jardim de Infância é um dia de trabalho intenso a nível de promoção da evolução de cada etapa do desenvolvimento da criança. Não existem tarefas mais importantes do que outras : mudar a fralda , dar de comer ,observar a criança a brincar, ensinar a ouvir uma história , a cantar partes de uma canção são tanto importantes como segurar num lápis, rasgar, colar e pintar.
O tempo da manta, em que nos reunimos a cantar o Bom Dia e a ouvir uma história ou a explorar imagens são momentos cruciais para o desenvolvimento da linguagem, concentração, sentido de pertença a um grupo. Parece que puxamos as palavras sucessivamente até que começam a construir discursos com fluidez adequada a idade …
Brincar , Brincar , Brincar … observar a forma como desempenham os papéis sociais na área da casinha sem estereótipos interiorizados é conhecer o pensamento da criança sobre o mundo que lhe rodeia.
O menino que cuida da boneca/boneco, que lava a loiça, a menina que brinca com os carros e os legos… faz-nos acreditar num mundo em que reina a igualdade de género.
Desenhar com os lápis/marcadores e Pintar com os pincéis, na minha óptica, é uma forma de processar para o papel a evolução do pensamento. Daí que estas experiências não devem ser encaradas como um ato corriqueiro mas sim como um ato exige elevada concentração e conhecimento sobre si mesmo e sobre o que os rodeia.
Valorizar as conquistas individuais e coletivas, é aumentar a auto-estima e o desejo de aprender. Devemos focar-nos nos processos de elaboração dos trabalhos e colocar em segundo plano as produções elaboradas. A criança aprende fazendo e experimentando…
Defendo uma prática pedagógica assente na acção, onde a observação e experimentação são fundamentais. Ver, tocar e falar sobre o que experimentámos. Falar sobre o que sentimos.
Pincelamos de várias cores a vida destes pequenos seres, para que os meninos e as meninas cresçam num quadro multicolor.

Por Carla Félix, para Up To Kids®

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imagem fornecida pela autora

Cada passo vale por dois | Educar para a igualdade e respeito pelo outro

Esta semana pensei em como um profissional de educação aborda o Dia Internacional pela Eliminação da Violência Contra as Mulheres, que se comemora anualmente a 25 de Novembro.
Contextualizando o dia, sabemos que o mesmo foi declarado em 1999 pelas Nações Unidas (ONU). A data está relacionada com a homenagem a Tereza, Mirabal-Patrícia e Minerva, presas, torturadas e assassinadas em 1960, a mando do ditador da República Dominicana, Rafael Trujillo.
Esta data visa alertar a sociedade para os vários casos de violência contra as mulheres. Nomeadamente, casos de abuso ou assédio sexual, maus tratos físicos e/ou psicológicos.
Em média, uma em cada três mulheres é vítima de violência doméstica.
Olhando para as estatísticas enquanto educadores/as de futuros cidadãos/cidadãs, os números fazem-nos refletir.
Criar uma sociedade em que não se verifique casos de violência sobre o género feminino, engloba trabalhar sobre igualdade de género, igualdade de oportunidades, valorização do papel social da mulher, valorização da liberdade individual de cada individuo, construção de uma auto-estima… Analisando os factos, o ponto de partida é construir valores morais que assentem na igualdade e no respeito pelo outro.

Como?

 Iniciamos pela desconstrução já incutida pela sociedade do rosa para as meninas e o azul para os meninos! As cores são de todos e todas! Façamos uma viagem pela casa onde pais e mães partilham tarefas. Ensinemos às crianças que nas casas não existem tarefas de homens e tarefas de mulheres. Existem sim tarefas que, por vezes, alguns membros da família tem mais facilidade em fazer. Mas todos e todas somos capazes…
Vamos respeitar o outro e aceitar o “Não” como uma decisão e não um ataque pessoal. – Às vezes não me apetece brincar com os meus amigos e eu tenho o direito de dizer que não. – Estamos a criar a liberdade pessoal! Eu quero ser apto para realizar escolhas e aceitar as respectivas consequências de forma livre e ponderada.
Vamos estabelecer limites ao redor do meu corpo. Só eu tenho o direito de escolher quem lhe toca. Vamos educar para a educação sexual. Prevenir a violência e assédio sexual. Não quero ouvir que não sou capaz, que sou um desastrado ou uma desastrada, que só arranjo problemas. Não quero ser torturado psicologicamente. Vamos construir uma boa auto estima, que criará uma barreira impedindo que se caia nas malhas do/da agressor/a.
Refletindo. São pequenos atos, pequenos alertas que entram nas cabeças de seres em construção diariamente e que no futuro vão fazer cair os números sombrios das estatísticas.”

Artigo da leitora Carla Félix

imagem@benetton

O Avô não volta

O ciclo da vida determina que um dia tudo acabará. Morrer deveria ser tão natural como nascer. No entanto, não é.

Para nós adultos, falar de morte é algo difícil. Não sabemos como abordar o tema e muitas das vezes mudamos de assunto para evitar explicações mais demoradas. É como falar de sexualidade,… ou talvez não! Este já não é um assunto tabu.

