Principais sinais de alerta para a PHDA de acordo com diferentes idades

É difícil de detetar e fácil de confundir.

Sim, é uma alteração neurológica cada vez mais comum mas, ao contrário do que possa parecer, nem sempre é simples identificar os sintomas da Hiperatividade com Défice de Atenção (PHDA).

Não pense que esta perturbação é provocada por falta de empenho ou de dedicação e até de uma eventual má educação dada pelos pais em casa. Não! Se o seu filho tem este problema é porque se verificam fragilidades nas ligações neuronais em determinadas áreas cerebrais, normalmente mais pequenas se comparadas com as de outras crianças.

O que é a PHDA

A PHDA é uma condição física crónica que se caracteriza pelo subdesenvolvimento e disfunção de algumas partes do sistema nervoso central.  Manifesta-se, regra geral, por volta dos 3 anos e, quase sempre, antes de atingir os 7.

Consiste numa perturbação do desenvolvimento neurológico que provoca um excesso de atividade motora, baixo controlo da impulsividade e/ou dificuldades de concentração. Estas crianças têm dificuldade em selecionar informação e em prestar atenção a dois estímulos em simultâneo.

Surge, geralmente na primeira infância, com diversos sinais de alerta, que variam consoante o género e a idade. Podem prejudicar ou ter impacto na aprendizagem e no desenvolvimento social.  Estima-se que afete entre 5 a 7 por cento das crianças em idade escolar e cerca de 4 por cento dos adultos.

Os especialistas não têm dúvidas, as crianças com hiperatividade não tratadas a tempo terão mais dificuldades na adolescência, tanto ao nível do aproveitamento escolar, como, também, da socialização. A falta de intervenção adequada pode ter um efeito devastador ao longo da vida.

Para que não persistam dúvidas: regra geral, as crianças e os adultos com hiperatividade têm uma inteligência acima da média e podem vir a aproveitar o seu potencial, caso sejam bem acompanhadas à medida que vão crescendo.

Não existe, todavia, uma intervenção que suprima esta condição neurológica, mas quanto mais cedo o diagnóstico melhor.

A equipa do SEI tem vasta experiência em lidar com esta perturbação, nomeadamente ao nível da deteção precoce e da implementação de estratégias psico-educacionais capazes de minimizar o problema, melhorando o desempenho escolar ou profissional e as relações interpessoais.

Dentro da PHDA há diferentes níveis de intensidade, ou seja, os sintomas vão variando de pessoa para pessoa, do mais ligeiro ao mais grave.

Neste artigo pretendemos assinalar os principais sinais de alerta de acordo com a idade da criança. Consulte a lista e observe o seu filho por um período de tempo, nos diversos contextos do seu dia-a-dia, e verifique se apresenta alguns dos sinais de alerta.

Lembre-se que, ocasionalmente, todas as crianças manifestam comportamentos mais impulsivos, agitados ou desatentos. É necessário saber distinguir os diferentes comportamentos de acordo com os contextos.

Se suspeitar que o seu filho possa ter uma PHDA consulte um profissional e solicite uma avaliação especializada.

Principais sinais de alerta para a PHDA

Idades compreendidas entre os 3 anos e os 7 anos

  • Apresenta dificuldades em iniciar tarefas e/ou rotinas diárias, como vestir ou arrumar os brinquedos;
  • Frequentemente, ignora ou cumpre tardiamente as instruções/indicações/pedidos que lhe são dados;
  • Apresenta/Manifesta dificuldade em manter-se sentada durante as refeições ou na realização de atividades de grupo comparativamente com as crianças da mesma idade;
  • Levanta-se, mexe-se ou conversa em situações onde é pedido/suposto ficar sossegada ou em silêncio;
  • Apresenta dificuldades em terminar uma atividade para iniciar outra;
  • Esforça-se para fazer as atividades/tarefas com cuidado;
  • Necessita de ser relembrada, frequentemente, para parar ou ouvir;
  • Tem dificuldade em prestar/manter a atenção comparativamente com as crianças da sua idade;
  • Vai buscar coisas/materiais sem permissão;
  • É incapaz de esperar pelas instruções/indicações da tarefa antes de a iniciar;
  • Demora bastante tempo e/ou necessita de encorajamento para realizar as suas rotinas diárias;
  • Apresenta dificuldade em relembrar-se das indicações/pedidos;
  • Apresenta dificuldade em lembrar-se/recordar-se de factos que aprendeu recentemente;
  • Tende a ficar aborrecida ou irritada (frustrada) em situações de menor importância;

Idades compreendidas entre os 8 anos e os 12 anos

  • Apresenta dificuldades em iniciar tarefas/atividades, principalmente/especialmente quando a tarefa/atividade apresenta mais do que um passo;
  • Frequentemente, é inquieta/irrequieta;
  • Frequentemente, é irrequieta, conversadora em situações onde é pedido/suposto ficar sossegada ou em silêncio;
  • Tende a esquecer-se do que acabou de ouvir ou ler, a não ser que seja algo do seu interesse;
  • Frequentemente, realiza as tarefas/atividades de forma apressada e/ou descuidada;
  • No quotidiano não é capaz de demonstrar todas as suas capacidades/competências, na escola ou na realização dos trabalhos de casa;
  • Desconcentra-se, e/ou fica “no mundo da lua”, frequentemente;
  • Frequentemente, muda de tarefa/atividade sem terminar as anteriores;
  • Apresenta dificuldades em lembrar-se do que fez no seu dia-a-dia;
  • Tende a esquecer-se de entregar/fazer recados e/ou os trabalhos de casa;
  • Esforça-se para não perder as suas coisas;
  • Apresenta dificuldades em esperar pela sua vez, para se juntar numa conversa ou atividade;
  • Preocupa-se, que se vá esquecer do que quer dizer, a menos que o diga imediatamente;
  • Apresenta dificuldades em pensar nas consequências das suas ações;
  • Frequentemente, fala ou faz coisas sem pensar nas consequências;
  • Trabalha devagar;
  • Apresenta dificuldade em terminar tarefas/atividades dentro de um período de tempo razoável;

