O que é o Programa Nacional de Vacinação?

A vacinação é atualmente a melhor forma de prevenção de determinadas doenças, e tem como principal objetivo o desenvolvimento do sistema imunitário e fortalecimento do organismo. As vacinas permitem salvar vidas.

O Programa Nacional de Vacinação (PNV) é completamente gratuito e destina-se a todas as pessoas presentes em Portugal. É de salientar que este difere de país para país, devendo ser cumprido o plano de vacinação do país onde a pessoa reside.

Quais as vacinas que estão incluídas no Plano actual de vacinação em Portugal?

Nome da vacina Designação
BCG Vacina contra a tuberculose
VHB Vacina contra o vírus da hepatite B
HIB Vacina contra Haemophilus influenza b
DTPa Vacina tripla contra difteria, tétano e tosse convulsa
VIP Vacina contra poliomielite
MenC Vacina contra meningococo tipo C
VASPR Vacina tripla contra sarampo, parotidite epidémica e rubéola
Td Vacina contra o tétano e difteria
HPV Vacina contra o vírus papiloma humano

 

Com que idade deve vacinar os seus filhos?

O Programa Nacional de Vacinação é aplicado através de um Esquema Vacinal Recomendado a toda a população presente em Portugal, de acordo com a idade.

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Fonte: DGS

 

Importante

  • Para proteger o seu bebé o mais precocemente possível e da forma mais adequada, deve cumprir com as idades em que está prevista a vacinação
  • A maior parte das vacinas são administradas em mais do que uma dose, ou seja, uma dose inicial e posteriormente os reforços das mesmas. Desta forma o organismo vai criando uma resposta adequada e formando anticorpos em quantidades eficazes e duradoiras. A única excepção é a BCG que é administrada em dose única.
  • As vacinas incluídas no PNV são eficazes e seguras, podendo apenas ocorrer alguns efeitos secundários que são frequentes, tais como uma reacção ligeira no local da picada (dor, edema/inchaço, vermelhidão) ou febre. Qualquer destes efeitos secundários, geralmente, tem uma duração curta e não necessita de avaliação médica.
  • Além das vacinas do PNV, existem outras, designadas como vacinas extraplano e que estão disponíveis na farmácia mas que necessitam de prescrição médica (ex. vacina para determinados tipos de pneumococo, para o rotavirus, para o vírus da Hepatite A). Cabe ao médico informar e esclarecer os pais sobre a sua existência para que estes possam tomar uma decisão consciente relativamente à aquisição das mesmas.
  • É fundamental ter sempre em atenção as recomendações que lhe são dadas pelo seu médico e/ou enfermeiro antes e após a vacinação do seu bebé

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Por Sara Figueira (Enfermeira) e Ana Filipa Ferreira (Enfermeira Especialista em Saúde Materna e Obstetrícia)

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O leite materno é o alimento mais adequado ao seu bebé, pois é o mais adaptado às necessidades do pequeno corpo que está em desenvolvimento.

É o único alimento que foi naturalmente criado para responder às suas necessidades. Contém os nutrientes que o bebé precisa, nas quantidades adequadas sendo de fácil absorção. A sua composição varia à medida que o bebé cresce.

As vantagens do leite materno são essencialmente nutricionais, anti-infecciosas, cognitivas e imunológicas.

A sua composição proteica é adaptada à imaturidade renal e digestiva do recém-nascido. Contém menor conteúdo proteico que os outros leites e os aminoácidos contêm a proporção ideal para as diferentes fases de crescimento. A quantidade de caseína é menor, logo torna-se mais fácil de digerir.

A amamentação ajuda a proteger o seu bebé das infecções, pois os anticorpos passam para o leite. No leite materno existem proteínas que tem uma função anti-infecciosa principalmente a IgA secretora, lisozima, alfa lactoglobulina e lactoferrina. O principal hidrato de carbono no leite materno é a lactose que se encontra numa quantidade duas vezes maior que no leite de vaca. A lactose é fundamental na absorção do cálcio e para o crescimento dos lactobacilos.

O seu bebé será menos vulnerável a doenças do que os que são alimentados com leite artificial. Assim as propriedades do leite materno reduzem a incidência de otite média aguda, bronquiolite, gastroenterites agudas, infecções respiratórias baixas, infecções urinárias.

