PHDA: O meu filho tem hiperatividade ou é apenas irrequieto?

“Sempre que crianças ou jovens revelem alguns dos sinais de alerta relacionados com a PHDA, pais e professores devem procurar quanto antes uma avaliação mais detalhada junto de técnicos especializados”

À medida que crescem, é expectável que as crianças vão ganhando cada vez mais controlo sobre o seu comportamento, tornando-se mais capazes de regular e controlar as suas reações ao que lhes acontece. Por exemplo: numa situação de frustração ou de zanga, a criança aprende a responder de forma menos impulsiva e/ou agressiva; num contexto em que seja necessário esperar, a criança aprende a ter mais paciência e a aguardar pela sua vez.

No entanto, esta aprendizagem não é automática.

Pelo contrário, e tal como em qualquer outro tipo de aprendizagem, a criança evolui através de tentativa e erro, isto é, cometendo erros e aprendendo com e através destes. Só assim poderá compreender profundamente aquilo que dela é esperado, e como deve comportar-se nas diversas situações. Tais erros correspondem, muitas vezes, àquilo a que tipicamente se designa por “maus comportamentos”. Crianças mais irrequietas e/ou curiosas tendem a “portar-se mal” com mais frequência, e a ter mais comportamentos desafiantes e de oposição.

Distinguir claramente estes maus comportamentos de comportamentos hiperativos nem sempre é fácil; por um lado, uma criança impulsiva que age e fala sem pensar pode ser facilmente confundida como tendo falta de disciplina na sua educação. Por outro lado, uma criança mais lenta e passiva pode ser interpretada como meramente desmotivada. De igual modo, é mais fácil reparar no comportamento disruptivo de uma criança impulsiva e/ou com hiperatividade, em comparação a uma criança que seja mais discreta e que passe muito tempo alheada de tudo, a “sonhar de olhos abertos”.

Como distinguir uma coisa da outra?

O que é a Hiperatividade?

As principais características de uma criança com Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA) – falta de atenção, hiperatividade e impulsividade – aparecem cedo na sua vida. Dado que muitas crianças podem também, ocasionalmente, apresentar estes sintomas, cuja origem pode também estar noutras causas – como a depressão e a ansiedade – o diagnóstico da PHDA não é fácil de fazer.

Para ser diagnosticada com PHDA, a criança tem de apresentar, simultaneamente, as seguintes características:

1) Irrequietude motora;

2) Reduzido controle sobre a sua impulsividade;

3) Comportamento de oposição;

4) Dificuldades de atenção e concentração.

Alguns dos sinais de alerta mais importantes são:

  • Dificuldade de concentração;
  • Dificuldade em prestar atenção a detalhes;
  • Dificuldade em prestar atenção ao que lhe é dito;
  • Dificuldade em cumprir regras e seguir instruções;
  • Tendência para desviar a sua atenção para outras atividades diferentes da que está a realizar;
  • Tendência para não concluir as diferentes tarefas/atividades que inicia;
  • Tendência para ser desorganizado;
  • Tendência para evitar atividades que exijam da sua parte um esforço cognitivo continuado e persistente;
  • Tendência para distrair-se frequentemente com coisas alheias àquilo que está a fazer;
  • Tendência para esquecer-se de compromissos e tarefas previamente estabelecidos;
  • Tendência para esquecer-se e aborrecer-se facilmente com tarefas que considera demasiado complexas;
  • Tendência para apresentar agitação motora (por exemplo, mexer os pés e/ou as mãos), mesmo quando se encontra sentado;
  • Dificuldades em ficar sentado por períodos de tempo mais longos;
  • Tendência para mexer-se demasiado em situações inapropriadas (por exemplo, na sala de aula, à mesa das refeições, entre outros);
  • Sensação interna de inquietude;
  • Tendência para ser demasiado barulhento em atividades de lazer;
  • Tendência para ser excessivamente agitado;
  • Tendência para falar em excesso e para não pensar antes de falar;
  • Tendência para responder a perguntas antes de as ter escutado até ao fim;
  • Dificuldades em ser paciente e esperar pela sua vez;
  • Tendência para interromper as pessoas, e intrometer-se em conversas alheias ou jogos nos quais não está a participar.

Para ser considerada PHDA, estes sintomas têm de verificar-se de forma consistente, isto é, em todos os contextos da vida da criança – em casa, na escola, a brincar com os amigos, em contextos familiares, etc. – e não apenas de forma esporádica, despoletada por fatores ou situações específicas.

O que fazer se o meu filho apresentar sinais de alerta de hiperatividade (PHDA)?

Sempre que crianças ou jovens revelem alguns dos sinais de alerta relacionados com a PHDA, pais e professores devem procurar quanto antes uma avaliação mais detalhada junto de técnicos especializados, dado que o sucesso da intervenção será tanto maior quanto mais cedo forem detetadas e intervencionadas estas situações. O diagnóstico e a intervenção na PHDA são realizados por psicólogos clínicos, psicopedagogos, psicólogos educacionais e neuropediatras. A avaliação consiste geralmente numa entrevista inicial aos pais, seguida de três sessões com a criança e de uma entrevista aos seus professores. Nesta fase de decisão é fundamental ter-se em conta os diferentes fatores que estão a provocar o comportamento inerente ao quadro de PHDA para posteriormente se decidir pela intervenção terapêutica mais adequada às necessidades de cada criança.

E se o meu filho tiver dificuldades de aprendizagem e de atenção?

Se for o caso do seu filho, saiba que não está sozinho. Uma em cada cinco crianças manifesta dificuldades de aprendizagem e de atenção

Não desespere, nem fique apreensivo. Más notas na escola não significam necessariamente falta de inteligência ou qualquer perturbação intelectual. Não. Podem indiciar várias coisas, por exemplo, falta de estudo, desorganização e até fracasso no acompanhamento que a criança tem em casa e na respetiva instituição de ensino.

Antes de mais, tenha a certeza da origem do problema. Um diagnóstico errado pode comprometer o sucesso da intervenção.  Hoje em dia já existem terapêuticas especializadas que permitem às crianças desenvolver percursos normais, tanto nas aulas, como na escola da vida.