Adolescência

  • Apresenta dificuldades em organizar-se ou estabelecer prioridades;
  • Apresenta dificuldades em iniciar os trabalhos de casa e/ou uma tarefa/atividade proposta/atribuída;
  • “Desliga”/Desconcentra-se quando está a ouvir alguém ou a ler;
  • Frequentemente, necessita de reler as informações dadas ou de pedir às pessoas que repitam o que disseram porque não se lembra;
  • Apresenta dificuldade em manter-se focada;
  • Frequentemente, se desconcentra da tarefa/atividade, a menos que a mesma seja do seu interesse;
  • Frequentemente, realiza as tarefas/atividades de forma rápida e desconcentrada/desorganizada, originando erros;
  • No quotidiano, não é capaz de demonstrar todas as suas capacidades/competências, na escola ou na realização dos trabalhos de casa;
  • Apresenta dificuldade em recordar-se/lembrar-se das informações quando necessário;
  • Esforça-se, na realização dos testes, para se recordar/relembrar o que estudou e/ou sabia na véspera;
  • Apresenta dificuldades em lembrar-se do que fez no seu dia-a-dia;
  • Frequentemente, esquece-se de escrever o que tem de fazer e de as fazer;
  • Frequentemente, age de maneira impulsiva;
  • Fala ou faz coisas sem pensar no que pode resultar;
  • Frequentemente, trabalha devagar;
  • Apresenta dificuldade em cumprir prazos e/ou em finalizar os testes dentro do tempo atribuído;
  • É inquieto/irrequieto frequentemente;
  • Frequentemente, não consegue parar de falar ou de mexer nos objetos com a mão.

Detesto matemática! – Sinais de alerta de discalculia

“Odeio matemática!” – É frequente ouvirmos os nossos filhos/alunos fazerem este tipo de desabafo. Com igual frequência podemos cair no erro de achar que se trata de simples preguiça ou desmotivação para aprender a disciplina. Contudo, a frustração associada a esta frase tão frequentemente pronunciada pode, por vezes, refletir uma verdadeira dificuldade em aprender e desenvolver o cálculo matemático. À dificuldade de aprendizagem associada ao raciocínio lógico-matemático dá-se o nome de Discalculia ou Perturbação da Aprendizagem Específica, com défice no Cálculo.

Podemos generalizar que todas as crianças que não gostam de matemática têm discalculia?

Claro que não. Mas existe um conjunto de sinais de alerta relacionados com esta dificuldade de aprendizagem a que pais e professores devem estar atentos. Quanto mais cedo for feito o despiste da discalculia, mais cedo se implementará uma estratégia de reeducação para a criança. Isto poderá evitar o desgaste de repetidas situações de stress relacionadas com problemas escolares, os quais resultam muitas vezes numa crescente desmotivação em prosseguir os estudos.

Os sinais de alerta associados à discalculia dependem da idade/fase escolar da criança

Pré-escolar:

– Dificuldade em compreender o sentido do número;

– Dificuldade em aprender a contar;

– Dificuldades na identificação de número. Quer a nível visual (por ex. trocas entre o 2/5, o 3/8 ou o 6/9) quer a nível auditivo;

– Dificuldade em memorizar números;

– Dificuldade em organizar objetos de uma forma lógica: por formas, cores ou tamanhos;

– Dificuldade em reconhecer grupos e padrões;

– Dificuldade em usar conceitos comparativos tais como: maior/menor; mais alto/mais baixo;

– Dificuldades na lateralidade: distinguir entre a esquerda e a direita;

Idade Escolar:

– Dificuldade em compreender a linguagem e os símbolos matemáticos: “diferença”, “soma”, “igual”, “+”, “-“, “=”, etc.;

– Dificuldade em compreender o valor obtido pela modificação de um número: limitações em perceber que os números 560, 605 e 506 são diferentes, apesar de constituídos pelos mesmos três números (“5”, “6” e “0”);

– Dificuldade em resolver problemas matemáticos básicos através da soma, subtração, multiplicação e divisão;

– Dificuldade em compreender que 5 é o mesmo que 3+2 ou o mesmo que 4+1. Que 5+4 é igual a 4+5, ou que 8×2 é igual a 2×8;

– Dificuldade em desenvolver competências para a resolução de problemas matemáticos mais complexos;

– Fraca memória de longo prazo para funções matemáticas;

– Pouca familiaridade com o vocabulário da matemática;

– Dificuldade em resolver problemas matemáticos de forma oral, nomeadamente no caso de problemas muito extensos, e na presença de informação desnecessária e demasiadas abreviaturas;

– Dificuldades na compreensão do conceito de medida;

– Relutância em participar em jogos que requeiram o uso de estratégia;

– Dificuldades visuo-espaciais na leitura e escrita de números;

– Dificuldade em identificar as horas, por não conseguir distinguir o ponteiro das horas e dos minutos;

– Dificuldade em compreender o valor das moedas. Ex. A criança não compreende que uma moeda de 1 euro é igual a 2 moedas de 50 cêntimos ou 5 moedas de 20 cêntimos.

Se o seu filho ou aluno apresenta alguns destes sinais, poderá ser sinal de uma discalculia. Nesse caso, deverá recorrer a ajuda técnica especializada para fazer uma avaliação psicopedagógica da criança e despistar eventuais dificuldades de apredizagem. Só assim poderá implementar-se um plano de intervenção adequado que ajude a criança a colmatar as dificuldades sentidas e promover o seu sucesso escolar.

Perturbação de aprendizagem não verbal

Já ouviu falar?

É uma dificuldade ainda pouco conhecida, mas existe.

Há crianças que leem bem e escrevem de forma correta.

Revelam uma boa capacidade de memória.

Falam bastante e, muitas vezes, numa idade ainda precoce, mostram-se muito curiosas fazendo muitas perguntas, o que os leva a serem vistos como crianças com grande capacidade de aprendizagem.

Mas, com o tempo, revelam dificuldades de compreensão, expressão e relacionamento social.

Por exemplo, leem um texto, mas têm dificuldade de resumir o essencial, de realçar o mais importante.

As ironias, ou a expressão corporal são “pedras no sapato”, tão difíceis de entender, que se transformam num obstáculo a novas amizades e ao bom relacionamento social.

Sinais a ter em atenção:

RACIOCÍNIO LITERAL

Crianças com perturbação de linguagem não verbal tendem a encarar tudo de forma literal.

Um adulto, já universitário, confessou-nos que passou muito tempo em criança assustado com a possibilidade de um dia ser deixado sozinho na linha do comboio, tudo porque, quando se portava mal, a mãe dizia-lhe: “vou-te pôr na linha”. Este tipo de compreensão à letra é próprio de quem tem dificuldades ao nível da linguagem não verbal.

A expressão corporal é outro desafio. Um sorriso nervoso, num meio de uma conversa triste, pode levar uma criança com perturbação de linguagem não verbal a rir à gargalhada porque não entende o peso do sinal que lhe foi transmitido.

Uma dificuldade que contribui, muitas vezes, para que estas crianças sejam geralmente muito dependentes dos pais, precisamente porque sentem grandes dificuldades em relacionar-se com os pares.