Os bebés amamentados têm menos probabilidades de ter alergias, pois o leite materno não contém proteínas alergénicas.

Também foi estudado que o aleitamento materno tem um papel fundamental no desenvolvimento da linguagem devido à estimulação da musculatura orofacial.

Para a mãe amamentar faz com que haja uma maior quantidade de ocitocina em circulação, prevenindo uma hemorragia pós-parto e uma rápida involução do útero. Verificou-se também uma recuperação mais rápida do peso anterior à gravidez e o aparecimento mais tardio da ovulação que leva a uma menor probabilidade de uma nova gravidez.

Amamentar proporciona grandes benefícios de ordem social e económica através da melhoria do estado de saúde. Os custos são menores e contribui para a protecção do planeta em termos ecológicos pela menor quantidade de produtos não biodegradáveis que posteriormente vão deixar de ser utilizados.

Por Ana Filipa Ferreira, Enfermeira Especialista em Saúde Materna e Obstétrica

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Socorro! Como reconhecer os sinais de parto?

Os sinais de parto indicam que o mecanismo de dar à luz se iniciou de forma evidente, no entanto há indicadores que o grande momento está próximo.

Pode-se subdividir o início do trabalho de parto em 2 períodos distintos:

  • Latente
  • Parto propriamente dito

A fase latente caracteriza-se por contrações mais ou menos ligeiras, semelhantes às da menstruação. Estas contrações vão-se tornando cada vez mais frequentes mas irregulares, o colo do útero vai respondendo ficando  mais maduro e por vezes iniciando o apagamento e também alguma dilatação. Este processo pode iniciar-se entre as 35 e as 38 semanas de gestação.

A fase de parto propriamente dito, pode iniciar de 3 formas:

  • Perda do rolhão mucoso
  • Ruptura da bolsa
  • Contrações regulares

A perda do rolhão mucoso, consiste numa secreção pastosa e ensanguentada que é expulsada pela vagina e nem sempre é detetada ou pode ser confundido com uma pequena perda de sangue, no entanto indica que já está a haver apagamento e consequente dilatação do cérvix (porção inferior do útero). Este sinal pode surgir precocemente ou seja até 1 a 3 dias antes do bebé nascer, e é acompanhado pela descida da barriga. A partir desta altura o bebé deixa de ter proteção e deve-se evitar qualquer foco de infecção.

A ruptura da bolsa, pode acontecer de forma espontânea, embora seja mais comum ao levantar ou deitar ou quando se muda de posição. Sente-se uma perda de água como se estivesse a urinar mas sem controlo. Nesta situação deve-se encaminhar para o hospital na hora seguinte. Esta água é incolor e não tem cheiro, no entanto, pode acontecer uma coloração escura e um cheiro estranho, e neste caso deverá encaminhar de urgência para o hospital, pois indica que o bebé se encontra em sofrimento. É uma situação rara, mas convém ter este alerta.

As contrações regulares apenas diferem das que já se sentiam na fase latente porque se tornam cíclicas, ou seja de 30 em 30 minutos. É perceptível que o intervalo entre elas vai reduzindo, a intensidade vai aumentando e a duração da contração também aumenta, indicando um padrão evolutivo. Numa fase inicial praticamente não se sentem, mas aos poucos a intensidade vai fazer toda a diferença, devendo iniciar a respiração que aprendeu nas sessões de preparação para o parto, sentindo de imediato um grande alívio. Durante esta fase inicial deverá mover-se ou caminhar dentro das possibilidades.

Em qualquer uma destas situações deverá indicar ao seu médico que iniciou o trabalho de parto, e aguardar recomendações do mesmo.

O trabalho de parto é demorado e muitas vezes inicia-se de forma silenciosa, pelo que deverá descontrair e manter-se em movimento, seguindo as ordens do seu instinto.

O Programa Nacional de Diagnóstico Precoce teve início em 1979, por iniciativa do Instituto de Genética Médica.

O Teste do Pezinho é efectuado através de uma pequena amostra de sangue que é retirada do calcanhar do bebé. Geralmente é realizado no centro de saúde onde está inscrito entre o 3 e o 6º dia de vida. Caso seja necessário também poderá ser feito no hospital.