Se for o caso do seu filho, saiba que não está sozinho. Uma em cada cinco crianças manifesta dificuldades de aprendizagem e de atenção. Procure um especialista logo que perceba que a criança não está a conseguir acompanhar o ritmo dos desafios escolares.

Há importantes passos que podem e devem ser seguidos. Conheça alguns:

1 – Identifique as principais dificuldades, como se manifestam e as competências já adquiridas

Os desafios superados e não superados na escola e em casa devem ser devidamente identificados. Dificuldades de aprendizagem e de atenção podem revelar-se em idade pré-escolar e refletir-se ao nível da leitura, escrita, matemática, organização, concentração, compreensão auditiva, habilidades sociais ou habilidades motoras. Não raras vezes confundem-se estes problemas com preguiça e falta de inteligência. Fique atento aos primeiros indícios. Podem ser importantes sinais de alerta.

2 – Saiba identificar as diferentes fases do desenvolvimento da criança

A tarefa até pode não ser fácil, mas saber distinguir as diferentes etapas desenvolvimentais é muito importante. Identifique as características de cada etapa e as respetivas competências que devem ser apreendidas em cada momento. Identificar eventuais problemas pode ser complexo se não tiver a certeza das competências específicas expetáveis para cada uma das diferentes idades da criança. Saiba o que esperar desde o pré-escolar ao ensino superior.

3 – Tome nota das suas preocupações

Observe a criança e anote os pontos fracos e fortes.  As coisas aparentemente insignificantes, por vezes, têm mais importância do que aquelas que lhe queremos dar.  Os padrões de comportamento podem abrir caminho às soluções.  Por exemplo, se perceber que a criança tende a ficar frustrada com a leitura, escrita ou com a falta de acerto nos exercícios de matemática, ajude-a a ultrapassar esse sentimento, apoiando-a na busca de respostas. Saber identificar onde está a fonte do problema é meio caminho andado para que consiga ter uma vida normal e feliz. Se, por outro lado, tiver referenciadas as principais competências da criança, tornar-se-á mais fácil ajudá-la a melhorar.

Anote as principais dificuldades que vão surgindo no dia a dia.

4 – Mantenha-se em contacto permanente com a escola e com a própria criança

É essencial manter a porta do diálogo aberta, na escola e em casa. Fale com os professores. Oiça a criança e nunca desvalorize as queixas. Tente perceber, se possível diariamente, as suas dificuldades, as principais angustias e os maiores receios. Não consegue ler e escrever? Não acerta as contas da matemática? Tem dificuldades em concentrar-se nas aulas e, por exemplo, fazer amigos? É muito importante que a criança consiga verbalizar o que sente. Só conseguindo identificar as dificuldades as podemos ajudar a resolver.

5 – Fale com o médico da criança

Marque uma consulta e discuta todas as preocupações que anotou anteriormente. Partilhe com o pediatra as dificuldades que a criança sente na escola e em casa ao nível do desenvolvimento global. Avalie a necessidade de uma intervenção precoce através de uma equipa multidisciplinar. Um especialista definirá o melhor plano terapêutico em função da especificidade de cada caso concreto.

6 – Discuta a necessidade de uma intervenção precoce

Há múltiplas possibilidades de ajuda, dependendo da idade da criança. Procure uma avaliação em intervenção precoce. Essa avaliação fornece informações que podem ser essenciais no sentido de identificar eventuais problemas da criança e, posteriormente, definir estratégias capazes de o orientar em casa e na escola. Fique atento, por vezes a escola pode falar sobre dificuldades de aprendizagem e de atenção de maneira diferente dos especialistas. E os desafios da criança nem sempre são vistos da mesma forma.

7- Considere consultar com um especialista

Questione o pediatra sobre um possível encaminhamento para um especialista que possa confirmar ou descartar eventuais problemas de aprendizagem e atenção. Existem intervenções eficazes, mesmo para os casos que se afiguram mais difíceis, podendo, por vezes, ser aplicados em diferentes contextos de interação, quer em casa, quer na escola. Uma avaliação psicopedagógica representa o primeiro passo para o bem-estar da criança.

8 – Conheça outras realidades

Conhecer outras histórias ajuda-nos a enfrentar os nossos problemas. Leia experiências pessoais de pais de crianças com dificuldades de aprendizagem e atenção. Descubra o que aprenderam.  Considere fazer parte de associações de pais cujos filhos foram diagnosticados com os mesmos problemas. Partilhar experiências pode contribuir para esclarecer dúvidas e encarar a realidade com mais confiança.

 

 

É sempre uma forma de violência. Um crime que merece castigo, mas que, não raras vezes, resulta impune. Não deixa de ser uma tortura, exercida por contacto interpessoal, ou através de meios mais sofisticados, como a internet. Em inglês, o termo “bullying” derivada da palavra “bully”. Significa tirano, brutal.

O cyberbullying é um tipo de bullying que tem aumentado com a expansão das tecnologias de informação. Antes da Internet, as crianças eram vítimas de violência sobretudo na rua, na escola, na paragem do autocarro, no caminho para casa, entre outros. Mas, quando chegavam a casa, normalmente, o bullying parava. Há, todavia, casos, e não são poucos, em que as crianças são, também, vítimas de bullying por parte das próprias familias.

Agora, com as novas tecnologias, o cyberbullying pode acontecer em qualquer lugar a qualquer momento. 1 em cada 10 crianças portuguesas já sofreu ofensas através da internet. O número de casos reportados cresce ano após ano. Saiba o que fazer para proteger as crianças.

O que é Cyberbullying?

O cyberbullying caracteriza-se pelo ataque através de insultos, difamação, intimidação, ameaça ou perseguição intencional e sistemática na Internet.  Não acontece apenas entre jovens. É feito com intenção de prejudicar, recorrendo a tecnologias online.

Hoje, as crianças usam as redes sociais, mensagens de texto e e-mail para conversar com os amigos. Isto significa que o cyberbullying pode acontecer facilmente. Mensagens cruéis ou fotos pouco favoráveis podem ser enviadas a uma escola inteira com apenas um clique, de casa, na rua, a qualquer hora, dia, seja fim de semana ou feriado. O agressor costuma agir na sombra, através de um perfil falso, ou uma conta fictícia de e-mail. Fique atento.