DIFICULDADES MOTORAS:

Problemas de coordenação e de movimento são comuns.

Geralmente estas crianças e adultos passam a ideia de “desajeitados”. Recortar um desenho com uma tesoura, por exemplo, ou até mesmo andar de bicicleta podem ser tarefas difíceis.

RELAÇÃO ESPAÇO-VISUAL:

Apesar das dificuldades de relacionamento que apresentam é comum estas crianças manterem-se demasiado perto da pessoa com quem comunicam. O que se justifica com a dificuldade que têm em relacionar o que veem com o espaço em que estão.

Pela mesma razão é bastante habitual que recordem facilmente o que ouviram, sem que o consigam relacionar com o que viram.

NA ESCOLA:

Devido à dificuldade em compreender conceitos mais abstratos são alunos geralmente com dificuldades ao nível da matemática, sobretudo na resolução de problemas com uma componente que exija uma compreensão escrita.

O que está na origem do problema e como procurar ajuda?

Por enquanto não se sabe ao certo que disfunção no cérebro provoca o Perturbação da Aprendizagem Não Verbal. Não há por isso um tratamento para o problema, mas é possível encontrar estratégias que o permitam superar da melhor forma.

Com a idade os sintomas tendem a ser mais evidentes. As crianças geralmente percebem que entendem o que os rodeia de uma forma diferente dos restantes amigos ou colegas de escola. Sem ajuda poderão desenvolver problemas de ansiedade, que no limite podem levar a comportamentos compulsivos.

Procure a ajuda de um especialista.

Um psicólogo educacional ou um psicopedagogo, será capaz de traçar uma estratégia que passará sempre por identificar quais são as maiores dificuldades do seu filho e as competências em que revela maiores potencialidades.

A intervenção envolverá sempre os pais, que querem ajudar os filhos, mas muitas vezes sem saber como o podem fazer.

Um especialista, dar-lhe-á instrumentos para que o dia a dia possa tornar-se mais fácil. Há truques de linguagem que podem, de forma imediata, levar o seu filho a sentir-se mais compreendido. O apoio especializado ajudá-lo-á também a fazer a ponte com a escola, com indicações que podem facilitar a abordagem dos professores.

Acima de tudo não desanime, ao tentar resolver um problema estará também a permitir que o seu filho descubra o que tem de melhor, uma aprendizagem que terá boas recompensas no futuro.

9 Estratégias para ajudar o seu filho com dislexia

Está ao alcance de qualquer pai. Não precisa ser um especialista. Mas ajudar o seu filho que apresenta um quadro de dislexia pode ser um desafio.  Para que consiga desenvolver algumas competências ou fortalecer a sua autoestima há estratégias simples que pode seguir. Algumas, cujo respetivo sucesso só depende de si.

Antes de mais, tenha em atenção que as crianças (e as famílias) são todas diferentes. E, como tal, há abordagens que resultam e outras que podem não surtir efeito. Não entre em pânico se as primeiras estratégias não forem eficazes. É normal que, só depois de as experimentar, consiga encontrar e escolher a que melhor serve o seu filho. Eis algumas que pode tentar em casa:

1. Leia em voz alta todos os dias.

Se o seu filho ainda é criança, aconselhamos a leitura de livros de banda desenhada. Se for um pouco mais crescido, uma história do famoso Harry Potter pode ser uma boa solução. Para um adolescente, considere a leitura de artigos de revista, jornal ou talvez uma receita. A sua leitura em voz alta, de forma diária, pode permitir ao seu filho compreender e expandir com maior probabilidade de sucesso a sua base de conhecimento global. Pratique.

2. Perceba quais são os interesses do seu filho.

Uma criança com dislexia e outros problemas de leitura consegue interessar-se mais facilmente por um livro se o respectivo tema for do seu interesse. Experimente, por exemplo, histórias de mistério, banda desenhada, livros de desporto e  de artistas musicais. Investigue.

3. Use áudio-livros.

A internet é um grande contributo e pode ajudá-lo a encontrar os temas mais desejados. Nas livrarias, alguns livros também já são vendidos em formato digital. Sabia que, ouvir uma história no computador (ou no tablet) enquanto se olha para as respectivas palavras, pode ser uma boa ajuda para ensinar o seu filho? É verdade. A estratégia pode permitir ao seu filho relacionar os sons que está a ouvir com as palavras que vê. Experimente.

4. Procure aplicações na internet e outras ajudas tecnológicas.

Processadores de texto e de correção ortográfica podem ajudar as crianças com problemas de leitura e ortografia. Os programas de reconhecimento de voz também podem ser importantes para o desenvolvimento destas competências do seu filho. Deixe-o ditar as suas ideias em vez de as digitar. É um bom exercício. Na internet, não faltam aplicações que permitem desenvolver as habilidades de leitura. Procure.

5. Observe e tome notas.

Observe o seu filho mais de perto e tome notas sobre o seu comportamento. Verá que ajuda a revelar padrões e a identificar os problemas. As suas anotações podem ser preciosas para os professores na escola, os médicos e outros profissionais. Tudo começa por aqui.

6. Concentre-se no esforço, não no resultado.

Estimule o seu filho a querer melhorar. O seu encorajamento constante vai ajudá-lo a permanecer motivado. Faça-o perceber a importância dos afetos, dos abraços, dos beijos. Sempre que sentir pequenos progressos partilhe com ele e reconheça-o. Esse reconhecimento é fundamental para o seu desenvolvimento. Ao mesmo tempo, reforce a ideia de que errar é humano e que todos nós erramos.

7. Perceba o que se sente.

Através dos olhos do seu filho tente perceber o que pode estar a sentir. Esse exercício é importante na medida em que o pode ajudar a saber lidar com os problemas e com as soluções. Se os pais souberem o que o filho está a sentir em determinado momento menos difícil, será essa a escolha da estratégia mais correta a seguir. Experimente até acertar na mais eficaz.

8. Faça da sua casa uma biblioteca.

Coloque vários livros que podem interessar ao seu filho espalhados pela casa. Na sala, nos quartos e até na casa de banho. O seu filho sentir-se-á estimulado para a leitura. Quando sair à rua, por exemplo, para comer uma pizza, dar um passeio ou fazer uma viagem, leve consigo um livro. E, sempre que possível, leia-o em família para que seja discutido em conjunto. Seja criativo e encontre maneiras de incentivar a leitura e a escrita.

9. Aumente a confiança.

Use as atividades extracurriculares e outros passatempos para ajudar a melhorar a autoestima e a resiliência do seu filho. Experimente diferentes formas de identificar, construir e reforçar os seus pontos fortes.