Na semana passada partiu o avô paterno dos meus filhos e pela primeira vez em muitos anos tive de enfrentar o medo. Talvez eu sentisse mais medo que eles… Os mais velhos já antecipavam o que estava para acontecer e embora a experiência de vida os tenha poupado destes momentos, já possuem bagagem para enfrentar a situação. O mesmo não acontece com a mais nova. A doença do avô era algo curável aos seus olhos e a morte não era algo viável no seu pensamento. Estava tão longe.

Durante algumas horas pensei em varias formas de lhe contar, de abordar o assunto, sabia que a notícia não seria de fácil gestão.

Não havia volta a dar. Por mais horas que demorasse a dizer, teria de fazê-lo… A voz tremeu e o som saiu… A primeira reação foi a negação e em tom de riso afirmou que eu estaria a brincar. O silêncio reinou e por momentos a brincadeira parecia negar os acontecimentos…

À noite tudo parou e ai surgiram as dúvidas… Não volto a ver o Avô?  Não posso falar com ele e abraçá-lo? Ele já não sente e já não ouve? Tantas perguntas surgiram e eu não estava preparada para responder… Sabia que a frieza das minhas respostas não correspondia ao que ela queria ouvir… Teria de fazê-la sofrer… A única solução era minimizar o seu sentir com a ilusão da estrela brilhante no céu. Da alma que parte e que apenas deixa guardado na terra um corpo imóvel. Por entre soluços adormeceu e passados alguns dias diz que ainda está triste e que a dor não passa… Como mãe tive lhe de dizer que demora uns dias a sentir-se melhor, às vezes mais… Que as memorias perduram no tempo…

Como criança que sonha ela incorporou a missão de diminuir a dor da perda dos que ama e a experiência fez-la crescer. E nós adultos, temos muito a  aprender, todos os dias, com as crianças. Pois o impossível para elas, é apenas uma questão de minutos…

imagem@livrosefatos

O fim do ano letivo – Desabafos de uma mãe

Sento o final das aulas como o retirar das costas uma mochila carregada de livros e materiais escolares!
É certo que não carreguei livros, mas a tarefa de mãe de três filhos é redobrada quando assentamos no modelo de família monoparental.
O meu carro percorreu centenas de quilómetros, perdi a conta do número. Levar os miúdos à escola, ir buscar, os trabalhos de casa, os treinos de basquetebol, as idas ao ginásio e o ballet cansaram o meu corpo e o meu espírito.
O ritual do adormecer: “Já fizeram os trabalhos? têm testes? a mochila está pronta para amanhã? o equipamento? se chover telefonem quando saírem! vão almoçar a casa da avô? vou-te buscar à escola, vou-te buscar ao treino. Tens jogo? A que horas? onde? com quem?”
Perco o fôlego e quando chego à cama parece que o transportei um piano às costas durante todo o dia. É como se vivesse várias vidas dentro de mim e, no fundo,  acabo por viver.
No silêncio da noite, o meu cérebro percorre os caminhos das dúvidas parentais: “Serei a mãe que quero ser? Exigi demais? Baixei as espectativas ou será que fui equilibrada? Deverei estar, ainda, mais presente ou ausentar-me um pouco a fim de dar asas e sentido de responsabilidade?”
Dúvidas e mais dúvidas surgem… No entanto, o amor de mãe diz-me que o melhor para os meus filhos é a presença e o apoio incondicional independentemente dos resultados visíveis.
Nem todos serão o mais inteligente da sala de aula, mas poderão ser o mais realizado, ter um grau de maturidade que os ajude a enfrentar os novos desafios, ou ser os mais felizes.
O acordar do novo dia é o inicio da rotina. Os adolescentes dormem muito. Preferem as noites ao amanhecer. Foi desgastante acordar-vos durante estes meses! Cumprir horários, rituais de rotinas …
Perceber a importância do descanso para o sucesso do novo dia.
As atividades extra-curriculares foram o vosso escape, a vossa fuga ao stress. Bem ditas sejam as horas do basquetebol, do ginásio e do ballet.
Neles foram canalizados os vossos problemas, a vossa energia descontrolada, foi reencontrado o equilíbrio interno. Digamos que as atividades foram mei caminho andado para vos ajudar a conseguir alcançar os objetivos académicos.
Sinto me cansada! O ano letivo foi longo, estive ausente, estive doente… não pude estar presente a 100% … amadurecemos juntos, crescemos, unimos-nos!
Preciso de férias, como todas as outras Mães. O dever de missão cumprida trará novo ânimo para o próximo ano letivo e voltaremos a sentar-nos e a refletir sobre a nossa missão maternal!
Até lá, degustemos as férias, com mimos e abraços, sol e praia!
imagem@istock

Abril  é o mês que debruçamos a atenção sobre a prevenção dos Maus Tratos sobre as crianças e jovens.