Às vezes, o cyberbullying acontece de quem menos se espera. Não escolhe rostos, nem religiões. Uma criança solitária, por exemplo, pode transformar-se num agressor ou vítima, sem que os pais em casa sequer imaginem. Mas, o cyberbullying também, pode ser exercido por um grupo de crianças que decidem publicar textos cruéis e prejudiciais sobre outras crianças.  Rapidamente, essas mensagens multiplicam-se como um vírus pelas redes sociais e, depois…já é tarde. O mal está feito e as consequências podem ser devastadoras para as vítimas, refletindo-se ao nível do desempenho escolar e, no limite, provocar depressão e até mesmo suicídio.

O cyberbullying pode acontecer de várias formas. Eis alguns exemplos:

  • Enviar emails, textos ou mensagens instantâneas.
  • Enviar mensagens neutras a alguém até ao ponto de assédio.
  • Publicar conteúdos prejudiciais sobre alguém nas redes sociais.
  • Espalhar online rumores ou falsidades sobre alguém.
  • Denegrir a imagem de alguém através de conversas online, acessíveis a várias pessoas.
  • Atacar ou matar um personagem de um jogo online, constantemente e de propósito.
  • Fingir ser outra pessoa através de um perfil online falso.
  • Ameaçar ou intimidar alguém online ou através de mensagens de texto.
  • Tirar uma foto ou vídeo embaraçoso e compartilhá-lo sem permissão.

É importante saber que nem todos os conflitos online entre crianças são cyberbullying.

Às vezes, as crianças entram em discussões acesas nas redes sociais. A maior parte são conversas inofensivas, apenas de brincadeira, mas podem ser confundidas. Provocação e bullying são coisas diferentes.

Há maneiras de determinar se um comportamento configura um crime de bullying.  Se uma criança envia mensagens prejudiciais de propósito e de forma regular, então poderá ser considerado um ataque cibernético.

Cyberbullying e crianças com problemas de aprendizagem e atenção

Todas as crianças podem ser cibercriminadas. No entanto, crianças com problemas de aprendizagem e atenção enfrentam riscos especiais. Significa que são mais propensos a ser cibercéticos do que os seus pares.

Por exemplo, crianças que recebem apoios escolares ou estatais podem ser um alvo mais fácil, simplesmente, porque podem ser olhados de maneira diferente, quer em termos sociais como académicos.

As mensagens online podem ser complicadas para crianças com problemas de aprendizagem e atenção. A maioria das comunicações através da internet depende do texto, o que constitui uma dificuldade acrescida para alguém, por exemplo, que se debate com problemas de leitura e escrita.

Crianças com fracas aptidões sociais podem interpretar mal os e-mails ou os textos. Podem não entender o contexto de uma publicação nas redes sociais. Crianças com problemas de impulsividade ou PHDA podem reagir mal a uma mensagem.

Note que há também casos reportados de crianças com problemas de aprendizagem e atenção que, em vez de vítimas, assumem, também, o papel de vilão.

Como prevenir o ciberbullying

A melhor maneira de prevenir o ciberbullying é preparar a criança para saber interagir no mundo online. Negoceie regras de utilização da internet. Se não deixamos os nossos filhos andar sozinhos na rua, que sentido faz se os deixarmos em casa com a porta da internet escancarada, sem nenhuma proteção?  Eis algumas estratégias que podem ajudar:

  • Fale com a criança sobre o que é o ciberbullying.
  • Discuta com ela o que fazer se ela alguma vez for vítima.
  • Pratique as habilidades sociais do mundo real com a criança, verá que estará a ajudá-la online.
  • Mantenha linhas de comunicação abertas com a criança.
  • Ensine o respeito e a empatia pelos outros nas redes sociais.
  • Compreenda quais dispositivos, aplicativos e tecnologia que costuma  usar, guardando, por exemplo, as passwords de acesso às redes sociais.
  • Mantenha a tecnologia fora do quarto da criança, onde, poderá ser usada sem supervisão.
  • Use um contrato de telemóvel para ajudar a gerir o uso de tecnologia por parte da criança.
  • Mude o número de telemóvel, email, passwords, sempre que suspeitar que a criança é vítima destas situações.
  • Não partilhar informação pessoal, número de telemóvel, fotos, escola e/ou locais que frequenta.
  • Nas redes sociais, adicionar só as pessoas que conhece, ao vivo e a cores, e manter o perfil restrito.

Fale com o professor do seu filho antes que a escola termine

Nem de mais, nem de menos. Há que saber encontrar a justa medida na gestão dos contactos com os professores durante o ano letivo. Nem sempre é fácil esse equilíbrio. A escola quer pais proativos, que se envolvam na vida académica dos filhos, mas também dispensa reuniões desnecessárias.

Agora que as férias estão à porta e as aulas quase a terminar, impõe-se um balanço sobre a evolução escolar e emocional do seu filho.

Marque uma reunião e não regresse a casa com dúvidas.

Esclareça o que mais o preocupa. Vá direto aos pontos essenciais: identifique as dificuldades; os pontos fortes e fracos, ou seja, as áreas em que o seu filho apresentou maior facilidade e mesmo entusiasmo e as áreas que suscitaram maiores dificuldades, desinteresse ou mesmo desmotivação; os conhecimentos adquiridos e não assimilados; as formas de o ajudar a melhorar e a promover o seu verdadeiro potencial académico não se cingindo apenas às classificações/notas finais,  procurando dar, cada vez, mais primazia ao processo, à qualidade dos desempenhos.

Esteja sobretudo atento ao reflexo que a atmosfera escolar tem no seu filho. Se lhe faz despoletar sentimentos de pertença, de competência (tentando averiguar onde se sente mais e menos capaz), motivação/ empenho ou se lhe faz suscitar em algumas circunstâncias alguma ansiedade, desinteresse e desmotivação.

Muitos pais, devido aos compromissos profissionais cada vez mais exigentes, tendem a delegar a responsabilidade de ensinar apenas à escola. Um erro que costuma pagar-se caro. Pais e professores têm funções complementares, indissociáveis.

Não esqueça: a participação da família nas atividades letivas é fundamental para o desenvolvimento da criança.

A escola, por si só, não é suficiente para garantir um bom rendimento escolar. As tarefas devem, por isso, ser partilhadas de maneira transparente, em nome de um objetivo comum.