Neste artigo iremos explorar em que consiste a Disortografia, respetivos sinais de alerta, como se realiza o diagnóstico e qual a intervenção mais adequada para crianças que manifestam esta perturbação da aprendizagem.

O que é a disortografia?

A Disortografia deriva das palavras “dis” (desvio) + “ortho” (correto) + “graphos” (escrita), isto é, a dificuldade em escrever corretamente. Assim sendo, a Disortografia é uma Perturbação da Aprendizagem Específica com Défice na Expressão Escrita que afeta a precisão ortográfica, a precisão gramatical e da pontuação e a clareza ou organização da expressão escrita.

Apesar de a Disortografia poder ser uma perturbação por si só, é frequente coexistir com a Dislexia, isto é, com a Perturbação da Aprendizagem Específica com Défice na Leitura.

Sinais de alerta de disortografia?

São vários os sinais indicadores de uma possível Disortografia. Num texto típico, escrito por uma criança com disortografia podemos observar:

  1. Incorreções ortográficas diversas:

– Omissões de letras/sílabas (e.g. banco-baco);

– Adições de letras/sílabas (e.g. comer-comere);

– Inversões de letras/sílabas (e.g. barco-braco);

– Substituições de letras com sons semelhantes (e.g. verde-ferde);

– Substituições de letras com formas semelhantes (e.g. bola-pola);

– Aplicação incorreta das regras gramaticais (e.g. ajudam-ajudão);

  1. Dificuldades ao nível da pontuação:

O mais habitual é os textos das crianças com Disortografia apresentarem pouca ou nenhuma pontuação. Em outros casos, pode ocorrer uma tentativa por parte da criança, nomeadamente quando são mais velhas, de utilizarem os diferentes sinais de pontuação, no entanto nem sempre os aplicam da forma mais adequada, tornando o texto confuso.

  1. Dificuldades na precisão gramatical:

É frequente estas crianças saberem explicar com precisão as diferentes regras gramaticais de forma isolada. Contudo, no momento em que as têm de aplicar de forma autónoma (pois têm de escrever a um ritmo que não lhes permite refletir com calma nas diferentes regras), acabam por cometer esses mesmos erros de precisão gramatical.

  1. Dificuldades no encadeamento/organização das ideias:

É crucial ensinar estas crianças a planear os textos antes de os escrever. Uma das características desta perturbação da aprendizagem é exatamente a dificuldade em produzir um texto escrito com uma sequência lógica e bem estruturada ao nível das ideias (mesmo quando bem estruturadas oralmente).

  1. Ritmo lento na escrita:

Uma vez que estes alunos necessitam de recorrer a diferentes estratégias, para conseguirem escrever sem erros, para saberem qual a regra gramatical a ser aplicada, para saberem qual o sinal correto de pontuação adequado, isto ao mesmo tempo que tentam elaborar um texto com uma boa construção frásica, acabam por revelar um reduzido ritmo de produção textual.

Como diagnosticar a disortografia?

Tal como a Dislexia, também a Disortografia deverá ser avaliada por um técnico especializado em Dificuldades de Aprendizagem (Psicólogo, Psicopedagogo, Neuropsicólogo), em estreita colaboração com os pais e professores.

Como em qualquer Perturbação da Aprendizagem Específica, a criança só poderá ser formalmente diagnosticada após dois anos de estimulação formal da leitura e da escrita (o que não significa que não seja possível despistar sinais de alerta previamente) e se o seu desempenho nas competências de escrita for significativamente abaixo do esperado para o seu nível escolar (avaliado através de provas formais e informais) e não consequentes de uma deficiência auditiva/visual, de uma Perturbação Específica da Linguagem ou de uma fraca estimulação escolar.

Qual a intervenção mais adequada?

A intervenção ao nível da Disortografia consiste na reeducação e treino das competências fonológicas (características desta dificuldade de aprendizagem) e visuo-espaciais, tendo como foco principal o processamento fonológico. As sessões de intervenção ao nível da estimulação das referidas competências deverão, sempre que possível, privilegiar uma estimulação multissensorial.

É importante referir que o sucesso da intervenção será tanto maior quanto mais cedo estas dificuldades forem detetadas e intervencionadas. Tal como na avaliação, também a intervenção deverá ser realizada em colaboração com o contexto familiar e escolar.

Mitos sobre Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção

“A PHDA é uma perturbação real. Afeta na maioria das culturas cerca de 5% das crianças e 2,5% dos adultos.”

Diariamente somos assolados pelas mais diversas fontes de informação sobre crianças, desenvolvimento infantil, perturbações, temperamentos e características comportamentais dos alunos de hoje em dia.

Uma das siglas que nos invade frequentemente, tanto em slogans, outdoors publicitários, folhetos, posters farmacêuticos, como sendo parte integrante de diversos títulos de reportagens, é a sigla PHDA – Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção.

Mas, o que é afinal a Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção?

Apesar das enumeras investigações científicas na área, cada vez mais diversificada e com metodologias cuidadosas, há mitos que tendem a persistir e a perpetuar-se até à atualidade. Neste artigo, procuramos esclarecer alguns mitos e contribuir para dar resposta a questões tão prementes como a classificação da PHDA, enquanto verdadeira perturbação do desenvolvimento.

1º Mito

A PHDA não é uma perturbação médica real

Não é verdade.

A PHDA é uma perturbação do desenvolvimento. É legitimamente reconhecida pelas organizações mais distintas nas áreas da medicina, da psicologia e da educação, quer a nível nacional, quer a nível internacional. A sua classificação, descrição e respetivos critérios de diagnóstico, estão presentes no principal manual de diagnóstico e estatística das perturbações mentais, DSM-V, elaborado pela associação Americana de Psiquiatria.

A PHDA tem uma origem multifactorial. Várias investigações dão sustentação a uma base neuropsicológica, onde se assiste à conjugação de fatores biológicos com as experiências do indivíduo nos seus contextos de interação.

Alguns sinais de alerta tendem a caracterizar-se por:

  • dificuldades na manutenção da atenção,
  • impulsividade,
  • excesso de atividade motora.

Tais comportamentos têm impacto:

  • no quotidiano de crianças e jovens
  • a nível do seu desempenho escolar
  • a nível da sua interação social, com repercussões na atmosfera da família.

2º Mito

A PHDA resulta de uma má educação e de estilos educativos parentais deficitários

Não é verdade.

A PHDA é uma perturbação real. Afeta na maioria das culturas cerca de 5% das crianças e 2,5% dos adultos. A dificuldade manifesta-se no incumprimento de regras e de normas, assim como na irrequietude constante destas crianças e jovens.  Estes comportamentos não podem ser atribuídas às especificidades da educação ou do estilo educativo parental, pois ultrapassam os padrões de parentalidade, centrando-se numa fragilidade ao nível da autorregulação comportamental.