O sangue recolhido é utilizado no rastreio de doenças metabólicas, permitindo assim saber se o bebé está afectado ou não por estas doenças.

Uma das doenças rastreadas é fenilcetonuria. No caso de os bebés terem sido afectados por esta doença tem que cumprir uma dieta especial para que se possam desenvolver e crescer normalmente.

Também são realizados mais alguns testes, entre eles para detectar o hipotiroidismo, uma deficiência determinada por uma actividade débil da glândula da tiróide. Se estas alterações forem diagnosticadas, podem ser tratadas permitindo às crianças ter um desenvolvimento normal.

Caso seja detectada alguma alteração será contactado directamente por telefone ou através do centro de saúde.

Para mais informações sobre este rastreio pode consultar o site: www.diagnosticoprecoce.org

Contributos da Música na Maternidade

A utilização da musicoterapia, não é uma terapia nova. A sua existência remonta à antiguidade, embora não sejam precisas as suas origens.

Nos meados de 1800, Florence Nightingale reconheceu o poder da música nos hospitais. Pretendia ajudar os soldados (atingidos na guerra da Crimeia) no seu processo de recuperação. Ela observou os efeitos que os diferentes tipos de música provocavam nos doentes. Utilizou instrumentos com um som contínuo, que geralmente provocavam um efeito benéfico nos pacientes e instrumentos que produziam outros tipos de som provocando o efeito oposto.

Quer em França, quer nos EUA, a musicoterapia é uma prática muito divulgada, no entanto no nosso país ainda é pouco utilizada.

A terapia através da música pode ter vários efeitos no organismo. Por exemplo: anti-neurótico, anti-stress, sonífero, tranquilizante, regulador, analgésico, anestésico, equilibrador do sistema cardiovascular e do metabolismo.

Está demonstrado através de estudos científicos que os efeitos da musicoterapia podem ser utilizados nas diversas áreas da saúde, nomeadamente na área da maternidade.

O nascimento é o momento em que se dá a separação de dois seres. Dois seres que partilharam uma relação de intimidade durante nove meses. Assim o parto não é somente um processo fisiológico mas também um processo social.  Neste processo existem alterações nas relações entre mulher/família e o meio onde está inserida. (Martins; Mira; Gouveia; 2007:46).

Estudos realizados com a ajuda da ecografia e sob a análise de psicanalistas, revelaram que o feto é um ser que ouve, compreende, sente e reage. Demonstra ser sensível ao tom de voz, suave ou agressiva, reage também aos barulhos intensos e ao estado emocional do ambiente externo. Às vinte semanas este responde ao som e á melodia.

Quando a mãe comunica com o feto, este reconhece o timbre emocional da voz da desta.

Assim, ao ouvir musica calma, o desenvolvimento do feto é influenciado de uma forma positiva.

A forte ligação entre o som/música e memória/aprendizagem pré-natal tem sido demonstrada em experiências formais, observação dos pais, relatórios clínicos e relatos na primeira pessoa. A música, o som e o desenvolvimento humano estão intimamente ligados.

Na memória de um bebé são guardadas todas as sensações que lhe foram transmitidas pela mãe ao longo da gravidez. O feto ao ser sensível às ondas sonoras, sentir-se-á mais calmo se no decorrer do trabalho de parto, a mãe lhe proporcionar melodias que lhe são familiares. Compositores clássicos, tais como Bach, Vivaldi, Mozart e Strauss são os mais solicitados devido às suas melodias orquestradas e agradáveis. No caso do rock e Samba os seus sons fortes e agressivos dificultam a interacção da mãe e bebé.

O ambiente da sala de partos para os casais poderá ser considerado como estranho. Assim a música (principalmente a escolhida por estes) poderá reduzir o stress e a ansiedade. A utilização da música poderá ser considerada como um fenómeno que ajuda a encontrar no trabalho de parto uma experiência menos traumática e o mais agradável possível.

Para Browning (2000), a utilização da música durante o trabalho de parto traz benefícios. Ou seja, ajuda na respiração, relaxamento, distracção/controle da dor.

Phumdoung, Good (2003) acrescenta que a música pode ser utilizada no início do trabalho de parto, tendo como objectivo ajudar as mulheres a encarar as contracções de uma forma mais relaxada.

A música escolhida pelos pais torna todo o processo mais pessoal.