Em vez de, por exemplo, responsabilizar os professores por um eventual fracasso do seu filho em alguma disciplina, procure saber de que forma poderão trabalhar em conjunto para superar as dificuldades de aprendizagem e, eventualmente, reformular o processo de ensino-aprendizagem de maneira mais eficaz e mais adequada ao perfil educativo do seu filho.

Regra geral, os estudos indicam que os filhos de pais participativos têm melhores resultados do que os filhos de pais ausentes. Tente saber como pode intervir de forma positiva no trabalho do seu filho em ambiente escolar e que medidas complementares devem ser adotadas em casa. Procure saber, por exemplo, que competências deverão ser estimuladas, antes do arranque do novo ano letivo.

Uma relação positiva com os professores contribuirá para elevar os níveis de confiança, autoestima e, consequentemente, o aproveitamento escolar do seu filho.

Valorize sempre as reuniões presenciais.

Nada como uma conversa olhos-nos-olhos com quem acompanha diariamente o seu filho. Regularmente, recorra, também, à caderneta do aluno ou até ao correio eletrónico e outros recursos tecnológicos, para manter o diálogo aberto com a escola.  Não se silencie perante as preocupações.

É fundamental que o processo educativo, que eventualmente, possa parecer tão simples para alguns, mas que acarreta uma elevada complexidade, deva ser integrador da conciliação de diferentes perspetivas, não só as dos pais, nem exclusivamente as dos professores, mas sim de todos os intervenientes no processo de ensino-aprendizagem (como por exemplo, educadores naturais e profissionais, alunos, assistentes operacionais, técnicos de diferentes índoles).

Deste modo, é permitido usufruir da diversidade de pensamentos/ideias para a resolução de eventuais problemas e/ou situações dilemáticas, estabelecendo contextos de parceria não só intra-escola mas para com a sociedade envolvente, dando primazia à supressão de necessidades escolares identificadas na promoção do sucesso escolar.

Esta dinâmica relacional, ativa, de proximidade, permite ainda a todos os educadores formais e informais a difusão de responsabilidade partilhada, promovendo o sentimento de pertença e aceitação da individualidade na diferença reforçando diariamente a manutenção de atmosferas positivas que trespassem a realidade exclusivamente escolar e objetivem não só o bem-estar físico como psicológico de cada aluno.

Não há nada mais importante do que o tempo que dedicamos à educação dos nossos filhos.

 

Estratégias para o seu filho se concentrar nas aulas

Ponto prévio:

A incapacidade de manter a atenção pode ter origem em motivos diversos, desde a ansiedade, a depressão e até a Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA).

Crianças com problemas de aprendizagem, por exemplo, facilmente se distraem. Regra geral, sentem maiores dificuldades em iniciar projetos, dividir tarefas e assumir responsabilidades, prejudicando assim a vida académica e social.

Se for o caso do seu filho, procure descobrir o que mais o perturba. Estará a ajudá-lo a dar o primeiro passo para superar as dificuldades. Nem sempre é fácil abordar o assunto de forma positiva e construtiva mas a comunicação é fundamental.

Crie algumas estratégias para o manter focado e se concentrar nas aulas:

1 – Organize uma lista com os livros, cadernos e outros materiais utilizados durante o ano letivo. Essa lista servirá, diariamente, para que o seu filho se certifique que transporta sempre, de casa para escola e da escola para casa, tudo o que realmente precisa.

2 – Procure que fique sentado junto a um colega que seja um bom modelo a seguir. Quanto menos barulho na sala maior a capacidade de concentração.

3 – Ensine-o a descobrir e sistematizar a informação. A probabilidade de manter a atenção aumenta substancialmente quando há organização. Incentive-o, por exemplo, a fazer resumos, ou tópicos, sobre a material lecionada.

4 – Mantenha as rotinas. É fundamental estabelecer hora e local para todas as atividades. Alterações, não programadas, podem potenciar as dificuldades de concentração.

5 – Simplifique a agenda. Crianças sobrecarregadas com atividades tendem a ser mais distraídas.

6 – Crie um local de estudo, arrumado e sem ruído. Quanto menos distrações, melhor. Televisões e telefones não são bons aliados.

7- Incentive-o a privilegiar as atividades ao ar livre. Controle o tempo que o seu filho passa a ver televisão e a jogar em computadores e tablets. Atividades desportivas e o contato descontraído com outras crianças são de extrema importância.

8 – Celebre as conquistas. O excesso de críticas é prejudicial. Olhe para o elogio como um bom aliado e mostre satisfação sempre que o seu filho apresente bons resultados.

O psicólogo e especialista em terapia para crianças, o norte-americano Jeffrey Bernstein, deixa-lhe outras dicas importantes para ajudar uma criança distraída.

  • Tenha consciência
    Lembre-se que estas crianças muitas vezes se sentem diferentes das outras e precisam por isso de maiores incentivos.
  • Evite gritar
    Ao gritar só o confunde ainda mais, tornando-o mais propício à desconcentração.
  • Mantenha-se calmo, firme e não seja controlador
    Esteja tranquilo, não crie expectativas inalcançáveis e tente não dar demasiadas ordens.
  • Seja pro-activo e comunicativo com os professores
    As crianças desatentas desistem rapidamente quando têm de enfrentar obstáculos. Mantenha-se envolvido na vida escolar do seu filho para que o possa ajudar a superar eventuais dificuldades.
  • Incentive o seu filho
    Ensine-o a tornar as tarefas complexas noutras mais pequenas e viáveis. As crianças sentem-se mais motivadas ao alcançar pequenas vitórias.
  • Faça listas
    É estimulante para uma criança ‘riscar’ as tarefas já cumpridas.
  • Ajude, mas não faça por ele
    Ajudar demasiado uma criança a concluir um problema difícil pode fazê-la sentir-se bem momentaneamente, mas não estará a ajudá-la verdadeiramente.
  • Promova a auto-estima do seu filho
    A maioria das crianças desatentas sente-se inferior aos outros. Demonstre ao seu filho não só que gosta, mas que também acredita nele.

Orientação Vocacional: o que é e para que serve.