Ao contrário do pensamento vigente ou mesmo do senso comum, as crianças com PHDA não cumprem determinadas tarefas ou não acatam determinadas regras porque não queiram ou porque não saibam o que devem fazer, mas sim por causa de uma incapacidade em cumprir, apesar do esforço que muitas vezes aplicam à concretização da atividade. 

3º Mito

A PHDA é o resultado de uma ingestão exagerada de açúcar por parte das crianças

Não é verdade.

Na realidade, muito se tem falado dos efeitos da ingestão do açúcar no cérebro e das possibilidades de integração da referida ingestão em quadros de dependência ou de comportamentos mais extremados, caracterizados pela adição. As investigações conhecidas na área da PHDA não corroboram a teoria de que o açúcar possa estar na origem desta perturbação desenvolvimental.

4º Mito

A PHDA é a designação moderna para crianças mal-educadas e preguiçosas

Não é verdade.

A PHDA é uma perturbação com um quadro diagnóstico concreto e diferencia-se, em larga escala, do efeito de determinado estilo educativo parental, ou mesmo de um comportamento pautado pela falta de investimento.

Na realidade, alguns comportamentos característicos de uma criança com PHDA, quando não devidamente analisados, podem facilmente confundir-se com preguiça e má educação uma vez que sobressaem as dificuldades no cumprimento de regras e normas, a emergência de birras e a manifestação de desinteresse nas tarefas. As crianças com PHDA apresentam uma dificuldade efetiva na concretização de tarefas que exijam um longo esforço mental e na antecipação das consequências dos seus atos.

5º Mito

A PHDA afeta unicamente os rapazes

Não é verdade.

A PHDA tanto surge em rapazes como em raparigas. No entanto, é verdade que o seu diagnóstico é mais frequente no género masculino, seja em crianças ou em adultos. Nas crianças a relação é de 2 rapazes para uma 1 rapariga. Nos adultos, a relação é de 1,6 homens para 1 mulher. Os quadros sintomáticos tendem a ser diferentes ao nível do género, sendo que o feminino apresenta mais sintomas de desatenção do que o masculino.

6º Mito

Só as crianças com hiperatividade é que têm PHDA

Não é verdade.

A agitação motora faz parte de um percurso desenvolvimental saudável. Por conseguinte, só quando a agitação motora se torna exacerbada, capaz de influenciar negativamente os vários contextos de interação (casa, escola, sociedade em geral), tornando-se por si só desadaptativa e comprometendo o desenvolvimento global da criança, é que podemos estar perante um quadro de perturbação.

Por seu turno e apesar da hiperatividade se apresentar como um dos sintomas mais prementes e comuns de uma PHDA, uma criança pode ter o mesmo quadro diagnóstico mas sem a presença deste sintoma. Tal facto deve-se às vários tipologias/subtipos de PHDA.

7º Mito

As crianças que usufruem de condições especiais na escola devido à PHDA recebem injustamente vantagens educativas relativamente aos seus pares

Não é verdade. Uma criança que apresenta um diagnóstico de PHDA tem fragilidades sobretudo ao nível da manutenção da atenção e, consequentemente, apresenta dificuldades na capacidade de concentração. Pode também manifestar dificuldades ao nível da autorregulação comportamental. Ao integrar estas crianças ao abrigo de um estatuto de necessidades educativas especiais, estamos a conferir-lhes ferramentas e estratégias o mais adequadas possível ao seu perfil, para que consigam estar num nível similar ao dos seus pares, sempre numa perspetiva equitativa e inclusiva do processo de ensino-aprendizagem. Em síntese, o objetivo não é beneficiá-las, mas diminuir a sua desvantagem, à partida, relativamente aos seus pares.

8º Mito

A

Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção

passa com a idade

Não é verdade.

A PHDA tende a apresentar-se como uma condição de vida, revelando cronicidade e evolução ao longo da mesma.

Os sintomas tendem a alterar-se, verificando-se em alguns casos diminuição ao nível da agitação motora. Os sintomas inerentes às dificuldades na atenção, autorregulação comportamental e impulsividade tendem a persistir no tempo ou mesmo a agudizar-se. Quando não diagnosticada atempadamente a PHDA pode originar outras dificuldades.

9º Mito

A ritalina é a cura para a PHDA

Não é verdade.

A ritalina é considerada um psicoestimulante cujo princípio ativo é o cloridrato de metilfenidato. É o medicamento mais comumente utilizado no tratamento da Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção. Pode ajudar as crianças a melhorar a sua atenção e concentração, e a diminuir o seu comportamento impulsivo. Este fármaco é utilizado como parte integrante de um programa de tratamento, que tende a incluir terapias e estratégias cognitivo-comportamentais centradas nas áreas da psicologia, educação e na área social.

10º Mito

A toma de ritalina origina um atraso no crescimento das crianças

Não é totalmente verdade.

De acordo com algumas investigações e segundo o INFARMED, a utilização de metilfenidato por um período superior a um ano pode originar um atraso no desenvolvimento de algumas crianças. De acordo com o INFARMED este efeito secundário afecta menos de 1 em 10 crianças. Daí a necessidade premente de supervisão médica aquando da utilização do referido fármaco.

11º Mito

A PHDA não está associada a outras perturbações

Não é verdade.

A maioria das crianças com PHDA tende a apresentar outras perturbações associadas. Mais especificamente perturbações de humor, perturbações de ansiedade, perturbações da conduta e dificuldades de aprendizagem, que se manifestam isoladamente ou em conjunto.

12º Mito

Há cura para a PHDA

Não se sabe.

As várias notícias ilustradas nas mais diversas revistas, jornais e outras tipologias informativas que retratam curas milagrosas para a PHDA são divergentes da realidade cientifica, ou seja, os estudos científicos na área não comprovam as referidas metodologias, não havendo por isso ainda sustentação a este nível.

Como estimular a inteligência emocional do seu filho

O que é a inteligência emocional?

Daniel Goleman, psicólogo e escritor americano, define Inteligência Emocional como sendo a capacidade de reconhecer, compreender e gerir os nossos próprios sentimentos e emoções, assim como uma maior facilidade em reconhecê-los e compreendê-los nos outros.

Seja através de expressões faciais ou do tom de voz, tem-se uma maior empatia para com aquilo que se sente e para com quem nos rodeia. De acordo com este investigador, a inteligência emocional é o que nos permite reconhecer variações emocionais mais subtis, e utilizar as emoções para facilitar o próprio pensamento e raciocínio.

