Mariana, Filha da Alienação Parental

A consciência vem com o tempo. E Mariana, nome fictício, ainda tem 9 anos. Não sabe o que significa Síndrome de Alienação Parental (SAP). Nem tinha de o saber. Mas, sente, todos os dias, embora, não o admita. Não o faz de propósito. Ela, tal como muitas das vítimas deste distúrbio de comportamento, ainda não se consegue soltar das amarras que lhe toldam o comportamento e a condicionam na relação com o pai.

Mariana, Filha da Alienação Parental foi programada, de forma subliminal, para o menosprezar desde o dia em que o pai ganhou coragem para sair de casa e pôr fim ao casamento.

Da boca da mãe é frequente ouvir expressões que desqualificam o outro progenitor: “o teu pai abandonou-nos, a ti e a mim, ele não presta, é um bandido!” Uma campanha de difamação ao serviço de uma intenção clara com fins perversos: tentar afastar a filha do pai e destruir o vínculo afetivo entre ambos. Chega a ser tão intensa e descarada a manipulação que, na escola, Mariana até deixou de usar o apelido do pai.

Longe da mãe, a menina já aprendeu, todavia, que não tem de ser o que, na casa materna, exigem que seja. Um grande passo no patamar da consciência.

De quinze em quinze dias, ao fim-de-semana, quando está com o pai é uma criança, aparentemente “normal” e dá sinais constantes de felicidade. Brinca, abraça o pai, beija-o. Diz que o ama. Escreve-lhe cartas, às escondidas. A mãe não pode saber.

É domingo. E o dia está a acabar. Cheira a despedida. Mariana faz a mala para regressar. Aos poucos, vai incorporando a personagem do costume. Serão assim os próximos 15 dias. Antes do último beijo, deixa para trás, os novos brinquedos que tanto gosta, sempre esquecidos, de propósito, no carro do pai, para a mãe não ver. Parece um relógio suíço.

Os números ainda estão por revelar. Não há contabilização estatística. Em Portugal, não se sabe, ao certo, quantas crianças, como Mariana, são reclusas da manipulação parental. Sabe-se, no entanto, que há cada vez mais casos de SAP identificados pelas comissões de proteção de crianças e jovens (CPCJ).

O perfil do progenitor que aliena o outro é variável. Segundo alguns estudos, a maior parte das vítimas são homens. Mas, também há mulheres. A alienação parental sempre existiu. É um crime que, em Portugal, não raras vezes, resulta impune, por falta de mecanismos legais de prevenção e punição. E pode gerar, de facto, um efeito devastador na vida das crianças.

Os sintomas ansiosos e depressivos são cada vez mais comuns e acabam, depois, por se refletir, não só ao nível das alterações comportamentais e psíquicas, como também, no rendimento escolar.

Algumas crianças podem mesmo desenvolver distúrbios psiquiátricos: depressão; ansiedade; fobias e medos variados; doenças psicossomáticas; baixa auto-estima; dificuldades relacionais e na capacidade de estabelecer vínculos amorosos, transtornos de identidade, entre outros.

A exclusão de um dos progenitores da vida do filho, como referiu a pediatra e psicanalista francesa, Françoise Dolto, “constitui a anulação de uma parte dele, enquanto pessoa, representando a promessa de uma insegurança futura, já que somente a presença de ambos permitiria que ele vivenciasse de forma natural os processos de identificação e diferenciação, sem prejuízos emocionais na constituição da sua personalidade“.

Tal como muitas crianças, Mariana é usada como instrumento da agressividade alheia. Uma arma de arremesso. Um pequeno exemplo, de 9 anos, de uma triste realidade, cada vez mais comum.

 

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Bullying na escola, o que fazer?

Se o seu filho é repetidamente alvo de gozo, insultos ou comportamentos agressivos por outras crianças, então é provável que esteja a sofrer de bullying na escola.

Se isto se confirmar, é fundamental conhecer as medidas a tomar em caso de bullying:

  1. Em primeiro lugar, reúna os factos: fale com o seu filho acerca do que se está a passar, quem está envolvido, onde e quando ocorreu. Quanto mais perguntas fizer, mais informação conseguirá obter;
  2. Anote os dados: tente recriar uma linha do tempo com todos os acontecimentos;
  3. Antes de ir à escola, conte a história a alguém próximo de si ou da sua família, assegurando-se de que está a restringir-se aos factos e o mais objectivamente possível;
  4. Informe-se se a escola contempla alguma tipo de regra ou medidas específicas para denunciar uma situação de bullying;
  5. Fale primeiro com o professor titular, não vá logo para a direção. O professor é o seu maior aliado. Pergunte-lhe se ele tem algum conhecimento desta situação, conte-lhe a história de bullying do seu filho e reúna-se com ele novamente no espaço de uma semana, para tentar avaliar se a situação persiste ou se, pelo contrário, já se encontra resolvida;
  6. Se o bullying continuar, então sim deverá, juntamente com o professor, falar com a direção da escola. Tente averiguar de que forma a direção vai lidar com o assunto.

Mais importante ainda do que conhecer os passos a tomar perante uma situação de bullying, é fundamental capacitar o seu filho a defender-se e saber como reagir quando confrontado com uma eventual situação de bullying.

Os pais são, muitas vezes, os últimos a saber destas ocorrências, e a verdade é que não pode estar sempre presente quando o seu filho precisa de proteção, sobretudo em situações que ocorram maioritariamente dentro do recinto escolar.