Jovens ou adultos podem, portanto, em determinada fase do seu percurso escolar e/ou profissional, deparar-se com situações de indecisão quanto ao caminho a seguir. Para melhor decidir quanto ao seu presente e futuro profissional, é fundamental ter um bom conhecimento sobre si mesmo, assim como em relação à realidade educativa e profissional. É neste contexto que surge a Orientação Vocacional: para clarificar todas estas questões, ajudar a pessoa a conhecer as suas aptidões e a tomar consciência daquilo que mais o entusiasma e, através disso, facilitar a definição de linhas directrizes que ajudem a tomar uma decisão quanto ao futuro profissional.

Orientação Vocacional: O QUE É?

A Orientação Vocacional e Profissional é uma área de intervenção que pretende dar resposta às necessidades e indecisões que surgem em jovens ou adultos quanto à direção a dar à sua carreira académica e/ou profissional. É feita uma avaliação que permite analisar, por um lado, tudo aquilo que o motiva (ou seja, os seus interesses), e por outro lado, tudo aquilo para o que tem maior facilidade em aprender (ou seja, as suas aptidões). A orientação vocacional pretende, enfim, valorizar a visão que o estudante tem sobre si mesmo, quais os seu aspectos que considera mais importantes, e as suas expectativas em relação ao futuro. Enfatiza-se a ideia de que a construção do futuro depende das suas vivências e escolhas do presente.

Orientação Vocacional: COMO DECORRE?

O processo de avaliação de Orientação Vocacional inicia-se com uma entrevista cujo objetivo é recolher informação sobre o historial da pessoa em termos de percurso escolar e/ou profissional, assim como dos seus planos e aspirações. O restante processo de avaliação é realizado através de três ou quatro sessões (dependendo dos casos, poderão ser necessárias mais de quatro sessões) onde, através da aplicação de diferentes provas estruturadas de avaliação psicológica, é traçado o perfil vocacional do jovem ou adulto.

As provas têm por objetivo avaliar o seu perfil cognitico, os seus interesses, as áreas que mais o motivam, assim como as suas capacidades de desempenho mais desenvolvidas. No final do processo de avaliação é entregue um relatório que apresenta o perfil da pessoa, assim como a delineação de um projeto académico e/ou profissional, onde são sugeridos cursos, formações e/ou áreas de estudo ou profissionais mais adequadas ao seu perfil vocacional.

Orientação Vocacional: QUANDO DEVE FAZER-SE?

Indecisões quanto à direção a tomar relativamente à carreira académica e/ou profissional podem acontecer em qualquer altura da vida de uma pessoa, pelo que não existe “data marcada” para a necessidade de recorrer à orientação vocacional. No entanto, o período correspondente ao final do terceiro ciclo (9º ano) é particularmente importante na vida do adolescente, na medida em que será esta a primeira vez na vida em que terá de decidir sobre o seu futuro profissional. É também nesta fase do desenvolvimento que ocorrem as transformações cognitivas e psicossociais mais visíveis e significativas e, ao mesmo tempo, em que o planeamento vocacional se torna intimamente ligado à construção da identidade do adolescente. Trata-se de uma escolha com grande impacto no percurso vocacional do adolescente e, portanto, é natural que surjam muitas dúvidas e incertezas relativamente ao caminho a escolher.

No final do 9º ano, o adolescente poderá optar por um de três caminhos: Curso Científico Humanístico, Curso Profissional ou Curso Artístico Especializado. Embora qualquer uma destas vias permita concorrer ao ensino superior, importa realçar que uns são mais orientados para isso do que outros.

1. Curso Científico Humanístico

O Curso Científico Humanístico é a opção mais adequada para o jovem que pretenda prosseguir um percurso académico ao nível do ensino superior, já que é este o curso que melhor o prepara em termos de aprendizagens teóricas. Nesta fase, é importante que o jovem escolha uma de quatro áreas principais, para a qual revele simultaneamente interesse e aptidão: Ciências e Tecnologias, Línguas e Humanidades, Ciências Socio-Económicas ou Artes Visuais.

2. Curso Profissional

O Curso Profissional é a melhor opção para quem prefira quer ir directamente para o mercado de trabalho, já que este apresenta uma componente mais prática, preparando mais eficazmente o jovem para o trabalho concreto (por exemplo: administração, serviços e comércio, agroalimentar, ambiente e recursos naturais).

3. Curso Artístico Especializado

O Curso Artístico Especializado será o caminho a seguir para o jovem que pretenda uma carreira mais relacionada com a área artística e creativa (por exemplo: artes do espetáculo, dança, música) .

Mais tarde, no final do ensino secundário (12º ano), os estudantes já estão nos últimos anos da adolescência e, portanto, numa fase de desenvolvimento mais amadurecida, com uma visão mais realista acerca de si mesmos e daquilo que os rodeia. Para quem escolheu o Curso Científico Humanístico, o jovem tem agora a hipótese de candidatar-se ao Ensino Superior, para o qual terá de realizar exames nacionais às disciplinas que se adequam ao curso que pretende desenvolver. Também nesta fase o jovem poderá sentir dúvidas quanto à escolha da especialidade profissional, assim como em relação às oportunidades de formação e cursos existentes. Nestes casos, a orientação vocacional poderá ser útil para tornar mais eficaz qualquer tomada de decisão e ajudar a fomentar o desenvolvimento da carreira que melhor se adeque aos seus interesses e aptidões.

Orientação Vocacional: ONDE SE FAZ?

O Centro SEI conta com uma equipa de técnicos especializados na área da Orientação Vocacional. As sessões decorrem nas instalações do SEI, e também em escolas, para pequenos grupos de alunos.

Links úteis

Currículo e programas do Ensino Secundário

Rede de Cursos Profissionais – 2013/2014

Acesso ao Ensino Superior

 

Crescer com dislexia pode ser desafiante, quer para as crianças que a apresentam, quer para os professores que tenham de lidar com ela em contexto de sala de aula. Por um lado, dificuldades ao nível da lecto-escrita acabam sempre por reflectir-se em dificuldades na aquisição de todas as disciplinas, sempre que estas impliquem o recurso à leitura e à escrita. Isto pode tornar-se frustrante para crianças com dislexia, as quais podem acabar por sentir-se menos inteligentes e menos capazes do que na realidade são. O desgaste de repetidas situações de stress relacionadas com problemas escolares resulta muitas vezes numa crescente desmotivação em prosseguir os estudos.