Assim, o bebé chega e este mundo com música, sons e vozes que lhe são familiares. O nascimento torna-se um momento especial e o som musical preferido dá-lhe mais beleza. Todo este processo é vivenciado de uma forma única e estimulante.

A dor e o prazer aparecem como duas formas distintas e relacionadas no decurso do nascimento. Assim a música pode revelar tanto o esforço físico como a alegria do momento. Os benefícios da musica podem ser empregados tanto durante o parto vaginal, com ou sem analgesia, como durante uma cesariana.

Em suma, a utilização da musicoterapia é um aspecto importante para a distracção e o relaxamento da mulher. Focar a atenção na música faz com que se abstraia do ambiente envolvente, encarando o trabalho de parto como um fenómeno de tempo limitado que lhe irá oferecer alegria e felicidade.

 

Por Ana Filipa Ferreira,  Enfermeira Especialista em Saúde Materna e Obstetrícia

O que é o Attachment Parenting, ou Criação com Apego?

Durante a gravidez a mãe e o pai imaginam o futuro bebé. Carregam a sua imagem com as suas expetativas e fantasias e, no dia do nascimento, confrontam-se com o bebé real.

Desde a gravidez que se inicia o processo de ligação emocional ao bebé e chamamos de vinculação a esta relação que se estende entre o bebé e os pais. A investigação na área da vinculação sugere que os bebés nascem com fortes necessidades de ser alimentados e de permanecer fisicamente próximos do cuidador principal, normalmente a mãe, durante os primeiros anos de vida. O desenvolvimento emocional, físico e neurológico da criança é amplificado quando as necessidades básicas são atendidas consistentemente e apropriadamente. Daqui surge um estilo de parentalidade, chamado de attachment parenting, que se baseia neste importante acontecimento, a vinculação.

O attachmente parenting baseia-se em oito princípios básicos que passo a descrever sucintamente.

  1. Em primeiro lugar, é fundamental preparar a gravidez, o parto e a parentalidade. Isto implica refletir acerca das experiências próprias da infância, trabalhando a ambivalência relativamente à gravidez e preparando o parto. Adquirir conhecimentos nesta fase pode prevenir algumas dificuldades, assim como preparar o parto e tomar opções acerca de escolhas importantes que envolvem todo o processo.
  2. O segundo princípio aborda a alimentação, salientado a importância de o fazer com amor e respeito. Relativamente aos bebés, reforça-se a importância da amamentação. A amamentação satisfaz as necessidades alimentares e relacionais do bebé, mais do que qualquer outro tipo de alimentação, com o bebé a ser amamentado em horário livre. Paralelamente, a amamentação conforta naturalmente o bebé. A amamentação continua a ter benefícios para além dos 12 meses de vida, sendo o desmame um processo natural. Paralelamente a alimentação sólida nunca deve ser forçada à criança.
  3. Responder com sensibilidade. Isto significa que os bebés precisam de ajuda externa para se acalmarem. O adulto pode dar uma resposta consistente e sensível às necessidades do bebé, sendo o contacto físico benéfico e é natural que os bebés o solicitem muitas vezes. Deixar um bebé a chorar não é útil para o seu desenvolvimento.
  4. Usar o contacto afetivo é o quarto princípio, pois para o bebé este contacto estimula a hormona do crescimento, melhora o desenvolvimento intelectual e motor e ajuda a regular a temperatura corporal, batimentos cardíacos e padrões de sono. O contacto pele-a-pele é especialmente eficaz e algumas formas de o promover são: massagens ao bebé, banhos em conjunto, amamentação e babywearing.
  5. Em quinto lugar, importa promover um sono seguro do ponto de vista emocional e físico. Os bebés necessitam de cuidados noturnos, de forma semelhante ao período diurno. Desta forma, cada família deverá encontrar a forma que melhor responde a estas necessidades noturnas, tendo presente que é natural que os bebés acordem de noite, necessitem de contacto físico e de ser alimentados.
  6. A promoção de um cuidado consistente significa que em vez de tentar fazer com que o bebé se adeque a uma rotina que existia antes da sua chegada, se encontrem formas criativas para desenvolver novas rotinas que envolvam o bebé. Quem cuida do bebé deve ser consistente, não incluindo muitos cuidadores diferentes. Ou seja, o pai, a mãe, os avós e, se necessário uma pessoa externa, é o ideal.
  7. A utilização de uma disciplina positiva é o sétimo princípio e envolve o uso de técnicas como prevenção, distração e substituição para guiar gentilmente os filhos para longe do perigo. Disseminar medo nos filhos não tem qualquer utilidade, e cria sentimentos de vergonha e humilhação. O medo leva a um risco maior de comportamento anti-social no futuro, incluindo a prática de crimes e abuso de substâncias. A investigação sugere que bater ou aplicar outras técnicas de disciplina física podem criar problemas emocionais e comportamentais.
  8. Finalmente, é fundamental o equilíbrio entre a vida pessoal e familiar. Os pais são encorajados a aproveitarem o dia de hoje e a aceitarem o facto de que ter filhos muda as coisas. É importante que tracem metas realísticas e que não tenham medo de dizer “não”. Transformem deveres de pais que são “desagradáveis” em coisas agradáveis e sejam criativos para encontrar maneiras de ter um tempo a dois.
    Dentro da família, cada um deve reservar um tempo para si mesmo.