Abaixo damos-lhe uma série de estratégias que poderão ajudar o seu filho a responder de forma eficaz sempre que os colegas ajam agressivamente contra ele ou contra outros:

1.Definir bullying

Use a palavra bullying em casa, encoraje o seu filho a usá-la para descrever o que o bullying verdadeiramente é. O bullying é uma coisa muito séria, um comportamento intencional que faz sofrer e que acontece repetidamente. E acima de tudo, esclareça-o de que o bullying é algo que não é aceitável.

2. Ensinar a respeitar e a ser respeitado

Relembre o seu filho de que, tal como não é aceitável que os outros gozem com ele, também não é aceitável que o seu filho goze com os outros, mesmo sob o argumento de que “toda a gente o faz” ou de que isso o faça parecer “fixe” aos olhos dos amigos.

3. Denunciar

Relembre o seu filho de que, perante uma situação de bullying, seja presencial ou on-line, ele tem sempre a possibilidade de escolher entre ser um observador passivo ou alguém que toma uma atitude. O seu filho tem a responsabilidade de denunciar os “bullies” aos adultos que podem ajudar. Diga-lhe que isto não significa ser “queixinhas”, mas sim uma atitude de compaixão e preocupação por outra criança. Isto gerará uma onda de solidariedade: quanto mais ele cuidar de outros alunos, maior a probabilidade de eles o ajudarem a defender-se contra “bullys” também.

4. Proteger e orientar

Garanta ao seu filho que ele não vai arranjar problemas ao contar a sua experiência de bullying a um adulto de confiança. Isto é válido tanto para incidentes que ocorram com ele, como para outra criança. Ajude o seu filho a perceber com quem deve falar nas diferentes circunstâncias.

5. Prevenir

Faça role-play de formas a responder ao bullying: ajude o seu filho a pensar em formas de reagir quando é gozado em diferentes circunstâncias. A quem contaria se alguém o andasse a empurrar no autocarro? O que é que ele diria a alguém que o insultou? Como é que deveria reagir se outros a alunos o excluíssem de um jogo?

Diga-lhe como agir:

  1. Ignorar o “bully”, sempre que possível;
  2. Afastar-se ou ir-se embora, se conseguir;
  3. Dizer ao “bully” para parar, em voz alta. Mesmo que se sinta nervoso, deve tentar falar e agir com confiança.
  4. Pedir ajuda a amigos e colegas;
  5. Tentar não se emocionar;
  6. Evitar responder também com bullying. Retaliação pode ser perigosa;
  7. Contar sempre a um adulto (professor, pais, auxiliar, etc) depois do sucedido.

Nem sempre o nosso filho é vitima de bullying. E se for o agressor, o que fazer neste caso?

O seu filho goza com outras crianças?

Tem tendência para ficar de castigo e ser advertido por problemas no recreio?

Talvez esteja a “cometer” bullying.

Estas crianças normalmente precisam de se sentir em controlo, têm dificuldade em gerir as suas emoções e em fazer amigos, por vezes podem mesmo sentir-se frustrados devido a dificuldades de aprendizagem ou atencionais. Mesmo que este tipo de comportamento possa ser explicado, é importante que o seu filho saiba que, quando goza com outras crianças, está a ser “bully”. Ensiná-lo a gerir as suas emoções e ações é a melhor forma de acabar com este tipo de comportamento:

1. Deixe claro que não aceita este tipo de comportamento

Explique ao seu filho que não acha piada, engraçado ou aceitável magoar e gozar com os outros. Isto é válido tanto para os colegas como para os irmãos;

2. Reveja os incidentes calmamente

O que fizeste? Porque é que foi uma má escolha? A quem é que as tuas ações magoaram? O que é que estavas a tentar conseguir? Da próxima vez, como podes atingir esse objetivo sem magoar outras pessoas?

3. Arranje consequências consistentes para este tipo de comportamento

Ex: O seu filho terá que pedir desculpa a quem magoou ou gozou e emendar o mal que fez. Seguidamente, terá que haver uma consequência negativa do seu comportamento: ficar sem acesso ao computador, televisão ou telemóvel, ou então não fazer as atividades que tinha planeadas durante um período de tempo. Estas consequências podem ser mudadas/ajustadas, mas certifique-se de que o seu filho toma conhecimento dessa mudança;

4. Esteja SEMPRE informado acerca do comportamento do seu filho

Com quem é que o seu filho se dá? Tente perceber o comportamento do seu filho em diferentes áreas da sua vida. Mal assista a um comportamento menos apropriado, seja assertivo e aja imediatamente Isto ajuda a criança a compreender que esse comportamento é inaceitável.

5. Transmita aos seu filho a “normalidade” de ser-se bom para os outros

Faça com que o seu filho repare no universo em seu redor, em que o “normal” é as pessoas serem simpáticas, atenciosas e generosas umas com as outras. Quando passam tempo juntos, chame a atenção quando vir alguém a agir de forma atenciosa e correta. Participem juntos em ações de voluntariado, de modo a estimular o seu filho a ajudar os outros. Valorize o seu filho, sempre que ele for atencioso ou sempre que ele consiga gerir as suas emoções de forma adequada.

Quer o seu filho esteja a ser vítima de bullying, que seja o próprio agressor ou um mero espectador, ensine-o a agir da maneira mais adequada em qualquer uma destas situações

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