Por outro lado, os professores podem também sentir dificuldades em avaliar aquilo que a criança com dislexia verdadeiramente aprendeu e assimilou. Com efeito, nem sempre aquilo que a criança mostra saber corresponde na totalidade àquilo que ela verdadeiramente sabe. Crianças com dislexia são frequentemente prejudicadas pela sua própria dificuldade em expressar por escrito os seus novos conhecimentos, resultando na sua sub-avaliação.

Em resumo: a existência de dificuldades de lecto-escrita nada tem que ver com dificuldades do foro intelectual da criança. É urgente aceitar isto para, enfim, implementar novas e adaptadas formas de ensinar os conteúdos escolares, e de avaliar o verdadeiro conhecimento assimilado por estas crianças. É fundamental que cada vez mais professores se predisponham a desmistificar noções erróneas quanto às capacidades cognitivas destas crianças, e se abram a novas abordagens de avaliação devidamente ajustadas às suas características especificas. Abordagens essas que visem avaliar de forma justa e objectiva os conhecimentos da criança, sem que a avaliação seja enviesada pelas dificuldades que ela tem em expressar por escrito aquilo que realmente aprendeu.

EIS ALGUMAS DICAS PARA CONSEGUI-LO:

Durante as aulas:

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Pode parecer estranho. Muitas vezes uma condição cerebral incompreendida. Não é preguiça mental nem falta de motivação. É considerado uma perturbação neurológica. Afeta especialmente a capacidade de entender, trabalhar com números e conceitos matemáticos. Se for o caso do seu filho, não desespere! Há formas de o ajudar.

Conheça os sinais da Discalculia  Uma criança com esta perturbação tem dificuldade em quantificar as coisas. Tende a apresentar dificuldades ao nível da perceção real entre o número e a quantidade. Como se 8 canetas fossem 15 ou 20. Apresenta dificuldades em compreender, por exemplo, que 8 é o mesmo que 4+4, ou 7+1.

São sinais que podem indiciar uma disfunção neurológica. Quanto mais cedo o diagnóstico, maiores as probabilidades de a ajudar.

Preste atenção ao comportamento do seu filho – Tome notas. Observe e registe as suas dificuldades. Tenha em conta que a Discalculia pode causar várias dificuldades, não apenas ao nível dos conceitos matemáticos. Esta Perturbação Específica do Cálculo também tende a manifestar-se através de dificuldades na noção do tempo e nas medidas de grandeza.

Discuta a vida escolar – Pergunte ao professor de matemática se o seu filho tem manifestado problemas na aprendizagem dos conceitos. Se a resposta for afirmativa, pergunte se está a implementar estratégias de ensino compensatórias. Os apoios informais também podem ser um importante contributo.

Crianças com Discalculia costumam ainda apresentar outras dificuldades de aprendizagem e também, de atenção. Considere solicitar uma avaliação educacional (nas áreas da psicologia e/ou psicopedagogia). As informações obtidas podem ajudar o seu filho. Marque de seguida uma reunião na escola. Apresente as respetivas conclusões aos professores que poderão ponderar a criação de um Plano de Educação Individualizado.

Fale com o médico do seu filho – Discuta todas as dúvidas e preocupações, sem a presença da criança. Transmita ao pediatra as notas diárias que foi recolhendo. Questione as opções de tratamento, incluindo a terapia psicomotora. Alguns alunos com discalculia têm dificuldades visuo-espaciais na leitura e escrita de números. Não se sabe, ao certo, qual a causa concreta da Discalculia. Alguns investigadores acreditam que poderá estar relacionada com vários fatores: herança genética, lesões cerebrais, nascimento prematuro, pouco peso e, por exemplo, exposição ao álcool durante a gestação.

Discalculia dura para a vida mas não impede o sucesso profissional. É possível minimizar as dificuldades com o acompanhamento certo e estratégias compensatórias. Todas as crianças com este distúrbio podem destacar-se em outras áreas.

Explore as capacidades do seu filho. Poderá surpreender-se.

O que é a disgrafia?

A disgrafia deriva das palavras “dis” (desvio) + “grafia” (escrita) e consiste  numa dificuldade na escrita.

A criança com disgrafia pode apresentar dificuldades no desenho ou no grafismo da letra (“má letra”), na ordenação correta ou na ortografia das letras de forma a criar/escrever palavras, na pontuação, na correção gramatical e na elaboração e organização de textos.

As crianças desde cedo demonstram a necessidade de se expressar através da escrita. A escrita consiste numa destreza/capacidade motora que se vai desenvolvendo ao longo do percurso escolar da criança e que possui uma série de requisitos básicos necessários para o seu bom/correto funcionamento, nomeadamente:

  • capacidades psicomotoras gerais 
    uma boa coordenação óculo-manual, um correto desenvolvimento da motricidade fina, um bom esquema corporal, espacial, boa lateralidade, um correto reconhecimento do espaço, formas e distancias e uma boa capacidade de inibição e controlo neuromuscular de forma a que a criança seja capaz de efetuar os movimentos necessários para a escrita das letras
  • coordenação funcional da mão
    os movimentos de pressão e preensão e a independência mão-braço
  • hábitos neuromotores corretos e bem estabelecidos
    a visão, a transcrição da esquerda para a direita, e o posicionamento correto do lápis.

A disgrafia pode apresentar alguns sinais de alerta típicos, aos quais devemos estar atentos.

Sinais indicadores/ sinais de alerta

Diagnosticar a disgrafia, precocemente, não é fácil, uma vez que todas as crianças revelam dificuldades durante o seu processo de aprendizagem da escrita. Contudo existem indicadores para auxiliarem nesse processo:

  • traços exageradamente grossos ou finos e pequenos ou grandes;
  • ritmo de escrita excessivamente rápido ou lento;
  • letras separadas, sobrepostas ou ilegíveis, com as ligações distorcidas;
  • postura gráfica incorreta (dificuldade em utilizar corretamente o lápis/caneta com que escreve);
  • caligrafia, geralmente, inclinada.
  • letra excessivamente pequena ou grande;
  • forma das letras irreconhecível (por vezes podem distorcer, inclinar);
  • grafismo trémulo ou com uma marcada irregularidade, originando diferentes tamanhos de grafemas;
  • espaçamento irregular das letras ou das palavras;
  • erros ou borrões;
  • realização inversa dos traçados de algumas letras/números;
  • desorganização geral na folha
  • utilização incorreta do instrumento com que escrevem;

No entanto, importa informar, que a confirmação do diagnostico deve ser efetuado por profissionais especializados, uma vez que requer procedimentos específicos.