Estimular a inteligência emocional

A inteligência emocional pode e deve ser estimulada desde cedo na vida de uma criança. Crianças que desenvolvem a sua inteligência emocional têm maior capacidade para gerir as suas emoções internas. Apresentam maior habilidade no relacionamento com os outros e maior auto-motivação para concretizar objectivos. Têm, em suma, maior probabilidade de vir a ter sucesso – pessoal e profissional – enquanto adultos.

Neste sentido, a equipa do Centro SEI, dá-lhe algumas dicas de como pode estimular a inteligência emocional do seu filho:

1 – Seja empático com o seu filho

Imagine que o seu filho está triste ou desiludido com qualquer coisa. Um brinquedo que se partiu, um balão que voou, um amigo com quem se zangou, um jogo que perdeu… Mesmo que não possa fazer nada de concreto para resolver o seu sentimento de tristeza, e que até lhe pareça que ele está a ter uma reacção exagerada, tente ser empático com ele. O pai poderá dizer-lhe: “imagino como te sentes. Provavelmente sentes-te triste e frustrado. Estavas à espera de ganhar e lutaste por isso, mas depois perdeste. Eu lembro-me quando tinha a tua idade também perdi um jogo e o que senti foi parecido… O que fiz na altura foi tentar aprender com a derrota para jogar melhor da próxima vez!”. Deste modo, a criança sente-se compreendida e aceite, e a crise passa.

Ser-se compreensivo é tudo quanto basta para ajudar alguém a libertar-se de sentimentos angustiantes. Sejam eles causados por assuntos sérios ou por um simples acumulado de eventos insignificantes. Explodir permite-nos libertar-nos dessas emoções negativas e seguir em frente sem o peso delas.

Lembre-se que empatizar com o seu filho não significa necessariamente que concorde com ele. Mas tão somente que é capaz de ver a sua perspectiva e de ser solidário com o que ele está a sentir.

As vantagens:

– ao sentir-se compreendida, há libertação de elementos bioquímicos calmantes na criança, através de um processo neurológico que será fortalecido sempre que a criança vive essa sensação de alívio. Será este processo fundamental que ela irá usar para se acalmar a si própria, mais tarde, enquanto adulta.

– a empatia é “contagiante”.  As crianças desenvolvem empatia através da empatia que vivenciam através dos outros.

– ao fazê-lo, estará a a ajudar o seu filho a refletir sobre a sua própria experiência e a tomar consciência das suas emoções. A própria verbalização do seu sentimento é, por si só, uma valiosa ferramenta para aprender a gerir as emoções ao longo da sua vida.

2 – Permita ao seu filho expressar-se

Dado que as crianças não conseguem distinguir as suas emoções do seu “eu”, sempre que não aceitar ou tiver tendência para minimizar as emoções do seu filho, estará a transmitir-lhe a mensagem de que alguns dos seus sentimentos são vergonhosos ou inaceitáveis.

Ao desaprovar o medo ou a raiva do seu filho, não só estará a impedi-lo de viver esses sentimentos, como poderá estar a forçá-lo a reprimi-los. Ao contrário das emoções que são expressas livremente, as quais tendem a desaparecer, sentimentos que são reprimidos tendem a ficar “presos” dentro da criança, como que à procura de uma saída. Acabam por sair cá fora de forma não modulada. Por exemplo através de gestos agressivos, tiques nervosos ou pesadelos durante o sono. Pelo contrário, ao permitir que o seu filho se expresse livremente, estará a ensinar-lhe a aceitar e a compreender que toda a gama de sentimentos é compreensível e parte integrante do ser humano, mesmo que algumas ações devam ser limitadas.

Numa situação em que o seu filho se sinta em conflito, em vez de censurá-lo ou atropelá-lo, poderá ajudar o seu filho a traduzir em palavras o que acha que ele sente e que ele ainda tem dificuldades em nomear: “Eu acho que te deves estar a sentir frustrado. Eu também sinto isso às vezes quando não consigo fazer aquilo que quero… O que normalmente faço é ver o lado positivo das coisas que acontecem!”. Deste modo, a criança aprende a identificar sentimentos, sente-se compreendida e aceite e a crise passa.

As vantagens:

– o seu filho vai aprender a aceitar as suas próprias emoções.
Por conseguinte terá maior capacidade de as regular. Isto é fundamental para permitir-lhe resolver os seus próprios sentimentos e conseguir seguir em frente.

– a criança aprende que a sua vida emocional não é perigosa nem vergonhosa.
Mas sim universal e passível de ser gerida. Desta forma, ela descobre que não está sozinha e aprende a aceitar-se tal como é, incluindo as suas partes menos agradáveis .

3 – Ensine-o resolver problemas

Emoções não são mais do que mensagens que o nosso cérebro emite para nos comunicar qualquer coisa. Se conseguir ensinar o seu filho a assumir essas emoções, a senti-las e a tolerá-las sem o impulso de agir sobre elas, estará a contribuir para que ele aprenda a gerir os seus próprios dilemas.

Na maioria dos casos, assim que a criança (ou o adulto) sinta que as suas emoções são compreendidas e aceites, os sentimentos negativos que lhe estejam associados perdem importância e começam a dissipar-se, criando-se um espaço para a resolução de problemas.

Por vezes, as crianças podem desenvolver essa capacidade sozinhas. Noutros casos talvez precisem de apoio para melhor compreender o que se passa. Em todo o caso, resista ao impulso de tentar imediatamente resolver o problema da criança, a menos que ela lhe peça ajuda directamente. Isto é fundamental para que ela sinta que você tem confiança na sua capacidade de lidar consigo mesmo e de encontrar soluções construtivas para os problemas.

Crianças que desenvolvem a sua inteligência emocional têm maior probabilidade de vir a ter sucesso – pessoal e profissional – enquanto adultos.

6 dicas para ensinar as crianças a serem organizadas

Não precisa gastar muito dinheiro. Use a imaginação. Ferramentas simples são suficientes para garantir uma boa organização. Algumas funcionam tão bem como as mais sofisticadas e dispendiosas.
Arrumar o próprio quarto, por exemplo, e ter algumas tarefas regulares, são a melhor forma de introduzir a organização na vida de uma criança – um grande desafio para todos os educadores.
Se os pais não forem organizados, dificilmente serão os filhos.

Exemplo é a chave do sucesso: os pais são um espelho para os filhos.

Preste atenção e pondere seguir as seguintes dicas:

1. Um calendário familiar

Se for grande tanto melhor. Fixe-o na parede lá de casa, num local de fácil acesso. Organize o calendário de acordo com o agregado familiar, os compromissos pessoais, profissionais e escolares. As atividades a desenvolver em conjunto e em particular: a hora das refeições, da higiene, das tarefas de casa, de brincar, etc.