Este estilo de parentalidade tem por objetivo promover a ligação emocional entre pais e filhos, focando-se na vinculação e prevenindo dificuldades no futuro. As crianças mais amadas e compreendidas são as mais felizes e transformam-se em adultos saudáveis emocionalmente e resilientes face ao exterior, pois sabem com segurança de onde vieram.

 

Por Marta Russo, Psicóloga Clínica /Psicoterapeuta

 

A depressão pós-parto não é banal

Muitas vezes vemos posts, cartoons, textos e desabafos acerca de uma mãe extremamente cansada e esgotada, quando percorremos as redes sociais.

Efetivamente, a maternidade exige uma grande mudança, implicando uma alteração ao estilo de vida, diminuindo a disponibilidade para outras tarefas e mudando a identidade da mulher. No entanto, não podemos confundir estas alterações normais e saudáveis com uma depressão pós-parto. É negligente desvalorizar sentimentos tão fortes e intensos que constituem uma patologia bem descrita e conhecida.

Banalizar o sofrimento não acaba com ele e pode levar a que uma mulher deprimida não peça ajuda, podendo pensar que é normal que se sinta assim tão em baixo. Na realidade, não é normal estar deprimido em nenhuma fase da vida, incluindo no puerpério e, mais à frente, no decorrer da infância da criança.

A depressão é uma doença e pode ser tratada com a ajuda certa. A psicoterapia torna-se uma ferramenta fundamental para ultrapassar esta patologia e para evitar futuras recaídas, a par com a avaliação do médico para eventual intervenção psicofarmacológica. Uma depressão pós-parto que não é tratada, pode perdurar anos e não é raro receber pacientes em consulta com queixas depressivas que, ao procurarmos o início dos sintomas, vamos encontrar o nascimento de um filho que pode até já ser adolescente.

Diferente do blues pós-parto, em que existe uma perturbação breve e moderada do humor, num número muito elevado de mulheres, e também diferente da psicose puerperal, que atinge um número reduzido de mulheres e que se trata de uma perturbação psicopatológica grave, a depressão pós-parto surge por volta do 2.º ou 3.º mês após o nascimento do bebé. Os sintomas podem ser menosprezados porque estão associados ao cansaço e ao desgaste provocados pela acumulação dos cuidados a prestar ao bebé. No entanto, importa perceber se estes sintomas são intensos e permanecem no tempo: tristeza, perda de interesse, alterações no apetite, perturbações do sono, perda de energia, pessimismo ou culpabilidade, ideação suicida. Paralelamente, na depressão pós-parto os sintomas físicos costumam estar mais exacerbados: cefaleias, cansaço extremo, choro fácil, etc.. De acordo com a literatura, existem poucas evidências de que a depressão pós-parto esteja associada apenas a mecanismos biológicos (alterações hormonais e metabólicas). Neste sentido, muitos autores têm evidenciado a importância dos fatores biológicos, obstétricos, sociais e psicológicos como causas conjuntas para a depressão pós-parto.

O suporte social é fundamental na prevenção da depressão pós-parto, com o cônjuge e a família como prestadores principais da mulher.

Uma gravidez não desejada, as dificuldades na amamentação ou um parto difícil, podem ser o rastilho para o declínio do bem estar psicológico da mãe.