Intervenção

A reeducação do grafismo encontra-se relacionada com três fatores fundamentais: o desenvolvimento psicomotor, o desenvolvimento do grafismo em si e a especificidade do grafismo da criança.

Relativamente ao desenvolvimento psicomotor devem ser trabalhados aspectos relacionados com a postura, controlo corporal, dissociação de movimentos, representação mental do gesto necessário para o traço, perceção espaço-temporal, lateralização e coordenação visuomotora.

Já de acordo com os aspetos relacionados com o grafismo, devem-se treinar habilidades relacionadas com a escrita, como atividades que impliquem a utilização do lápis e papel, de forma a melhorar os movimentos e posição (gráfica), a pintura, o desenho e a modelagem. Deve-se também corrigir erros específicos do grafismo, como o tamanho, forma, inclinação das letras, o aspecto do texto, a inclinação da folha e a manutenção das margens/linhas.

16 mitos e perguntas frequentes sobre a dislexia

A dislexia é sinónimo de baixa inteligência? Quando se avalia a dislexia? Devo esperar até ao final do 2º ano? Só os rapazes têm dislexia? A dislexia é um problema visual? Tem cura? Quem faz o diagnóstico da dislexia? Neste artigo clarificamos os mitos e as perguntas mais frequentes sobre a dislexia.

MITO 1

Não existe diferença entre um aluno com Dislexia ou um aluno que tem dificuldades em aprender a ler 

Errado. Atualmente, a Dislexia é considerada uma Dificuldade de Aprendizagem Específica. De acordo com as definições mais recentes de Dificuldades de Aprendizagem Específicas, os alunos que as manifestam têm uma disfunção em um ou mais processos neurológicos básicos envolvidos na compreensão do uso da linguagem falada ou escrita, os quais podem resultar em dificuldades na capacidade de leitura, escrita, caligrafia ou cálculo. Por esse motivo, nem sempre é fácil distinguir um aluno com uma Dislexia de um aluno que aprende a um ritmo mais lento. Um aluno que tenha sido diagnosticado com Dificuldades de Aprendizagem apresenta um défice em uma ou em mais áreas, apresentando, contudo, sucesso em outras áreas. Além disso, as suas capacidades cognitivas estão acima do verificados nos seus desempenhos – discrepância entre a capacidade e o desempenho.

Deste modo, as dificuldades manifestadas por um aluno com Dificuldades de Aprendizagem não podem ser explicadas por fatores cognitivos, por acuidade visual ou auditiva não corrigida, ou por outras perturbações mentais ou neurológicas, ou ainda por uma adversidade psicossocial ou instrução educativa inadequada. A falta de proficiência na língua da instrução académica também não justifica uma Dificuldade de Aprendizagem Específica.

As Dificuldades de Aprendizagem Especificas apresentam um caráter permanente e, apesar dos alunos poderem ser alvo de intervenção psicopedagógica e melhorarem os seus desempenhos, terão sempre essa disfunção. É, contudo, de salientar que qualquer aluno, ao longo da sua vida escolar, pode experienciar algum tipo de dificuldade, não sendo tal facto um sinal evidente e exclusivo da existência de uma Dificuldade de Aprendizagem.

MITO 2

A Dislexia é sinónimo de baixa inteligência

Errado. São vários os estudos que demonstram que pessoas com Dislexia têm uma inteligência dentro da média ou mesmo acima dela. Ao nível dos critérios de diagnóstico, a Dislexia não é melhor explicada por uma incapacidade intelectual. Os alunos com Dislexia tendem a caracterizar-se por desempenhos abaixo do que seria de esperar, tendo em conta o seu perfil cognitivo, em uma ou em mais áreas em específico. No entanto, e apesar disso, crianças com Dislexia têm frequentemente elevado sucesso noutras áreas.

MITO 3

Devo esperar até ao final do 2º ano para o meu filho fazer uma avaliação em Dislexia

Errado. Embora o diagnóstico de Dislexia só deva ser formalmente fechado após dois anos de aprendizagem formal da leitura e escrita, não significa que o seu filho não possa apresentar sinais de alerta característicos da Dislexia. Nesse caso, faz todo o sentido que seja avaliado e, posteriormente, apoiado com intervenção terapêutica. Quanto mais cedo a criança iniciar o processo de intervenção, maior a sua probabilidade de sucesso.

MITO 4

O meu filho escreve a maioria das letras de baixo para cima, logo tem Dislexia

Errado. É comum, no ensino pré-escolar e no início da idade escolarização, as crianças apresentarem alguma dificuldade na escrita de letras e números, podendo escrever em “espelho” (ou seja, da direita para a esquerda ou mesmo de baixo para cima). A maior parte das crianças vai corrigindo estes erros à medida que vai sendo exposta à aprendizagem formal das letras, da leitura e da escrita.

MITO 5

O meu marido tem Dislexia, logo os meus filhos vão ter Dislexia

Não necessariamente. Existem, de facto, diversos estudos que comprovam uma elevada hereditabilidade tanto para a capacidade como para as incapacidades de aprendizagem. No entanto, apesar desta maior predisposição da presença da Dislexia em filhos de pais com a mesma dificuldade, a sua manifestação não terá que ser dada como certa. Caso o seu filho revele alguns sinais de alerta, e exista, de facto, um historial de Dislexia ou outra Dificuldade de Aprendizagem Específica na família (com ou sem um diagnóstico formal) recomenda-se que procure ajuda especializada. Felizmente, com a evolução dos estudos sobre a Dislexia e as Dificuldades de Aprendizagem Específicas no geral, existe hoje em dia um maior conhecimento sobre esta temática e as crianças conseguem obter ajuda mais facilmente do que na época dos seus pais, evitando-se assim o agravamento dos sintomas e as respetivas repercussões, sobretudo ao nível académico.