Convém estabelecer rotinas diárias.

Se o fizer tornar-se-á mais fácil ensinar a criança a ser organizada em casa e na escola, aumentando, assim, as probabilidades de enfrentar com sucesso o mundo quando for adulta. Uma criança organizada tenderá a ter uma carreira profissional mais bem sucedida, através do cumprimento de metas e objetivos a atingir desde os primeiros anos de vida.

O processo será mais fácil se usar um marcador de cor diferente para cada membro da família. Viver num ambiente organizado é fundamental para o bom desenvolvimento do raciocínio lógico da criança. Delegue competências, seguindo o princípio, segundo o qual, em casa todos ajudam.
Atenção, não a force a executar tarefas para as quais ainda não está preparada – o não cumprimento com sucesso de algumas responsabilidades pode provocar o sentimento de frustração e insegurança. O excesso de ordem pode, também, potenciar a procura obsessiva da perfeição e originar problemas a médio/longo prazo.

2. Lista de verificação visual

Dê-lhe as ferramentas certas para a organização. Em vez de palavras, por que não fotografias? Normalmente, as crianças são mais seduzidas por aquilo que veem em vez de aquilo que leem. E costuma ser menos stressante. As rotinas podem ser olhadas de forma divertida.

Use, por exemplo, fotos para ilustrar a lista de tarefas a executar. Seja criativo. Organize a rotina matinal por fotografias: fotos a sair da cama; escovar os dentes; vestir-se; pentear o cabelo e tomar o pequeno-almoço.

A lista de verificação visual é particularmente importante para as crianças mais pequenas que ainda não sabem ler e para as que apresentam problemas de aprendizagem e atenção. Verá que pouco tempo depois cumprirão todas as tarefas de forma intuitiva.

À medida que a criança vai crescendo comece a dar-lhe liberdade para cumprir as tarefas de forma independente, aumentando, assim, lentamente os níveis de responsabilidade.

Aos 8 anos a criança já deverá ser capaz de fazer tudo sozinha, ainda que nem sempre da forma mais eficaz. Organização e disciplina são conceitos essenciais para qualquer pessoa. Sempre que realizar uma tarefa sozinha não deixe de elogiar e, em alguns casos específicos, ofereça uma recompensa. O reforço positivo vai potenciar o aumento da confiança e da autoestima da criança.

3. Um relógio analógico

Ensine a importância do tempo. Um relógio pode ajudar as crianças a se situarem mais facilmente no tempo e no espaço. Permite, também observar como o tempo pode ser dividido em partes. Quantos minutos passaram e quantos restam. Considere a compra de quatro cores de papel celofane.
Divida o mostrador do relógio em blocos de 15 minutos e coloque celofane de cor diferente em cada uma dessas partes.
Esta estratégia permitirá à criança acompanhar com maior facilidade a passagem do tempo até que aprenda a ver as horas com normalidade, algo fundamental para saber como se organizar.

4. Um organizador de material

Um canto de estudo organizado é fundamental para que não sucedam as habituais distrações. Em vez de deixar o material escolar espalhado pela casa, guarde-o num local próprio, por exemplo, dentro de uma caixa facilmente transportável. Ensine a criança a organizar o material (lápis, marcadores, tesoura e cola) de uma forma funcional. Há caixas de brinquedos com alças que podem servir para armazenar e transportar todo o material escolar.

5. Dossiers/pastas coloridas

Pastas organizadas por cores costumam facilitar a vida dos alunos. Por exemplo, use uma determinada cor para colocar os papéis que precisam viajar com regularidade de casa para a escola e vice-versa, por exemplo, os trabalhos de casa. Escolha outra cor para os papéis que podem voltar para casa e não precisam de ser devolvidos.
E ainda outra cor para os trabalhos que precisam de ser acompanhados pelos pais e logo depois devolvidos à escola.

6. Caixas como portfólio

Caixas variadas são uma ótima solução para economia de espaço, num quarto de uma criança. Empilham-se facilmente uma em cima de outra e podem ser decoradas e rotuladas conforme o gosto de cada criança. Use-as, por exemplo, para guardar desenhos e outros materiais de forma cómoda e eficaz. Experimente utilizar, também, caixas transparentes com tampa, para que, de uma maneira simples e rápida, a criança consiga aceder aos brinquedos favoritos.

Como reagir se o seu filho disser: “Não quero ir à escola”

A recusa em ir à escola é entendida na maioria das vezes como um ato momentâneo de preguiça e na maioria dos casos não passa disso mesmo. Mas a frase “não quero ir à escola” pode esconder um pedido de ajuda para o qual os pais devem estar atentos.

Antes de pensar castigar, ou obrigar, tente perceber o que leva o seu filho a acordar sem vontade de ir às aulas.

É normal que uma vez ou outra uma criança mostre vontade de ficar em casa, muitas vezes, na expectativa de ficar mais tempo com os pais. Mas se a recusa se repete é preciso ler para lá dos sinais.

AS DESCULPAS

“Doí-me a cabeça”, “doí-me a barriga”, são desculpas a que os mais pequenos recorrem com frequência quando não querem ir à escola. Por vezes o mal estar físico tem sintomas que são visíveis pelos pais como febre ou vómitos, mas que não encontram uma justificação médica. São os chamados sintomas psicossomáticos.

Uma reação do corpo a problemas que podem ser de natureza psicológica ou emocional. É importante perceber que o seu filho pode não estar a mentir quando se queixa de uma dor de barriga para a qual o médico não encontra resposta.

A criança pode ter dificuldade em expor e até compreender o que sente.

A dor é a porta que o corpo encontra para pedir ajuda.

RAZÕES PARA NÃO QUERER IR À ESCOLA

São vários os motivos que podem levar uma criança a rejeitar a escola de um dia para o outro.

Tente conversar com o seu filho perguntar-lhe o que tem de melhor e de pior na escola.

Esteja atento aos sinais.

Bullying

Há crianças que recusam levar determinadas roupas ou objetos para a escola, outras que acabam por admitir que “os meninos são maus”. São por vezes sinais de que são vítimas de agressões físicas ou psicológicas, o chamado bullying. Se for esse o caso dê confiança ao seu filho. Mostre-lhe que não está sozinho e que juntos vão resolver o problema. Tente identificar quem são os agressores e marque uma reunião com o professor ou o diretor de turma. Sugira também uma conversa em conjunto com os pais dos meninos responsáveis pelo bullying e tentem em conjunto encontrar uma solução.