Importa aqui salientar que uma mãe deprimida está em sofrimento e precisa de ajuda. A culpabilidade característica da doença, juntamente com a conivência do exterior, pode levar esta mãe a não pedir ajuda, afetando a evolução dos sintomas, a relação conjugal e a relação mãe-bebé. A mãe deprimida pode sentir-se menos competente, menos ligada emocionalmente ao bebé, mais dependente de terceiros e mais isolada socialmente. E assim chegamos de um extremo a outro: num lado temos a “super-mãe”, fiel aos seus instintos, capaz de tudo, cuidadora incansável e ultra-resistente à frustração; do outro lado temos uma mãe que luta contra todas as dificuldades, internas, físicas e do exterior e que acaba o dia desesperada, mas que recebe uma certa confirmação do senso comum de que é normal sentir-se assim.

Nenhuma mãe é perfeita, mas é suposto que possa viver a maternidade de uma forma positiva e satisfatória.

Não isenta de frustrações, a maternidade dá à mulher uma resposta emocional sobre que filha fomos e que mãe somos agora… em que mulher nos tornámos. E é suposto que sejamos capazes de usufruir do lado positivo da maternidade, sem lentes depressivas que ofusquem essa maravilhosa experiência.

A depressão pós-parto não é banal e deve ser tratada.

Por Marta Russo, Psicóloga Clínica /Psicoterapeuta, Healthy Mommy

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O sorriso é o primeiro comportamento social óbvio do bebé. Mas como começa esse sorriso e será ele sempre social?

Logo nos primeiros dias após o nascimento conseguimos observar certos tipos de sorrisos nos recém-nascidos. Estes sorrisos primitivos envolvem a boca e a face, mas parecem não chegar aos olhos e à fonte, parece faltar-lhes o caráter afetivo e emocional do verdadeiro sorriso. Este sorriso é espontâneo e podemo-lo observar durante o sono do bebé, ou seja, quando este não está desperto para os estímulos do mundo exterior.

Por volta da segunda semana de vida, este sorriso torna-se mais específico, verificando-se, na maior parte dos casos, na presença de pessoas.

Na terceira semana os sorrisos são mais “verdadeiros”, mas não duram tanto como os autênticos sorrisos sociais. São provocados por estímulos do mundo exterior e já não parecem espontâneos, sendo o estímulo mais efetivo o da voz feminina.

Às seis semanas, o bebé sorri ao rosto humano. Este estímulo parece ser o mais eficaz de todos os estímulos possíveis para provocar o sorriso de um bebé de seis semanas, ultrapassando já a voz.

Este grande progresso do sorriso também evolui com o desenvolvimento cognitivo do bebé, sendo que o sorriso vai indicando um prazer intelectual, um prazer em descobrir algo acerca da estrutura causal do mundo e um prazer em controlar uma parte desse mundo.

A ausência do sorriso torna-se um grande alerta em termos de avaliação do desenvolvimento emocional e cognitivo adequado do bebé. Este instrumento tão potente nas relações humanas permite-nos perceber a ligação do bebé ao mundo exterior e torna-se um veículo, entre outros, para a relação pais-bebé.

 

Por Marta Russo, Psicóloga Clínica e Psicoterapeuta

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Os maiores receios e dúvidas das mães durante a vivência da maternidade são em relação ao aleitamento materno. Hoje em dia, ainda, existem dúvidas e incertezas, tais como: será que o bebé está a ser bem alimentado só com leite materno, “será suficiente”, “como sei que ele já está satisfeito”, “ele não pega”, “ele não mama”, “ o meu leite é fraco”.

Os profissionais de saúde em especial os enfermeiros que participam no processo da amamentação têm um papel importante/indispensável, pois possuem a capacidade de desmistificar os anseios/receios das mães sobre este tema. É importante perceber que a enfermagem tem um compromisso assistencial neste processo do vínculo mãe-filho e no estabelecimento e promoção da interação afetiva/vinculação entre ambos.