MITO 6

A Dislexia tem cura

Errado. A dislexia é uma Dificuldade de Aprendizagem Especifica de carácter permanente, logo não tem cura. No entanto, atualmente já existem diversas estratégias e métodos de intervenção psicopedagógicos que podem ser utilizados em crianças com Dislexia no sentido de as ajudar a ultrapassar ou a minorar as suas dificuldades. Quanto mais precocemente forem implementadas estas estratégias, melhores resultados a criança terá ao longo da sua vida e percurso escolar.

MITO 7

A Dislexia é um problema visual

Errado. A Dislexia é uma Dificuldade de Aprendizagem Especifica que tem origem no papel combinado de fatores genéticos e ambientais que resultam em alterações estruturais e funcionais do cérebro. Deste modo, a Dislexia não está associada a um défice visual, mas sim a causas essencialmente genéticas. No entanto, uma criança pode apresentar dificuldades de aprendizagem na leitura e na escrita em virtude exclusiva de um problema visual, não preenchendo, para o efeito, os critérios de um diagnóstico de Dislexia. Neste sentido, e com vista a um diagnóstico o mais rigoroso possível, antes de se iniciar uma avaliação psicopedagógica para despiste de Dislexia, dever-se-á efetuar previamente uma avaliação auditiva e visual, de modo a excluir as referidas hipóteses como causa das dificuldades manifestadas pela criança.

MITO 8

Não é possível ter sucesso escolar quando se tem uma Dislexia

Errado. Tem vindo a ser cada vez mais demonstrado que a implementação e desenvolvimento de estratégias psicopedagógicas na sequência de um diagnóstico, tem enormes probabilidades de permitir à criança corresponder às exigências das aprendizagens escolares e desse modo, obter sucesso, quer a nível académico, quer a nível profissional.

MITO 9

Só os rapazes é que têm Dislexia

Errado. Na realidade, não existem diferenças significativas entre rapazes e raparigas. A razão pela qual os rapazes são mais vezes referenciados pelos professores, parecem residir no facto de os rapazes terem, de um modo geral, um diagnóstico mais precoce, em parte devido a causas comportamentais, uma vez que parecem ter maior dificuldade em gerir a frustração nas situações em que as suas dificuldades específicas se tornam mais evidentes.

MITO 10

O meu filho é tem dislexia, logo não pode ter boas notas

Errado. Se o seu filho for ajudado com uma intervenção intensiva e adequada às suas necessidades, de forma a colmatar as dificuldades causadas pela Dislexia, se existir suporte por parte dos agentes educativos (pais, professores, entre outros), e se a isso se associar motivação e esforço, então estarão reunidas as condições para que seja bem-sucedido, quer académica, quer profissionalmente.

MITO 11

A Dislexia está relacionada com dificuldades de orientação-espacial e/ou com o “ser canhoto”

Errado. Não existe qualquer tipo de investigação que demonstre uma ligação entre orientação-espacial e Dislexia, nem entre ser esquerdino ou destro e a Dislexia. Existem disléxicos esquerdinos e existem disléxicos destros, tal como existem disléxicos que têm dificuldades ao nível da orientação espacial e disléxicos que não têm esse tipo de dificuldade. O único fator comum comprovado cientificamente entre as várias pessoas com Dislexia é um défice ao nível da consciência fonológica.

MITO 12

A Dislexia é um défice apenas da infância

A maior parte dos diagnósticos de Dislexia são realizados durante a idade escolar, pois é nessa fase que os sinais tendem a apresentar uma maior evidência. No entanto, há crianças que, utilizando estratégias compensatórias e um esforço extraordinariamente elevado, com o devido suporte social, conseguem manter um funcionamento académico aparentemente adequado ao longo de vários anos, até que os procedimentos de avaliação ou as exigências do sistema educativo/meio imponham barreiras à demonstração da sua aprendizagem.

Em termos globais, e no que respeita aos vários domínios académicos de leitura, escrita e de cálculo, as Dificuldades de Aprendizagem Específicas apresentam uma prevalência de 5%-15% entre crianças em idade escolar em diferentes culturas e línguas.

MITO 13

A Dislexia é um diagnóstico médico 

Errado. A Dislexia não deve ser considerada um problema médico, nem pode ser diagnosticada exclusivamente por um médico, uma vez que este não possui conhecimentos suficientes de avaliação da leitura e da escrita. Enquanto Dificuldade de Aprendizagem Específica, o diagnóstico da dislexia deverá ter por base a síntese do historial do desenvolvimento do individuo, contemplando a área médica, familiar e educacional, incluindo a análise detalhada de relatórios e avaliações escolares, e a realização de uma avaliação psicoeducacional.

MITO 14

Todas as crianças que têm dificuldades em aprender a ler são disléxicas

Não. A Dislexia é uma causa comum de dificuldades na leitura, no entanto, não é a única causa. As dificuldades gerais de leitura podem também estar associadas a outras causas intrínsecas como extrínsecas ao individuo. Nas causas intrínsecas podemos encontrar outras perturbações do desenvolvimento que comprometem igualmente a aquisição do processo de leitura. Nas causas extrínsecas poderemos encontrar fatores ambientais e educacionais que quando negligenciados poderão igualmente provocar dificuldades de leitura.

MITO 15

Se não ensinarmos uma criança com Dislexia a ler até aos 9 anos, será tarde demais para aprender a ler

Errado. Nunca é tarde para melhorar as capacidades de leitura, escrita e ortografia de uma criança com Dislexia. Claro que, quanto mais precoce for a intervenção, mais probabilidade de sucesso a criança terá.

MITO 16

As adequações curriculares para as crianças com Dislexia são uma injustiça para as outras crianças que não têm Dislexia

Errado. A abordagem de ensino mais justa é quando o professor consegue providenciar a cada aluno aquilo que é necessário para que este seja bem-sucedido em contexto escolar. Assim sendo, as adaptações que os professores fazem são uma tentativa de criar condições equitativas, quer em situação de teste ou num trabalho de casa, e não uma forma de atribuir vantagens aos alunos com Dislexia. Na verdade, um aluno com Dislexia terá que se esforçar tanto ou mais que outro aluno, mesmo com as adaptações individuais.

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