No país decorrem inúmeras atividades para sensibilizar a sociedade à necessidade de um olhar atento sobre o bem estar das crianças/jovens.

Pergunto-me se saberemos, realmente, o que são Maus Tratos?

Os Maus tratos vêm conotados de violência física sobre a criança e jovem, deixando camuflado uma série de outras atitudes que os adultos exercem, muitas vezes, sobre os seus próprios filhos.

Quando negamos o colo à criança, quando a proteção em excesso priva o seu desenvolvimento equilibrado, quando sujeitamos a criança a situações de violência doméstica, quando a criança é alvo da batalha entre pais, quando não festejamos o seu aniversário, quando não lhe damos os parabéns pelas pequenas vitórias, quando as humilhamos em público e privado, quando não damos liberdade aos jovens para fazerem as suas escolhas, quando negamos os ouvidos aos nossos filhos e filhas, quando colocamos os nossos interesses pessoais sobre as suas perspectivas de evolução e criação, quando e quando… estamos perante situações de negligência que afetam psicologicamente a evolução das crianças e consequentemente a sociedade.

Muitas crianças e jovens vivem hoje na pobreza, sofrendo as consequências da fome oculta. São inúmeras as que não tomem o pequeno almoço em casa num clima de conforto. As famílias tem dificuldades em assegurar a alimentação e o acompanhamento mínimo necessário.

Por vezes, as estruturas familiares tem alicerces débeis levando a falhas graves no acompanhamento dos mais novos.
Espera-se que a prevenção dos maus tratos aposte, também, no apoio às famílias para que se valorize a infância enquanto base da sociedade.

O ciclo dos maus tratos precisa de ser quebrado através da adoção de medidas eficazes e da desconstrução de mentalidades.

O Laço Azul poderia ser uma onda de maresia sobre o universo infantil trazendo sempre o colo, a disponibilidade e um par de braços abertos.

Por Carla Félix, Carta do leitor, para Up To Kids®
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No decorrer dos anos tem-se vindo a reconhecer vários tipos de estruturas familiares.

As famílias, de facto, não são todas iguais e todos nós sabemos porquê! No entanto, a forma como as observamos depende da nossa visão e análise sobre a Sociedade. E aqui, entramos num paradigma: Saberemos realmente porquê? Conseguimos identificar aquilo que as distingue, para além do preconceito?

Aceitamos a concepção de família: como constituída pelo pai, mãe filhos. Acreditamos num tipo de relacionamento que sustenta esta união familiar. Dizemos que existem outros modelos e que são aos olhos da sociedade aceites.

Contudo, a nossa sociedade ainda não está preparada para mudanças! Quando as estruturas familiares se alteram, os estereótipos sociais são quebrados e aqui, tudo entra em choque, tudo é questionado.

Facto: As famílias são diferentes e as suas perspectivas de vida são variadas. Mas todas elas visam o bem estar dos seus elementos.

Quando vivenciamos a experiência de mudança, a nossa imagem colorida de Sociedade altera-se!

Há que continuar a formar Cidadãos em Ponto Pequeno, aptos para aceitar essas mudanças e aqui entra o trabalho excepcional de técnicos que têm uma visão alargada, apta para alargar horizontes!

Tipos de Estruturas familiares
Cidadãos em Ponto Pequeno – Pelo Núcleo de Prevenção da Violência Doméstica da Santa Casa da Misericórdia de Praia da Vitória

 

Não poderia deixar de partilhar, a minha visão.

A evolução da nossa sociedade é urgente, em prol de um desenvolvimento equilibrado das nossas crianças.

Aos meus filhos, deixo a palavra de que são uns Heróis e de facto somos diferentes, mas somos uma FAMÍLIA!

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imagem@flickr

Ser pai inicia-se na concepção, contudo vai muito além da junção de dois cromossomas.

Acredito que nem todos os homens estejam preparados para ser pais e que os modelos tradicionais ainda continuam a fazer história.
Enquanto mães descuramos o nosso papel na educação dos futuros pais. Educam-se meninas para serem mães, oferecendo bonecas e uma série de utensílios úteis no auxílio das tarefas e aos meninos oferecemos carros e bolas.
Entregamos aos meninos, aos futuros pais, a informação de que deverão ajudar as futuras mães. Esquecemo-nos que é uma ato a dois, de entrega e partilha.
Carregamos no ventre e durante uma vida um peso que não é apenas nosso.
Criamos “pães” em vez de mães conscientes dos seus limites.
A sociedade atual e a evolução do conceito de parentalidade, requer uma presença efetiva do pai enquanto elemento ativo na educação dos filhos/filhas e não apenas um mero espectador.
Escrevo, aos meus filhos homens, quem sabe um dia futuros pais biológicos ou afetivos, para que façam evoluir a sociedade, tomando atitudes de partilha, responsabilidade, entrega, confiança e igualdade ao assumirem os seus compromissos parentais…
Transmitindo, mais tarde, também aos seus filhos, o verdadeiro conceito de Ser pai.
Carta da leitora Carla Felix, sobre o dia do pai.