Segundo Levy e Bértolo o sucesso do aleitamento materno passa pela qualidade de interacção entre mãe e bebé, durante a mamada, pois é neste momento que se cria a oportunidade do contacto físico e visual, a cooperação mútua entre mãe e filho. “Uma boa interacção entre a mãe e o bebé durante a mamada pode ser definida como uma valsa na qual cada um dos interlocutores, emite sinais um ao outro, sinais esses que são descodificados, dando origem a comportamentos de resposta contingente e adequada, conduzindo a uma adaptação mútua de mãe e bebé, cada vez mais rica e complexa.”

A amamentação é sinónimo de sobrevivência para o recém-nascido e é uma prática eficaz e natural. É um processo cujo sucesso depende não só de factores históricos, sociais, culturais mas também de conhecimento técnico-científico dos profissionais de saúde envolvidos na promoção, incentivo e apoio ao aleitamento materno.

Para que o aleitamento materno seja considerado um sucesso é fundamental que a amamentação seja a mais prolongada possível. É importante observar a qualidade da interacção entre mãe e bebé, durante a mamada, pois este proporciona a oportunidade de contacto físico e visual e a vivência da cooperação mútua entre eles. Sentimentos positivos, de confiança e segurança são essenciais para a manutenção da lactação sendo assim o papel do pai fundamental.

“Amamentar é uma arte que se aprende”. Algumas mães têm facilidade em amamentar, no entanto outras encontram algumas dificuldades e contrariedades que impedem o sucesso do aleitamento materno.

Sendo o enfermeiro, um dos profissionais que mais estreitamente se relaciona com a mãe, é fundamental que este tenha em atenção os aspetos já referidos anteriormente. A comunicação deverá simples e objectiva, durante o incentivo e apoio ao aleitamento materno, demonstrando diversas posições, promovendo o relaxamento e posicionamento confortável e mostrando como estes podem serem usados para ajudar na adaptação do recém-nascido ao seio da mãe.

Assim, quer em meio hospital, quer nos centros de saúde ou outras unidades de saúde direccionadas para a maternidade existem sempre profissionais qualificados dispostos a ajudar as mães a ultrapassar com sucesso o desafio chamado Amamentação…..

Ana Filipa Ferreira, Enfermeira Especialista em saúde Materna e Obstetrícia

Bibliografia: BÉRTOLO, Helena; LEVY, Leonor – Manual de Aleitamento Materno. Edição Comité Português para a UNICEF/ Comissão Nacional Iniciativa Hospitais Amigos dos Bebés. 2002.ISBN 96436.

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O cancro na criança ou cancro infantil é uma realidade de que todos já ouvimos falar. A sua incidência em Portugal é idêntica à registada nos outros países, e acontece, no nosso país, em cerca de 320 crianças, de novo, em cada ano.

No entanto, é importante saber que o cancro infantil difere, em muitos aspectos, da doença do adulto.

Para além da sua menor frequência, a incidência familiar só acontece em cerca de 10% dos casos e em tipos de cancro bem definidos.

Ao contrário do adulto, em que grande parte das doenças pode ser prevenida com estilos de vida saudável, e outras com vigilância regular e rastreios em caso de tendência familiar, não há formas de prevenção conhecidas na doença da criança.

Também nada a relaciona com a classe social, com a raça ou  com a forma como a criança é cuidada.

A natureza biológica da doença na criança, que a torna mais rápida, e, portanto, mais precocemente identificada, também a torna mais sensível à quimioterapia e à radioterapia; por esse motivo, a taxa de cura, no conjunto de todas as doenças oncológicas da criança, ultrapassa, actualmente os 75%. Para algumas delas, nomeadamente o tipo de leucémia mais frequente, ultrapassa os 80%.

As taxas de cura são idênticas à dos outros países, e os esquemas de tratamento idênticos e estudados em conjunto na comunidade internacional. Apenas alguns casos, pela sua raridade, são encaminhados para centros que neles tenham acumulado mais experiência.

Dado que a sua sintomatologia é muito variável, dependendo do tipo de doença presente, a enumeração de sintomas, que na maioria das vezes são banais, mais não serviria que para causar ansiedade inútil nos pais.

Os pais apenas devem estar atentos aos seus filhos. Que pais não reparam quando algo de diferente acontece com o seu filho? Cabe aos médicos assistentes, e não aos pais, valorizar essas alterações.

Cuidemos dos nossos filhos com muito amor e atenção; para os pais basta como recomendação.

Filomena Pereira, Pediatra, Healthy Mommy

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