Dificuldades de aprendizagem e/ou atenção

Uma chamada para ir ao quadro ou para ler um texto em voz alta, para algumas crianças não passa de um desafio mas para outras pode ser um enorme fator de ansiedade.

O medo de cair no ridículo, de ser gozado pelos restantes, é habitual entre os mais pequenos, sobretudo quando existe uma dificuldade de aprendizagem de forma geral ou em determinadas matérias.

É importante estar atento, falar com o seu filho ao final de cada dia.

Se ele diz que “a escola é muito difícil, veja para lá do óbvio.

Talvez sinta vontade de dizer que tem de trabalhar mais porque a vida é dura e exige esforço. Mas o caminho deve ser outro. Pergunte-lhe que matérias acha mais interessantes na escola e em quais tem mais dificuldades. Elogie as capacidades que revela e mostre que o irá ajudar a superar os temas mais difíceis. Poderá também recorrer à sua experiência pessoal para lhe dar alguns exemplos de como superou determinados problemas.

Medos

“Não quero ir à escola”, pode querer dizer “quero ficar em casa”.

Na prática parece dar no mesmo, mas não é.

Por vezes o problema está no seio da família e não no ambiente escolar.

Há crianças que, por diversas razões, alimentam uma dependência pelo pai, ou a mãe e sentem receio sempre que se afastam. Acontece, por vezes, quando há uma perda ou um distanciamento. Em caso de morte, por exemplo, ou de divórcio. Se o seu filho perdeu a avó ou o avô, é natural que se questione que pode um dia perder os pais. Um receio que se pode traduzir em ansiedade e medo de sair de casa, de se afastar dos que mais gosta. Falamos de pessoas, mas pode acontecer também quando há a perda de um animal de estimação. Uma vez mais o diálogo é essencial para compreender e ajudar o seu filho.

Os motivos que podem levar uma criança a rejeitar a escola são muitos e podem ocorrer em simultâneo.

A boa notícia é que, na maioria das vezes, o problema é passageiro. Esteja atento. No final de cada dia, conversem, faça perguntas. O que aprendeu na escola? Que disciplinas gostou mais? Será que sentiu dificuldades nalguma matéria? E os amigos? Quem são? A que brincaram nos intervalos?

Não desespere e, acima de tudo, não castigue antes de saber a real razão do problema.

A criança precisa de sentir que é entendida.

Tente a via do diálogo. Reforce a importância dos estudos para a vida futura, mas realce também o lado mais lúdico da escola.

E já agora, avalie se o seu filho dorme horas suficientes. Será que não tem uma agenda demasiado preenchida com atividades escolares e extra-escolares.

Por vezes, algum cansaço pode ser a resposta que procura.

Lembre-se, poderá não acertar na melhor estratégia à primeira, tente uma vez mais, mas não hesite em procurar ajuda especializada, de um psicólogo, por exemplo, se entender que o problema persiste.

O novo ano letivo já arrancou e por isso, enquanto pais, devemos começar já a acompanhar os nossos filhos. Em casa, na escola nas atividade, aqui ficam

6 formas simples de preparar o seu filho para o novo ano letivo

A emoção e a angústia são mais notórias no início do novo ano escolar. Para muitos pais e filhos o regresso às aulas depois das longas férias de Verão, é sinónimo de dificuldades: novos professores e alunos, horários fixos e maior exigência.

Mudanças que se afiguram particularmente difíceis, sobretudo para crianças e adolescentes com problemas de aprendizagem, de falta de atenção e com baixa capacidade de organização.  Há a necessidade de as preparar com antecedência para as novas obrigações académicas. Não desespere!

Há formas simples de as ajudar na transição para o novo ano letivo e que dependem apenas de si:

1- Ensine o seu filho a ser organizado.

Uma organização/calendarização das atividades eficaz, pode facilitar os primeiros dias de escola, aumentar os níveis de confiança e autoestima e serenar o habitual nervosismo. Organize o material escolar, livros, canetas e a mochila. Defina, por exemplo, as tarefas domésticas diárias em função dos horários escolares. Estabeleça períodos para as atividades extracurriculares e para o estudo em casa.

É importante que o seu filho tenha horários pré-definidos para a realização dos trabalhos de casa. Um local arrumado e silencioso para realizar as tarefas escolares pode ser determinante para obter a desejada concentração e os bons resultados no final dos três períodos letivos.

2 – Estabeleça rotinas de sono.

O descanso é fundamental para uma boa aprendizagem e melhora o desempenho escolar. Imponha horários para o seu filho ir para a cama durante o ano letivo. As necessidades e os padrões de sono variam em função da idade da criança. Não dormir o número de horas necessárias pode também ter consequências graves aos níveis emocional e comportamental.              

3 – Converse diariamente com o seu filho sobre a escola.

Mantenha uma comunicação aberta sobre as atividades curriculares, a aprendizagem e as relações com colegas e professores. É importante que os pais se envolvam nas rotinas escolares. Incentive o seu filho a partilhar os medos e receios. Identificar um problema é a primeira forma de o resolver.

4 – Motive o seu filho para a aprendizagem.

Não há sucesso escolar sem motivação. Esteja atento aos progressos e às dificuldades. Elogie os bons resultados e reforce o esforço aplicado na aprendizagem. Se o fizer estará a contribuir para promover a motivação e a confiança do seu filho. Não estabeleça objectivos demasiado elevados. Expectativas não cumpridas podem ter um efeito negativo no rendimento escolar. Ensine o seu filho a acreditar em si próprio.  Concentre-se nos seus pontos fortes e dê-lhe ferramentas para lidar com os desafios escolares de forma mais eficaz.

5 – Estabeleça estratégias para o estudo no novo ano letivo

É preferível uma hora diária de estudo a várias nas vésperas das avaliações. Comece pelas disciplinas que o seu filho tem maiores dificuldades. Deixe as que ele considerar mais fáceis para o fim. Os níveis de concentração são mais elevados no início da realização dos trabalhos de casa. Ensine o seu filho a fazer apontamentos da matéria sobre a qual incide o estudo. Em caso de necessidade pode sempre aproveitar o fim-de-semana para rever conhecimentos e pôr a matéria em dia.

6 – Ensine o seu filho a ser autónomo e responsável.

É importante que os alunos percebam que as boas avaliações dependem de si próprios, dos níveis de concentração nas aulas e do trabalho em casa. As crianças devem ser estimuladas e orientadas para estudar de forma autónoma. Isto não significa que os pais devam “estudar” pelos filhos. É um erro comum que só promove a dependência e a falta de confiança das crianças. Supervisione diariamente as atividades letivas em casa, sobretudo nos primeiros anos de escolaridade. Apoie, esclareça mas incentive-o a estudar sozinho.